Little lord me seguiu sem falar nada e agradecia por isso, não sabia o que dizer. Ele ameaçou o meu pai e disse com todas as letras que faria tudo por mim.
Claro, teve outras pessoas que disseram também, mas para mim, apenas para mim e não para o primeiro Lorde das Trevas.
Ele era louco e não sabia o que fazer, se agradecia, se o beijava ou se apenas me calava nessa situação.
Entramos no quarto e apenas o larguei e fui até a minha bolsa para pegar um par de sapatos.
_ Quer falar algo? - Perguntou.
_ Por que você parece ansioso? - Sentei-me na cama e o escuto se aproximar.
_ Não estou ansioso, temos tempo para colocar tudo que queremos no lugar. - Colocou a trança para o lado e abaixou a gola da minha blusa. _ Até 1943. - Beijou minha nuca e a mordeu.
_ O que quer dizer? - Coloquei o sapato e o olhei. _ Por que só temos até 1943?
_ Como assim? - Ficou confuso.
_ Eu que o pergunto: como assim? - Levantei-me e fiquei na sua frente. _ O que acontece em 1943?
_ Você pretende ficar? - Um estalo se fez na minha cabeça e entendi sua fala.
_ Foi por isso que as outras se foram em 1943, não é? - Sorri, o vendo alisar a unha do seu dedão no dedo indicador. _ Está ansioso, ou nervoso para me responder isso, little lord?
Fechou o espaço que tinha entre nós e agarrou a minha nuca com apenas uma mão.
_ Elas sempre foram embora em 1943. - Suas palavras me arrepiaram. _ Estou apenas...
_ Você se esqueceu de algo importante, little lord. - Puxei sua camisa. _ Não sou elas, posso me parecer fisicamente, mas mentalmente. - Cerrei os dentes. _ Não sou e pare de ver elas em mim, ou não daremos certo.
_ Está me ameaçando, coelhinha. - Semicerrou os olhos, fazendo seu aperto piorar.
_ Estou avisando. - O analisei. _ Se quer colocar as minhas palavras como ameaça... - Mordeu meus lábios e fiquei chocada demais com isso.
_ Acho que para fazer você parar de falar, a solução é sempre te beijar. - Baforou nos meus lábios. _ Gosto dessa solução.
_ Quer... - Mordeu de novo.
_ Não tire conclusões precipitadas, minha coelhinha. - Fiquei sem reação. _ O que quero dizer é o seguinte. - Segurou minha cintura. _ Elas sempre vão embora em 1943, porque sempre matam uma pessoa. - Não sabia.
_ Por quê? - Alisei os visgos de sua camisa, o fazendo rir.
_ Para conseguir entrar em Azkaban. - Sussurrou na minha boca. _ E acho que você fará o mesmo, já que você quer os Dementadores.
_ Isso não soa nada mal, mas ser presa é...
_ Complicado para você. - Concordei. _ Temos tempo para isso, ainda mais com você tendo aulas com aquele velho decrépito.
_ Não quero entrar no ministério...
_ Conseguirei ser algo semelhante a você em Hogwarts e... - Alisou meu rosto. _ Farei Slughorn me indicar a algo no ministério e estarei com você quando Dumbledore quiser que você faça uma visita naquele lugar.
_ E se ele quiser que eu visite em 1937? - Esse era meu pior medo. _ Não se esqueça que serei mais velha que você por dois anos na escola.
_ Ele não levará um segundo ano para o ministério, confie em mim.
_ Você está confiante por que já vivenciou isso? - Diga que sim...
_ Não. - Merda. _ Elas nunca tiveram aulas com Dumbledore, ou foram indicadas a um cargo para o ministério.
_ Tom. - Parecia uma súplica, ou uma prece. _ Não gosto daquele lugar. - Abraçou-me, apertando meu corpo no seu.
_ Estarei com você quando estiver lá e se você realmente matar uma pessoa para ser presa. - Suspirou. _ Teremos que arrumar a cela do ministério.
_ Para que elas não restrinjam a minha magia. - Concordou e continuou me acariciando. _ Isso é bom, não gosto da sensação das algemas.
Olhei para baixo, vislumbrando de relance a corrente nos meus tornozelos.
