Capítulo 3

"Si tú supieras

Que es como un grito que se estrella en el silencio

Este vacío de tenerte solo en sueños

Mientras me clama el corazón por ser tu dueño1"

Si tu Supieras, Alejandro Fernandez

Nas primeiras semanas Brienne teve que buscar meios para controlar sua ansiedade e não deixar que seu pai percebesse que algo de diferente estava acontecendo, mas após passar quase três meses aguardando por alguma carta de Jaime, seus nervos estavam tão a flor da pele que qualquer um poderia notar que havia algo de errado.

Agora, mesmo que ainda estivesse apaixonada por ele, Brienne conseguia compreender que fora uma tola por acreditar nas palavras dele, pois não era possível que um homem como Jaime pudesse algum dia olhar em sua direção; não com sentimentos de afeto verdadeiro como ele quisera implicar. Eles haviam conversado algumas vezes, trocado dois beijos e dançado juntos, em todas as situações de comum acordo, mas, ainda assim, Brienne se sentia usada.

No fundo de seu coração ainda havia uma tenra esperança de que uma carta de Jaime chegasse e que em seu conteúdo houvesse uma explicação para aquela demora, para aquela ausência, no entanto, era uma esperança que a cada dia diminuía mais.

Portanto, era com preocupação que seu pai, um homem dedicado e que sempre fora um pai amoroso, observava sua filha mergulhar em uma espécie de depressão que, para ele, não tinha uma razão clara.

— Filha — ele chamou ao encontrá-la mais uma vez sentada diante da janela da biblioteca, observando o mar —, eu preciso saber o que está acontecendo.

— Não está acontecendo nada, papai — ela respondeu passando a encará-lo com um sorriso forçado.

— Brienne, você acha mesmo que conseguiria me enganar? — Selwyn indagou com um sorriso triste. — Eu estive ao seu lado em cada conquista, em cada machucado... Você realmente acha que eu não ia notar que seu coração está partido?

A jovem arregalou os olhos e o fitou assustada.

— Eu não...

— Por favor, filha. — Selwyn puxou uma cadeira e se sentou de frente para ela. — Sei que há muitos momentos em que você fica com raiva de mim por não a deixar treinar com os rapazes ou por insistir que deve se casar, e entendo isso totalmente. Em seu lugar eu sentiria o mesmo. Infelizmente a posição que temos na corte me obriga a ser rígido e a cumprir com o que esperam de nós, mas isso não quer dizer que não me importo com seus sentimentos.

— Eu sei, pai. Eu só... Não sei o que dizer. Nunca tinha passado por isso e agora me sinto uma idiota.

— Ele a iludiu? Quem é esse rapaz? Se ele se aproveitou de você, eu vou...

— Não. Ele não fez nada de errado — Brienne se apressou a esclarecer. — Acho que fui eu quem deixei minha imaginação ir longe demais — murmurou fitando e mexendo em um dos penduricalhos da pulseira que jazia em seu pulso.

Era a pulseira que Jaime lhe dera e, apesar do que sentia com relação a ele naquele momento, não tinha coragem de se separar dela.

— Bem, eu sinto muito, Bri — Selwyn falou segurando a mão dela. — Eu sei o que é ter o coração partido e evidentemente gostaria que isso nunca acontecesse com você, mas acho que era inevitável que em algum momento você se apaixonasse por alguém.

A jovem assentiu e engoliu em seco. Ter aquela conversa era a última coisa que queria, mas de certa forma se sentia mais leve. Brienne ergueu o rosto para dizer isso a seu pai, mas o olhar no rosto dele a fez perceber que aquele não era o único assunto que ele gostaria de tratar com ela.

— O que foi, papai? — ela questionou preocupada.

— Há uma coisa que preciso conversar com você, mas talvez seja melhor deixar este assunto para depois. Você já tem muito com que lidar no momento.

Selwyn fez menção de se levantar, contudo, Brienne o segurou pela mão.

— É melhor que me diga logo o que é. Se não me disser, acabarei criando as piores possibilidades na minha cabeça. — Seu pai deu um pequeno sorriso e acariciou o rosto dela.

