QUANDO NOS TOCAMOS
BY DAMA 9
Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, pertencem a Masami Kuramada e a Toei Animation.
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Importante!
Dama 9 e amigos incentivam a criatividade e liberdade de expressão, mas não gostamos de COPY CATS. Então, participe dessa causa. Ao ver alguma história ou qualquer outra coisa feita por fã, ser plagiada ou utilizada de forma indevida sem os devidos créditos, Denuncie!
Boa Leitura!
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Capítulo 10: Voltando pra casa.
(...) Nós passamos por todos os bons e maus tempos
Você me faz levantar quando eu caio (...)
.I.
Apoiou a mochila sobre o ombro esquerdo enquanto subia os últimos lances da escada, a porta se abriu.
-Shun-sama. Ohayo! – Yume falou sorrindo.
-Ohayo, Yume-chan; ele respondeu com um sorriso sincero, fazendo a jovem corar. –Como estão as coisas por aqui?
-Por mais estranho que possa parecer, estão calmas; ela respondeu, estendendo a mão para pegar sua mochila, mas ele apenas negou com um aceno, segurando a alça sobre o ombro.
-Pode deixar, eu mesmo levo;
-Mas...;
-Está tudo bem, Yume; ele respondeu tranquilamente. –Agora me conte, onde estão todos, para tudo estar tão silencioso e calmo por aqui?
-Saori-san foi até a empresa para uma reunião. Seiya está com a senhorita Minu, Tohma, Ikki e June estão na Fundação, hoje nenhum dos três tem aula na faculdade e...;
-Espera; Shun a deteve. –O que disse, acho que não entendi; ele falou confuso.
-Como os três estudam no período noturno, durante a manhã e tarde, eles trabalham na fundação. Provavelmente chegarão mais cedo hoje já que não tem aula; Yume explicou sem entender a confusão dele.
-Entendo, mas e June? – Shun perguntou hesitante. O irmão lhe contara que ele e os outros estavam estudando e trabalhando para a Fundação, mas nunca mencionara June, aliás, achara que ela estava vivendo no Santuário com Marin e Shina.
Fazia um ano e meio que não via a amazona e não estava muito certo sobre o que sentir quando a visse novamente.
-A senhorita June veio da Grécia com Saori-san. Como os rapazes decidiram entrar no programa da Fundação, Saori-san conseguiu convencê-la a fazer o mesmo. Desde então, a senhorita June tem vivido aqui;
-Certo; ele murmurou, pensativo. Sabendo que em algum momento teria que conversar com ela, ainda mais que estavam sob o mesmo teto agora.
Respirou fundo, enquanto subiam as escadas, como Mú dissera, fugir dos problemas não os faria se resolverem sozinhos, pelo contrário, eles iriam se multiplicar como uma bola rolando na neve.
-Gostaria de tomar um lanche agora ou prefere descansar e esperar o jantar? – Yume perguntou, abrindo a porta do quarto.
-Vou tomar um banho, depois eu desço, não se preocupe; ele respondeu.
-Como quiser; a jovem falou antes de dar-lhe passagem para dentro do cômodo e logo em seguida, despedir-se, deixando-o sozinho.
Olhou distraidamente o quarto, tudo estava como deixara quando a guerra contra Hades começara, jogou a mochila sobre a cama e aproximou-se da mesinha redonda, que estava próxima as portas da sacada.
Prendeu a respiração ao ver que sobre ele, ainda estava o porta-retratos que guardara praticamente durante toda sua vida, segurou o objeto com mãos tremulas e notou que o vidro fora trocado, provavelmente Ikki deveria ter visto os cacos no chão e mandado substituir por um novo.
Ainda sentia arrepios ao lembrar-se das visões que tivera com Pandora nos dias que antecederam a Guerra Santa, jamais ousou imaginar o quão profundamente entrelaçados estavam suas visões com a jovem, mas agora isso era parte do passado; ele completou em pensamentos, deixando o porta-retratos sobre a mesa novamente quando ouviu um toque na porta.
-Entre! – ele respondeu, vendo a porta abrir-se cautelosamente, enquanto por trás dela, surgia a cabeça da jovem de melenas loiras. -June; Shun murmurou engolindo em seco recuando um passo instintivamente, pensou que estava preparado para falar com a amazona quando a encontrasse depois de todo aquele tempo, mas agora sabia que não.