_ Só temos que cuidar do Veritaserum. - Discordei.
_ Não é necessário. - Voltei a olhá-lo. _ Consigo burlar isso.
_ Com magia...
_ Não, fiz meu organismo se acostumar. - Ficou sem reação por alguns segundos.
_ Você se drogou com Veritaserum? - Emoldurou o meu rosto e o cheiro de pera entrou pelo meu nariz, quase me dopando no processo.
_ O que você está fazendo? - Fiquei alarmada, mas não consegui me afastar.
_ Fazendo um exame em você, você é completamente louca para fazer algo desse tipo. - Estava tão irritado.
_ Não foi tão ruim. - Quase morri, mas passo bem.
_ Não foi ruim? - Mordeu seus lábios para restringir suas palavras e vejo seu lábio inferior se abrir.
Puxei sua camisa novamente, tentando chamar sua atenção, mas estava tão concentrado em me examinar que não notou imediatamente quando deslizei minha língua sobre seu lábio inferior.
_ O quê? - Olhou-me e sorri degustando o gosto odioso do sangue.
_ Se quer morder algo, me morda. - Piscou uma, duas, três vezes e na quarta, me pegou no colo e me beijou como se o mundo fosse acabar amanhã.
E se acabar, posso dizer que fui beijada com tanta possessividade que não teria condições para ficar em pé.
Mas tudo que fiz foi puxar seus cabelos, sentindo que a textura era tão macia que não sabia exatamente o que fazer, se prestava atenção no beijo que me deixava sem ar, que me deixava literalmente sem chão.
Que fazia meu corpo queimar e minha vagina pulsar por algo que apenas ela e meu cérebro sabiam o significado.
Ou apenas sentia suas mãos adentrando na minha blusa e alisando as minhas costas como se fosse ali que deveriam estar.
Mas não me tocava querendo me despir, me tocava como se quisesse dizer com seus toques que era a coisa mais preciosa que estava tocando.
O sinto me colocar na cama e o prendi com as pernas para que não fugisse.
_ Não fale essas coisas quando estamos a sós, coelhinha. - Beijou minhas bochechas, meus olhos, minha testa, nariz e ficou me observando.
_ Por quê? - Sorri e desabotoei a sua camisa. _ Você está suando, está tão quente assim? - Arranhei seu peito e sinto-o se arrepiar.
_ Está quente, quer sentir onde mais está quente e pulsando por você? - Mordeu meu queixo. _ Devido a uma bendita frase. - Tremi apenas por pensar.
_ Você não seria tão... - Encaixou sua cintura e sinto seu pênis duro.
_ O que iria dizer? - Alisou minha boca com dedão. _ Sabe o que quero fazer agora, coelhinha? - Balancei a cabeça. _ Quero colocar o meu pau na sua boca e sentir essa linguinha afiada ao redor dele, o sugando com tanto afinco.
Alisei seu peitoral e deslizei até o cós de sua calça, brincando com o botão e o observei.
_ Você quer descobrir isso agora, ou... - Alguém bateu à porta.
_ Se eu matar o seu pai, espero que você não fique brava. - Levantou minha blusa e mordeu a minha costela.
_ Sim? - Gritei.
_ Está fazendo o sapato? - Papai perguntou e agradecia por ele não ser como alguns que entravam sem avisar.
Como eu, por exemplo.
_ Bom, estou esperando o little lord se recompor. - Mordeu mais forte.
_ Não quero me recompor. - Beijou as mordidas. _ Mas como sou obrigado a fazer isso. - Levantou-se e foi até o banheiro. _ Porém, se eu pegar uma gripe por tomar banho frio, você será a minha enfermeira.
_ Ficarei ansiosa por isso. - Sorri, me levantando e tentando me recompor, enquanto ia até a porta.
Mas até parece que não teria que fazer isso, ainda mais por sentir aquele pênis na minha vagina... Ah, só de lembrar fico quente.
Abro a porta e tive que sorrir para o papai, que me examinava como se soubesse que estava prestes a entregar a virgindade da minha boca para o homem que tomava banho.
