26 de novembro de 2017:
Ainda me perguntava se era sensato ter aceitado o convite do Malfoy, mas tudo que poderia dizer no momento era que ele sabia ser convincente quando queria.
Quando ele estava feliz, parecia que seus olhos eram um céu claro e sem escuridão, e esses olhos pareciam ser minha perdição.
Não que esteja reclamando, mas tudo que ele me pedisse com aquele olhar apaixonado e sincero... Ah, como me derretia.
Desde que continuei aqui, morando nesse lugar e esperando meu quarto ficar pronto, sentia que poderia realmente ficar aqui.
Era prazeroso conversar com aquele homem de terno negro parado na porta, me observando de boca aberta.
E amava saber de como ele era um pai maravilhoso e o Scorpius era a cópia perfeita desse loiro.
Mesmo sentindo que deveria ir embora, deixar tudo desse lugar no seu devido lugar.
Meu egoísmo não deixava, queria sentir mais dessas sensações e momentos, queria me sentir o ser mais especial dessa Terra.
Queria ser seu pequeno mundo em que pudesse confiar e amar... Posso roubar o lugar dela? Não seria errado?
Respirei fundo, alisando o vestido em meu corpo, o tecido frio me fez arrepiar e não deveria pensar no quão quente era aquele olhar desejoso.
_ O que está pensando? - Não conseguia dar nenhum passo com esses saltos.
_ Você está deslumbrante. - Aproximou-se e nossos rostos quase se encostavam.
Acho que posso esquecer o quão desconfortável é usar salto, quando poderia apenas observar que nossas alturas estavam perfeitas.
Seu hálito quente me fazia reagir de tal maneira, que não sabia como proceder com o elogio.
_ Não está estranho? - Levantou a mão e alisou meu rosto, fazendo seu dedão deslizar pela minha bochecha.
_ Está perfeita para a ocasião. - Iríamos à festa que ele era obrigado a ir de seu serviço. _ Desculpe, sei que isso é repentino, mas não queria deixá-la sozinha.
_ Não acho que será ruim. - Terei uma ótima companhia. _ Parece que estamos combinando.
_ O branco realmente cai bem em você, pensei que um vestido preto fosse ofuscar sua beleza. - Sinto minhas bochechas queimando.
Tento não morder meus lábios ao pensar nele escolhendo essas roupas e analisando em seu pensamento como ficaria nelas.
Ele parecia entender bastante de roupas e acessórios, já que estava sempre impecável com um terno, ou roupas casuais.
Sua mão saiu do meu rosto, pegando no meu pulso coberto pela manga do vestido, ela não era incomoda e era bem solta para não prender os meus movimentos.
_ Quer trocar de vestido? - Neguei. _ Gosto de escolher roupas, então não se sinta pressionada a usar algo que não goste.
Meus machucados e o vira-tempo estavam cobertos, apenas tinha um pequeno decote, mostrando o vão dos meus seios.
Então, por que ele estava tão relutante em aceitar que havia gostado?
_ Você me disse que o vestido estava bem em mim. - E estou linda, me sentia linda. _ Não se preocupe tanto, se eu não gostar de algo, posso apenas falar para você. - Pisquei.
_ Então vamos, senhorita Malfoy? - Ainda não era uma, não eu, exatamente.
Colocou minha mão em seu braço e saímos do meu quarto, tudo parecia perfeito de mais para o meu gosto.
Parece que meu corpo não aceitava como tudo poderia ser perfeito depois de anos de sofrimento, talvez meu cérebro quisesse aquela sensação de adrenalina e não, o sossego.
Mas não acatarei as ordens que meu cérebro queria, apenas aproveitarei esses momentos.
O vestido não arrastava no chão devido ao salto, mas esperava que em algum momento da festa pudesse me sentar ou meus pés iriam me matar.
_ Espero que saiba dançar. - Descemos a escadaria central. _ Ainda gosto dos meus pés. - Revirei os olhos e uma lembrança se fez presente em minha cabeça.
