Childhood Dream Of Draco Malfoy
Por Ginsy
[Harry Potter x Draco Malfoy]
Capítulo III
Estava chovendo lá fora. Não era como se Harry tivesse grandes e entusiasmantes planos para aquele fim de semana.
A maior parte dos alunos passavam os fins de semana fora, mas Harry não tinha amigos fora de Hogwarts para visitar, nem mesmo uma familia que se preocupasse com ele, na realidade, a pequena parte que restava da sua familia preferia manter a distância dele como se Harry tivesse uma doença contagiosa incurável, e Harry não contestava, era melhor assim.
Ele também não gostava deles.
Deitou a cabeça sobre o tampo da mesa corrida da biblioteca, subitamente deixando de achar interessante as palavras que estavam escritas no livro que mais cedo havia escolhido, e fechou os olhos.
Dizem que na realidade um sonho dura apenas vinte segundos antes de você acordar. Ele tencionou fechar os olhos apenas por esse determinado período.
Um. Após um longo momento de escuridão, logo de início ele pôde ouvir as risadinhas travessas vindas algures atrás de si. Bateu com força a testa contra o casco irregular do carvalho para resistir à tentação de se virar.
Dois. O único barulho, além do estridente silêncio disperso entre as árvores daquela floresta, como a neblina daquela noite, provocado pelas nuvens que engoliam o seu choro até ficarem cinzas, era ao longe o sereno cantar das aves noturnas escondidas entre os ramos das árvores nuas. Que estava em total desacordo com o som desagradável de passos irrequietos se arrastando, numa corrida contra o tempo, entre as folhas estaladiças de outono.
Três. A respiração descontrolada traduzia-se em ansiedade de ser pego, mas era compreensível avaliando o ambiente que os cercava. Não havia lugar para onde ir a não ser para os braços um do outro, e apesar de não poder ser considerado um esconderijo, continuava a ser um refúgio. A força do pensamento fê-lo sorrir, agradecendo que estava de caras para o carvalho, sem precisar dar justificações.
Quatro. Um breve choramingo fê-lo abrir uma brecha entre as pálpebras, um tanto curioso, um tanto preocupado, e tentou olhar a seu redor sem mover a cabeça, o que se mostrou uma tarefa impossível. A sua cabeça rodou uns meros graus para a esquerda, os olhos semi fechados com medo de deixar o outro chateado, até se fecharem completamente como se pudessem evitar ouvir a esperada repreensão:
— Ei seu batoteiro! Ainda não chegou aos dez.
Cinco. Virou-se novamente de costas, sentindo-se culpado. Era irónico que aquela emoção soasse a empatia. Porque nós só nos sentimentos culpados quando sabemos que agimos mal diante algo que nos fazia bem.
Seis. O medo de perder. Ele realmente não dava a mínima para aquele jogo patético e sem ação. Então porque se dava ao trabalho? Ele sorriu novamente, a felicidade atingindo-o aos poucos como as lágrimas que as nuvens não conseguiram segurar. Porque estava disposto a qualquer coisa para que o outro se sentisse da mesma forma.
Sete. Silêncio. Sinais de uma solidão insuportável. A difícil tarefa de manter o equilíbrio sobre a borda de um precipício, sem alguém para chamá-lo pelo primeiro nome e sem ninguém para lhe dar a mão. Sem um motivo para se manter firme sobre a mesma.
Oito. O silêncio fê-lo perceber que não aceitaria uma mão qualquer. Tinha de ser uma mão de textura suave como a seda, que o acariciasse de maneira deleitosa, diposta a lavar-se no seu sangue, e essa última razão era o que as afastava. Uma mão pálida entrou em foco contra as suas pálpebras fechadas. Então... Aquela mão. Nem aquele rapaz se sujeitava ao sacrifício.
Nove. Um pingo matreiro entranhou-se por dentro das suas roupas e deslizou por suas costas, evaporando-se com a fervura da sua temperatura corporal, que o mantinha aquecido.
— Dez! — Gritou entre o tilintar da chuva, virando-se para uma paisagem melancólica e tristonha. Que lugar era aquele? Avançou um passo, as botas militares esmagando sem piedade as folhas castanhas, enquanto procurava o rasto deixado entre a névoa densa que pairava sobre a floresta. Avançou outro passo e outro, afastando-se do ponto que deveria proteger, sabendo que algures naquele sitio vazio um par de olhos cinza observava-o, preparado para o vencer. Ele recuou um passo, a noção que odiava ser derrotado.