_ Bochechas avermelhadas, olhos dilatados, suor na testa e sorrindo como uma boba apaixonada que teve a sua primeira declaração. - Ele sabe analisar como ninguém, só perdia para o little lord. _ Barulho de chuveiro...
_ Estávamos prestes a transar e sim, você acertou. - Estalei os dedos. _ Mais alguma coisa, papai? - Sorri ainda mais.
_ Coelhinha. - Merda, não me chame com esse tom de voz, que me faz abrir as pernas sem perceber. _ Se você quiser tomar banho comigo, não me farei de rogado. - Ele deveria estar no chuveiro...
Olhei para trás e ele estava apenas com uma toalha na cintura, sorrindo como se não estivesse vendo o meu pai na porta.
Seus olhos estavam meia-lua e os cabelos bagunçados, porém, não deixava visível a sua testa. Mas o que provavelmente meu pai estaria olhando era os arranhões vermelhos em seu peito.
Bom, também poderia olhar os coelhinhos na costela, ou como o corpo desse homem era definido, ou como era um pecado esse homem viver entre meros mortais, ou como o pênis dele estava demarcado na toalha branca...
_ Sogro, você me irrita até mesmo aqui. - Mamãe, preciso de ajuda.
_ Pensei que o Black era uma opção horrorosa. - Estalou a língua. _ Até que chegou você.
_ Que pena, poderia matar o Black e ser a melhor opção, mas olha que coisa, sempre fui a melhor opção. - Deboche era o terceiro sobrenome dele.
_ Little lord, vai tomar banho... - Encostou seu quadril na minha bunda e segurou minha cintura para continuar sentindo seu pênis rígido.
_ Mas queria você comigo. - Ele só está assim para irritar o meu pai, mas se você quer, posso ajudar.
_ Prepare a banheira, não quero ficar em pé. - Lambeu os lábios rachados e foi embora, fechando a porta do banheiro. _ Acho que demorarei mais um pouco, pode falar com a mamãe que já vou descer para pegar a possível lista? - Segurei a porta e iria fechar.
_ Leesa...
_ Obrigada por concordar, suas palavras são sempre tão amáveis. - Beijei sua bochecha. _ Até daqui a pouco. - Fechei a porta e comecei a rir.
Acho que se continuarmos juntos, podemos acabar matando meu pai de desgosto.
Vou até a porta do banheiro e bato nela, escutando um entre abafado.
_ Você gostou de irritar o meu pai, não foi? - Examinei o chão.
_ Sim, mas a minha diversão favorita é te irritar. - Nenhuma banheira foi preparada. _ Devo me desculpar por alguns dos meus atos, ou...
_ Não, eu queria. - Apertei a maçaneta. _ E você não fez nada.
_ Queria? - Quase levantei meu olhar. _ Queria que eu fizesse?
_ Acho que não está na hora. - Queria e muito. _ Temos tempo para isso. - Resmungou. _ Devo pedir desculpas por...
_ Leesa, por Merlim. - Socou a parede. _ Você não tem culpa que é uma puta de uma gostosa e cada meia palavra que sai de sua boca, quero me trancar nesse quarto e foder você por uma semana. - Fiquei sem folego apenas por imaginar.
_ Pensei que a frase seria completada com o amanhecer. - Riu e queria terminar de ver o seu corpo, mas não queria ser desrespeitosa como aquelas pessoas.
_ Não daria para fazer muita coisa até o amanhecer. - Sua voz estava sedutora. _ E quero fazer muita coisa. - Desligou o chuveiro e os passos molhados pelo piso me fazia apertar ainda mais a maçaneta.
_ Tipo? - Vejo pela visão periférica que pegou a toalha e veio até mim, alisando minha bochecha com o dedão.
_ Beijar cada pedacinho existente. - Começou a beijar o meu rosto. _ Dizer no pé do ouvido que você é linda e sou o homem mais feliz desse mundo por ter alguém como você ao meu lado. - Abri e fechei a boca, não sabia o que poderia sair dos meus lábios. _ Beijar a sua boca e perceber que não consigo parar de encará-la e querer mais, estou viciado na textura e o quão petulante ela pode ser.
_ Está me insultando? - Beliscou a minha bochecha.
