QUANDO NOS TOCAMOS
BY DAMA 9
Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, pertencem a Masami Kuramada e a Toei Animation.
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Importante!
Dama 9 e amigos incentivam a criatividade e liberdade de expressão, mas não gostamos de COPY CATS. Então, participe dessa causa. Ao ver alguma história ou qualquer outra coisa feita por fã, ser plagiada ou utilizada de forma indevida sem os devidos créditos, Denuncie!
Boa Leitura!
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Capítulo 12: Reflexos do Passado.
.I.
O dia amanhecera nublado, quem sabe como um prenúncio daquilo que sentia, a mala estava fechada sobre a cama e o passaporte na carteira, embora aquilo fosse apenas burocracia, já que usariam o avião particular da Fundação; ele pensou, pegando as coisas e deixando o quarto.
-Shun; a voz do irmão soou da outra extremidade do corredor.
-Bom dia, irmão; ele respondeu o mais neutro possível.
Em outros tempos estaria mais do que contente de encontrar com Ikki pela manhã, para que descessem juntos tomar o café, mas dessa vez sabia que um longo e tenso interrogatório estava lhe esperando.
-Bom dia... Já está indo tomar café? – Ikki perguntou, embora tivesse notado a mala na mão do outro.
-Sim;
-Ótimo, também estou indo para lá;
-Era isso o que eu temia; o cavaleiro resmungou, dando um pesado suspiro. –Vamos então;
-Ontem Saori avisou que você sairá em missão; Ikki começou em tom cauteloso, em outros tempos teria gritado aos quatro ventos que iria com o irmão e que direito Saori tinha para enviá-lo para as portas do inferno daquele jeito, mas depois do que sentira pela manhã quando ele e June estavam discutindo, sabia que não poderia mais ser tão expansivo assim.
-Sim, mas não pretendo me demorar mais do que o necessário; Shun respondeu em tom neutro.
-Shun, aquela menina...;
-Ikki, não vou falar sobre Cora com você; o cavaleiro o cortou em tom frio.
-Mas...;
-Me dê algum crédito, pelo menos dessa vez... Eu sei o que estou fazendo; ele completou, lançando um olhar velado ao irmão.
-'A morte é apenas uma parte da jornada, cavaleiro de Athena'; estremeceu ao ouvir novamente aquele eco em sua mente.
Embora não pudesse dizer se o que vira refletido no espelho ao longo daquele ano era real ou apenas uma visão - fruto de sua mente perturbada, sabia que a voz era real, mas não estava disposto a compartilhar isso com o irmão, tampouco qualquer coisa relacionada a Cora, porque falar sobre ela lhe obrigaria a falar sobre Hades.
Hades não deveria estar vivo, mas algo dentro de si sabia que ele estava, mesmo porque eles também haviam lutado inúmeras batalhas que lhes deixaram nos portões da morte uma série de vezes e haviam voltado, porém da última vez não apenas eles, mas os cavaleiros de ouro e sabe-se lá quantos outros também haviam voltado. Não sabia a quem pertenciam os créditos pela mágica fantástica, quem sabe a mesma pessoa que fora responsável por isso também houvesse trazido Hades de volta, mas não justificava a presença de Cora ali, tão longe do reino.
Sempre imaginara que quando as guerras terminassem poderia ter uma vida normal, mas agora entendia que isso era impossível, não porque fosse incapaz de seguir em frente, afinal, seus amigos estavam conseguindo, cada um à sua maneira buscando uma forma de dar sentido a própria existência, mas não podia ignorar o fato de que durante tantos anos passara na ignorância sobre quem realmente era e sobre as expectativas que o Destino tinha para si.
Certo amigo provavelmente diria que tudo aquilo era besteira, que o Destino não tinha por que ficar traçando planos para os mortais, sendo que cada um tinha a própria capacidade de criar seus caminhos.
Decidir acompanhar Cora até Heinstein fora um ato de revelia contra si mesmo, por inúmeros motivos, alguns não tão nobres quanto outros.
