Capítulo 4 - Revolta

Notas iniciais - Olá, pessoal! Como eu disse lá atrás no primeiro capítulo, pretendo fazer muitas coisas incomuns nessa história, e como se trata de um crossover, serão coisas ainda mais diferentes, então, vou precisar mudar a cronologia de ambos os animes a fim de se adaptar ao desenvolvimento de roteiro que eu pretendo para essa história, por isso não estranhem a idade de alguns personagens e nem o tempo em que as coisas irão acontecer na trama. Eu costumo basear toda a cronologia focando no personagem principal, que neste caso, é Kabuto, e ir levando os outros personagens a partir daí, como já vai acontecer no início deste capítulo. Espero que gostem e boa leitura!

Kukkaku: "Atualizando na sexta-feira?

Kabuto: "Tanto faz, ninguém se importa com a história" -_-


Quando Kabuto terminou o banho e saiu vestindo um roupão roxo com uma toalha secando os longos fios cor de prata, Kukkaku não estava mais lá. Sobre a mesa da sala havia um bilhete, o qual o médico pegou e leu sem demora.

"Muito obrigada pela sua gentileza e por ter me curado. Seja bem-vindo à Karakura. Farei uma visita em breve. Queria muito poder ser sua amiga. Boa sorte em sua nova jornada, Kabuto-sensei bonitão! - Kukkaku Shiba".

Kabuto corou ao ler a última frase, especialmente porque embaixo da assinatura da morena havia um beijo deixado por ela na folha com marca de batom. Ele agradeceu aos céus por ela não ter feito isso pessoalmente, caso contrário, ele ficaria mais vermelho que um tomate. O Ninja Médico sempre se considerou um homem tímido e retraído, e as garotas não estavam listadas entre as suas melhores especialidades.

Olhando para a pia, o platinado nota que a louça estava lavada. Ela realmente foi muito gentil antes de ir embora. Kabuto nem fazia ideia do quão explosiva, escandalosa e agressiva Shiba poderia ser, mas felizmente o Ninja Médico a tratou com gentileza e cortesia e recebeu o mesmo em troca. Ele dá um leve sorriso, e vestindo seu terno novamente, resolve sair pela cidade. Kabuto precisava de muitas coisas para deixar sua nova casa do jeito que ele queria, e para isso, teria que comprar algumas coisas. O dia seria longo…

...:::~X~:::...

O som de passos duros e apressados podia ser ouvido de modo estridente nos corredores que davam acesso ao escritório do Hokage. A segunda pessoa apresentava dificuldades para acompanhar a que seguia na frente, enquanto tentava correr com um porquinho em seus braços. A loira abre a porta do escritório como um raio, fazendo o Hokage interino arquear uma sobrancelha em sinal de incógnita.

- Algum problema, Tsunade-san? - questiona em seu costumeiro tom excessivamente calmo, quase irritante.

- Você perdeu o juízo, Kakashi? - a mulher grita a plenos pulmões - Mal se tornou Hokage e já está fazendo merda?

- Poderia ser mais específica? Não sei a que se refere. - o platinado boceja entediado, fazendo uma veia saltar na testa da kunoichi lendária.

- Não se faça de idiota. É claro que eu estou falando de Kabuto Yakushi! - exclama dando um forte tapa sobre a mesa, que só não é partida ao meio porque ela se controlou ao máximo.

- Hum… e o que tem ele?

- Você o deixou sair de Konoha sem nenhum tipo de restrição ou alguém para vigiar seus passos. Por acaso ficou louco?

- Segundo as palavras do próprio Orochimaru, Kabuto tem uma chance mínima de voltar a fazer algo prejudicial, então não vejo razão para você se preocupar tanto. - dá um leve suspiro de cansaço - Além do mais, o arrependimento dele é genuíno. O fato de Kabuto ter quebrado o genjutsu de Itachi não deixa dúvida disso. Apenas deixe o garoto seguir a sua própria jornada em busca da identidade que ele tanto almeja encontrar.

- Não é tão simples assim! Eu não concordo em deixar Ninjas tão poderosos e perigosos como Orochimaru e Kabuto soltos por aí podendo fazer o que bem entenderem e você sabe disso. - retruca com uma extrema revolta em sua voz - Só espero que o excesso de ingenuidade que você e Naruto demonstraram em relação a esses dois não traga consequências graves em um futuro bem próximo. Vamos, Shizune.

Gira em seus calcanhares, saindo de lá com sangue nos olhos, sendo seguida por sua fiel assistente, que se limitou a permanecer calada. Ela vai até a biblioteca, de onde retira uma pasta específica, e a leva consigo. Yamato cruza com as duas no corredor, mas nem se atreve a dizer nada ao observar o estado alterado de sua ex-superior, indo diretamente até Kakashi.

- O que houve, Kakashi-senpai? Tsunade-sama está com algum problema? Ela parecia furiosa.

- E ela está, mas não tenho tempo para explicar os detalhes agora, meu amigo, apenas quero lhe pedir um favor muito importante, já que você apareceu na hora certa. Por favor, siga a Tsunade-san por todos os lugares e me informe caso ela faça algum tipo de loucura.

- Está dizendo para eu espionar a ex-Hokage? Isso pode acabar me custando a vida. - Yamato rebate atordoado.

- Se não fosse algo de extrema importância, eu não estaria pedindo. Mas sei que você tem capacidade e habilidade suficientes para tal tarefa, meu amigo. - sorri traquina - Honre o nosso título de ANBU Raiz altamente treinado. Agora vá depressa, eu conto com você.