Entre o sopro do vento fraco ele ouviu passos apressados virem na sua direção, uma adrenalina crepitou em seu peito, logo percebendo o que estava prestes a acontecer. Virou-se denovo e correu também na direção do carvalho, os seus pés ameaçavam escorregar devido às folhas soltas e úmidas, a brisa gélida chocava contra o seu rosto molhado e o seu capuz caiu, revelando rebeldes cabelos pretos como o dono de quem os possuia. Era suposto não ser reconhecido, afinal, em tempos de guerra ir passear era o mesmo que pedir para morrer.
Ele derrapou no piso molhado e esticou o braço, a ponta dos dedos ainda raspou no casco escarpado do carvalho, aquilo já contava como uma vitória para si, mas não para a pessoa que dizia ter chegado primeiro e se colocado entre o seu corpo e o tronco da árvore.
Para evitar o choque, ele colocou as duas mãos no tronco da árvore, a cabeça da pessoa mais pequena entre ambas, e travou ao colocar todo o peso em seus pés.
— Ganhei. — Disse o outro com um sorriso largo, as mãos atrás das costas estranhamente parecendo inocente. — É você a contar denovo, Harry.
Harry? Mas aquilo parecia tão natural. Ele sabia que algo estava errado.
— Em que universo?! — Exclamou contrariado. — Eu toquei primeiro no carvalho.
— Tem provas? — Perguntou naquele tom de 'eu já sei sua resposta'. Mas ele não conseguia sentir raiva daquela voz.
— Não, mas-
O dedo na sua boca o fez calar.
— Você tem tão mau perder, Harry. — Bufou mas não parecia uma reclamação e sim mais algo óbvio. Harry podia sentir o coração quente do outro através do toque da mão fria no seu rosto. Toques como aqueles ficariam marcados em seu coração ao invés de na sua pele, movidos pela compaixão, a amizade e pela bondade. — Mas eu continuo a adorá-lo.
O nevoeiro daquela tarde gélida não permitia que Harry conseguisse formar uma imagem nítida da pessoa à sua frente, mas a voz era-lhe familiar. Assim, ele tentou tocá-lo, mas o outro rapaz fugiu por debaixo dos seus braços.
— É você a contar outra vez, Harry.
Um. Ele não tinha tudo o que queria, mas amava com todas as forças aquilo que tinha. Harry era o tipico personagem principal da história que tinha perdido de forma trágica a vida de seus pais para as mãos de um vilão que toda a gente odiava, o orfão de quem todos tinham pena e sorriam quando ele passava porque ninguém podia-o fazer-se sentir-se mal, e ao contrário do que pensam não era vingança que movia esse menino desamparado e rebaixado a sua infância toda. Era aquela pena sórdida que sentiam por ele que lhe provocava aquela raiva desmedida.
Dois. Ele havia suportado bem todas as vezes que perdeu mais sangue do que aquele que corria em suas veias, mas não conseguia suportar a dor que estava sentindo naquele momento, como se houvesse um presságio de tragédia se aproximando.
Três. Saboreou um liquido viscoso, sabia a ferro, o gosto familiar após uma briga. Tocou nos seus lábios, trazendo dois dedos para a frente de seus olhos agora abertos só para ter a confirmação que estava sangrando. Uma gota vermelha escorregou da ponta de seu nariz e caiu no chão perto dos pingos da chuva. Uma segunda gota caiu, e a seguir a terceira, e sucessivamente... até formar uma pequena poça dissolvida na água.
Porque raio sentia que estava morrendo?
Os mesmos dedos tocaram na sua testa com uma pequena ferida aberta, o toque ardia. Rebobinou há minutos atrás quando bateu forte contra o casco do carvalho para combater a curiosidade que o outro despertava em si. Afinal, não era nada de grave. Permitiu-se relaxar.
Seria? A sua cicatriz só começava sangrando quando Voldemort estava por perto.
Ou então...
Aquilo era tudo mentira.
Mas o Harry daquele momento não tinha noção desse facto, ele percebeu.
E não conseguia escapar daquilo.
— Harry... — Triste, a voz parecia tão distante. — Você decidiu ficar contando até que número?
