Cambaleei para frente, mas meu braço estava bem firme na posse do little lord.

Ele me olhou com uma expressão intensa e, com gentileza, afastou alguns fios rebeldes dos meus cabelos que obscureciam sua visão do meu rosto.

Bom, poderia ser um gesto simples, mas carregava significados, como se estivesse garantindo que pudesse me ver completamente, sem obstáculos, enquanto continuávamos nesse momento de conexão profunda.

_ Está bem? - Franziu o cenho, mas apenas acenei.

_ Sempre acontece isso, não é muita novidade. - Dei alguns passos e ele me acompanhou. _ Como devo apresentar você? - Mudei de assunto.

_ Seu futuro marido. - Revirei os olhos. _ Tom Slytherin. - Esse era melhor, por enquanto.

_ Ok, senhor Slytherin. - Passamos pelo jardim, um oásis de beleza e serenidade, meticulosamente cuidado em cada detalhe.

Era uma visão tão diferente do jardim que vi na casa principal que meus olhos se encheram de emoção diante da beleza radiante que se desdobrava diante de mim.

Cada flor parecia vibrar com vida, cada arbusto parecia ser esculpido com perfeição.

Aquela organização e cuidado meticuloso me tocavam profundamente, despertando um sentimento de apreço por coisas bem-cuidadas e ordenadas, mesmo que não fosse eu quem as cultivasse.

Era como se a beleza do jardim refletisse a dedicação e o cuidado que alguém investiu nele, e isso me deixava com uma sensação de paz e admiração.

_ O que acha de ter Slytherin no sobrenome? - Pisquei algumas vezes, tentando voltar ao mundo real.

_ Prefiro Riddle. - O sinto me observando e não queria ver seu sorriso de canto, ou seus olhos vermelhos brilhando. _ Não concorda comigo?

_ Concordo com todo o prazer. - Apenas sorri e vejo as pessoas que estavam caminhando pelo jardim.

Estavam rindo e falando baixinho sobre algo que não queria saber. Mas little lord era diferente, ele queria escutar e o cheiro de pera surgiu em poucos segundos.

_ O que estão falando? - Voltou sua atenção para mim.

_ Estão falando como os Black conhecem o Grindelwald, e se eles iriam ser presos se os aurores invadissem essa festa. - Zombou.

_ Seremos presos, meu Lorde? - O vejo franzir os lábios. _ Diga-me, little lord. - Falo coquete.

_ Vamos fazer um acordo? - Paramos e fiquei sem entender.

_ Que tipo?

_ Um que você só pode descumprir quando estivermos a sós. - Retirou meu braço do seu e, com firmeza, passou o seu por baixo do sobretudo para agarrar a minha cintura.

O gesto foi feito com segurança, transmitindo uma sensação de proteção e posse enquanto nos movíamos juntos.

Senti-me envolvida por sua presença, o calor do seu corpo se misturando com o meu enquanto continuávamos nossa jornada através do jardim cuidadosamente cultivado.

_ E se eu descumprir antes disso? - A minha vontade e desejo clamava por isso.

_ Particularmente, vou gostar muito. - Sinto-o alisando a minha cintura por cima do vestido.

_ E como posso não descumprir? - Fez um muxoxo.

_ Não me chame de "meu Lorde", mas se quer me chamar... - Aproximou e disse no meu ouvido. _ Me chame de little lord ou marido, não vou reclamar.

_ Marido... - Mordeu a minha orelha. _ Dizer essa palavra seria inapropriada. - Bufou. _ Não somos casados e não temos nenhum relacionamento. - Endireitou-se.

_ Esse vestido é muito moderno e as pessoas vão reparar. - Ele gostava de mudar de assunto, mas ele tinha razão nisso.

_ Que reparem. - Entramos na casa inesperadamente branca e várias pessoas nos olharam. _ Apenas sorria. - Examinei os moveis de madeira escura.

_ Não sorrio para pessoas insignificantes. - Puxou-me para mais perto.

_ Devo me sentir lisonjeada? - Olhei em volta e apontei para a sala de visitas espaçosa, que continha várias pessoas.

_ Deve. - Começamos a andar naquela direção.

Porém, antes de alcançarmos aquele local, um casal se aproximou de nós com um ar petulante, interrompendo nosso caminho.

Suas expressões eram carregadas de confiança, e suas palavras foram pronunciadas com uma mistura sutil de curiosidade e superioridade.

_ Vocês seriam? - Olharam-me de cima a baixo.

_ Leesa Grindelwald. - Suas expressões quase me fizeram rir. _ Vocês são os Black? - Com certeza era, ainda mais por estar vestindo roupas pretas com o brasão da família. _ São os pais do Charis?