Não queria magoar June, mas sabia que qualquer coisa que dissesse, traria arrependimento e amargura para ambos.
-Oi; ela falou timidamente.
-Oi; Shun respondeu hesitante.
-Yume avisou que você tinha subido, como foi de viagem? – ela indagou, terminando de abrir a porta e dando um passo cauteloso para dentro. Dera sorte de sair mais cedo da Fundação hoje e quando subira, encontrara Yume no caminho, que lhe avisara sobre a chegada do cavaleiro.
-Foi tudo bem, uma experiência nova atrás da outra; ele brincou tentando quebrar a tensão que ameaçava lhe sufocar.
-Que bom; June respondeu animada. –O que pretende fazer agora que chegou?
-Ahn! June...; ele hesitou, ficando sério, lembrando-se do real motivo por não conseguir encarar a amazona como antes. –Desculpe ter partido sem me despedir;
-Tudo bem... Saori me explicou que você precisava ir; June respondeu, desviando o olhar.
Mesmo depois daquele tempo todo, Saori não lhe contara o real motivo de Shun ter ido treinar com Mú em Jamiel em vez de ter permanecido treinando na Grécia com Shaka, tentara conseguir mais informações com os cavaleiros na mansão, mas nenhum deles parecia saber, ou simplesmente, se recusavam a compartilhar informações.
-Eu ainda não sei o que vou fazer, acabei de chegar e não pensei sobre isso ainda; ele respondeu dando-lhe uma indireta para não insistir no assunto.
-Desculpe, devia ter imaginado; ela falou corando. –Ahn! Vou deixar você descansar então;
-...; ele assentiu, esperando-a deixar o quarto e quem sabe, levar consigo aquela pressão esmagadora que sentia.
-Até o jantar;
-Até; Shun conseguiu responder vendo aliviado a porta se fechar.
Respirou fundo, deixando-se cair na cama, instintivamente levou uma mão a garganta, sentindo-se sufocado. O coração começou a bater mais rápido e pequenos pontos brilhantes surgiram diante de seus olhos. Sentia seu cosmo oscilando. Droga, depois do que passara para aprender a lidar com ele, como justamente agora ele perdia a estabilidade; o cavaleiro pensou exasperado.
Levantou-se bruscamente, abrindo as portas balcão. Sentiu o vento gelado do fim de tarde chocar-se contra si e imediatamente seu corpo esfriou e a pressão sufocante que sentia na garganta, foi aliviando.
Respirou seguidas vezes, tentando se acalmar. Mú havia dito que coisas assim iriam acontecer se perdesse o equilíbrio de seu cosmo. Quando o consciente se descontrolasse o subconsciente iria dar um jeito de lhe parar, com isso, iria usar de seus reflexos para deter as funções básicas do corpo. Por isso deveria se exercitar, para evitar esse tipo de reação.
Mais calmo, apoiou os braços no alpendre da sacada, foi quando viu um carro se aproximando. Provavelmente com Saori; ele pensou agora mais tranquilo, mas estancou com a mão no ar ao ver que quem saiu do carro não foi ela e sim, aquela adorável jovem de melenas negras que conhecera antes de deixar o Santuário.
-Cora!
Embora sua voz não houvesse soado mais do que um sussurro a seus ouvidos, viu a jovem deter-se no primeiro degrau da escada e erguer a cabeça para cima. Quando seus olhares se encontraram, sentiu uma descarga elétrica percorrer seu corpo dos pés a cabeça e por um instante, mesmo que ínfimo, sentiu o tempo parar.
.II.
Arqueou levemente a sobrancelha, enquanto via o cavaleiro correndo pelo campinho de futebol, ensinando as crianças a jogarem.
-Você parece um pouco inquieto; uma voz delicada chamou-lhe a atenção.
Virou-se prontamente, encontrando uma das monitoras do orfanato lhe observando.
-Como vai, Eiri? – Hyoga perguntou, em meio a uma mesura cordial.
-Bem, e você Hyoga? – ela perguntou, tímida.
-Bem, na medida do possível; ele respondeu, voltando a fitar Seiya e as crianças brincando do outro lado do campo.
-Minu falou que as coisas estão um pouco tensas na mansão; Eiri comentou casualmente.