Os seus olhos verdes que facilmente lembravam um pasto vasto, esbugalharam-se ao ouvir a voz atrás de si num tom que nunca tinha ouvido. Sentindo um apertar esmagador no seu coração, ele não conseguia encará-lo, não quando tudo o que ele podia ver era um aguaceiro de sangue que ofuscava a sua visão, mas a voz chegou fraca a seus timpanos:
— Você se esqueceu de mim, Harry?
A voz de quem chorava oceanos, e Harry rezou para que ele não se afogasse neles, mas se estivesse, ele iria salvá-lo. Virou-se num rompante para o rosto belo desfigurado em tristeza.
Eu ainda estou aqui preso?
A dor na sua cicatriz começava latejando cada vez mais fortemente.
— Eu sinto muito, é que- — Começou devagar, mas a trilha de folhas secas que rodopiou por cima do ombro do outro chamou-o a atenção, anuciando a chegada de uma terceira figura, desfocada entre a poeira gerada no meio do nevoeiro que a passos demorados deixava para trás. Semi cerrou os olhos para tentar ver melhor e engoliu a seco ao ver a mesma figura erguer uma varinha para as costas de...
Harry gritou desesperado mas era um grito de angústia silencioso, não conseguindo dizer nada mais, uma bola de pêlo presa na sua garganta, a crueldade já destinada como uma profecia. Harry queria dizer... queria dizer... dizer...
... que havia um bruxo atrás dele, Harry pensou. Soluçava entre o berro estridente que assustou os pássaros.
Harry acordou num sobressalto assim que algo duro bateu contra a sua nuca, quase caindo da cadeira de madeira com o susto. Ele analisou o cômodo ao seu redor com os olhos semi cerrados e o coração acelerado, sendo em grande angustia novamente remetido para aquele clima deprimente em Hogwarts, entorpecido pelo cheiro a livros velhos que invadia as suas narinas. Mas nem aquele silêncio absurdo o conseguia acalmar, ele acabou checando o relógio percebendo que já passava da hora de recolher. As suas mãos estavam trêmulas e sentia gotas de suor escorrendo pelo seu torso.
Harry afroxou o colarinho da camisa que estava começando a esfixiá-lo e esfregou os olhos. Então realmente tudo não passava de mais um maldito sonho?
– Isto não é um dormitório, é uma biblioteca.
Com alivio, ele raciocinou aquelas palavras.
A voz chegava aos seus ouvidos como a leve brisa de uma manhã fresca, de forma calma e suave, o dono dela sussurrava no ouvido de Harry, mas as palavras eram amargas.
A voz da mesma pessoa... mas ele não conseguia se lembrar quem era.
Harry virou o rosto e deparou-se com a mesma pessoa que preenchia os seus sonhos ultimamente. Ele já deveria saber. Era tão óbvio que era estúpido. Aquele rapaz estava fazendo-o ficar louco, ele pensou enquanto encarava aqueles iris cinza frias como a tarde de nevoeiro que tinha testemunhado.
Uma súbita dor de cabeça atingiu-o num rompante, como se a qualquer momento ela pudesse explodir. Ele duvidara que tivesse sido pelo embate do livro, mas pretendia levar a avante o seu disfarce.
Ele preferia que o outro não ficasse sabendo da sua condição.
— Isso era necessário? — Disse Harry massajeando a testa.
— Eu tentei chamá-lo. Três vezes. Quase pensei que tivesse morrido.
Inspirou profundamente tentando recuperar o fôlego, mas a sua ansiedade tinha embalado-o novamente. Seu coração batia ainda mais rápido, e as suas mãos continuavam trêmulas e molhadas. Tocou levemente no pescoço para confirmar que estava suando e fechou novamente os olhos, tentando encontrar um pouco de paz.
— Potter, nem pense em adormecer! Você quer que eu bata em você pela segunda vez?
— Agora não. — Harry murmurou num grunhido de dor, tentando limpar as gotas de suor que escorriam pelos seus fios de cabelo.
— Agora não? Já passou do recolher seu imbecil, você está desperdiçando o meu tempo, Potter, tenho a minha gente à minha espera.
Harry levantou-se um pouco zonzo e esfregou novamente os olhos por debaixo dos óculos de aro redondo, um leve som irritante começou latejando no fundo do seu ouvido e a sua visão começou ficando embaciada, como se de facto estivesse cercado por um nevoeiro. Malfoy continuava bloqueando o seu caminho como se esperasse uma explicação, mas Harry apenas o empurrou levemente para conseguir passar e ir embora.