_ Não. - Deslizou seus lábios pelos meus. _ Estou dizendo o que faria e planejo fazer.
_ Se eu concordar. - Apoiou seu braço na porta.
_ Em nenhum momento falei que a obrigaria. - Isso era verdade, mas apenas saio do banheiro, o vendo me seguir até certo ponto e ir até o closet. _ Mesmo querendo trancá-la nesse quarto para sempre.
_ E como ficaria a guerra? - Escutei a sua risada, enquanto me sentava na cama.
_ Podemos fazer a nossa guerra na cama, não me importo muito. - Revirei os olhos.
_ Você só pensa nisso?
_ Não, mas me segurei por um ano, me dê um desconto. - Acho que se não fosse o ambiente, ele já teria me jogado nessa cama e rasgado todas as minhas roupas.
_ Tudo bem, você tem pelo menos cinco segundos para dizer tudo. - Limpei minhas unhas, esperando alguma atrocidade.
_ Descobri algo sobre você. - Não era isso que estava esperando. _ Sobre nós, quero dizer.
_ Certo, fale. - Sua voz ecoou por todo o cômodo.
_ Primeiro. - Fez suspense. _ Deixa-me dizer duas coisas, existem duas maneiras de ter um relacionamento com a pessoa que deseja. - Franzi o cenho e me joguei na cama.
_ E quais são? - Observei o teto.
_ Atração física é a primeira. - Isso era o mínimo. _ Depois passa por várias fases até chegar no amor. - Fechei meus olhos, imaginando o processo. _ Mas nem sempre precisa ser a atração física a primeira coisa que acontece em um relacionamento, ou nem sempre precisa ter fases para uma pessoa amar a outra.
_ Ah, você vai me explicar aquilo que falei mais cedo. - Isso era bom, não queria ficar confusa para sempre. _ Continue.
_ O que quero dizer é que todas as pessoas que disseram que a amavam ou que você era algo tão especial que iriam acabar morrendo sem você, era apenas atração física. - Queria ver como o seu rosto estava, queria saber se estava fazendo caretas por pensar nessas pessoas, ou se sentia raiva.
_ E o que tudo isso significa?
_ Sabe a diferença entre o amor e a atração física? - Ele acha que sou idiota?
_ Você vai gostar da aparência da pessoa. - Isso era o básico. _ E o amor, bom, o amor você amará todos os defeitos ou ajudar a consertá-los.
_ 10 pontos para a Sonserina. - Ri e continuei prestando atenção. _ Já sentiu borboletas no estômago? - Neguei e depois percebi que ele não estava aqui para ver.
_ Não, e isso é só o corpo reagindo com uma alta intensidade de ansiedade. - Saiu do closet e estava arrumado, mas o diferencial de ontem e de hoje, era que estava usando um sobretudo.
_ Tão inteligente. - Sentei-me na cama, o vendo piscar. _ Na atração física você sente borboletas no estômago. - Repensou. _ Na verdade, nem todos sentem assim, você pode sentir outra coisa. - Acenei. _ Mas você vai reparar mais na aparência do que no semblante da pessoa. - Arrumou os punhos do sobretudo. _ Você não percebe se está desconfortável ou não.
_ E você percebe? - Esfreguei minhas mãos.
_ Segundo dia em que foi no orfanato. - Apertei meus dedos. _ Você estava quieta e apertou minha mão, naquele momento comecei analisar o seu corpo e como o seu peito subia e descia rapidamente. - Crispei os lábios. _ Você estava com medo, mas não sabia uma maneira adequada para perguntar o motivo daquilo.
_ Você perguntou. - Sussurrei e o vejo se ajoelhar a minha frente, pegando minhas mãos e as segurando.
_ E logo em seguida mudei de assunto para você não pensar naquilo. - Suspirei. _ Lembre-se de todos os nossos encontros e os compare com os outros que você teve ao longo de sua vida.
_ Não tem muito para comparar.
_ Claro que tem. - Negaria de novo, mas foi mais rápido. _ Sentiu confortável de confidenciar tudo para essas pessoas? Você contou que quando cruza os dedos você está mentindo sobre algo? Ou que você tem uma mania de girar o anel quando precisa se acalmar?
