_ Caspra? - Fiquei surpresa por ver o duende de monóculos que tanto gostava. _ Bom, pelo menos uma pessoa me conhece nessa realidade. - Aproximei-me de si, nessa sala imensa com decorações góticas.

_ Você não mudou quase nada, Leesa. - Sentei-me a sua frente. _ Apenas mudou o seu companheiro, você sabe, não sabe?

Concordei, algumas realidades eu era apenas uma solteirona com gatos bonitinhos como companhia, outras vezes era a Lady das Trevas, poderia até mesmo ser uma Black casada com Pollux, ou cair em 993 e se casar com o Salazar. Mas nessa, sou apenas uma Malfoy.

Caspra pode ser um duende esperto, mas suas informações só eram passadas quando ele queria passar. Felizmente ele me contou sobre as realidades, ou ficaria bem confusa quando Dragon chegou...

Mesmo que tivesse aprendido a fazer vira-tempo, não sabia na época que nunca iria para a minha realidade e sim, para outra.

Um elfo me entregou uma xícara de chá e fiquei observando o duende.

_ A viagem lhe fez bem. - Sorriu e os dentes pontiagudos ficaram à mostra. _ Mas ainda não entendi o que faço aqui, posso muito bem colocar que você está viva sem que houvesse a necessidade de estar aqui.

Sorri, enquanto bebia um pouco do chá e até que era bom.

_ Quero recuperar meu cofre. - Sorriu. _ E acho que o loiro quer nos casar, já que estamos noivos e ele não parou de falar esposa nessa semana. - Sorriu ainda mais. _ Você pode parar de sorrir como um maníaco?

_ Desculpe-me, minha dama. - Não era sincero. _ Mas é interessante saber disso, você é a única que aceitou tão rapidamente o seu companheiro.

_ Já tenho uma ligação com ele, por que ficaria enrolando algo que já temos? - Deu de ombros. _ Apenas faça os papéis e assinarei. - Concordou e começou a pegar os papéis.

Olhei para o lado e o Dragon entrou na sala, fazendo uma pequena mesura para o duende, Caspra gostou disso e apenas acenou.

Ele se sentou ao meu lado e ficou observando o duende que preparava os papéis.

_ Não deve ser muito difícil fazer isso, não é? - Continuei bebendo o chá.

_ Sua ex-esposa já faleceu há dois anos e você é livre para se casar novamente, senhor Malfoy. - Continuou mexendo nos papéis.

Suspirou e apertou minha coxa, como se aquelas palavras aliviassem seu coração.

_ Como não sabia que era por isso que estava aqui, não tenho os papéis necessários, mas sobre o cofre, preciso de sua assinatura, senhor Malfoy.

_ Claro, onde devo assinar? - Caspra entregou os papéis e a pena apareceu logo em seguida.

_ Assine em todos os X. - Olhei para os papéis e uma assinatura formosa estava escrita ali. _ A chave está com o senhor, então é só passar para a legítima dona.

_ Claro.

_ O anel de herdeiro deve ficar com o herdeiro Avery...

_ Não posso deixar com o Scorpius? Ele já está acostumado e ele é praticamente o meu filho primogênito, não é? - Perguntei, fazendo estranharem.

Merda...

_ Bom, você continua sendo a madrinha dele e como você vai se casar com o senhor Malfoy... - Caspra parou e apenas concordou. _ Sim, você é praticamente a mãe dele, mas o quê...

_ Primogênito? - Dragon franziu o cenho. _ Tem algo que quer me contar, mon petit? - Observou minha barriga, mas logo voltou seu olhar para mim.

_ Não estou grávida. - Não contaria agora. _ Apenas que Scorpius é o nosso primeiro filho e quero ter mais. - Sorri.

O problema não era a confirmação em si, apenas que não queria contar sem toda a família presente.

E sei que se contasse, não poderia ir a Azkaban para olhar para aquelas pessoas, então, guardar esse segredo por mais alguns dias não era tão ruim assim.

_ Certo, esperarei os papéis de casamento. - Dragon falou e entregou os documentos ao duende. _ Quanto antes, Caspra.

_ Hoje mesmo passarei para entregar as folhas e espero um convite do casamento. - Esse duende era impossível

Levantou-se e nos olhou.

_ Espero grande coisas de vocês, até daqui a pouco. - Saiu da sala e fiquei olhando para a porta.

Parei de olhar para a porta e o olhei, ele parecia preso em pensamentos, mas suas mãos encontraram as minhas.

_ Devo contar algo. - Falei e ele prestou atenção. _ Se eu não tivesse morrido, teria ido embora para 1935. - Concordou. _ Mas nunca teria retribuído o seu amor por mim. - Apertou minha mão.

_ Com quem? - Franziu os lábios.

_ O Lorde. - Sabia de todas as variantes e o que elas faziam, um dos motivos que Delphini não voltou mais. _ Ou outra pessoa, mas nunca você.

Pensei que ficaria triste pela notícia, mas apenas sorriu e puxou meu corpo para ficar colocado ao seu.

_ Pelo menos você me escolheu, isso é a melhor coisa que poderia pedir a Merlim. - Beijou minha cabeça. _ Obrigado por ter me escolhido, Leesa.

Olhei para ele e o beijei, por que não iria escolhê-lo? Draco Malfoy era o homem que qualquer um iria pedir aos céus.