Durante o caminho, ele sentiu a necessidade de desabetoar os primeiros botões da sua camisa, a gravata já completamete desarrumada. O calor que estava sentindo estava começando a queimá-lo vivo e por momentos, ele sentia que não conseguia mais respirar.
Ele começou tossindo incessantemente, sem ninguém para pedir ajuda. Era aquele o seu fim? De forma tão patética?
A sua cabeça não parava de latejar.
Harry tentou apoiar-se no muro de pedra mas suas pernas já não pareciam aguentar com o seu próprio peso e ele quase acabaria caindo se não fosse por uma outra figura que o agarrou pelos braços a tempo de evitar a queda.
— Que merda! — A figura parecia desesperada. — Você é demasiado pesado. O que é que eu vou fazer com você?
Harry tentou apoiar-se no muro e sentou-se no chão frio de pedra e fechou os olhos, sentido a leve brisa de noite fria chocar contra a sua face, e o seu único desejo era ficar embalado naquele silêncio enquanto sentia o fresco da noite atingi-lo suavemente.
Quando abriu os olhos estava aquela figura esguia agachado à sua frente, estentendo-lhe uma garrafa de água sem trocar uma mera palavra. Harry aceitou a garrafa que já estava aberta e engoliu o seu conteúdo. O rapaz acabou sentado-se no chão ao seu lado, as pernas cruzados enquanto continha-se fortemente para não roer as unhas, ele reparou.
— Foi por causa do livro? — O outro rapaz disse suavemente.
Harry ergueu um braço e acariciou brevemente os cabelos loiros do rapaz, certificando-se que Malfoy era real. Ele não conseguia compartilhar da mesma empatia que nutria no seu sonho, mas ainda sentia um pouco de indignação e culpa apesar de ser tudo fruto da sua imaginação, então ele não conseguia evitar sentir pena pelo fim atroz e desumano que aquele rapaz tinha sofrido no fundo do seu sub consciente.
— Você deveria ter visto a sua cara.
Malfoy deu um tapa na mão de Harry e fez um movimento que demonstrava a sua vontade de se levantar, mas Harry agarrou rapidamente no seu pulso e imobilizou-o, fazendo com que Malfoy ficasse sentado ao seu lado.
— Onde é que você vai?
— Você já parece estar bem. Eu já acabei as minhas rondas e tenho os meus sonserinos à minha espera.
Oh, lá vinha ele com aquela conversa...
— Eles não vão morrer por menos dez minutos com você.
— E você também não morre por menos dez minutos comigo.
Harry ainda ficou debatendo-se silenciosamente entre o que fazer e dizer. Malfoy encontrava sempre uma desculpa esfarrapada para não ter que conviver com ele por míseros dois segundos, aquele rapaz realmente não se importava de todo com ele, então Harry não poderia fazer muito além de soltar o pulso daquele rapaz e deixá-lo ir.
— O que é que vocês dois estão fazendo aqui? Um piquenique ao luar?
Ambos subiram o olhar e depararam-se com o rosto amargurado e marcado pelo tempo de Severus Snape, parte do seu rosto iluminado pela lamparina a óleo, parecendo tão aterrador como a sua fama.
Harry revirou os olhos e inclinou a cabeça contra o muro de pedra ao qual estava encostado. Aquilo não era bom, e Malfoy também não parecia muito contente com a presença súbita do seu padrinho, ele reparou.
— Está tentando tirar-me do sério, Draco?
Malfoy tinha aberto a boca para responder mas Harry foi mais rápido.
— Ele só me estava tentando ajudar, ao contrário de você que continua inconveniente como sempre.
— Sou seu professor, Potter, respeito. Detenção amanhã, ás dez da noite e menos ciquenta pontos para a grifinória. — Snape limpou a garganta. — Draco venha comigo, Potter não tem nada de bom para lhe oferecer.
— Como se você tivesse. — Harry murmurou entre dentes, o suficiente para Malfoy ouvir e dar-lhe um leve tapa no braço como que reprovando o seu comentário.
— Menos 20 pontos para a Grifinória.
Malfoy trocou um leve olhar com Harry antes de se levantar e cruzar o corredor com Snape, deixando-o para trás, sendo já essa a sua intenção inicial.