_ Não tinha anel na época. - Tinha, mas não me lembrava dele. _ E não conto sobre as maneiras que minto. - Mordi meus lábios.
_ Você contou para alguém que você não dorme muito bem por que sente medo de estar naquela cela? - Tentei girar o anel, mas percebeu. _ Previsível.
_ E você continua um irritante. - Odiava me sentir assim.
_ Você sentia a necessidade de estar perto da pessoa do que ter uma conversa com ela? - Franzi a testa, não entendendo a pergunta.
_ Não me lembro tão bem dos acontecimentos de anos atrás.
_ Ok, vamos trocar de pergunta. - Não pensou muito. _ Você falou algo que a pessoa queria ouvir? - Dei de ombros.
_ Onde isso tudo levará? - Beijou meus dedos e ficou assim por um tempo.
_ Em um ponto importante. - Bufei e respondi:
_ Não me lembro, devo ter falado. - Olhei para a janela, tentando me lembrar. _ Sempre faço isso para conquistar pessoas para o nosso lado. - Sorriu de lado.
_ O silêncio era vergonhoso? - Fechei meus olhos e voltei para o passado das minhas memórias.
Navegando por aqueles dias frios e cinzentos, escutando risos e gritos, mas tudo que vinha eram aqueles sons ritmados de nossa respiração quando acordei de madrugada.
_ Sim. - Fui sincera.
_ Isso é o que resumi sobre a atração física, a gente fez alguma dessas coisas? - Parecia ansioso.
_ Não. - Por que meu coração pulou do meu peito ansiando pela resposta?
_ Agora vou resumir sobre o amor. - Acenei, porém, percebi algo.
_ Está dizendo que amo você? - Talvez esteja certo... Não, acho que está certo.
_ Isso só você pode responder. - Sorriu. _ Você sente confortável em ser exatamente assim? - Pisquei algumas vezes. _ Irritante, não sabe esperar a pessoa terminar de falar e sempre tem algo na ponta da língua para refutar a pessoa. - O empurrei, o vendo se sentar no chão.
_ Você está me insultando. - Levantei-me. _ Você é um narcisista, um poste ambulante, só usa preto porque sabe que lhe cai super bem e é um viciado em vinho.
_ Obrigado. - Sorriu. _ Você conseguia ser assim com outras pessoas? - Levantou-se.
_ Tentei, mas sempre teria aquele olhar de pena ou de julgamento. - Cruzei os braços, tentando me proteger de minhas emoções. _ Então nunca me abri para aquelas pessoas e apenas me escondi em um belo sorriso e palavras amáveis. - Sou tão patética.
_ Você escutava as pessoas como se estivesse ouvindo uma belíssima música clássica, ou como um rádio sem frequência? - Que tipo de analogia era essa?
_ Escutava pessoas como pessoas...
_ Leesa. - Veio até mim, emoldurando meu rosto. _ Você se sentia maravilhada com as palavras daquelas pessoas, como se estivessem tocando um violino e ele era tão afinado que a música apenas fluía?
Fiquei fascinada pela intensidade de seus olhos vermelhos, eles pareciam vinho do qual tomei e me viciei ao seu lado.
_ Ou você escutava as palavras daquelas pessoas e apenas tentava manipular as suas palavras seguintes?
_ Segunda opção. - Suspirei.
_ E comigo?
_ Primeira. - Sempre será a primeira, mesmo com essas análises malditas.
_ Certo. - Balançou a cabeça. _ Alguém falou sobre o quão bonito é o seu jeito de ser, ou no meio da frase falou do seu corpo?
_ Você também falou sobre ele. - Deu de ombros.
_ Mas ontem falei palavras tão amáveis. - Colocou a mão no peito. _ E hoje poderia ter morrido por apenas tentar te proteger.
_ Você não estava ligando para a morte. - Bufou e quase mordi seu pulso.
_ Porque eu sabia que você não deixaria morrer. - Talvez o deixasse morrer, apenas para ver o sorrisinho irritante dele sucumbir. _ Conversou sobre assuntos que você odeia? - Pensei que tínhamos terminado. _ Aprofundou o assunto?
_ Não, apenas com você.