— Você é tão ansiosa quanto sua mãe — Selwyn sussurrou com um sorriso nostálgico e, diante do silêncio de Brienne, respirou fundo e prosseguiu: — Surgiu um pretendente para você. E eu sei que esta deve ser a última coisa que você queria ouvir agora, mas ele está vindo para Tarth para conhecê-la.

— Papai! — a jovem disse magoada soltando a mão dele e se levantando. — Como pôde fazer isso comigo? Como pôde realizar negociações sobre dar minha mão em casamento sem me comunicar antes?

— Não foi assim que as coisas aconteceram, minha filha — ele explicou também se colocando de pé. — O pai de seu pretendente é um homem poderoso e entrou em contato comigo. Parece que a família dele deseja expandir seus negócios marítimos e uma união entre nossas casas seria a melhor maneira de conseguir isso. E seria algo vantajoso para ambos os lados, tendo em vista que, se as coisas não melhorarem, em pouco tempo estaremos com dificuldades de cuidar de nosso próprio povo.

— E eu serei a moeda de troca nessa transação, certo? — ela questionou com raiva.

— Não foi isso que eu quis dizer, filha. Eu...

— Não adianta debatermos o assunto, papai — Brienne retrucou interrompendo-o. — Como o senhor mesmo disse, estamos prestes a enfrentar dificuldades financeiras e, se eu não aceitar esse pretendente, é bem provável que Tarth vá à ruína. Eu jamais poderia permitir isso.

A jovem olhou pela janela mais uma vez. Não conseguia encarar seu pai naquele momento, segundos depois de saber que ele a vendera.

— O senhor já disse tudo o que precisava dizer? — ela perguntou num tom distante. — Eu gostaria de ir pro meu quarto.

— Sim. Isso era tudo.

Diante dessa resposta Brienne começou a caminhar para fora da biblioteca.

— Não quer saber quem ele é? — Selwyn indagou quando ela já havia alcançado a porta.

— Minha vontade não importa, não é? — a jovem replicou se voltando para ele com um sorriso sem emoção. — Então que diferença faz saber quem ele é?

A seguir ela saiu do cômodo e deixou seu pai sozinho com seus próprios pensamentos.


Finalmente chegara o dia em que o navio que trazia o pretendente de Brienne atracaria em Tarth e, apesar de tentar não demonstrar, a jovem estava muito nervosa. Ainda não sabia quem ele era, não tivera interesse em descobrir, mas temia qual poderia ser sua reação ao vê-la em pessoa.

Uma coisa era aceitar um casamento arranjado, outra era se casar com uma jovem sem atrativos. Talvez aquele noivado estivesse fadado ao fracasso antes mesmo de ter começado, o que seria ótimo para ela, mas terrível para Tarth; então Brienne estava disposta a fazer de tudo para agradar aquele pretendente, mesmo que sua vida se tornasse miserável.

Sendo assim, a jovem estava no cais junto de seu pai e dos membros das casas mais importantes de Tarth aguardando que seu pretendente descesse do navio que acabara de atracar. Quando viu que a tripulação começava a desembarcar, Brienne baixou os olhos e respirou fundo algumas vezes. Precisava ficar calma e encontrar um meio de causar uma boa impressão.

— Lorde Tarth — disse uma voz que se aproximava do local onde a comitiva de seu pai aguardava. Porém, em meio à balbúrdia que os cercava, Brienne não conseguiu distingui-la direito e permaneceu fitando o chão.

A jovem achara a voz levemente familiar, mas não se atrevia a acreditar que pudesse estar certa em suas conjenturas. Ele não entrara em contato. Ele a abandonara. Então como diabos poderia estar ali?

— É um prazer recebê-lo em Tarth, Sir Lannister — Selwyn respondeu cumprimentando o homem que se aproximara deles e, neste momento, foi inevitável que Brienne erguesse os olhos para encarar seu pretendente; e, assim que o fez, sentiu o ar fugir de seus pulmões. — Esta é minha filha, Brienne.

Jaime se aproximou dela com um sorriso largo e deu um beijo em sua mão.

— É uma honra ter a chance de conhecê-la melhor, Lady Brienne — ele falou encarando-a tão intensamente que a jovem poderia pensar que Jaime estava tentando mergulhar em seus olhos.