_ Conhece o nosso filho? - Apertou o braço do seu marido e apenas semicerrei os olhos.

_ Mas é claro, ele é um garoto inteligente e sensato, ainda mais por ser meu amigo. - Sinto o little lord retirar o sobretudo dos meus ombros e entregar para um elfo.

Mas logo, ele voltou a colocar sua mão em minha cintura, e dessa vez não havia nada de sutil em sua possessividade.

Suas ações transmitiam uma clara mensagem de domínio, enquanto seu olhar fixo no ambiente ao redor revelava uma determinação implacável.

Era como se estivesse reivindicando sua presença ali, sem qualquer disfarce.

_ E esse seria? - O pai do Charis perguntou, não sabia os seus nomes.

_ Esse é meu companheiro da noite, Tom Slytherin. - Aumentei a voz ao falar Slytherin e todos pararam, até mesmo a música. _ Boa sorte. - Sussurrei.

_ Sabia que você faria isso. - Não parecia se importar. _ Mas você terá que aguentar essas pessoas comigo, já que você deixou bem claro que sou seu companheiro, coelhinha. - Merda, deveria ter pensado melhor.

_ Um Slytherin? - Cochichavam. _ Ainda mais vivo? - Perguntavam.

_ Já não bastava o senhor Grindelwald? - Até parece que meu pai é um demônio. _ Agora um Slytherin?

_ Mas quem é ela? - Preciso trazer uma plaquinha com o meu nome? _ Nunca a vi, vocês já viram?

_ Ela é filha do senhor Grindelwald. - E depois disso todos ficaram animados.

_ Com licença. - Vejo Pollux, fazendo os pais do meu amigo se afastarem, mas ele estava muito...

_ Se terminar essa frase em sua cabeça. - Apertou minha cintura. _ A tiro desse lugar como um saco de batatas, mas superleve. - Amava quando ficava irritado.

_ Não posso dizer que ele está bonito? - Estendi a minha mão para o Pollux. _ Senhor Black, uma ótima noite, não é? - Pegou a minha mão e a beijou.

_ Leesa, você continua encantadora. - Soltou a minha mão e apenas continuei sorrindo.

_ Você mudou a frase. - Riu e olhou para o homem ao meu lado.

_ E o senhor seria?

_ Tom Slytherin. - Estendeu sua mão enluvada e apertou a mão do Pollux. _ Um prazer em conhecê-lo, senhor Black.

_ Um Slytherin. - Sorriu e soltaram as mãos. _ Você continua uma caixinha de surpresa, Leesa. - Colocou as mãos no bolso de sua calça social.

_ Tento o meu melhor. - Olhei em volta e vejo os meus amigos. _ Onde está Dorea? - Franziu os lábios.

_ Ainda não entendo como minha irmã a conhece melhor do que nós...

_ Acho que isso é um segredo. - Escuto um muxoxo ao meu lado.

_ Você realmente continua igual. - Sorriu. _ Ela está no escritório com o Charis e Ector, eles estão esperando algumas pessoas. - Examinou o lugar, mas sem procurar ninguém em particular.

_ Obrigada, Pollux. - Sorriu.

_ Depois podemos conversar? - Estranhei e percebeu. _ Acho que todos querem fazer isso.

_ Por conta da carta da Dorea? - Concordou. _ Claro, mas primeiro tenho que conversar com os meus amigos. - Apontei para um lugar aleatório da sala de visitas.

_ Não se preocupe, não vou embora tão cedo. - Olhou para o little lord. _ E nem você. - Sorriu e saiu.

_ Você quer quebrar a minha cintura? - Tentei não rir, ou deixaria com mais ciúmes.

_ Não, só queria não matar uma pessoa. - Deu de ombros. _ Vamos para escritório? - Mordi os lábios e neguei.

_ Preciso chamar o meu pai... - Estalou os dedos e uma pequena linha preta planou pela sala.

_ Pronto, ele vai saber que estamos o chamando. - Saímos de perto da sala de visitas e fui conduzida até o corredor da esquerda.

Porém, tentei olhar para trás, para ver o que aconteceria, mas não consegui.

_ O que era aquilo? - Não, mais importante era: _ E como sabe que o escritório é por aqui? - Continuei andando, sem me importar com a decoração, algo que gostava muito de fazer.

_ Já estive aqui e aquilo era apenas uma linha contendo informações, apenas as pessoas que quero que veja a verá. - Isso era um feitiço maravilhoso, mas...

_ Não respondeu... - Parou e mordeu meu lábio, me calando na hora.

Ainda não sabia se ele gostava que eu parasse de falar, ou se apenas gostava de me morder.

_ Já estive aqui, Cygnus me deu essa casa nas minhas duas vidas, é por isso. - Beijou-me e a porta do escritório abriu, me fazendo perceber que não paramos à toa.