_ Quando ficamos em silêncio...
_ Não ficamos, sempre temos algo para conversar. - E se estamos, não reparo, é tão... Confortável.
_ E concluímos que você não sente atração por mim. - Isso era obvio depois de todas as essas perguntas. _ Claro, existe algo, mas é irrelevante.
_ E o que sinto, senhor Riddle? - Segurei sua mão no meu rosto. _ Para uma pessoa que não gostava de sentir, você sabe muitas coisas.
_ Porque tinha uma ex-esposa que não gostava de compartilhar e queria muito saber o que aquela maldita estava pensando apenas por estalar os dedos. Mas ela me deixava tão ansioso que tive que procurar livros entendê-la. - Falou tudo tão rápido que fiquei surpresa pelo seu surto.
_ Eu só...
_ Antes de falar, deixe-me concluir o assunto. - Acenei, suspirando em seguida. _ Você me ama. - Sim, mas queria saber se isso mudaria.
_ Por que pulamos todas as etapas? - Levantei a sobrancelha, tentando dar uma de louca, mesmo ele me explicando isso. _ Sabe, existem algumas etapas para que isso aconteça.
_ Leesa. - Sua voz saiu em um sussurro. _ Li algo que dizia que paixão é um evento, pode ser passageiro ou pode ser duradouro, mas o amor, o amor é rotina. - Encostou sua testa na minha. _ Seja indo até mim todos os dias, ou fazendo aqueles biscoitos que eu queria mais.
_ Não sabia que você tinha gostado tanto dos biscoitos. - Se soubesse, deveria ter feito mais.
_ Porque foi você quem os fez. - Ele sempre me deixava sem palavras. _ O que quero dizer é, que teve sim a atração física, mas depois a gente passou por todas as fases.
_ Só tivemos...
_ Um ano, em apenas um ano você parou de me odiar e pensar em mim como alguém que poderia te ouvir sem julgar. - Acho que aquela mulher tinha razão em uma coisa, quando escreveu aquele diário. _ Mas descobri algo nesse um ano. - Ele realmente me compreende.
_ Sua cabeça deve odiá-lo, você pensa tanto...
_ Que dói a cabeça. - Completou a frase. _ Verdadeiramente pensei amar aquelas duas, mas apenas gostava de ter alguém ao meu lado que sabia tudo sobre mim.
_ Little lord...
_ Talvez tenha só amado a companhia delas e pensei que todos os relacionamentos fossem assim. - Deu de ombros e fez a unha do seu dedão alisar o seu dedo indicador.
_ Assim como?
_ Vê-las sempre na minha frente e pensando no porquê de elas nunca estarem ao meu lado como sempre estive por elas. - Little lord, era por conta disso que você ficou tão triste e surpreso ontem.
Mas tudo bem, estou aqui por você e com você.
Alisei seu rosto e sequei a lágrima teimosa que deslizava até seu queixo, o abraçando em seguida.
_ Elas não estão aqui, mas sempre estarei ao seu lado. - Abraçou-me fortemente.
Acho que nem mesmo o maior narcisista que já conheci pode fugir da solidão. Little lord estava machucado como eu, mas ele colou a sua alma e o seu coração, enquanto me entregava de bandeja.
_ Percebi que amava as memórias e não a pessoa em si. - Apertei o seu sobretudo. _ Mas é diferente agora.
_ Diferente como? - Sussurrei, temendo a resposta que meu coração ansiava.
_ Você não quer ouvir que eu a amo. - Engoli em seco. _ Você não vai acreditar em mim, ainda. - Tenho medo. _ Então, usarei os anos que teremos juntos para reforçar as minhas palavras. - Distanciei de si e ficamos nos observando. _ Amo você, e mesmo você negando não sentir isso, esperarei. - Beijou minha testa. _ Mesmo que eu nunca tenha esperado ninguém, eu sei que por você vale a pena.
Queria falar algo, nem que fosse apenas um "A", mas não conseguia falar nada, não conseguia expressar os sentimentos estranhamente convincentes do meu coração, seja por palavras ou ações.
Estava completamente paralisada e só queria falar algo, mas o medo me dominava.
O amava, ou apenas tentava me convencer que sim?