-Só estou preocupado com você; Ikki respondeu, observando-o de soslaio, enquanto desciam as escadas.
-Vou ficar bem; Shun respondeu, como se só isso fosse suficiente.
-E quanto a J-...;
-Bom dia, rapazes; a voz melódica e suave lhes chamou a atenção.
Os jeans desbotados, a blusa de algodão e até mesmo o ar despreocupado haviam desaparecido. Os orbes verdes estavam alertas, como se esperassem que Valentine fosse aparecer a qualquer momento, os longos cabelos negros caiam pelas costas como o céu em uma noite sem estrelas, o vestido grego de cetim petróleo embora impróprio para uma viagem longa daquelas, cumpria seu propósito ao realçar a imponência da jovem, aquela não era mais a ninfa que estivera cuidando dos cavaleiros na Fonte de Athena e sim, a Imperatriz que reinava entre o inferno e o paraíso.
-Bom dia; Ikki respondeu meio contrariado, mas antes que pudesse falar mais, notou o irmão deixar a mala no chão e seguir até ela, quase que hipnotizado.
-Bom dia; ele respondeu atravessando o hall, detendo-se aos pés da escada, esperando-a se aproximar.
-Shun; Cora sussurrou, sentindo a face aquecer-se diante do olhar dele, quando Shun lhe estendeu a mão.
-Cora; Shun falou em tom enrouquecido só para ela ouvir, trazendo-a para perto de si. –Esta linda...;
-Obrigada, eu...;
-Mais linda do que Afrodite; ele sussurrou, levando-lhe uma das mãos aos lábios e pousando um beijo quente em sua palma, o que enviou uma onda intensa de estática através de seu corpo.
Do outro lado do salão o cavaleiro de Fênix sentia o queixo literalmente cair, num milésimo de segundo seu irmão havia se transformado em outra pessoa, bem diante de seus olhos.
-Hei, vocês não vão tomar café hoje, não? – Seiya perguntou ao encontrar os três parados no meio do caminho depois de deixar seu quarto, porém o cavaleiro quase despencou da escada diante do olhar afiado que recebeu de Shun.
-Vamos; Shun sussurrou para Cora, enquanto enlaçava-lhe a cintura com um braço e guiava-a para longe dos outros.
-Que bicho mordeu ele? – Seiya perguntou cauteloso, engolindo em seco.
-Também gostaria de saber; Ikki respondeu, enquanto pegava a mala esquecida pelo irmão no meio do corredor.
-x-
Seguiu até a sala de jantar com Cora a seu lado, embora fosse capaz de sentir as vibrações confusas do irmão e de Seiya, sabia que a força que o impulsionava para Cora era mais forte do que podia controlar e agora não sabia se queria.
Quando seus olhos recaíram sobre ela prestes a descer as escadas, sentira uma imensa urgência em trazê-la para perto de si, tinha virado a noite pensando em todos os motivos lógicos do porquê deveria ficar afastado dela, mas agora todos haviam caído por terra. Por mais que Cora fosse Cora... E sua consciência gritasse para que se afastasse, algo mais forte o fazia querer lutar contra isso. Puxou-lhe a cadeira para que se sentasse e acomodou-se a seu lado.
-Bom dia; Saori falou entrando na cozinha, acompanhada de Aioros e os demais.
-Bom dia; o casal respondeu, enquanto do outro lado do cômodo Yume e mais duas auxiliares começavam a colocar travessas sobre a mesa, servindo o café da manhã.
-Bom dia, Shun; June falou adiantando-se para sentar-se ao lado dele, mas antes que o fizesse, Ikki já havia puxado a cadeira e tomado seu lugar.
-Bom dia; o cavaleiro de fênix respondeu pelo irmão, em tom frio, fazendo-a se afastar buscando outro lugar vago, dando a entender que a briga que começaram na faculdade ainda não terminara.
-Então Shun, tudo pronto para a viagem? – Aioros perguntou casualmente, enquanto se servia de café, mas quase derrubou a xícara no colo, quando Saori acertou-lhe um chute por debaixo da mesa. –Droga; ele murmurou quando o líquido quente respingou em suas mãos e camisa.