_ Leesa? - Era a Dorea. _ Uau, você está tão bonita. - Ela não estava feia, usava um vestido e acessórios de época, mas no tom vermelho, quase vibrante.

_ Não estava antes? - Levantei a sobrancelha.

_ Você era fofa. - Deu espaço para que entrássemos. _ E esse seria o seu little lord? - Fechou a porta e fiz o Abaffiato na sala.

_ Então a minha coelhinha falou muito sobre mim? - Me fez sentar no sofá e se sentou ao meu lado, me abraçando.

_ Muito. - Disseram, e isso era uma calúnia!

_ Me chamo Dorea, Dorea Black. - Estendeu sua mão.

_ Tom Slytherin. - Apertou a mão da menina, mas logo a deixou ir para o seu lugar.

_ Espera. - Charis nos olhou, mas continuou sentado. _ Um Slytherin? É por isso que você o protege tanto? Por ele ser um descendente do fundador?

_ E, porque sou o futuro Lorde das Trevas. - Completou. _ Você me protege, coelhinha? - Segurou minha mão.

_ Pensei que soubesse essa resposta. - Piquei. _ Não fui eu que quase morri por uma febre.

_ Um Lorde e uma rainha. - Ector estava bebendo whisky. _ Devemos parar de chamá-la de rainha?

_ Não sou uma Lady das Trevas...

_ Ainda. - Disseram.

_ Não falarei nada. - Ou acabaria surtando. _ Mas tenho notícias.

_ É tão estranho vê-la assim. - As pessoas gostavam de mudar de assunto, né? _ Estou acostumado com uma pirralha com a língua afiada. - Ector se sentou ao lado de sua namorada.

_ Também. - Charis respondeu. _ Mas que notícias? - Retomou o assunto.

_ Fiz o desenho da marca e o little lord me deu o feitiço que fará ela estar no antebraço de vocês. - Podem me aplaudir, já que sempre consigo o que quero.

_ Isso é ótimo, mas você ainda não tem o feitiço que a deixará invisível, não é? - Não precisava me jogar do penhasco, quando acabei de subir.

_ Sim, terei que esperar a Meli recuperar suas forças. - E isso era uma coisa que não tinha certeza ou data.

_ Deve ser logo, você já consegue ver as coisas acontecendo em Hogwarts novamente. - Ela tinha razão.

_ Queria ver as coisas fora dela, mas até agora nada. - Sem perceber, me aconcheguei mais no corpo do little lord.

_ Você tem tempo. - Charis comentou. _ E sobre o livro?

_ Ele só conta coisas básicas dos Dementadores, nada demais.

_ Então realmente temos que esperar a Meli. - Concordei. _ E os feitiços? - Dei de ombros. _ Certo. - Não tive tempo com essa pessoa ao meu lado.

_ E como foi a reunião dos Black? - Dorea sorriu e vejo que foi tudo bem.

_ Papai conversou com os outros e fiquei sabendo que expulsaram a Cedrella da família.

_ Mas já? - Não tem nem uma semana direito.

_ Ela está esperando um filho. - Merlim. _ Então, ela tem que se casar com o Weasley de qualquer jeito. - Não sabia que ela tinha filhos tão cedo.

_ Tem vinho? - O viciado em vinho está a ativa.

_ Tem. - Charis se levantou. _ Tem preferência de uva? - Nem sabia que isso existia. _ Vinho branco, tinto ou rosé?

_ Vinífera e tinto. - Entendi só o tinto.

_ Meu pai comprou um vinho na França que a uva é Cabernet Franc. - Que diabos seria isso?

_ Ah! - Little lord ficou animado. _ Essa uva faz os melhores vinhos intensos e com a textura macia. - Por que vinho tem textura?

_ Sim! - Estavam empolgados demais.

_ Prefiro whisky, o aroma amadeirado e o gosto são excelentes. - Levantou o copo e fiz careta.

_ Prefiro vinho. - Mesmo não sabendo de nada do que estavam falando. _ O gosto do whisky é horrível e olha que bebi dois copos. - Fiz dois com os dedos.

_ Onde você bebeu? - Dorea perguntou.

_ Na primeira vez que invadi o quarto do Salazar. - Ficaram em silêncio e não entendi o porquê. _ Ele estava tomando banho e me ofereceu whisky, então provei e era horrível. - Apenas por falar já consigo sentir o gosto de madeira na minha língua.

_ Você o viu tomar banho? - Little lord perguntou e apenas concordei, vendo Charis entregar uma taça para o homem ao meu lado e se sentar.

_ Continue, Dorea.

_ Certo. - Olhou para o Charis e sorriam. _ Eles aceitaram o namoro do Charis e o possível matrimônio dele. - Bati as mãos, as unindo.