"Se você pisar mais uma vez nos meus pés, vou fazer você massageá-los por três horas."
Tento me equilibrar nos meus pés, mas meu tornozelo acabou virando em uma troca de degrau, me fazendo apertar o braço do Draco.
Sua mão puxou minha cintura e me prendeu firmemente em seu corpo, olhando para mim, assustado.
Minhas mãos agarraram seu terno, o amassando com meus dedos e tentei não sentir vergonha pelo ato.
Mas o que deveria dizer nesta ocasião? Estou recebendo lembranças que não eram minhas, e sim, da mulher que ele amava?
Entretanto, o cheiro que sentia sair de seu corpo não era de álcool ou algo relacionado a hospital. Era bom, era como se estivesse comendo maçã verde...
_ Você está bem? - Sua voz estava em apenas um sussurro rouco, que me fez engolir em seco por imaginar obscenidades.
_ Apenas não sei andar muito bem de salto. - Sabia, apenas odiava usar. _ E acabei...
_ Não, deveria ter percebido isso antes. - Estava sério. _ Trocaremos isso por uma sapatilha.
_ Ficaria horrível. - Gostava de ter essa altura.
_ Você pode se machucar e ninguém vai reparar. - Sua mão alisou minha cintura, acho que não percebeu o ato.
Mas ela estava firme e seu corpo estava rígido pelo susto sofrido, talvez ele fizesse algum tipo de exercício.
Distanciou-se um pouco, me fazendo suspirar baixinho, estava gostando de tê-lo mais próximo do que simples toques em meu rosto e mãos.
Draco me fez sentar no degrau e se ajoelhou a minha frente, retirando meu salto com tamanha delicadeza. Seus dedos analisaram meu tornozelo constatando algo que já sabia.
Entretanto, pensei em algo errado para o momento, mas queria que ele beijasse a vermelhidão e me desse a sensação de seus lábios tocando a minha pele.
Merlin, devo parar de pensar nessas coisas ou acabarei fazendo uma besteira enorme nesta vida.
Levantei a barra do vestido para que não atrapalhasse o diagnóstico, mas seus dedos apertaram meu tornozelo quando percebeu, me fazendo perceber que cada movimento do meu corpo estava sendo observado.
Bom, acho que posso tentar certas coisas para ter certeza de que tudo que estou percebendo não é uma ilusão da minha cabeça.
_ Meu tornozelo está bom? - Não sentia nenhuma dor, ou desconforto.
_ Sim. - Tossiu, tentando recuperar a voz. _ Não é nada grave, mas você deve se sentar quando chegarmos na festa. - Isso era ótimo. _ Vou pegar a sapatilha, me espere por alguns segundos.
Colocou meu pé no chão e se levantou, levando os saltos em seus dedos.
Merda, por que ele tinha que ser tão bom em flertar? Estou perdendo feio nesse esquema de ver quem vai cair primeiro e claro, já caímos.
Mas estamos esperando quem vai levantar a bandeirinha branca e dizer: Ok, teremos um relacionamento.
Revirei os olhos e observei meu pé, não estava inchado, mas a vermelhidão era bem aparente e fazia um belo contraste em minha pele que estava recuperando a cor natural.
Alisei meu tornozelo, tentando sentir o calor residual, mas não havia nada, nada além de um leve formigamento e pensamentos estranhos.
Respirei fundo e o vejo voltar com uma sapatilha em mãos. Por que essa cena era tão estranhamente bonita?
_ Demorei muito? - Discordei e o vejo se posicionar como antes, mas dessa vez colocou sapatos em meus pés. _ Vê se está confortável?
Girei o tornozelo e não doía, mas deveria testar se não iria me machucar quando andasse ou algo do tipo.
Ofereceu sua mão e a segurei, me levantando.
Apertei sua mão e seu olhar preocupado me fez sorrir um pouco, era como se estivesse vendo um cachorrinho preocupado com sua dona.
Desci o degrau e fiquei observando meus pés, estava completamente normal e nada estava errado.