E mesmo não pedindo, devo começar agradecer por tê-lo na minha vida.

_ Sempre irei escolhê-lo. - Eu, pelo menos. _ Mesmo você não me escolhendo. - Revirou os olhos. _ Seu nariz não é torto.

Tocou o nariz sem entender, e tentei conter meu riso.

_ Você levou um belo soco no seu terceiro ano, deveria ter pelo menos uma marquinha. - Segurou minha mão, antes que pudesse tocá-lo. _ O quê?

Beijou a palma da minha mão e não falou nada por alguns segundos.

_ Devemos preparar as coisas do casamento, mas sou péssimo nisso. - Continuou com a minha mão. _ Mamãe deveria estar aqui, ela adoraria fazer isso. - Isso era verdade.

_ Mas podemos aguentar alguns meses, não é como se quiséssemos ter a lua de mel para fazermos sexo. - Sorriu. _ Agora podemos ir?

Negou e não sabia o porquê, ele apenas me pediu para esperar e apontou para os meus pés sem sapatos.

Ah, certo, não poderia ir sem calçados...

Mas Dragon poderia apenas pedir a Poppy para trazer, porém, parecia ansioso demais para pegar um par de sapatos.

Suspirei, e continuei sentada no sofá, balançando minhas pernas enquanto alisava minha barriga sem um movimento exagerado.

Fechei meus olhos e tentava saber se era apenas um pontinho em minha barriga, e era.

Porém, meus pensamentos foram em direção das características do bebê, talvez fosse loiro, como todos dessa família, ou puxasse a família Avery.

Sei que a família Grindelwald seria um pouco delirante da minha parte, mas gostaria de ver o bebê com os olhos bicolores.

Seria fofo ter a junção de todas as famílias... Talvez fosse um garotinho e Scorpius seria aquele irmão mais velho que o mimaria tanto que me daria dor de cabeça.

Ou pode ser uma garotinha que será afrontosa por ter uma família inteira aos seus pés.

_ Mon petit? - O observei. _ Está tudo bem? Demorei muito? - Ajoelhou-se a minha frente e neguei.

_ Apenas estava pensando o que deveria falar para aquelas pessoas. - Alisei seus cabelos enquanto me colocava a sapatilhas nos meus pés.

_ Tenho uma coisa para você. - Estranhei e o vejo pegar algo no bolso, trazendo para os meus olhos uma caixinha de veludo.

Minha cabeça ficou tonta, minha boca ficou seca e meu coração não parava quieto no peito.

Sabia que éramos noivos e que ele estava louquinho para se casar comigo, uns dos motivos que Caspra veio aqui.

Contudo, ver essa caixinha era como dizer: ei, realmente a amo e quero você para todo o sempre.

_ Isso... - Pegou minha mão que tremia e a beijou. _ Draco... - Funguei, observando seu gesto de abrir a caixinha e me mostrar um belíssimo anel.

O anel de ouro negro não era um círculo perfeito, já que entortava um pouco para o lado.

Mas tinha três diamantes negros e aquilo era lindo.

_ Esse anel é de noivado, já que não sabia como você reagiria ao meu pedido afobado e nada romântico. - Ficou com vergonha. _ Mas esse anel tem muito valor para nós.

_ Por quê? - Tentei não gaguejar.

_ Esse é o significado que o patriarca da família aceita você. - Apertou a caixinha. _ Papai me deu ele antes que tudo acontecesse. - Tirou o anel e me observou. _ Você...

_ Sim. - Engoli em seco, o vendo sorrir com isso.

_ Os três diamantes representam os princípios de uma noiva Malfoy. - Deslizou o anel pelo meu dedo. _ Sabedoria, elegância e devoção. - Beijou o anel.

Alisei seu rosto, o fazendo tombar a cabeça em minha mão, apreciando o contado dos meus dedos.

Acho se eu soubesse que a única coisa que precisava era ter tido um pouco de coragem para girar o meu vira-tempo e que teria um homem maravilhoso me esperando.

Teria feito isso muito antes.

_ Prometo que quando estivermos nos casando, com você belíssima em um vestido de noiva, farei um discurso endeusando o quão apaixonado e agradecido por ter você em minha vida...

_ Draco, não...

_ Nunca pensei que minha vida mudaria devido a uma coruja, me dizendo que precisava ver uma garota que foi trancada em uma cela do ministério. - Pegou minha mão. _ Os nossos juramentos com os dedinhos, os meus lábios em sua testa e meus sentimentos mudando por você. - Suspirou. _ Agradeço tudo isso.

_ Tem certeza? - Sussurrei.

_ Sim, tenho certeza de que daria meu coração por você, que entraria na frente de um Avada apenas para que você não morresse. - Sei que faria. _ Sei que falar, todo mundo pode falar, mas mostrarei com ações que amo você e que estou feliz por ter você comigo.

Emoldurei seu rosto e beijei suas bochechas, o beijando em seguida.

_ Sei que estarei feliz ao seu lado. - Sorri, semicerrando meus olhos e encostando as nossas testas. _ Obrigada.

_ Por quê? Eu que deveria agradecer.

_ Por ter me tirado do inferno e me mostrado o paraíso. - Pulei em seu corpo, o fazendo cair comigo no chão.

A risada que saiu de boca era melhor coisa que poderia querer nesta vida, apenas que meu final ainda não era esse.