-Sim, tudo pronto; ele respondeu, trocando um olhar com Cora.
-Viagem, quem vai viajar agora? – Tohma perguntou, entrando na sala de jantar e tomando um lugar para si.
-Uma missão rápida, não é nada de mais; Saori adiantou-se tentando controlar a situação que estava prestes a explodir.
-Porque Shun tem que sair em missão logo agora, Saori? – June a questionou dando-se conta de que era sobre o cavaleiro que estavam falando. –Pensei que estivéssemos em tempos de paz;
-Estamos, mas...;
-É uma escolha minha June; Shun cortou Saori, voltando-se para a amazona com um olhar que não admitia contestação.
Naquele momento, não apenas June, mas os demais em torno da mesa notaram a atmosfera ao redor ficar carregada de tensão e a aura que rodeava o cavaleiro tornar-se pesada e crepitante, como se uma onda de estática estalasse a sua volta, os doces olhos esverdeados brilharam como se emitissem um sinal de alerta.
-Está tudo bem, é compreensível a preocupação deles; Cora sussurrou, colocando a mão sobre a dele, chamando a atenção de todos para o gesto.
-Cora; Saori chamou em tom de alerta.
-Fico grata por tudo que fez por mim Athena, mas tudo tem seu tempo; ela completou, voltando-se para a deusa.
-Não sei se estou entendendo o que está acontecendo aqui; Seiya murmurou para Ikki, que tinha os punhos serrados por baixo da mesa, evidentemente incomodado com tudo aquilo.
-Quando Athena me convidou para vir com ela até este país, eu sabia que meu tempo seria curto; Cora explicou correndo seus olhos sobre cada integrante da mesa. –Agora preciso voltar para casa e Shun gentilmente aceitou me escoltar;
-E estamos falando exatamente de ir aonde? –June perguntou, estreitando os olhos, enciumada. Dando-se conta da proximidade perturbadora entre ela e o cavaleiro.
-Heinstein; Cora respondeu.
-NÃO! – Ikki e June gritaram ao mesmo tempo.
-Ikki. June; Saga chamou-lhes a atenção, do outro lado da mesa.
-Também acho que é cedo para Shun viajar, faz pouco tempo que ele voltou. Seiya e eu podemos acompanhá-la; Ikki falou prontamente, visivelmente perturbado.
-Hei, por que eu? – Seiya reclamou, levando uma cotovelada no estomago. – Cof! Quer dizer, vou sim... Só preciso fazer as malas;
-Não acho que seja necessário; Saori tentou apaziguar.
-Então mande os cavaleiros de ouro no lugar dele; June rebateu ferina, apontando para Saga e Aioros.
-Controle a língua garota... Está passando dos limites; Tohma avisou, lançando lhe um olhar frio ao notar a forma como Saori retesou a menção aos cavaleiros.
-Pensei que o castelo de Heinstein estivesse desabitado? - Seiya comentou em tom de curiosidade. Levando-se em conta o que se lembrava do lugar, pouco havia sobrado desde que a última guerra havia terminado.
-Esta; Ikki respondeu prontamente.
-Então por que Cora tem de ir e não pode simplesmente ficar aqui? – ele continuou sem dar-se conta dos vários olhares que recaíram abismados sobre si.
-Fico grata Seiya, mas não posso causar mais problemas e preciso realmente voltar para casa; a jovem respondeu contente pela consideração dele, ainda mais porque depois de Shun, ele fora o que mais sofrera com a maldição lançada em si pela espada do marido.
-Se o vilarejo não é mais habitado, por que você tem que ir para lá? – ele continuou.
-Chega! – Shun exasperou fazendo todos ao redor da mesa conterem a respiração instintivamente. –Eu irei acompanhar Cora, isso já foi resolvido;
-Quem sabe se eu fosse junto não seria mais seguro; Ikki sugeriu, mas engoliu em seco ao ver o irmão levantar-se bruscamente da cadeira, arrastando-a para trás e estendendo a mão para a jovem.