-Shun chega hoje de Jamiel; Hyoga respondeu. – Querendo ou não, todos estão preocupados com isso... Bem, todos menos esse aí; ele completou apontando o cavaleiro que agora rolava no chão com os meninos.
-Acredito que Seiya também esteja preocupado com Shun, Hyoga. Mas cada um tem um jeito de demonstrar isso; Eiri falou pousando a mão sobre o braço dele, em tom conciliador. –Vocês tiveram que começar a lutar muito cedo, amadurecendo e se tornando homens, enquanto as outras crianças brincavam, despreocupadas. Acredito que Seiya aja assim, não porque não se importe, mas é a forma que ele encontrou de lidar com a situação;
-Talvez; Hyoga respondeu num muxoxo contrariado.
-Mas não é só isso que lhe preocupa, não é? – ela falou, incentivando-o a falar.
-Ikki também esta agitado por causa de June. Ele acha que ela pode acabar 'se aproveitando' da sensibilidade de Shun e usar isso para fazê-lo retornar a ilha de Andrômeda como ela quer; ele respondeu.
-Não sei, parece um pouco exagerado pensar que ela iria manipular alguém assim; Eiri comentou, já havia conhecido a amazona por conta do trabalho que ela executava na Fundação e não conseguia imaginar ela forçando a barra desse jeito.
-Não seria a primeira vez; ele falou com pesar. – De qualquer forma, não é algo que cabe a nós resolvermos;
-Então, você só tem que confiar; ela falou sorrindo.
-Uhn? – ele murmurou, confuso.
-Você o conhece há muito tempo, sabe como ele age. Então, confie que no fim, Shun será capaz de encontrar o próprio caminho;
-Tem razão; ele concordou, embora não tivesse a mesma confiança que ela.
.III.
Não sabia quanto tempo havia ficado ali, apenas encarando o cavaleiro, corou furiosamente quando se deu conta de que Yume havia aberto a porta e esperava que entrasse.
-Ohayo, Cora-san; a jovem a cumprimentou.
-Olá; ela respondeu hesitante.
Embora houvesse passado aquele tempo todo vivendo no Japão, ainda estranhava a colocação daqueles sufixos no nome cada vez que ia falar. San, Sama, Chan, Kun, Dono e Dana. Por sorte no orfanato não tinha que usar todas essas classificações ou do contrário, provavelmente cometeria alguma gafe; ela pensou.
-Yume, Saori já chegou? – ela perguntou.
-Saori-san tinha uma reunião na empresa hoje, mas acredito que estará de volta para o jantar;
-Assim que ela chegar, poderia me avisar, por favor? – Cora pediu.
-Tudo bem; ela respondeu dando passagem a jovem.
Cora agradeceu, antes de se despedir e dirigir-se para as escadas que levavam aos quartos.
- "Ele voltou"; ela pensou instintivamente levando uma mão em direção ao coração.
Respirou fundo, ouvindo-o bater mais rápido a cada passo, depois de um ano e meio ele estava de volta, era difícil de acreditar, aliás, se não tivesse visto, duvidaria, ainda mais agora que pretendia partir.
Imersa em pensamentos, mal notou uma porta abrir-se no longo corredor, apenas quando foi puxada para dentro de um dos quartos que reagiu assustada. Debateu-se por puro instinto, mas quando seus olhos encontraram com os do cavaleiro, sentiu-se engolfada por uma onda arrasadora de emoções.
-Senti sua falta; ele sussurrou, fechando a porta atrás dela, de forma que ela não pudesse sair, tampouco recuar.
-Shun; Cora balbuciou, sentindo a madeira fria a suas costas e o calor abrasador do cavaleiro a envolvê-la.
Uma aura poderosa o rodeava, embora aparentemente seu cosmo estivesse em equilíbrio, à energia dominante dele a mantinha cativa no círculo de seus braços.
-Senti que séculos se passaram desde a última vez que te vi; ele sussurrou, tocando-lhe a face delicadamente com a ponta dos dedos, como se estivesse gravando em sua memória todos os seus traços.
-Como foi em Jamiel? – ela perguntou tremula, vendo-o baixar a cabeça deixando seus olhos na mesma altura, porém eram em seus lábios que as írises esmeraldas se fixaram.
-Você não estava lá; Shun respondeu.