_ Vamos? - Perguntei, agora tinha que olhar um pouco para cima e não era tão ruim após me acostumar.
Não falou, apenas apertou minha e descemos o restante da escadaria.
Entrelaçou nossas mãos, fazendo que um frio na barriga me fizesse parar de respirar, mas não falei nada. Apenas continuei caminhando até a sala de estar.
Iríamos usar a lareira, já que não queríamos aparatar e nos perder no meio da multidão Londrina.
O que era bem possível, já que era apenas uma sexta à noite e estaria bastante movimentado.
_ Provavelmente terá pessoas inconvenientes. - Comentou, entrando na sala e indo até o pote de flu. _ Não se importe com os comentários e apenas fale o que quiser falar.
_ Isso não poderia prejudicar a família Malfoy? - Sorriu, mostrando aquele sorriso esnobe.
_ Mon petit. - Sinto perder o raciocínio. _ Eles não têm um terço dos nossos bens, o que eles acham ou não, não é problema nosso. - Pegou o conteúdo do pote e entramos na lareira grande e espaçosa.
Pensei que iria sujar meu vestido, mas percebo que eram dúvidas desnecessárias. Bom, não iria sujar aqui, pelo menos.
_ E mais. - Levantou a mão. _ Protegemos a nossa família, custe o que custar. - Jogou o pó no chão, fazendo que chamas verdes nos cobrisse.
A falação não foi nada gradual, e a música clássica entrou pelos meus ouvidos me fazendo fechar os olhos.
Não odiava a música, mas odiava de como apareci aqui, sem que meu cérebro pudesse se acostumar com outro ambiente.
_ Também odeio viajar por flu. - Sussurrou no meu ouvido. _ Des...
_ Você pede desculpas muitas vezes, nem sempre você é o culpado. - Abri meus olhos, enxergando a imensidão do céu nublado.
_ Vou parar. - Beijou o canto da minha boca, me fazendo arfar. _ Vamos? - Apenas concordei.
Saímos da lareira, fazendo que muitas pessoas nos olhassem, sejam por inveja ou sarcasmo. Tentei forçar as lembranças aparecerem sobre essas pessoas.
Mas apenas consegui uma dor de cabeça, apontando atrás dos meus olhos.
Entretanto, tirando como as pessoas estavam nos olhando, o salão era belíssimo. A música estava na medida certa e o desconforto de antes não tinha mais.
E as grandes janelas me faziam observar a lua, algo que amava observar quando estava andando por aí.
_ Senhor Malfoy. - Paramos de andar e vimos um senhor com uma bengala. _ Não sabia que viria, achei que ficaria em sua casa para remoer o passado. - Alisou sua barba bem-feita.
Continuei observando esse homem estranho e com porte, mas nenhuma memória apareceu. Estava no escuro e não era totalmente desconfortável.
_ Senhor Silas. - Não era ninguém dos sagrados. _ Por favor. - Sorriu. _ Recolha-se a sua insignificância. - O homem se engasgou.
Apertei meus lábios, sentindo o gosto do batom em minha língua, mas deveria me comportar e não rir da face avermelhada e hilária do homem a minha frente.
Iríamos voltar a andar, tínhamos que procurar o nosso lugar. Entretanto, a bengala ficou na nossa frente, nos impedindo de ir.
As pessoas observavam a nossa pequena interação, fofocando sobre mim ou que estava acontecendo.
_ Senhor Malfoy, seu linguajar aprimorado não vai me calar. - Que pena. _ Apenas espere até os Greengrass descobrirem que você já trocou de acessório. - Ficou me observando.
Draco aproximou-se do velho, observando tudo com seus olhos semicerrados, mas sua boca se mexia a cada batida do meu coração, dizendo:
_ Se você não quiser ficar igual o Potter, é melhor não testar minha paciência. - Deu tapinhas no ombro de Silas. _ Ela é a futura senhora Malfoy e se eu vir, você a olhando com esses olhos repugnantes...
_ Está me ameaçando? - Bateu a bengala no chão. _ Um acessório é... - Calou-se pelo olhar do loiro.
