Capítulo 6 - Uma ajuda inesperada
Poseidon havia retornado ao topo do rochedo do Cabo Sunion, onde ele e seus Generais se reuniram antes de sua mais recente batalha. O homem de cabelos azuis baixou o olhar, pois sabia que o tempo dado por Hades estava prestes a se esgotar, e para piorar ele havia perdido seu General mais fiel ao longo do caminho, sem saber o que de fato havia acontecido com ele. Em poucos minutos ele estaria completamente sozinho. Foi então que ele mais uma vez conversou com o espírito do irmão através de seu Cosmo.
- Hades, como pôde testemunhar, eu derrotei aquela pirralha desaforada como me pediu, e como resultado, nossos reinos estão a salvo. Será que você poderia manter os meus seios generais vivos sem nenhuma restrição de tempo? - o Imperador dos Mares fez o pedido de uma só vez, já que tempo é algo que eles não tinham naquele momento.
Sinto muito, mas não tenho condições de fazer algo assim por hora.
Mas por quê?
- A derrota que sofri nas mãos da maldita Atena me causou danos muito severos. Deu muito trabalho reviver seus Generais por esse breve intervalo de tempo, então nem mesmo se eu quisesse, algo assim seria possível.
Assim que recebeu a resposta, Julian olhou para o lado, e seus Marinas não estavam mais lá. A ânfora de Atena já não existia, e Poseidon estava livre para governar o seu reino novamente como bem quisesse. Mas por alguma razão, ele sentiu um vazio naquele instante, pois estava sozinho.
Julian se ajoelhou, e profundas lágrimas de dor brotaram em seus azulados orbes. Ele já estava triste pela perda de seus seis Generais, mas ele se sentia muito pior por ter caído no truque sujo de Nêmesis e ter matado Sorento com suas próprias mãos. Ele jamais se perdoaria por isso.
- Poseidon-sama…
Uma gentil voz feminina ecoou por seus ouvidos subitamente, e o belo homem acabou se surpreendendo quando viu Thetis diante de seus olhos em sua forma humana.
- Thetis? Mas… achei que na última Guerra Santa, você…
- A forte vontade do meu Senhor em não ficar sozinho fez com que eu recuperasse a minha forma humana para servi-lo novamente. Me sinto extremamente honrada, meu nobre Imperador. - disserta respeitosamente, ajoelhando-se diante do homem - Mas antes, preciso dizer algo muito importante.
- E o que seria?
- Sirene-sama está vivo.
- O que disse? - pisca incrédulo, tentando processar a informação - Mas eu mesmo vi quando ele foi desintegrado junto com aquela maldita… e eu fui o culpado! - diz a última frase um tom acima, cerrando os punhos de raiva.
- Felizmente, não foi isso que aconteceu. - revela, para a surpresa de seu Deus.
- Você estava lá, Thetis? Viu como tudo aconteceu?
- Sim. Ninguém notou a minha presença, e todos vocês estavam tão concentrados na batalha, que não viram como tudo aconteceu. Mas eu pude ver claramente, que um milésimo de segundo antes do ataque de Poseidon-sama atingir o alvo, Sirene-sama desapareceu. Tenho certeza de que ele foi teleportado para algum outro lugar, mas ele ainda pode estar sob influência dos poderes malignos de Nêmesis.
- Me sinto muito mais aliviado agora. Muito obrigado, Thetis.
- Fico feliz por ter ajudado. O que gostaria de fazer agora?
- Bem… não tenho muito interesse em viver no fundo do mar por enquanto, já que agora meu espírito está totalmente livre, acho que posso viver como Julian Solo. Mas antes disso, preciso que me ajude a localizar o Sorento. Precisamos descobrir o paradeiro dele o mais rápido possível. - seu semblante demonstrava uma profunda preocupação, causando uma certa dúvida na bela loira.
- Poseidon-sama, por acaso o senhor reteve as memórias de Julian Solo? - Thetis indaga assertiva.
