Notas iniciais - Seguindo com o segundo capítulo da história, aqui começarei a trilhar a trama diferente do mangá, porque não faz sentido descrever a guerra inteira na história, até porque o mangá ainda está em andamento. Até agora só temos acesso a oito capítulos e pretendo criar uma trama focada no Sorento usando o começo do mangá como base. Dependendo dos próximos capítulos do mangá, posso estar alterando uma coisa ou outra, mas espero que gostem das surpresas que a minha cabeça está desenvolvendo para essa trama e boa leitura! PS: atualizações todos os sábados (assim eu espero)


Capítulo 2 - Da escuridão, nasce a luz de um anjo

Após ser atingido pela Sonata Fantasma Final, Sorento e Terpsicore acabam em um lugar totalmente vazio, habitado apenas por uma profunda escuridão. Cada um se encontrava de pé em uma rocha flutuante no espaço, enquanto o General olhava em volta atordoado.

- Esse lugar… onde estamos, afinal? - indaga nervoso com aquela situação repentina.

- Bem-vindo ao mundo da eterna escuridão, garoto. - a linda jovem responde com entusiasmo - Aqui é um mundo onde apenas existe o silêncio e o vazio, onde não há guerras e nem dores. Isso não é perfeito, Sorento? É esse o fim que todos os humanos corruptos merecem. - conclui sorrindo satisfeita e ansiosa para terminar de vez com o seu oponente.

- Eu não entendo porque vocês querem destruir o mundo. O que irão ganhar se a Terra for destruída se também não terão um lugar para onde voltar? Qual o sentido de tudo isso? - o de cabelos lilás a confronta indignado, e ela apenas ri antes de responder.

- Está muito enganado, garoto. Eu sou bem diferente de você, seu humano tolo.

- Eh? O que quer dizer com isso? Você fala como se também não fosse uma humana.

- Na mitologia, eu era uma das musas, uma Deusa da arte que tocava e dançava junto de minhas irmãs. Certa vez, eu até enfrentei uma Sirene e outras criaturas mitológicas, e minha harpa sempre se saiu vitoriosa. Eu erroneamente acreditava que minha música faria os humanos felizes e que todos viveriam uma utopia pacífica e sem conflitos, porém, a realidade se mostrou o contrário, e a minha deusa Nêmesis me fez perceber que não valia a pena me sacrificar e me entristecer por criaturas desprezíveis que não valem o nosso esforço, como os humanos. - relata com um certo pesar em seus olhos, que o hábil músico não deixa de perceber.

- Então você abandonou o seu status de divindade apenas para seguir Nêmesis em seus propósitos malignos? Não percebe que ela apenas está te usando deliberadamente?! - exclama em uma tentativa de contra-argumentar, e se fosse possível, até convencê-la a interromper aquele combate.

- E por acaso você não lutava pelo mesmo propósito até pouco tempo atrás junto de Poseidon, que também queria punir os humanos pelo mesmo motivo? Suas palavras estão soando muito hipócritas, não acha?

- Isso não é verdade! - rebate contrariado - As pessoas cometem erros, mas isso não significa que todos os humanos da Terra sejam corruptos ou perversos. Naquela época, eu não conhecia o imenso amor de Atena. Tenho certeza de que Poseidon-sama também abandonou o desejo de exterminar os humanos durante o tempo em que viajamos pelo mundo. Mesmo que sua alma não estivesse presente no corpo do jovem Julian, posso sentir que o Imperador já não almeja o mal da humanidade, por isso ele aceitou se levantar para proteger este mundo agora.

- Já basta de tanto idealismo falso. Esse seu discurso de bom moço já deu. Não irá me convencer de nada. - seu olhar para o General era de puro desdém - Já escolhi o meu caminho e não tenho nenhum arrependimento por isso.

- Está enganada! Na Terra também existem pessoas como você e como eu, que amam a música e a arte, e que são capazes de reproduzir as mais belas melodias em seus instrumentos devido ao coração bondoso que possuem. Eu acredito que você também tenha a mesma bondade em seu coração!

- Cale-se de uma vez por todas, garoto! Você está aqui para lutar, não para julgar a minha conduta, e já que não pode provar que os humanos são dignos de perdão, então morra junto com eles!

Imediatamente a rocha onde Sorento estava de pé se desintegra, fazendo o Marina cair direto na escuridão eterna…

- Então é isso? Será que Terpsicore está certa? A escuridão seria a harmonia eterna e os humanos representam o ruído que estraga tudo? Na verdade… eu também cheguei a pensar assim certa vez. Meus pais morreram quando eu era muito pequeno, e os meus pais adotivos estavam interessados apenas em explorar o meu talento musical para suas ambições financeiras e não me amavam como filho. Até mesmo a escola de música onde eu entrei estava inundada de arrogância e competições sem sentido entre os alunos. Comecei a me sentir frustrado e enojado com isso. Passei a pensar que a música de minha flauta era destinada apenas às pessoas de coração puro. - Sorento refletia sobre toda sua vida enquanto caía naquela enorme escuridão…

...:::~X~:::...