_ Deixe-me continuar. - Sua voz era forte. _ Irei retirar esses olhos sem dó. - Olhou ao redor. _ Foi um grande desprezar, reencontrá-lo.
Saímos dali, indo até as mesas de fundo, algumas eram mais escondidas, dando privacidade aos convidados e outras, mais sociais.
Fiquei pensando no motivo de ter isso em um salão de baile, mas os corações e adornos, me fizeram perceber que esse baile não era nada normal.
_ Esse baile... - Deixei as palavras no ar.
_ É um baile para trazer seu cônjuge. - Parou na metade de nossa mesa privativa. _ Deveria ter contado isso antes.
_ Talvez seja interessante. - Suspirei. _ Vamos? - Apontei e concordou. _ O que ele quis dizer com aquilo?
Antes de me contar, arrastou uma cadeira e esperou que me sentasse, sentando-se na cadeira ao meu lado.
Tinha espaço para mexer os braços, mas as pernas estavam esmagadas em contado com o outro corpo.
Poderia muito bem ser alisada por baixo desta mesa, deixando que ele se aventurasse na fenda lateral do meu vestido.
Ou talvez devesse instigá-lo... Merda, preciso matar essa Leesa que está tentando levantar a bandeirinha.
_ O que você quer comer? - Pegou o menu.
_ Draco...
_ Contarei. - Continuou lendo o papel. _ Mas precisamos comer enquanto conversamos, o que acha? - Apenas concordei. _ Ótimo, escolha algum. - Entregou o menu.
Li e reli aquele papel áspero e luxuoso, apenas para escolher três coisas que poderiam acompanhar um vinho.
As memórias sobre como escolher essas refeições apareceram em minha mente, me fazendo lembrar de coisas do passado.
Como na propensão alcoólica que os Comensais tinham, afinal, o Lorde era um lunático por vinhos. Cada reunião tinha uma marca diferente e claro, todos adoravam.
Entretanto, não sei se o loiro gostava de vinho, ainda mais um Chardonnay.
_ Esses. - Apontei e esperei algum tipo de relutância em sua parte, mas apenas concordou.
_ Carne vermelha é um ótimo acompanhamento. - Sorriu e pegou sua varinha, apontando para as coisas que escolhi.
Porém, outras coisas foram apontadas, menos um novo tipo de vinho ou bebida. Iria perguntar se iriam demorar para trazer a comida.
Mas a mesa redonda e espaçosa, ficou recheada de comida, contendo duas taças e o vinho já destilado.
Isso me surpreendeu um pouco, nas poucas festas que fui, tudo era trazido pelos elfos ou flutuando.
Entretanto, aqui estamos, dez anos depois e me surpreendendo de como os bruxos queriam mais comodidade do que o possível.
_ Os Greengrass tem uma porcentagem no St. Mungus. - Comentou, guardando a varinha.
_ Greengrass... - Mais uma memória apareceu, me fazendo lembrar quê...
_ Minha finada esposa era a filha mais nova dos Greengrass. - Colocou o vinho em nossas taças. _ E devido à condição de minha esposa, eles compraram algumas ações e eles devem aparecer.
_ Você quer que eu me esconda ou...
_ Não, nunca, você não está fazendo nada de errado. - Olhei para a comida e comecei a comer. _ Leesa, você está vindo como parte de minha família e... - Tentou formular uma frase coerente.
_ Eu sei. - Comentei, saboreando o molho branco do primeiro prato. _ Não acho que eles podem pensar que sou sua concubina. - Zombei. _ Ou até mesmo a substit...
_ Mon petit. - Censurou-me e me calei. _ Acho que devo abrir sua cabeça e colocar nela que você não é substituta de ninguém e não está usurpando o lugar de nenhuma das duas.
Por favor, faça isso urgentemente ou não aguentarei mais, esses conflitos que me fazem ir embora desse salão já estão me deixando como uma idiota.
Quero você, mas esses conflitos me impedem de dizer alguma coisa que nos possibilite a essa nova etapa.
