Olhei para o jardim e ele tinha muitas espécies de flores bruxas, mas tinha um banco no meio do jardim que parecia confortável, mesmo sendo de cimento.

Colocou-me sentada no banco e poderia ser frio, mas realmente era confortável. Parecia feito de outra coisa.

A grama alisou a sola do meu pé, me fazendo um pouco de cócegas.

_ Você sabe a data de seu aniversário? - Sentou-se ao meu lado.

_ Sei, mas não gosto de lembrar que faço em julho, gosto de ter um mês para cada ano. - Olhei para ele. _ Você não sabia?

_ Você também não. - Muitas coisas que sei, essa pessoa não sabe e muitas coisas que não sei, ele sabe. _ O que você quer saber?

_ Sua relação comigo. - Se ele fez tudo isso, devo pelo menos dar um gostinho de felicidade a ele, por tentar aceitar que sou eu e não outra pessoa.

_ Conheci você dez anos atrás, Potter quebrou suas pernas para você não fugir e... - Continuou falando sobre como me conheceu.

Era estranho saber que tudo que ele estava falando era de coisas que possivelmente iria acontecer comigo. Mas não aconteceu.

Contou sobre os aniversários e coisas que ele levava para comer, que dormia naquele lugar e até mesmo me ajudava a ser boa em etiqueta e uma boa Malfoy.

Ajudava-me procurar vingança e até mesmo me ajudar com o sangue.

_ Ah, o meu sangue é devido à maldição do tempo, já que meu pai não era daquele tempo. Mas ele não dói se souber controlá-lo.

_ Como? - Estava curioso.

_ Minha magia vem do sangue e do meu núcleo, se eu pedir para o sangue doer, ele vai doer, se pedir para queimar, queimará. Bom, com certeza não sabia usar meu sangue e ele queria que eu o usasse.

_ Então não precisa de poção? - Concordei. _ Seu sangue realmente é muito versátil.

_ Mas agora que estou aqui, meu sangue passará para os meus futuros filhos. - Isso pegou mal? Espero que não.

_ Por que você é do passado e a pessoa é do futuro, correto? - Balancei a cabeça. _ Isso é um problema?

_ Não, mas é um pouco doloroso quando não sabe manusear o sangue e meus filhos também vai ter o vira-tempo.

Ele apenas concordou e olhou para o jardim, o jardim era lindo e o entardecer sendo visto daqui, era deslumbrante.

_ Você tinha alguém?

_ Não, depois que fugi de casa, andei como uma andarilha, ganhando confiança das pessoas e coletando informações para ganhar alguns trocados do Lorde.

Não queria fazer parte da alta sociedade bruxa, queria apenas ser livre e ganhar minha liberdade que sempre fui privada, mas isso me custou caro.

Acho que se pudesse pegar esse vira-tempo, iria até a Leesa de quinze anos e falaria para ela não fazer isso.

Liberdade era bom, mas ter algo no estômago todos os dias era melhor ainda.

_ Então por que você estava perto da casa Macmillan?

_ Mesmo aquele homem não sendo meu avô, ele gosta realmente de mim e me chamou para comer algo antes de partir novamente. - Riu. _ O quê?

_ Você o odeia tanto, que falou que queria que ele morresse. - Deve ter acontecido algo grave para dizer isso.

Mexi nos meus dedos e continuei olhando para essa paz desconhecida, isso era como um sonho.

Acho que isso que era a verdadeira liberdade, algo que estava buscando há tanto tempo.

_ Chamarei um duende para falar que você está viva. - Concordei.

_ Então serei uma Malfoy oficialmente...

_ Você já é uma Malfoy. - Olhei para ele. _ Gosta de flores? - Fiquei pensativa.

_ Não conheço tantas variedades ou sei sobre os seus significados, mas gosto do cheiro delas. - Levantou-se e iria me pegar no colo novamente. _ Não precisa, a grama não está molhada e isso não me afeta.

Levantei-me e fiquei esperando que me guiasse para onde ele queria ir, e mais uma vez, pegou a minha mão e fomos para mais fundo no jardim.

Sua mão era calejada e não sabia que uma pessoa rica teria mãos calejadas...

_ Você trabalha? - Parei ao seu lado.