Enquanto isso, nas ruínas antigas do Templo de Poseidon no Cabo Sunion, Julian concentrava seu poderoso cosmo divino nas águas dos oceanos a fim de criar uma barreira de proteção contra o inimigo, quando sente uma queda brusca no cosmo de seu mais fiel General.

- Sorento? Qual é o problema, meu amigo? Seja forte. Não se deixe vencer pelo poder maligno do inimigo. Eu lamento não poder lutar ao lado de vocês neste momento, mas confio plenamente nos meus Generais e em você, que se mostrou um guerreiro fiel e um grande amigo quando viajamos juntos. Seja qual for a dificuldade que esteja passando agora, você tem a minha fé, e eu acredito na sua capacidade. Definitivamente nós todos nos reencontraremos no Templo de Nêmesis para a batalha final, e triunfaremos vitoriosos.

- Poseidon… sama… - o flautista murmura ao sentir o cosmo da divindade falando com o seu - É verdade. Naquela hora, eu senti o imenso amor de Atena, e neste momento, também posso sentir esta mesma compaixão no cosmo do grandioso Imperador dos Mares. Ajudando as vítimas das chuvas ao lado de Julian, vi muitos sorrisos inocentes das crianças, e sei que aquilo não era uma ilusão. Na Terra existem milhares de humanos puros de coração, e eu juro que irei proteger o sorriso de todos!

- Que ingênuo. - Terpsicore rebate entediada - Somente Atena, que é uma deusa tão tola como os humanos, é capaz de considerar esses seres inferiores como obras de arte.

- Está enganada! Antes eu também pensava como você, mas tudo mudou quando eu senti o enorme e caloroso cosmo de Atena inundado de amor e esperança. Jamais esquecerei a sensação revigorante que tive naquela vez, e por isso, queimarei o meu cosmo com toda a força do meu coração, e acabarei com toda essa escuridão maligna com a minha luz!

Neste momento, o cosmo de Sorento se eleva ao máximo, e seu corpo é envolvido por uma fortíssima luz dourada. Sua Escama muda para uma nova forma com enormes asas de anjo envolta por incontáveis penas, ao que Sorento voa, emergindo das trevas como um verdadeiro anjo e dissipando a escuridão com a sua luz. Terpsicore observa perplexa, sem acreditar no que estava presenciando.

- Minha escuridão sumiu? O que está acontecendo aqui, e que tipo de armadura é essa? - questiona confusa.

- A minha Escama mudou? Será este o milagre divino resultante da combinação do sangue de Poseidon-sama e a elevação do meu cosmo ao máximo?

- Isso mesmo, Sirene-sama. - uma pequena sereia aparece diante do General.

- Thetis?!

- Sim, sou eu. E esta é a verdadeira forma da Escama de Sirene, a Arcscale, a Escama da era mitológica!

Ao dizer isso, a sereia desaparece da mesma forma que apareceu, e o lilás se prepara para o ataque final.

- Adeus, Terpsicore! Peço que a sua alma descanse em paz através dessa melodia do céu!

- Isso não pode ser! Eu não vou perder para você! - a bela grita furiosa, produzindo novamente a sua escuridão, porém fica chocada ao perceber que está sendo totalmente sobrepujada - Impossível! O cosmo de Sorento é tão forte que está bloqueando a escuridão de chegar até ele? Como um mero humano é capaz de tal feito? Quem é este garoto final?

- Heavenly Concerto!

A melodia produzida por Sorento atinge sua rival em forma de uma calorosa luz celestial rodeada de várias penas, e inúmeros anjos começam a aparecer, para a surpresa da jovem.

- Essa melodia… é a mais pura que já ouvi na minha vida. É tão bela que está chegando até o mais profundo de minha alma. - ela derrama sinceras lágrimas, e um sorriso aparece em seu rosto ao apreciar tão divina melodia, incapaz de conter a emoção - Sim… eu acredito novamente no coração dos seres humanos, porque você, Sorento, sendo um humano, foi capaz de produzir uma melodia digna de um verdadeiro deus.

Sorrindo ao sentir sua alma purificada, a linda mulher é levada pelos anjos, e sua armadura cai diante do General em forma de objeto, enquanto o músico observa admirado.

- Fantástico! Este poder é realmente incrível. Preciso me apressar e contar isso aos outros. Nós sete seremos capazes de alcançar este milagre, e quando isso acontecer, derrotaremos Nêmesis e salvaremos a Terra.

