Louise inclina a cabeça para a pergunta. Ela é solteira?

"Eu não sei." Ela decide.

"Você não sabe?" O cara pergunta.

Ela dá um olhar de soslaio para o homem à sua esquerda. Jay fica um pouco longe, encostado no bar com seu grupo de amigos. Eles estão falando sobre algo, e aqueles que seus olhos não se desviam, ela sabe que tudo o que ele está ouvindo é ela.

"Bem, eu não tenho certeza." Ela diz, deixando uma pitada de flerte se infiltrar em sua voz. Ela dá a esse homem, a esse estranho no bar, um sorriso arqueado. "Por que você está perguntando?"

"Eu estava observando você do outro lado do bar." Ele confessa. "Posso te pagar uma bebida?"

"Eu não acho que o cara com quem eu vim aqui gostaria muito disso."

É então que Louise sente uma mão na cintura, um peito atrás das suas costas. Ela se vira e olha para um Jay descontente. Se ele está irritado com ela ou com o estranho aleatório na frente deles, ela não sabe. Talvez ambos.

"Ela está certa. Eu não." Sua voz é só espinhos. O homem abre a boca para responder, mas Jay o interrompe com um agudo: "Deixe-nos."

O homem olha para ela e ela encolhe os ombros. "Desculpe."

Ele sai, murmurando obscenidades baixinho. Jay o observa até que ele saia pela porta e, em seguida, vira seu olhar penetrante para Louise. Ele suaviza um pouco.

"O que você está fazendo?"

"O que estou fazendo? O que você está fazendo?" Ela pergunta, girando em sua cadeira para encará-lo.

Ele se inclina para trás e cruza os braços. "Bem, eu estava tendo uma conversa agradável antes de você interrompê-la."

"Eu não interrompi porra nenhuma! Na verdade, eu estava tendo uma conversa agradável também." Ela se defende.

Ele suspira e cobre o rosto com a mão. "Ah, eu tenho certeza. Nós realmente precisamos parar de fazer isso."

"Fazer o quê?"

Ele remove a mão para olhar para ela. "Você sabe o que."

Ela balança a cabeça. "Não."

Louise olha para seus amigos absortos em suas próprias conversas, para o barman limpando o balcão, a banda dedilhando suavemente no canto. Ninguém está prestando atenção nela e em Jay. São só eles sozinhos agora.

Ela continua com uma voz mais suave. "Eu não sei por que continuamos correndo em círculos, você atrás de mim até que seja eu atrás de você."

"Não precisa ser assim."

"Mas é. Você só olhou para mim esta noite quando aquele cara começou a mostrar interesse."

Louise junta as mãos e mexe nos anéis e pulseiras enquanto espera por sua resposta.

"Esse é o que eu te dei."

Ela olha para cima. "O quê?"

Jay pega a mão dela e a vira. A pulseira que ele deu a ela em seu aniversário mais recente reflete a luz.

"Ah. Sim. É a peça de joalheria mais bonita que eu tenho."

Ele olha para a joia, torce os lábios enquanto pensa. "Se alguém lhe perguntasse quem o comprou para você, o que você diria?"

"Eu não sei." Ela repete as palavras que iniciaram essa cadeia de eventos, agora em um tom sussurrado do que tímido. "Não tenho certeza. O que você quer que eu diga?"

Uma pausa, uma pausa, uma pausa. O bar inteiro está cheio de risos e bate-papo, nenhum deles mais alto do que o silêncio entre Louise e Jay.

"Eu prefiro namorado." Ele finalmente responde.

"Bem, eu também, mas não posso chamá-lo assim, a menos que você comece a agir como se realmente quisesse ser meu namorado e pare de só me dizer que quer."

Ela olha para o pulso, para a mão dele nele, tão perto, mas tão longe, tudo menos seu olhar afiado. Ela pode imaginá-lo indo embora, voltando para seus amigos, ou até mesmo saindo pela porta e longe deste bar e de sua vida para sempre.

"Tudo bem." Ele responde.

Louise olha para cima.

"Tudo bem." Ele puxa a outra mão dela e coloca as duas entre as suas. "Todos os dias, eu vou te mostrar."

Ela acena com a cabeça fracamente, rezando para que suas promessas sejam verdadeiras. Ela acha que a conversa acabou então. Seus amigos esperam por ele, o bardo está dormindo, a lareira está acesa e logo ela será levada às pressas para passar a noite. Mas ele se vira e gesticula para o barman.

Duas bebidas, ele pede. Um para Jay. Um para Louise.