"Na situação atual da princesa, seria melhor se ela ficasse aqui em vez de viajar para Zaledo. O clima de calor intenso pode representar um risco à saúde dela e da criança." O médico informa, cruzando as mãos na frente dele enquanto encara seu senhor.
Todos os presentes no quarto sabem que Rosario não ficará satisfeito com isso.
Aurora está deitada na cama, aconchegada em travesseiros macios com uma das mãos do marido possessivamente empoleirada em cima de seu estômago. Sua barriga de cinco meses é muito perceptível agora, muitas vezes a faz se sentir fraca e doente, assim como qualquer outra gravidez comum.
No entanto, hoje cedo, enquanto ela cuidava dos preparativos para sua partida para Zaledo, ela se sentiu mal, quase desmaiando, o que deixou todos em um estado de alerta máximo.
"Rosario, talvez eu realmente não devesse ir. Eu vou ficar bem aqui, não se preocupe." Ela tenta disfarçar a esperança em sua voz, colocando a mão em cima da dele.
Rosario dá a Aurora um olhar estranho, como se ele estivesse tentando decifrar suas palavras e depois de um longo momento, ele se vira para uma empregada.
"Prepare todos os pertences da princesa. A viagem continua de pé, nenhuma alteração." Ele comanda, sua voz forte e determinada. Isso quebra a última de suas esperanças, mas ela ainda tenta manter uma expressão indiferente. "Obrigado pelo seu conselho, doutor. Estão todos dispensados."
O médico se curva, dando-lhe um olhar triste antes de sair da sala, acompanhado pelas empregadas.
Assim que a porta se fecha, a mão dele agarra o rosto dela, apertando suas bochechas. "Você realmente achou que fingir estar doente me impediria de levá-la para Zaledo? Que eu simplesmente a deixaria aqui sozinha, para que você pudesse se alegrar sem a minha presença?"
Seus olhos se arregalam de choque enquanto ela tenta balançar a cabeça. "N-Não! Rosario, eu não estava fingindo! Eu…"
"Chega!"
Sua voz alta faz Aurora estremecer, lágrimas se acumulando em seus olhos. Rosario finalmente remove seu aperto doloroso de seu rosto, soltando um suspiro profundo. Ele esfrega uma das mãos no rosto, uma expressão cansada se instalando.
"Não vamos brigar, vamos? Eu já tenho muito com o que me preocupar sem que você tente escapar de mim."
Rosario olha para sua esposa, sua mão mais uma vez avançando em direção ao rosto dela, mas, desta vez, com um toque mais suave, o polegar esfregando suavemente sua bochecha, pegando uma lágrima caída. A essa altura, Aurora deve estar acostumada com seus constantes humores bipolares, sufocando-a com amor ou se comportando como se ela estivesse sempre tentando escapar dele.
O que, para este último, tem um pouco de verdade.
"Você sabe que não posso deixá-la aqui em Westerlin. Eu preciso de você comigo e isso nunca vai mudar." Seus olhos brilham com uma emoção que ela não consegue entender. Amor, paixão, obsessão. "Quer você goste ou não."