- Sim. - responde não muito contente - Diferente de Atena, que reencarna como um ser humano, a minha alma toma emprestado o corpo de um ser humano que já habita este mundo. Resumidamente, duas mentes ocupam este corpo, se é isso que quer saber.
- Compreendo… por onde quer que comecemos a procurar por Sirene-sama?
- Não sei. Primeiro temos que ir para a mansão Solo. - diz sentindo a brisa forte do mar agitando os longos fios azulados - Lá poderemos nos instalar e pensar no que faremos a seguir.
A bela loira concordou, e ambos rumaram em direção à mansão de Julian.
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Céu escuro, ventos capazes de congelar a alma, passando através dos ossos, paisagens compostas por montanhas e estradas brancas e gélidas. O clima hostil estava em seu maior ápice naquele dia, e a tempestade de neve castigava o país nórdico como já era de costume. Em um imenso palácio, a governante do lugar se encontrava em um dos enormes e luxuosos quartos, e lá, observava um rapaz que jazia na cama inconsciente.
- Governante de Asgard, Hilda-sama. - diz uma bela mulher ao entrar no aposento - Não tenho palavras para agradecer toda a sua ajuda. - completa com uma breve reverência.
A platinada lança seu olhar sereno sobre ela, analisando-a com a mesma serenidade. Ela tinha longos cabelos roxos e olhos acinzentados, pele alva, corpo curvilíneo e estatura mediana. Ela usava um lindo vestido lavanda, tão longo quanto o de Hilda, com gola alta e mangas longas devido ao clima frio. A anfitriã retorna o seu olhar para o jovem adormecido que trajava um terno de cor semelhante ao vinho, tendo o seu corpo coberto por cobertores pesados. Uma pulseira com uma espécie de pingente em forma de asa estava presa em seu pulso direito, e Hilda ainda estava tentando processar tudo o que estava acontecendo ali.
- Terpsicore-sama… Você é uma das servas da Deusa que acabou de ser derrotada, e me pediu para salvar um homem que foi o responsável por matar o Guerreiro Deus mais fiel a mim, e com isso, indiretamente acabei ajudando a Poseidon, que tanto me fez mal no passado. - apesar do tom calmo, sua voz transmitia repreensão - Percebe a situação complicada em que acabou de me colocar?
- Por gentileza, podemos conversar em outro lugar?
As duas saem do quarto e param em um dos enormes corredores, ficando frente a frente.
- Hilda-sama, queira me desculpar por ter lhe pedido tamanho favor. Eu sei que o que houve entre você e Poseidon-sama foi um golpe muito duro, mas as coisas mudaram. Se não fosse pelo Imperador, nesse momento a Terra e todos os humanos que vivem nela teriam sido dizimados.
- Você diz que as coisas mudaram, mas o que acabou de acontecer não muda os fatos da guerra anterior. Poseidon… - pausa por breves instantes, lembrando de sua experiência anterior, o que deixa suas mãos trêmulas - Ele me fez muito mal, e quase causou a ruína deste mesmo mundo. Ainda não sei como você me convenceu a fazer isso. - suspira em arrependimento - Manter Sorento aqui inevitavelmente atrairá Poseidon, que irá querer reaver seu único General sobrevivente.
- Peço desculpas por isso, mas eu não tinha mais ninguém a quem pudesse recorrer. - abaixa a cabeça envergonhada, e volta seu olhar à platinada depois disso - Eu apenas… não podia permitir que ele morresse.
- Posso perguntar qual é o seu interesse nesse garoto? - o olhar firme de Hilda indicou que ela apenas precisava saber a resposta - Porque ninguém chegaria ao extremo que você chegou se não houvesse uma motivação muito forte por trás.
- Digamos que… eu tenho uma grande dívida com aquele homem…
Direciona seu olhar para a porta do quarto onde Sorento estava hospedado com os olhos repletos de afeto. Hilda finge não perceber tal detalhe, e convida a visitante para um lanche na enorme e farta cozinha do palácio.
Continua…