-Vamos, terminamos o café no avião; ele avisou.
-Shun; Ikki chamou, ameaçando se levantar, mas a voz de Saori o deteve.
-Deixe-o!
-Mas...;
-Já chega Ikki, ele já tomou uma decisão... Respeite; ela avisou quase gritando.
-Não é justo; June reclamou indignada ao vê-lo desaparecer no corredor.
-June, foi você quem quis ficar no Japão esperando por Shun, ele nunca disse que quando voltasse, seria para ficar com você; Tohma falou em tom cortante.
-Tohma; Saori falou preocupada, ao ver os olhos da garota marejarem.
-Não sei vocês, mas estou cansado de ouvir ela planejando a vida inteira do Shun por ele no último ano, quando nós sabemos a verdade. Ficar protegendo alguém da verdade ou fingir que as coisas são diferentes, não traz benefício algum; o cavaleiro respondeu, lançando um olhar de aviso a Ikki. –Cada um é responsável por suas próprias escolhas, não adianta fingir que não; ele exasperou, lançando um olhar a todos em volta da mesa.
-Com licença, perdi a fome; June resmungou, antes de arrastar a cadeira e sair correndo.
-Idiota! - Tohma falou dando de ombros, porém uma aura melancólica e nostálgica parecia envolver o anjo celeste.
-Você assusta falando desse jeito; Seiya brincou para quebrar o clima, vendo o amigo apenas arquear a sobrancelha vermelha, enquanto os olhos verdes cintilavam como adagas. –Entretanto, até eu concordo que Shun tem que lidar com isso sozinho, ainda mais agora que Cora irá embora, acho justo que eles tenham esse encerramento; ele falou sério.
-Seiya; Saori falou surpresa.
-Saori, nos de algum crédito, por favor; o cavaleiro falou com um sorriso matreiro. – Eu não fui o único a perceber que a sua amiga nada mais é do que 'A Imperatriz'; Seiya falou, fazendo uma expressão de drama para em seguida dar um riso seco. –Levando-se em conta tudo que já aconteceu com Shun, nada mais justo do que deixá-lo virar essa página; ele completou, dando o assunto por encerrado, voltando ao café.
-Apesar de não ser normal ver o Seiya agir com tanta maturidade, concordo com ele; Hyoga completou, vendo o cavaleiro já começar a atacar uma travessa com bolos.
-O quê? – ele exasperou quase se engasgando.
-Só espero que de tudo certo no final; Aioros comentou, trocando um olhar preocupado com Saga.
Dando um suspiro pesado, Saori optou por não se manifestar, muitas coisas poderiam dar errado até o final daquilo, mas tinha fé em Shun, de que ele seria capaz de concluir aquela 'missão' porque quando ele retornasse, ainda teria mais problemas para administrar, porque June não iria desistir tão facilmente, não depois de todo aquele tempo.
.II.
Apoiou a cabeça sobre o marco da janela, enquanto via o sol nascer no leste através da torre mais alta do castelo, dali podia sentir a brisa suave chacoalhar as copas das árvores, enquanto no vale a frente, as pessoas também despertavam e davam início a mais um dia de suas vidas, tranquilamente.
Um baixo suspiro saiu de seus lábios, mesmo o castelo tendo voltado ao que era como na época de seus pais, sentia falta de ver as folhas verdes avermelharem - para dar início ao outono e depois, ao branco do inverno.
-Menina Pandora; uma senhora idosa falou, surgindo na porta.
-Sim, Fran? – ela respondeu, virando-se.
-Telefone para a senhorita;
-Quem é?
-Àquele rapaz do Japão, acho que é Ikki o nome dele; ela respondeu diante do olhar ansioso da jovem.
-Será que ele já falou com Shun? –ela murmurou saindo correndo da torre, ansiosa por chegar ao aparelho.