O fim de semana tinha passado e novamente Hogwarts tinha os seus corredores tenebrosos preenchidos pelo amontoado de alunos que numa correria louca quase que se atropelavam, todos eles envolvidos numa luta de encontrões para tentarem não chegar atrasados às primeiras aulas da manhã.
Uma mão agarrou no seu braço e puxou-o entre o corredor. Uma rapariga de cabelos ondulados e castanhos puxou a manga da sua camisa e tentou guiá-lo entre o enchame de alunos, mas Harry não conseguia disfarçar o seu fascínio por um rapaz de cabelos loiros que atravessava aquele corredor do outro estreito, rapaz esse que nem sequer se atrevia a olhar na sua direção, como se Harry fosse apenas mais um daqueles alunos que por ali passavam.
Aquele desprezo incomodava Harry.
Então Malfoy.
As suas pernas começaram a travar, não havendo a mais minima vontade de avançar adentro daquele corredor, não quando a pessoa da qual não conseguia desgrudar o seu olhar estava indo na direção contrária.
— Hermione, espere um-
— Harry ande. — Hermione puxou com mais força a manga da sua camisa. — Nós já estamos atrasados.
— Mas-
— Harry nós temos Astrologia e é no ultimo andar e nós ainda estamos aqui! Ao seu ritmo chegaremos lá amanhã.
Aos poucos, os seus pés começam ganhando balanço, avançando aos poucos e poucos, um pouco reticente, e a contra gosto, mas acabou cedendo e deixou que Hermione o guiasse.
Aquela semana tinha começado de forma horrível.
O calor que assombrava aquela tarde no mundo bruxo era excessivamente intolerável. Ele desviou os pequenos fios de cabelo que estavam colados à sua testa e encostou a cabeça na parede de pedra, que para seu enorme agrado, estava gelada. Ansioso, ele esperava o toque para trocar de aula. Começou suspeitando que o facto de estar na Torre da Astronomia, um dos pontos mais altos de Hogwarts, e de caminho, o mais perto do sol, só piorava toda a situação.
Pela janela ele viu um pequeno grupo de Sonserinos, talvez do segundo ano, abrigados sob a sombra de uma árvore. Mas rapidamente percebeu pelas caretas que eles faziam, que mesmo assim, a sombra do pinheiro não era mais o suficiente para disfarçar a temperatura elevada.
Por falar em Sonserinos, os seus olhos fizeram o percurso até ao Lago Negro, e pararam numa figura de cabelos prateados, tão prateados que eram capaz de refletir os raios de sol. O rapaz estava sentado à beira-mar com a camisa aberta quase a metade, e ao seu lado estava uma garota de longos cabelos loiros, a uma distância mínima.
Harry observou-os, a sua atenção maioritariamente focada em Malfoy. Eles pareciam tão atentos como os outros no que dizia respeito ao que Hagrid tentava explicar, quer dizer... parcialmente atentos. Com míseros curtos intervalos de tempo, a garota parecia que sempre tinha algo interessante e engraçada para sussurrar ao ouvido de Malfoy, porque de todas as vezes, o outro sempre esboçava-lhe um sorriso daquela maneira afetada que ele sempre sorria.
Mas não deixava de ser um sorriso. E Malfoy não era uma pessoa que sorrisse muito.
Malfoy pousou as mãos alguns centímetros atrás das costas e inclinou-se um pouco numa expressão sofrida, como se as suas costas estivessem doendo. A garota assistiu os leves movimentos mas nada disse, e uns segundos depois de ter permanecido naquele silêncio, Malfoy decidiu que seria boa ideia pegar num pouco de água e atirar contra ela levemente.
Ela fingiu uma expressão de ultraje, que rapidamente se transformou num sorriso meigo. Claro que ela não teria sorrido para Malfoy caso mais de metade da água que ele pegou não tivesse escorrido entre seus dedos antes de a atirar contra ela, pensou Harry.
E agora que aquele ódio cego que ele em tempos sentia por Malfoy se estava dissapando e dando lugar a outro tipo de sentimentos, a cada hora de cada dia que passava, ele cada vez mais gostava de observar Malfoy e de imaginar como teria sido mais fácil e simples a sua vida se ele não tivesse sido arrogante, e tivesse deixado Malfoy o tratar da mesma forma que ele estava tratando aquela garota.
