Teru é um idiota, no começo.
Quando Daisy se muda para Habataki, quando ela tropeça em sua praia, sozinha, sem ninguém ao seu lado. Ele não foi lá muito receptivo nesse primeiro encontro.
Ele estava cansado, tinha ido para a cama tarde atendendo clientes e acordou cedo para terminar o máximo de trabalho pesado no café que não seria capaz de fazer durante o semestre. Ele estava cansado, zangado, frustrado, e essa garotinha tola estava lá apenas para vê-lo, aparentemente querendo algo dele como todo mundo, e então ele era mau.
Se fosse apenas isso, então estaria tudo terminado quando ele a visse partir, mas não. Daisy era um fantasma, assombrando-o sempre que ele a via. Ela se mudou para cá para atormentá-lo, para mostrar como sua vida é fácil, como ela consegue alcançar tudo pelo que ele tem que lutar. Amigos, família, notas, esportes, tudo funciona a seu favor, e ela ainda tem tempo para importuná-lo.
Ela tem tudo o que Teru quer tanto, mas tanto, e então ele desconta sua raiva nela. Seja uma zombaria sempre que ela passa, ou um comentário alto e desdenhoso sempre que ela entra no café.
Mas isso não muda nada, não a impede de viver sua vida ao máximo em Habataki. Ela faz amizade com outras pessoas na escola, sorrindo facilmente para cair em suas boas graças. Ela sai em encontros, dá presentes e participa das atividades escolares. E ela não para de tentar vencer sua resistência, por razões que ele não entende muito bem.
Teru não entende, não até aquele dia fatídico na praia. Ele esperava que ela se satisfizesse com sua miséria, esfregasse seus sonhos estúpidos e sua mãe horrível em seu rosto.
Mas ela não o faz. E agora, ele vê Daisy sob uma luz diferente. Ele a vê como uma forma de compensar os anos de solidão que sentiu depois que saiu da casa de seus pais, do estresse de manter as aparências, das exigências de seu avô. Ele se torna polido, suave e gentil, quase como o príncipe que ele tenta ser com as outras meninas, mas com uma disposição absolutamente assustadora quando ela não está olhando para ele.
Ele prospera com atenção de qualquer tipo e, embora prefira que seja uma atenção positiva, ele aceitará qualquer coisa que ela disponha para ele. Ele adora quando ela o pega surfando. Ele toma o seu tempo, flexionando mais do que o normal para que ela possa realmente ver os resultados de seu treinamento diário. Costas largas, braços fortes, músculos até os pés. Mas ele também gosta de provocá-la e humilhá-la, se ela lhe der aquela carranca irritada com ela, se ele puder ver suas bochechas ficarem vermelhas, se suas mãos delicadas se fecharem em punho.
"Meu amuleto de boa sorte." Ele liga para ela quando a noite cai e não precisa ficar em guarda contra outros que podem tentar tirá-la dele. "Minha sereia, não volte para o oceano."
Fique comigo. Ame-me. Preste atenção em mim. Seja minha.
Toda minha.