Suspirando pesadamente, Fran apoiou-se no corrimão da escada para começar a decida. Durante os últimos meses vira aquela menina fazer aquele movimento uma série de vezes, sempre quando aquele rapaz ligava, para em seguida, ela terminar a ligação mais triste do que antes.
Às vezes se perguntava se aquela maldição que caíra sobre o castelo Heinstein ainda iria durar muitos séculos, não era justo que todos naquela família sofressem com a solidão por causa de uma batalha entre os deuses.
Ela ainda era jovem quando as portas do inferno foram abertas, como muitos haviam nomeado. Os lordes do castelo haviam morrido, os empregados haviam fugido deixando a menina sozinha com um bebê recém-nascido para cuidar. Na época estava muito doente e vivia no vilarejo, até tentara voltar ao castelo, mas seus familiares a impediram por causa da saúde e do medo de que também sucumbisse a maldição que caíra sobre a família Heinstein.
A única coisa que soube depois, foi que tanto a menina quanto o bebê haviam desaparecido e nada mais brotara em volta do castelo. Com o passar do tempo ele tornou-se frio e sombrio, os poucos que ainda viviam na região que não tinham optado por voltar a viver nas grandes cidades, ainda tinham a impressão de ver algo se mover no castelo, mas atribuíram aquilo aos fantasmas que estavam presos lá. Desceu mais alguns degraus e quase escorregou da escada ao ouvir o grito da jovem.
-x-
Hesitante, aproximou-se do aparelho telefônico apoiado em cima da mesa, lançou um olhar cauteloso para ele, como se tivesse medo de tocá-lo e ele virasse uma cobra para lhe picar. Fora assim nos últimos meses, aquela espera angustiante estava lhe matando.
-Alô;
-Pandora? - a voz do cavaleiro de Fênix soou do outro lado.
-Você ligou pra mim, não? –ela falou, tentando manter a voz fria. As outras conversas que tivera com Ikki nos últimos meses haviam lhe ensinado a não demonstrar fraqueza ou ansiedade, porque isso apenas atrapalharia as negociações. –Então?
-Shun está indo para Heinstein; Ikki falou contrariado.
-O QUÊ? – ela gritou chocada.
-Eu... Ainda não falei com ele sobre aquele assunto; ele balbuciou esfregando uma das mãos na nuca, sentindo a tensão acumulada ali.
-Mas...;
-Ele está escoltando Cora; Ikki continuou.
-A Imperatriz está na Terra? –ela falou chocada. –Pensei que ela tivesse voltado para o castelo após as guerras; Pandora comentou, confusa.
Até onde se lembrava das histórias que lera, Perséfone permaneceria na Terra apenas o verão e a primavera, retornando ao mundo inferior quando o outono chegasse. Quando a última batalha fora travada e todos os espectros haviam morrido inclusive ela - graças a Thanatos, qualquer um pensaria que aquele era o fim, mas meses depois, havia acordado ali, as ruinas haviam desaparecido e era como se aquela guerra nunca houvesse existido, por mais que seus olhos fossem a prova da punição que recebera por abrir o selo que prendia as divindades gêmeas.
Como o templo aos fundos do castelo permanecia selado, supôs que Perséfone fosse a responsável por lhe trazer de volta e que ela estivesse esse tempo todo no castelo, mas agora Ikki estava dizendo que ela estava na Terra e ainda por cima com Shun. Não fazia sentido.
-Não, faz um ano e meio que ela vive no Japão com Saori; Ikki explicou.
-Mas, e Shun? –ela indagou, tentando ligar os pontos.
-Ele chegou essa semana de Jamiel; ele a lembrou, já que em outras conversas havia dito que tinha acesso limitado ao irmão por causa do treinamento com o cavaleiro de aries. –Não sei ao certo como isso aconteceu, mas ele decidiu acompanhá-la;
-Você acha que os dois... Bem... Você sabe? –ela indagou cautelosa.