Ao concluir seu pensamento, o belo rapaz voa pelo céu em alta velocidade, a fim de se juntar aos seus amigos.

...:::~X~:::...

No Templo da Deusa da Vingança, a aludida se servia de uma generosa taça de vinho ao mesmo tempo em que sente o cosmo de sua serva Terpsicore desaparecer, juntamente com o cosmo de Belerofonte, o que foram derrotado por Krishna. Ela fecha a expressão entediada, enquanto é observada por Enéias e outros soldados menores.

- Belerofonte e Terpsicore quase ao mesmo tempo? Não pode ser! Esses Generais de Poseidon não podem ser tão fortes! Isso é um ultraje! - grita a última frase jogando a taça longe, que se despedaça em uma das pilastras da construção.

- Talvez os rumores sejam verdadeiros, e esses caras estejam no mesmo nível que os Cavaleiros de Ouro de Atena. - o Espírito ali presente expressa sua opinião, apenas para receber um olhar enfurecido de sua deusa.

- Mas o que estará fazendo Poseidon? - lança a pergunta sem maiores pretensões - Pensei que ele viria me enfrentar pessoalmente, mas vejo que não é bem assim.

- Segundo informações de nossos homens, parece que Poseidon permaneceu nas ruínas de seu Templo na superfície para fortalecer o seu Cosmo e converter os oceanos em uma imensa barreira contra os meteoros.

- Hahaha, ele ficou louco? - reage surpresa com tal revelação, enquanto ri de tudo aquilo - Dormir por tanto tempo na ânfora de Atena emburreceu a mente do Imperador dos Mares com o mesmo pensamento suicida daquela deusa tola? Ele pretende usar seu cosmo até a morte apenas para criar aquela barreira? Não posso acreditar. - recosta em seu trono suspirando pesadamente - Aquele estúpido realmente acha que uma simples barreira será suficiente? É mesmo muito ingênuo.

- Mas é de um dos mais poderosos Deuses do Olimpo que estamos falando. Não creio que ele tenha a mais remota intenção de se sacrificar. - Enéias pensa consigo sem se atrever a compartilhar sua conclusão.

- A propósito, Enéias, traga aqui o meu smartphone. Estou curiosa sobre uma coisa.

- O que seria? - pergunta ao entregar o aparelho nas mãos da jovem.

- Pensei em como deveria ser Poseidon nesta era, digo, sua aparência física, entende?

- E por que isso despertaria o interesse de minha Senhora?

- Por nada. Apenas seria bom conhecer o inimigo para o caso de algum ataque surpresa.

- Entendo… - o homem de longos cabelos finge acreditar na desculpa esfarrapada enquanto Nêmesis o mira interrogativa.

- Você sabe o nome do hospedeiro dele nesta era?

- Hum… - coça o queixo enquanto pensa por alguns instantes - De acordo com alguns de nossos informantes, parece que Poseidon sempre toma emprestado o corpo de um membro da família Solo, que detém o maior império de comércio marítimo da Grécia. Creio que deva se tratar de Julian Solo.

- Julian Solo, hein…? - murmura ao digitar o nome em seu aparelho, deparando-se com uma imagem do aludido - Mas que surpresa agradável! Até que o maldito tem bom gosto, pois o humano que ele escolheu como hospedeiro não é nada mau. - sorri maliciosa, e seu fiel servo parece não gostar nada disso - Esses lindos cabelos azuis e os olhos verdes… que beleza rara e arrebatadora. Meus pulmões ficaram sem ar por um breve momento. Sua aparência lembra fortemente o mar, não importa como você olhe para ele. Seria lamentável ter que matar alguém tão bonito. - enrola uma mecha de seu enorme cabelo entre os dedos - A não ser que ele me faça o favor de morrer sozinho dando todo o seu cosmo apenas para proteger este planeta e os humanos imprestáveis que vivem nele. - finaliza com uma sonora gargalhada, olhando para a foto de Julian com um misto de admiração e desejo. Sim… desejo. Por alguma razão, queria ter aquele homem bem diante de seus olhos e contemplar por si só tão belo espécime masculino. Esperaria pacientemente o desfecho daquele embate, e quem sabe, o belo Julian poderia ser seu após Poseidon ser novamente derrotado…

Continua…

Notas finais - Obrigada a todos por lerem mais um capítulo. Não se assustem com o fato de Nêmesis possuir um smartphone, pois pretendo ambientar a história nos dias atuais inserindo tecnologias como smartphones e internet. Em breve entenderão por que isso será necessário na trama, e também, por que não ambientar a trama aos nossos dias atuais sem alterar a idade dos personagens não é mesmo? Espero que tenham gostado e até o próximo capítulo ^^