E com essa única afirmação resumiu o último ano, as palavras ecoaram em sua mente de maneira perturbadora, mas como uma toalha arrancada da mesa, cuja prataria fosse lançada para longe, elas também foram bruscamente jogadas para um canto em sua mente, quando sentiu os lábios dele sobre os seus.
Intensos e sedentos, como os de alguém perdido num deserto escaldante até encontrar a salvação em um oásis.
.IV.
Apoiou melhor o laptop sobre o joelho enquanto segurava com a outra mão um livro antigo, cujas folhas por muito pouco não estavam se desfazendo entre seus dedos. Suspirou cansado, embora sempre houvesse gostado de estudar sobre muitas coisas, apreender a lidar com aqueles aparelhos modernos estava lhe deixando com alguns fios de cabelo branco e a inquietação de seu amigo do outro lado da sala de nada ajudava.
Lançou um olhar para o livro antes de voltar-se para o laptop e conferir as informações, mas o som dos passos de Aioros sobre o tapete, de um lado para outro, começou a lhe irritar.
-Chega! –ele exasperou.
-Algum problema Saga? – Aioros perguntou dando um pulo de susto quando o cavaleiro fechou o livro com força, erguendo em volta de si uma nuvem de poeira que o fez engasgar.
-Acho que deveria ser eu a perguntar; Saga respondeu.
-Uhn?
-Você está andando de um lado para outro da sala há duas horas;
-Sério? Não tinha percebido; ele respondeu confuso, antes de se sentar em uma cadeira, colocando o livro que estava sobre ela, em seu colo.
-Aioros, o que está acontecendo? – ele insistiu, preocupado.
-Nada;
-Você é uma das pessoas mais calmas que conheço, e agora está quase me deixando maluco andando desse jeito; Saga continuou.
-Eu, bem...; Aioros balbuciou.
-O que?
-Você acha que Saori está bem... Digo, Athena? – ele apressou-se em se corrigir.
-Claro que sim, do contrário já estaríamos sabendo de alguma coisa; o geminiano respondeu, começando a desconfiar dos motivos que o deixavam tão inquieto.
-Talvez; Aioros murmurou incerto.
-Além do mais, ela está com os rapazes, é pouco provável que alguém tente alguma coisa contra ela com eles junto; Saga respondeu, vendo-o dar um pesado suspiro. -Já faz um ano e meio que Saori voltou para o Japão, se ela temesse por alguma coisa teria contado em uma das ligações que ela nos faz nos finais de semana;
-Ligações? – ele perguntou confuso.
-Claro, ela sempre liga para saber das coisas... Aioros, você está com a cabeça aonde? – Saga perguntou vendo que ele olhava vagamente para a parede e parecia não o ouvir mais. –Aioros... AIOROS!
-Uhn?
-Por que não vai ao Japão? - Saga sugeriu de repente, surpreendendo a si mesmo com essa sugestão.
-O que? – Aioros sobressaltou-se.
-Isso, as coisas estão tranquilas por aqui, você poderia muito bem viajar por alguns dias;
-Verdade?
-...; ele assentiu.
-Leve Milo com você, assim quem sabe, ele não da um pouco de sossego para as amazonas daqui, ouvi dizer que Shina esta bastante aborrecida com a presença constante dele na arena, de acordo com ela, ele está tirando a concentração de seus aprendizes; Saga comentou.
-Vou falar com ele, talvez seja uma boa ideia ir; Aioros respondeu levantando-se.
-Faça isso... Afinal, umas férias de vez em quando não matam ninguém; o geminiano respondeu, vendo-o se despedir e deixar a sala rapidamente. –Como é complicado; Saga suspirou em seguida.
-Faz um ano e meio que ele está assim; uma voz conhecida soou a suas costas.
Virou-se, encontrando o ariano de melenas lilases emergindo das sombras entre as prateleiras.
-Normalmente Aioros não é tão impaciente assim; Saga respondeu, fitando-o intrigado. Há quanto tempo o cavaleiro estava ali e não sentira sua presença? – ele pensou intrigado.
-Se ao menos ele fosse um pouco mais honesto consigo mesmo; Mú comentou, indo sentar-se no mesmo local ocupado pelo sagitariano.
-Como? – o geminiano indagou, curioso.