Extremamente contrariado, Yamato desaparece no ar sem maiores questionamentos, mesmo não concordando com aquela missão inusitada que lhe foi dada às pressas, prometendo que seu velho amigo iria pagar por isso, caso algo lhe acontecesse. Eram nessas horas que ele não tinha nem um pouco de orgulho da confiança que era direcionada a ele, menos ainda de ter sido membro da Raiz.

- Maldito Danzou. - o moreno range os dentes de ódio, voltando a prometer dar o troco em Kakashi.

...:::~X~:::...

Era uma linda noite de céu limpo e estrelado, e em toda a Soul Society reinava uma icônica lua crescente. A paisagem em volta, próxima ao lado leste de um dos portões da Sereitei, era composta por uma verdejante mata de árvores baixas, uma montanha, e uma imponente cachoeira, que possuía águas mornas no verão, e bem frias no inverno.

No rio que dava para a cascata, que em algumas áreas de sua extensão se alargava em forma de uma convidativa lagoa de águas tranquilas, uma belíssima mulher nadava, ostentando seu exuberante corpo nu. Ela boiava em alguns momentos, apreciando a lua, e um sorriso de satisfação ornava os carnudos lábios sem que percebesse. A morena era apaixonada pela lua crescente. Achava magnífico o seu formato no céu, além de que, aquela fase da lua em especial lhe trazia uma inesquecível recordação dos tempos felizes de quando seu irmão, Kaien, estava vivo.

Pouco tempo depois, saiu da água, pegando suas roupas, amarrando o robe vermelho e branco em ambas as extremidades, bem como vestindo a longa saia branca, que deixava à mostra sua torneada e grossa coxa direita.

- Ainda não acredito… - observa ao levar a mão esquerda ao seu ombro direito, descendo pelo seu braço falso - Como aquele garoto percebeu que o meu braço não era…?

Os pensamentos de Kukkaku agora estavam concentrados no jovem misterioso que ela conheceu no dia anterior. Não pôde negar que Kabuto a comoveu. Era a primeira vez que alguém lhe tratava com gentileza sem pedir nada em troca. Ele era um completo desconhecido que havia acabado de chegar na cidade. O médico nem ao menos conhecia seu próprio apartamento, mesmo assim não hesitou em levá-la consigo e a curar. Mais do que isso, Yakushi nem ao menos ousou olhar para ela de modo desrespeitoso, algo que para Shiba era costumeiro. Ela tinha que lidar com homens tarados olhando para o seu decote quase todos os dias, e odiava admitir que até gostava de dar uma surra naqueles pervertidos para passar o tempo. A única coisa que sabia era que queria ver aquele rapaz tão gentil de novo. Ela prometeu que faria uma visita em breve no bilhete que deixou.

Mudando o foco de seus pensamentos, Shiba retira o mais novo modelo de denreishinki de cor vermelho vivo do bolso da saia, discando sem demora, e sendo atendida com a mesma rapidez.

- O que você quer…? - questiona a voz arrastada do outro lado da linha em um tom nada feliz.

- Ora, sua bichana rabugenta! - rola os orbes verdes de tédio - Tu vive com essa voz sonolenta de gato e esse humor do cão. Pelo menos poderia atender a sua melhor amiga com um pouco mais de contentamento.

- E olha quem fala... em "humor do cão"? - diz entre um bocejo e outro - Diz logo pra quê me ligou, pois quero continuar dormindo.

- Dormindo? Sei… tu deve é estar metendo até desmaiar com o sonso do Kisuke! - cai na gargalhada, ao passo que a princesa faz uma horrenda careta, apesar de não poder ser vista por sua amiga.

- Você não sabe de nada! - grita irritada - Não faz ideia do escândalo que o Isshin fez aqui ontem à noite atrás de você, e não sabíamos onde te encontrar. Tu continua fazendo loucuras de ficar bebendo por aí até cair depois de dormir com desconhecidos e tomar um pé na bunda. Cresça, Kukkaku! Não aja como uma criança de cinco anos que todo mundo tem que ficar tomando conta. - a revolta era palpável em sua voz, e na mesma hora, a morena ouve o som da ligação sendo cortada. Shihoin estava mesmo muito irritada.

Cabisbaixa com a tremenda bronca que levou, Kukkaku ruma em direção à sua icônica residência a passos lentos. Normalmente estaria enfurecida pela reação nada gentil de sua felina amiga, mas justamente por gostar dela, a irritação deu lugar a uma pontinha de tristeza, pois se sentia depreciada, como se de alguma forma, não significasse nada para alguém a quem amava como uma irmã. Sua mente volta para Kabuto, e ela analisa que um desconhecido soube ouvir e compreender melhor seus lamentos e sentimentos do que a sua amiga de séculos.

Sacudindo a cabeça como quem pensa em um sonoro "dane-se" para sua atual lamentação, adentra a sua casa, mais precisamente em seu quarto, onde pega uma toalha a fim de secar seus repicados e encharcados fios. Senta-se frente à penteadeira, mirando-se no espelho enquanto passava a escova em seus cabelos, se lembrando das palavras de Yoruichi.

- Arrrrgggg! Que se dane! Por que eu tenho que dar ouvidos àquela gata devassa se ela só sabe me criticar? - termina o que fazia, e logo se joga em sua macia cama, onde tentaria ao menos dormir, procurando apagar de sua mente aquele momento desagradável.

Continua…