25 de outubro de 2017:

Estava observando a elfa que me mostrava vários vestidos de tonalidades e texturas diferentes.

E pensava que essas pessoas eram diferentes e tudo parecia estranho demais para compreender em questão de segundos.

Sei quem eram essas pessoas e elas me conheciam, mas não tínhamos nenhuma conexão além de memórias que não me lembro.

As palavras daquele homem me fizeram repensar em tudo que falei e tentei insinuar para ele, já que se fosse comigo, iria atrás de vingança e ninguém poderia me deter.

Entretanto, mesmo que os meios que me trouxeram a esse lugar fossem duvidosos, Malfoy... Draco, não fez aquilo por puro egoísmo, palavras dele.

Ele é forte e está aguentando bem a perda de sua amada, mesmo que o sentimento seja agridoce por me ver aqui, onde deveria estar a verdadeira Leesa e não, eu.

Sei que ele diz que não sou a minha substituta e talvez não seja, apenas preciso continuar pensando positivo.

Afinal, não existe guerra aqui e não preciso ser a garota de recados do Lorde das Trevas.

Toquei a bolsa e me lembro que tinha uma igual no escritório...

_ Posso deixar essa bolsa naquele cantinho? - Apontei para perto da poltrona.

_ Senhorita, o quarto é do jovem mestre, mas você pode usufruir do que desejar. Ele permitiu que a senhorita fosse bem acomodada.

Apertei a alça da bolsa e a sensação estranha grudou no meu coração, fazendo que o sentimento ficasse morno, mas latente.

Dou alguns passos até a poltrona e coloco a bolsa suja e maltrapilha ali, tentando colocar meus pensamentos no lugar.

Sou uma mulher de vinte e oito anos, e preciso pensar como uma, e não como uma adolescente que acabou pegando a confissão de outra pessoa e pensa que é para si.

Por que aquela pessoa iria me amar? A Leesa dessa realidade deve ser alguém com capacidades além da minha imaginação e...

_ Senhorita, a madame pediu para você escolher o que mais lhe agrada. - A elfa se chamava Poppy e desde que chegou, continha um sorriso no rosto.

Refaço os meus passos e chego na cama que era grande o suficiente para ter os dois times de quadribol deitados nela.

O quarto só tinha cores escuras e parecia confortável, mas não tinha fotos ou coisas que me faria acreditar na personalidade da pessoa que dormia aqui.

Parecia uma pessoa difícil e que guardava seus sentimentos em uma caixa de Pandora e que só abria para aqueles que ele realmente confiava.

O que tinha a ver com a personalidade do homem que estava no andar debaixo. Mesmo o conhecendo por vista em minhas visitas ao Lorde, sabia que ele era reservado, mas poderoso.

Acho que aqui não era diferente...

Toquei os vestidos de seda, e o frio do tecido era tentador para o clima ameno, mas abafado. Peguei o vestido azul com mangas estranhas e com o busto largo o suficiente para não me deixar imobilizada.

Mas o quadril era justo e iria mostrar quão magra estava, isso era meio constrangedor.

As calcinhas estavam ao lado e tinham de vários tamanhos e cores, mas eram de renda e felizmente não parecia pinicar ou ser incômodo.

_ Será esse. - Coloquei o vestido na frente e mostrei para a elfa. _ O que acha? - Era estranho pedir opinião.

_ Ficará ainda mais linda. - Essas pessoas gostavam de elogiar.

Peguei a calcinha e voltei para o banheiro, não iria me trocar na frente da elfa.

Tirei o roupão e comecei a colocar a roupa, e posso estar sendo um pouco esnobe, mas estava linda com o vestido.

O decote em V não me deixava como uma pessoa esquelética, e nem mesmo fazia os meus seios serem maiores, só os deixavam livres de qualquer sutiã que não usava.

Os botões não eram muitos, talvez só fossem para enfeite, mas a fenda frontal não era um problema, ela era pequena.

Sorri para o espelho e as bochechas fundas ficaram mais acentuadas...

Como aquele Malfoy gostou disso? Será que a mulher que ele amava não tinha problemas com isso? Ela tinha mais gordura do que pele?

Talvez ela não precise ficar fugindo dos inimigos do Lorde como uma idiota atrás de informações confidenciais.

Ser uma espiã da causa errada não era muito melhor do que ser a filha daquele...

_ Senhorita, você já terminou? A comida está pronta. - Coloquei o roupão no lugar e abri a porta.

_ Peguei uma escova de dentes no armário, estava lacrada e...

_ Sem problemas, o jovem mestre não se importa com isso. - Concordei e saí do banheiro.

Olhei para a bolsa e apontei para ela mais uma vez, apenas a deixei ali para colocar roupa, talvez não pudesse ficar para sempre.

_ Preciso tirar? - Negou.

_ O seu quarto está sendo preparado. - Concordei. _ Suas roupas ficarão no closet do jovem mestre, ou no quarto de hóspedes. - Pegou meu dedinho e saímos do quarto.

Iria perguntar se ele iria se importar com isso, mas provavelmente a elfa vai me dizer que ele não iria e apenas iríamos continuar um assunto já encerrado.