-Estava apenas pensando alto, não de importância; ele resmungou, dando de ombros, antes de estender-lhe um pequeno flash drive.
-O que é isso? – Saga perguntou, notando que o objeto era quase no mesmo tamanho de uma chave.
-O relatório sobre o desenvolvimento de Shun no último ano;
-Mas...;
-Achei desnecessário escrever num pergaminho agora que você está digitalizando tudo; Mú respondeu antes que ele contestasse.
-Entendo... Faz sentindo; ele assentiu concordando. –E então, como foi?
-Extraoficialmente? – o ariano indagou, vendo-o assentir. –Os poderes dele já estão no mesmo nível que os do Shaka, acredito que é apenas questão de tempo até a própria armadura escolhê-lo oficialmente como sucessor de virgem;
-Ele evoluiu tanto em tão pouco tempo; Saga comentou surpreso.
-Não foi pouco tempo, além dos cinco anos de treinamento, todos esses anos entre as guerras sendo forçado a elevar seu cosmo além do limite suportável em meio as batalhas contribuíram; Mú respondeu fitando-o seriamente. -Acredito que o impulso maior para a expansão dos poderes dele foi com Hades;
-Fico pensando se os outros não terão de receber algum acompanhamento também; Saga comentou pensativo.
-Como assim?
-Durante todas as batalhas eles foram obrigados a acender o cosmo muito rápido, atingindo o sétimo e oitavo - sentidos. Embora Shun tenha recebido a influência de Hades, o aumento do cosmo até mesmo nos outros forçou uma evolução brusca nas armaduras transformando-as em Kamuis ou do contrário o sangue de Athena sobre elas não serviria de nada, acredito que agora com as coisas mais calmas, eles possam passar pelo mesmo que Shun;
-Ainda não tivemos nenhuma amostra disso, mas é algo a se observar; Mú concordou. – Além do mais, todos eles tiveram uma boa recuperação durante o período que ficaram na Fonte. Então só poderemos lidar com isso quando acontecer, nesse momento é desnecessário perdermos tempo especulando.
-Tem razão; Saga concordou.
-Mas, se te deixar mais tranquilo, mande Shaka ficar de olho, se ele pode sentir as variações de cosmo à distância, pode ficar atento aos cavaleiros de bronze, mesmo daqui; Mú explicou com um fino sorriso nos lábios diante da perversa ideia de atribuir mais funções ao virginiano apenas para atormentá-lo e obviamente, fazê-lo fazer algo a mais do que ficar sentado o dia todo ocioso, apenas meditando.
-Ahn! E você? – o geminiano perguntou curioso.
-O que?
-Não pretende se inteirar sobre isso? – Saga indagou com cautela, vendo-o se levantar.
-Não, não estarei no Santuário nos próximos meses; Mú respondeu sem dar margem a especulação, tampouco explicar no que estava envolvido. –Mas qualquer coisa, você sabe como me contatar;
-...; ele assentiu, vendo o ariano despedir-se e desaparecer em seguida. –Uhn! Curioso, muito curioso...;
.V.
Pés descalços tocaram o chão de mármore, inconscientemente seguindo pelos corredores gelados, uma noite de estrelas erguia-se na abobada celeste, a brisa suave esvoaçou os longos cabelos negros, enquanto os opacos orbes violeta fitavam o solário de colunas gregas.
O salão aberto lhe dava uma vista privilegiada das estrelas, um arrepio correu suas costas e o coração disparou, por alguns segundos, tão ínfimos para que algum mortal comum notasse seus olhos mudaram de cor e com eles a visão das estrelas foi substituída por outra, bem mais perturbadora.
-O que você viu? – uma voz grave soou a suas costas.
Instintivamente virou-se tensa, pronta para enfrentar qualquer um que lhe ameaçasse, mas tranquilizou-se ao ver a figura imponente de cabelos vermelhos se aproximar, os orbes azuis como lâminas de gelo pareceram aquecer-se ao recair sobre si e a tensão de seu corpo se esvaiu, escorrendo como água.
-Theíos; ela sussurrou, enquanto a divindade aproximava-se a passos calmos de si, quase flutuando sobre o piso de mármore.
-Você só busca o templo de Delfos quando algo está lhe incomodando; Apolo falou tocando a face alva com carinho, vendo-a assentir.