-Ele só a está escoltando; Ikki falou em tom frio, não querendo pensar em qualquer possibilidade de Shun e Cora terem algum envolvimento maior, embora qualquer um pudesse perceber uma faísca queimando entre os dois. Já era difícil lidar com o fato de o irmão ter sido escolhido para ser a reencarnação de Hades e todo sofrimento que isso causara a ele, agora não aceitaria que Cora de alguma forma o machucasse também. –De qualquer forma, o tempo dela acabou;
-As estações estão mudando; Pandora concordou entendo a que ele se referia.
-Como? – Ikki indagou confuso.
-Pelo menos de acordo com as lendas antigas - para apaziguar Deméter, Perséfone prometeu passar o verão e a primavera na Terra com a mãe, enquanto o outono e o inverno estaria com Hades no submundo; Pandora explicou, chamando-lhe a atenção. – Mas, se você está dizendo que durante esse tempo todo ela esteve na Terra, talvez a lenda não seja completamente verdadeira;
-Algo deve ser verdadeiro, já que Saori disse que o tempo dela na Terra acabou. Coincide com a chegada do outono também; ele comentou.
-Mas porque vir a Heinstein? – ela indagou preocupada.
-Por causa da passagem entre os mundos; ele explicou como se fosse óbvio.
-Isso é impossível; a jovem respondeu, confusa.
-Por quê?
-O templo foi selado novamente quando o castelo foi reconstruído, não sei quem fez isso, mas o portal está como era antes. Eu só fui a ferramenta que moveu o selo, na época eu não tinha forças para abri-lo efetivamente, então quem realmente o abriu - foram Thanatos e Hypnos; ela explicou.
-Mas...;
-O que eu quero dizer é que, esse portal só pode ser aberto pelo lado de dentro, não sei dizer se o inverso é possível; Pandora explicou, lembrando-se que um dia, munida de coragem aproximara-se do templo novamente, havia morrido de medo de que as portas se abrissem, mas para sua surpresa, havia sido repelida e desde então, passara a simplesmente ignorar a existência daquele lugar. –De qualquer forma ainda não entendi por que você ligou, já que deixou claro mais uma vez que não contou a verdade para o Shun. O que você quer?
-Hei! Já expliquei por que não contei antes;
-Todas às vezes você dá uma desculpa diferente Ikki, mas admita, você está com medo de contar a verdade para ele que estou viva e ter que admitir que soube disso a mais tempo e não contou; ela alfinetou.
-Eu só queria protegê-lo; ele se defendeu.
-Ele é meu irmão Ikki, não faria nada para machucá-lo; ela reclamou.
-Espero não ter de lembrá-la que nem sempre foi assim; o cavaleiro alfinetou.
-Você sabe muito bem que naquela época eu não tinha escolha; Pandora falou num sussurro sentindo os olhos marejarem. –E vou me arrepender disso para o resto da vida, mas se o Destino quis que ele voltasse para Heinstein e para mim, não vou desperdiçar essa oportunidade; ela falou determinada.
-Do que está falando Pandora? – ele perguntou quase gritando.
-Se você pretendia me pedir para ficar longe do meu irmão, enquanto ele estiver em Heinstein você vai cair do cavalo, pois não vou. Tenho tanto direito de ter Shun como irmão, quanto você; ela respondeu, antes de bater o telefone com força. Virou-se para sair da sala e quase gritou ao ver uma Fran ofegante, apoiada no batente. -Fran?
-Pensei que tivesse acontecido alguma coisa; a senhora respondeu, vendo a jovem com os orbes cintilando, como a muito não via.
-Fran, se esse homem ligar novamente, diga que não quero mais receber suas ligações;
-Mas, menina...; a senhora hesitou.
-E por favor, avise aos demais no castelo que em breve teremos visita;
-Quem está chegando, senhorita? – a senhora perguntou curiosa.
-Meu irmão, Fran...; ela respondeu com um sorriso que a muito não surgia em seus lábios. –Ele está voltando pra casa.
Continua...
Obrigada por terem lido até aqui, o capitulo 13 será postado daqui a dois dias. Preparem-se para muitas surpresas.
Dama 9