_ Isso é excelente, pensei que tivesse que destruir a família Black. - Dorea franziu o cenho, mas o que poderia falar nessa situação? Não dava.

Ainda mais que faria de tudo para ver as pessoas que aprecio felizes e em paz.

_ Mas o meu tio só aceitou esse namoro e convenceu os outros aceitarem, por sua causa. - Charis comentou. _ Obrigado. - Tomei a taça do little lord e bebi o vinho, e não era ruim.

Tinha gosto de framboesa e de uva.

_ Mas não fiz nada para ajudar.

_ Isso é verdade, mas você ajudou a nossa família e tem poder para destruí-la, então eles aceitaram. - Dorea deu de ombros.

_ Mas eles aceitaram isso por medo ou por respeito? - Tirou a taça da minha mão, esperando a resposta da loira.

_ Acho que por respeito, ainda mais por toda a família Black jurar fidelidade a você. - Fiquei surpresa e quase me joguei nela.

_ Então consegui as ramificações? - Sorri. _ Isso é bom.

_ E me casarei com um Rowle. - Meu sorriso se desmanchou, estranhando suas palavras.

_ Um Rowle? - Perguntei confusa. _ E o Ector? - Riram. _ Não me diga que você é um Rowle?

_ Desde o meu nascimento. - Zombou. _ Qual é o problema? - Pararam de rir.

Olhei para o little lord, tentando pensar que aquele homem só manchou a reputação da sua família, mas os membros passados não tinham culpa.

_ Ela foi traída por um e falou para si mesma que acabaria com a família Rowle. - Não precisava dizer dessa forma. _ Mas isso mudou agora e ela não sabe o que fazer, sua cabeça entrou em curto-circuito.

_ Little lord! - Queria correr daqui, mas não tinha coragem.

_ Vocês devem estar vendo a fumacinha saindo de sua cabeça. - Revirei os olhos.

_ Então você foi colocada no ministério por um Rowle? - Ector retomou o assunto e concordei, deveria contar ou não?

Então falei, deixando escapar os detalhes dolorosos que haviam marcado minha alma naquela época que tanto desejava esquecer.

Recordações sombrias emergiam de um passado que preferiria enterrar profundamente.

Cada palavra era carregada de angústia, cada lembrança era como um peso sobre meus ombros, ameaçando me sufocar.

Revivia as noites de terror, os momentos de desespero, a sensação de impotência diante da violência e da traição.

Era como se aqueles eventos traumáticos estivessem gravados em minha mente, ecoando incessantemente em meus pensamentos, mesmo quando desejava desesperadamente afastá-los.

_ Coelhinha. - Pegou minha mão e retirou o anel do meu dedo, o curando. _ Não precisa mais reviver algo que você não quer, você já falou o suficiente para eles entenderem. - Beijou minha pálpebra, tirando toda a minha tensão no mesmo segundo que seus lábios acariciaram minha pele.

_ Obrigada. - Tirou sua luva e entrelaçou as nossas mãos.

_ Tudo por você. - Retirei meu anel de sua mão.

_ Sempre será assim? - Dorea perguntou. _ Estou vendo corações flutuando em suas cabeças. - Isso me lembrou alguém.

_ Não temos nada. - Falei, mais para mim, do que para eles.

_ Imagina se tivessem. - Disseram.

_ E seus olhos são vermelhos assim, ou... - Ector tentou mudar de assunto e agradecia por isso.

_ Magia negra. - Alisou minha mão com seu dedão.

_ Certo. - Esperaram que continuasse.

_ Ernesto Rowle traiu a Leesa, e...

_ Espera, Ernesto Rowle? - Levantou-se e ficou na nossa frente, me pegando desprevenida com seu ato. _ Meu irmão mais novo? - Fiquei sem entender por estar irritado. _ Ele quer roubar meu posto de patriarca desde que me entendo por gente. - Franzi o cenho.

Não sabia que o Ernesto tinha um irmão, ou muito menos que queria roubar seu posto, algo que aconteceu na minha realidade. Bom, talvez ele não tenha um irmão na minha dimensão.

_ Quantos anos ele tem para pensar em algo assim? - Perguntei.

_ Quatorze. - Continuei confusa.

_ Ele não deveria estar estudando em Hogwarts? - Bufou e foi até o minibar.

_ Ele não gosta da nossa escola. - Hogwarts era excelente. _ Acha que ela não tem um bom ensino e deveria ser destruída com os alunos dentro. - Tão extremo... Mas já pensei sobre isso.

_ E o que você pensa em fazer? - Little lord perguntou. _ Sua rainha foi presa pela sua família, algo deve ter acontecido com você, não acha?