-Ainda não tenho certeza do que é; Ariel respondeu.
-Tem algo a ver com o que viu? – Apolo indagou curioso.
-Você sabe que prefiro não falar sobre elas; a jovem respondeu desviando o olhar.
-Sei o quanto elas podem ser dolorosas, minha criança; a divindade respondeu envolvendo os ombros delicados em seus braços, puxando-a de encontro a seu peito. –Sei também que você prefere lutar suas batalhas sozinhas, mesmo depois de tantos séculos, mas precisa se lembrar com mais frequência de que não está sozinha;
-Mú me diz isso o tempo todo; ela respondeu com um fraco sorriso.
-Você tem um bom cão de guarda; ele falou alfinetou.
-Ele não...;
-Xiiii, eu sei; Apolo murmurou afagando os cabelos negros ao senti-la ficar tensa. –Vocês são amigos, eu sei... Embora esse conceito seja uma anomalia para mim. Homens e mulheres existem para um propósito e confesso que 'amizade' não está na minha lista de prioridades; ele completou.
-O senhor melhor do que ninguém deveria saber da capacidade dos mortais em cometer pequenos milagres; ela respondeu serenamente, lembrando-se que, aquele tema já fora pauta de outras conversas com o tio no passado.
-Sim, tem razão; Apolo concordou, embora relutante. –Mas ainda é difícil aceitar a idéia de que ele não tenha se sentido 'tentado' pelo menos uma vez por seus encantos; ele completou como se isso fosse o que mais lhe ofendesse.
-Theíos! Pelos deuses padrinho; Ariel falou rindo, enquanto balançava a cabeça levemente para os lados. –Certas coisas jamais irão mudar;
-Ótimo, pois detesto mudanças... Agora não mude de assunto e me conte o que está lhe incomodando; ele insistiu.
-O senhor não irá desistir, não é?
-Não!
-Minha visão era sobre a Imperatriz; Ariel comentou, enrolando distraidamente uma mecha de melenas vermelhas em seus dedos.
-Perséfone? –ele perguntou surpreso, vendo-a assentir. –Soube que ela está na Terra vivendo com Athena, mas o que ela fazia em sua visão?
-Eu a vi, não na Terra, mas nos Elíseos... Pelo menos suponho que seja lá; a jovem falou pausadamente, como se colocar aquelas imagens em palavras lhe fosse difícil. –Ela estava grávida e Hades estava junto com ela;
-Minha criança, tem certeza? – Apolo perguntou tentando aparentar tranquilidade, quando as palavras dela haviam lhe preocupado.
-Sim, por um momento pensei que fosse Shun, aliás, minha lógica insistia que era ele a seu lado já que Hades está morto, mas...; ela suspirou. –Não era, tenho certeza, era Hades;
-Mas Hades não podia ter filhos; Apolo falou, vendo-a dar de ombros.
-De qualquer forma, foi o que vi;
-Entendo; ele murmurou, afagando-lhe os cabelos. –O que pensa fazer sobre isso?
-Nada, por quê? –ela perguntou, voltando-se para ele.
-Mas...;
-O fato de saber o que vai acontecer não me dá o direito de interferir; Ariel respondeu. –Isso não é um problema a ser resolvido... Só espero que Shun tenha força para fazer a coisa certa no fim, mesmo que isso o rasgue por dentro de novo;
-Jamais vou entender os mortais; Apolo falou, dando um pesado suspiro vendo que ela não pretendia explicar o porquê daquela afirmação, mas algo lhe dizia que Laura havia visto muito mais do que o retorno de Hades e como dissera antes, decidira não contar.
Embora detestasse admitir, sua garotinha havia crescido há muito tempo e talvez não precisasse de sua proteção; ele pensou franzindo o cenho. Entretanto, não era obrigado a gostar disso, mais tarde provavelmente iria chamar aquele cavaleiro para uma conversa, se não pudesse proteger Laura de perto sem chamar a atenção 'dela', sabia que aquele cavaleiro conseguiria; Apolo pensou.
Continua...
N/A: Théios (em grego) – Tio.
*Eiri – personagem apresentada pela primeira vez no filme 'O Santo Guerreiro'. Ela foi a mortal escolhida nesse século para ser a hospedeira da alma de Eris a Deusa da Discórdia.