_ Sim, sou medibruxo. - Ah, isso explica o porquê sinto cheiro de álcool nele. _ Mas vou ficar mais alguns dias em casa, pedi férias, mas preciso ir em uma festa... - Insinuou algo.

_ Ah.

Continuamos andando e paramos em uma variedade de flores trouxas, mas tinha coisas que nunca pensei que veria aqui. Pensei que fosse apenas mato, mas acho que tinha algum significado por trás.

_ Nunca pensei que veria um trevo-de-quatro-folhas, sempre encontro de três e fico chateada por não conseguir fazer um pedido. - Sorriu e ele tinha um sorriso bonito.

_ Faça o pedido. - Discordei. _ Por quê?

_ Não encontrei o trevo por aí, você me mostrou e não é justo. - Riu. _ Mas por que tem isso aqui?

_ Mamãe encontrou um livro de jardinagem da Era Vitoriana, então, enquanto lia os significados, os elfos tinham que procurar essas coisas para ela.

_ E o que significa?

_ Seja minha. - Apertou minha mão e senti minha cabeça ficar tonta apenas por ver o sorriso tímido em seus lábios.

A pequena covinha aparecendo na bochecha e os últimos raios de sol se indo, mas fazendo que esse homem estivesse regado de luz, como se fosse um ser mitológico.

Ele se aproximou e meu coração iria parar a qualquer momento, ele sabia como mexer com minhas emoções e estou quase deixando ser levada por elas.

Engoli em seco e o vejo tirando uma mecha do meu cabelo do meu rosto, e o colocando atrás de minha orelha.

Poderíamos ter uma diferença de cinco ou seis centímetros, mas parecia que eu era muito menor, não pela sua aura dourada e encantadora, ele não estava me amedrontada ou me colocando para baixo.

Mas era devido ao seu olhar, como se eu fosse a coisa mais magnífica que ele já teve a oportunidade de olhar. Como se tudo que precisasse estivesse aqui, bem na sua frente.

Alisou minha bochecha e seus dedos tinham unhas tão curtas, que era como sentir algo inexistente. Mas os calafrios que estavam me dando na espinha deveria significar algo, não deveria?

_ É isso que significa, seja minha. - Sorriu e senti meu coração parando, ele parecia uma criança brincando, mas não estava brincando com meus sentimentos.

_ Idiota, quase me mata do coração. - Dei um soquinho em seu ombro. _ Não faça mais isso.

_ Não prometo. - Olhei para o lado e vi uma florzinha azul e era pequena, era bonita.

_ E essa? - Apontei.

_ Miosótis, e o significado dela se bem me lembro era. - Aproximou do meu ouvido e sussurrou: _ Não me esqueças.

Riu quando percebeu que meu ouvido era sensível, idiota, isso não se faz com o meu pobre coração.

_ Mas a minha preferida é a tulipa vermelha. - Distanciou, mas não largou a minha mão. _ Sabe o porquê?

_ Não. - Suspirou.

_ Declaração de amor, mas já me declarei e ainda não demonstrei nada para você. - Retirou a tulipa de seu lugar e me entregou. _ Na próxima lhe dou um buquê, desculpa por ser algo tão modesto.

Peguei a tulipa vermelha e a cheirei, o cheiro não era tão marcante, mas era suave e a textura era algo delicado, mas robusto.

Era a primeira vez que ganhava uma flor com um significado tão... Não sabia qual palavra deveria colocar nessa situação.

_ Obrigada. - Lambi meus lábios e ele se aproximou mais uma vez.

Levantou o meu queixo, e seu rosto se aproximou do meu, sua respiração fazia leve cócegas no meu nariz e seus olhos estavam escuros como um dia de tempestade.

Minha respiração ficou entrecortada e nossos corpos ficaram colocados.

Abri minha boca e seus lábios quase tocavam os meus, mas o barulho de alguém caminhando por aqui, fez que se distanciasse, mas não soltasse a minha mão.

_ Desculpa. - Falou e esperou a pessoa aparecer.

Não sabia o porquê de ele estar pedindo desculpas, ele não estava me encurralando na parede e me forçando a fazer algo que não queria. Espera! Eu queria?

_ Draco. - Olhei para trás e vejo Lucius Malfoy.

Ele parou e me olhou surpreso, como se estivesse vendo um fantasma e bom, estava.