— Filha... — Selwyn tocou o braço dela para chamar sua atenção, já que ela ficara encarando Jaime em silêncio.

— A honra é minha, Sir Lannister — Brienne replicou soltando a mão dele e fazendo uma mesura, embora tivesse medo de acabar caindo devido ao fato de suas pernas estarem tremendo.

— Comprei esta flor pra você — ele falou estendo uma rosa vermelha para ela e dando mais um passo para se aproximar.

Brienne fitou a rosa na mão dele e sentiu seu coração disparar. Era uma rosa comum e evidentemente ele a comprara pensando nela, assim que desceu do navio, o que ela considerava extremamente romântico; no entanto, a jovem não queria que ele soubesse como se sentia naquele momento. Independentemente de estar ali agora, Jaime a magoara e ela não estava disposta a facilitar as coisas para ele.

— Eu não gosto de flores, Sir Lannister — ela respondeu sem fazer menção de pegá-la.

Jaime deu um sorriso de canto e, aproveitando-se que Selwyn cumprimentava os outros lordes de sua comitiva, aproximou sua boca do ouvido dela.

— Não acredito nisso, Brienne — ele falou num sussurrou que a fez estremecer. — Toda mulher gosta de flores, até mesmo aquelas que, como você, fingem que não — concluiu se afastando antes que alguém percebesse o quanto estavam próximos.

A seguir ele analisou o rosto dela e mordeu seu lábio inferior. Era difícil controlar a vontade de beijá-la, ainda mais depois de já ter provado seus lábios e de terem passado tanto tempo separados.

— Sei que está magoada comigo, mas garanto que não estou brincando com você e que vou explicar tudo o que aconteceu desde a última vez que nos vimos — disse sério, voltando a erguer a rosa. — Eu não teria insistido em me tornar seu pretendente se não gostasse de você de verdade, Brienne; e, obviamente, não vou obrigá-la a me aceitar como marido, mas ao menos me conceda a chance de me explicar.

Brienne o encarou com desconfiança, mas tinha que concordar que as palavras dele faziam sentido. Se Jaime realmente estivesse brincando com ela, não estaria ali agora. Não teria pedido para cortejá-la.

— Vou te dar só mais uma chance — ela falou segurando a rosa e Jaime deu um sorriso aliviado.

— Eu prometo que não vai ser arrepender — Jaime respondeu voltando a segurar a mão dela e para beijá-la novamente, desta vez de maneira mais lenta, causando uma onda de calor intenso no corpo da jovem. — Esta é uma pulseira muito bonita — ele murmurou analisando o pulso dela de perto. — Presente de algum admirador?

— Talvez — Brienne disse sem conseguir conter um sorriso. — Embora eu já devesse ter me livrado dela durante os últimos meses.

— Fico feliz por não ter feito isso — ele replicou soltando a mão dela para puxar um lenço delicado do bolso de sua calça. — Há presentes que, por mais simples que sejam, têm um enorme significado; e são insubstituíveis.

Os olhos de Brienne ficaram marejados e Jaime parecia prestes a dizer mais alguma coisa, mas o barulho de passos os trouxe de volta à realidade.

— Sir Lannister, tenho certeza de que deve estar cansado — disse Selwyn se aproximando deles dois. — Vou levá-lo para o nosso Solar, onde poderá descansar até a hora do banquete que organizamos em sua homenagem.

— Claro — concordou Jaime voltando a guardar o lenço em seu bolso discretamente. — Estou muito agradecido pela hospitalidade de vocês.

Lançando um último olhar apaixonado na direção de Brienne, ele seguiu o pai da jovem. Brienne permaneceu mais alguns minutos onde estava, tentando absorver tudo o que acabara de acontecer.

Sabia que era um risco se deixar levar por seus sentimentos novamente, mas Jaime estava em Tarth e fora até ali por ela. A jovem aproximou a rosa de seu rosto e aspirou seu perfume. Aquela era a rosa mais bonita que ela já vira.

1 "Se você soubesse

Que é como um grito que quebra o silêncio

Esse vazio de te ter apenas em sonhos

Enquanto meu coração implora para ser seu dono". Tradução Livre.