Andamos pelo corredor extenso e o mesmo quarto que o Malfoy parou por alguns segundos, continuava cheio de elfos e com um cheiro gostoso de tinta.

Gostava de cheiros fortes, era viciante. Saímos daquele corredor e descemos a escadaria de granito branco. Pensei que a casa fosse toda com cores escuras e bem estranha.

Mas era bem normal, com ventilação e com iluminação amplas. Tão diferente da casa do vovô.

A elfa continuou me conduzindo e parou em uma sala de jantar, que continha três pessoas na mesa e todos me olharam quando cheguei.

Parece que sou o centro das atenções e isso não era tão ruim quanto imaginei, felizmente não estavam me dando olhares de pena... Odiava aquele olhar.

Draco se levantou e veio até mim, me fazendo apertar meus lábios, o que ele queria dessa vez?

_ Precisa secar os cabelos. - Sorriu de lado e minhas bochechas queriam esquentar. _ Poppy, me traga uma toalha, a senhorita Leesa não aprendeu a cuidar de seus cabelos.

A elfa largou meu dedinho, me fazendo arfar com o comentário do loiro, como ele poderia dizer que não sei cuidar de mim?

Iria retrucar, mas seus dedos pegaram uma mecha do meu cabelo molhado e a segurou, brincando entre seus dedos.

_ Preciso ensinar até isso? - Sussurrou, segurando o meu cabelo contra os lábios. _ O que devo fazer com você?

Pisquei algumas vezes, tentando me situar no que estava acontecendo, ou acabaria sofrendo um ataque cardíaco.

O barulho da elfa me fez retirar a mecha de seus dedos, pegando a toalha logo em seguida. Não queria que isso continuasse em uma situação estranha.

O homem sorriu e antes que pudesse me conduzir até o meu lugar, um garoto correu até mim e me abraçou.

_ Mamãe!

Draco pegou a toalha da minha mão e ficou atrás de mim, secando meus cabelos, enquanto o garoto me sufocava com seu abraço.

Merlim, aquela mulher fez um filho? Não, espera, esse deve ser o afilhado e ele era bem fofo...

Ele me olhou e sorriu, aquelas bochechas gordinhas estava clamando para serem beliscadas, e não me contive.

Belisquei suas bochechas e depois de ver que estavam ficando vermelhas, tive que alisar e eram macias. Ele parecia uma bebê de tão fofo que era.

_ Você está linda, mamãe. - Algo desconfortável fez meu coração tremer.

Era como se tudo estivesse se encaixando agora, poderia até mesmo imaginar essa criança sendo meu filho, a pessoa atrás de mim como meu marido e minha sogra...

Não, isso é errado, estou usurpando um lugar que não é meu por direito, não conquistei nada aqui e deveria voltar, depois de me curar.

Então por que sinto que deveria estar aqui, com eles? Parece que todo o quebra cabeça da minha vida foi finalmente solucionado.

_ Prontinho. - Sinto algo tocando minha cabeça e olhei para cima, mas não consegui vislumbrar nada.

_ Vem, vamos comer. - O garoto me puxou pela mão.

Levando-me até a cadeira ao seu lado, me sentei e olhei para a Narcisa que observava tudo que estava acontecendo.

Antes que pudesse sentir vergonha, Draco se sentou na outra cadeira, me fazendo ficar no meio dos dois.

_ Você realmente está linda, Leesa. - Secou algumas lágrimas. _ É tão bom te ver você bem, bom, você pode me chamar de sogra ou tia Cisa.

_ Mamãe! - Malfoy falou. _ Não ligue para ela, talvez ela já esteja caducando.

_ Se você me chamar de velha mais uma vez, vou te colocar ajoelhado no milho. - Tentei não rir e me olharam. _ Tem que ser firme com esse garoto.

_ Aí, que déjà-vu. - Malfoy começou a comer. _ Tenho muitas coisas para contar, então, por favor, coma. - Olhei a sopa com alguns pedaços de carne e comecei a comer.

_ Ah, sou Scorpius. - Olhei o garoto. _ Estou no primeiro ano de Hogwarts e estou na Sonserina.

_ Você tem mais jeito de ser da Corvinal. - Algo cutucou minhas memórias, me fazendo relembrar de um acontecimento inexistente.

_ Nunca. - Os dois falaram.

_ Você é realmente a mamãe, ela falou o mesmo quando só tinha um aninho, bom, não me lembro disso, mas ela sempre falava isso. - Foi apenas coincidência.

Apenas concordei e continuei a comer, meu jeito de comer não era tão sofisticado como dos três, mas nem mesmo ficaram me julgado e apenas continuaram comendo.

_ Leesa, temos que ver o que diz sobre o seu juramento e... - Olhei para ele sem entender, juramento? _ O que foi, a comida não está boa?

_ Não, não é isso, apenas que você falou de juramento, e queria saber que juramento? - Os três me olharam.

_ Você não tem uma cobra-de-duas-cabeças nas costas? - Neguei. _ E o vira-tempo?

_ Ah, isso eu tenho. - Suspiraram e sorriram. _ O que esse juramento fala?