_ Leesa? - Falou confuso e se aproximou. _ Draco, o que está acontecendo?

_ Voltei no passado e trouxe a Leesa de volta. - Disse simplista. _ Leesa, essa é a Barbie Loira, o idiota do meu pai.

Que merda de apelido é esse?

_ É bom ter você de volta, querida. - Deu batidinhas na minha cabeça. _ Pode me chamar de tio Lucius ou de sogro. - Ele era muito parecido com a tia Cisa.

_ Papai! Não comece a falar coisas que não entende como a mamãe. - Essa família era estranhamente unida.

_ Vamos, sua mãe e eu temos algo para falar. - Foi à frente e o seguimos. _ Scorpius ficou bem?

_ Sua febre diminuiu e voltou para Hogwarts.

_ Isso é bom, fico feliz que ele esteja bem. Você vai falar com a Minerva? - Draco negou. _ Scorpius ficará mimado.

_ Ele só saiu de Hogwarts, não é como se estivesse matando ou abrindo a câmara secreta. - Tem um ótimo ponto.

_ O garoto só voltará em dezembro e parece que está naquele lugar há anos. - Entramos na casa e olhei para os meus pés e faço um feitiço de limpeza.

Draco percebeu aquilo e não falou nada, mas sei que iria perguntar se eu tinha varinha e a resposta era não.

Preferia usar magia sem varinha e não tinha tantas limitações.

Fomos para a sala de estar e a tia Cisa estava tomando chá, enquanto olhava para algumas revistas e quando nos viu, olhou para nossas mãos unidas e sorriu.

_ Falei para ele não chamar vocês, mas ele não me escuta mais. - Sentamo-nos no sofá e o tio Lucius ao seu lado. _ Deve ser a idade.

_ Ainda sou ótimo no que faço. - Sorriu torto.

_ Papai, não quero saber disso, por favor, nos poupe. - Cruzou as pernas e brincou com os meus dedos. _ O que vocês querem falar que é tão urgente?

Eles se olharam e mostraram duas passagens de avião, iriam viajar... Espera, iria ficar sozinha com o Draco?

_ Compramos essas passagens em agosto e quando aconteceu tudo aquilo, adiamos por alguns meses, mas como vocês estão bem e o Scorpius só volta em dezembro...

_ Pensamos em viajar amanhã mesmo. - Ele só pode estar de sacanagem.

Draco respirou fundo e apertou a ponte do nariz para tentar se recompor ou ele estava com dor de cabeça.

Coloquei a tulipa no meu colo e iria tentar consolá-lo, mas não sabia como fazer isso. Então apenas apertei sua mão e alisei com o meu indicador as costas de sua mão.

Sua resposta foi apertar minha mão e o pequeno sorrisinho que tentava escapar dos seus lábios era bem nítido.

_ Quantos dias? - Os dois se olharam e negaram. _ Reformularei a frase, quantas semanas?

_ Meses, querido, meses. - Tia Cisa apenas confirmou a minha suspeita.

Bom, se esses dois quisessem viajar durante dias ou semanas, não precisariam avisar com tanta urgência.

_ Meses? Desculpe informar vocês, mas voltarei para St. Mungus em algumas semanas e a Leesa vai ficar a maioria do tempo sozinha?

_ Isso é realmente um problema. - Eles estavam preocupados com isso? Que fofos...

_ Não me importo de ficar sozinha. - Olharam-me. _ Se tiver livros ou algo para fazer, não irei me importar. - Dou de ombros.

_ Não, darei um jeito de estar aqui mais cedo e não fazer hora extra. - Era atencioso. _ Scorpius voltará em dezembro, vocês...

_ Ficaremos pelo menos seis meses longe. - Sorriram. _ Queremos ter uma nova lua de mel. - Merlim, acho que o Draco iria morrer de desgosto.

_ Ok, não precisa falar mais nada, boa viagem para os dois e mandem notícias quando...

_ Estaremos ocupados. - O tio zombou.

Draco se levantou e peguei a tulipa antes que caísse, e fui com ele para algum lugar longe daqueles dois, que não paravam de falar coisas que não queria saber.

_ Vou te mostrar a mansão. - Apenas concordei e prestei atenção na mansão.