_ Diz que você tem que salvar o Lorde ou você morre, mas como você não tem esse juramento, isso é bom. - Malfoy falou. _ E o vira-tempo nas costas é porque seu pai não é Asmus Macmillan.

_ Sim, eu sei, sou filha de Grindelwald, mas a Byella acabou fugindo da guerra de 1945 comigo em seu ventre e nasci em 1991. - Espera, a Leesa daqui não sabia?

_ Como você sabe? - Tia Narcisa estava perplexa.

_ Meu avô é Grindelwald? - Olhei para ele e apenas concordei. _ Albus vai ficar doido quando souber. - Sorriu e queria saber quem é Albus.

_ Fiz um teste de herança quando fugi de casa, Byella estava querendo que voltasse no tempo para algo mais complexo. - Não queria tocar no assunto. _ Mas acabei me juntando ao Lorde e virei sua informante.

_ O Lorde está vivo? - Concordei.

_ E muito bem-casado. - Pensei que esse mundo fosse comandado pelo Lorde.

Bom, esse mundo era estranho, Draco Malfoy deveria ser um dos piores Comensais e essa criança ao meu lado não deveria existir.

Entretanto, preferia esse mundo colorido e com uma sopa saborosa em meu estômago.

Acho que posso acabar me acostumando com a mordomia e me esquecer que esse não é meu lugar.

_ Ainda é estranho saber que aquele homem venceu... - Scorpius sussurrou.

_ Mas se ele venceu, por que Ronald estava atrás de você? - Malfoy perguntou, limpando a boca.

_ Meu mundo é confuso. - Sabia que era. _ Não dá para explicar em poucas palavras, mas deveria entregar a bolsa para o Lorde, mas você me levou. - Não achava ruim.

_ Você tem a marca? - Neguei e todos ficaram calados por um momento. _ Você tem nojo dela? - Discordei.

_ Tive a escolha de ter a marca. - Continuei comendo. _ Mas meu pai interveio e disse que eu era a sua princesa e não precisava me marcar, não acho nojenta ou algo do tipo.

Sabia o motivo dele estar me perguntando isso, já que seu antebraço existia a marca do Lorde. Eu acho, não posso ter certeza de algo que ainda não vi.

Mas era muito provável que fosse isso, já que sua mandíbula estava cerrada e seus punhos estavam tremendo.

Essa pessoa ao meu lado tem muitos medos, medos que não sei nem mesmo quantos eram.

_ Obrigada por ter me salvado, não seria presa, mas sim, morta.

Ele franziu a testa, me dando vontade de esfregar o meio de suas sobrancelhas e dizer para não fazer isso, ele poderia ficar velho mais rápido.

Agora que parei para reparar, ele era muito bonito e seus olhos continha tantas emoções que fazia meu coração borbulhar.

Cinzentos como o céu nublado, como meus sentimentos conturbados e como era minha alma. Mas seu olhar era como uma tarde chuvosa que fazia todos se aglomerarem em frente da lareira para ouvir histórias.

Era essa sensação que me passava apenas com um olhar e seus cabelos loiros bagunçados, que precisavam de um corte, era algo atraente.

Minha boca ficou seca e tive que voltar a olhar para o prato de comida que não tinha mais nada.

Peguei o copo de suco e bebi um pouco, essa pessoa apenas me salvou, mas era uma pessoa bonita... Bonita demais.

_ Bom, tenho que voltar para Hogwarts, infelizmente. - Levantou-se e beijou minha bochecha. _ E meu apelido é "meu bebê", ok?

_ Meu bebê... - Sorriu e foi abraçar seu pai e avó. _ Tenho apelido? - Apontei para mim.

_ Sempre chamei você de segunda mãe, mas como a primeira mãe morreu, você se tornou mamãe. - Deu mais uma vez adeus e saiu.

Olhei para os dois e a tia Narcisa negou, mas olhou para o Malfoy e sorriu.

_ Mon petit. - Sussurrou e suas bochechas coraram. _ E o meu era Dragon. - Narcisa se levantou, mas ele não reparou. _ Dei esse nome por você ser pequena.

Os pratos e copos sumiram, mas esse sentimento borbulhante não, parecia uma garrafa de champanhe estourando para uma festividade, uma comemoração.

_ Não sou tão pequena assim. - Idiota.

Riu e se levantou, oferecendo sua mão e percebi que tremia levemente, talvez ele tenha medo de que isso tudo não seja real.

Peguei sua mão e ele apertou, tentando saber se minha pele ficaria avermelhada apenas por alguns toques mais fortes e ficou.

_ Vem, quero te mostrar o jardim. - Levantei-me e o acompanhei, mas não soltou minha mão.

_ Não coloquei sapatos. - Parou e me olhou.

Pegou-me no colo e tentei não dar um gritinho de surpresa, mas foi inevitável. Fiquei o observando e mais uma vez estávamos nessa posição, ele cheirando a roupas novas e com cheiro de hospital.

Não o cheiro ruim de hospital, desinfectante ou cheiro de remédios/poções. Mas o cheiro de álcool e não era ruim.

Era uma combinação estranha, mas era boa...