Visto daquela perspectiva, era como se Malfoy fosse a tranquilidade que tinha procurado. Então ele encontrou-se a sentir um pouco de inveja do momento que os dois estavam partilhando à beira-mar.
Pelo menos a sineta tinha tocado, o que significava que se ele fosse rápido o bastante a descer a escadaria, ainda conseguia passar por Malfoy, apesar de não ter nada para lhe dizer.
Harry olhou de esguelha para Ron, que arrumava os seus livros dentro da sua mala e repensou na sua atitude. Ele não estava pensando num aluno qualquer, mas sim em Malfoy, o que era totalmente descabido.
Viu-se obrigado a voltar aos seus sentidos.
Ultimamente estava sendo ainda mais difícil de controlar a sua obsessão com Malfoy, o que não tinha igualmente uma explicação plausível, pois Malfoy andava calmo, talvez um pouco demais ao ponto de ser desconfiavel, ele mesmo tinha começado a se juntar aos seus colegas de casa para as refeições e comparecia a todas as aulas, pelo menos aquelas que juntavam a Sonserina e a Grifinória.
Agora mais parecia que Harry estava louco tentando procurar um motivo, por mais mínimo e insignificante que fosse, para conseguir justificar aquela perseguição que ele fazia a Malfoy.
Ele acabou esperando por Ron, reprimindo a sua vontade de seguir Malfoy naquela manhã.
Eventualmente, os dois cruzariam-se novamente, o que não demorou muito, pois a última aula do dia era uma aula partilhada entre a Sonserina e a Grifinória, Alquimia.
Malfoy levantou a cabeça quando Harry entrou, não passando a sua presença despercebida, e quase que como certo os seus olhares cruzaram. Rapidamente aquele olhar transformou-se em algo semelhante a uma expressão confusa, Harry não entendia o porquê.
E sentou-se em seu lugar, do lado da janela, continuando sem entender.
Mas Malfoy parecia mais destemido em colocar um fim àquilo que o estava incomodando.
Uma mão cutucou o seu ombro e Harry estremeceu ligeiramente com o leve susto que tomou. Malfoy sentou-se ao seu lado na secretária sobre as iris verdes curiosas, sem pedir licença.
— Você está muito calado.
Harry mordeu a bochecha, não querendo soar antipático, mas falhando miseravelmente.
— Você quer que eu fale sozinho?
— Eu sempre costumo ouvir a sua voz irritante e a do pobretão, mas hoje a sala pareceu um pouco silenciosa, então vim checar.
— Deixe de ser intrometido e volte para o seu lugar.
— Vocês brigaram? — A pergunta fez Harry para momentaneamente de escrever sobre o pergaminho, a felicidade era notória entre linhas.
— Para sua enorme tristeza, não.
— Oh, Potter. — Soltou. — Até parece que eu teria algo a ganhar com isso.
— Talvez não, mas com certeza faria você muito feliz.
Malfoy deu de ombros ao seu lado, um leve sorriso arqueado no seu rosto pálido e doente.
— Então posso sentar aqui hoje?
Harry olhou para Malfoy e sobre o seu ombro analisou rapidamente Crabbe e Goyle no outro estreito da sala, que pareciam estar entretidos jogando algo e voltou a encarar Malfoy.
— Que seja, mas fique calado.
Malfoy sorriu levemente e focou a sua atenção na lousa com algumas partes da matéria escritas, as pernas balouçavam como as de uma criança irrequieta, até que Malfoy acabou dando um pontapé na sua canela.
—Outch! — Harry massajeou a perna. — Isso foi pelo que?
Malfoy deu de ombros, parecendo tão inocente.
— Então como foi a detenção com o meu querido padrinho?
— Imagine. — Harry resmungou enquanto tirava apontamentos. — Ele está tentando me matar. — Harry tirou um pequeno papel dobrado em dois do bolso do seu manto e entregou-o a Malfoy.
— Isto é o quê?
— Uma lista com ingredientes de poções.
— Que tipo de poção ele quer que você faça?
— Nenhuma.
— Então isto serve para quê?
— Me torturar.
Malfoy ficou calado por uns míseros segundos, passando os olhos pela lista de pergaminho velho.
— Benzoar, cifre de bicórnio, diafanina... Onde é que você vai apanhar vómito de tarântulas? E isto? Ovos de-
Harry tirou a lista das mãos de Malfoy e voltou a guardá-la no bolso.
— O seu tom de voz está começando a causar-me náuseas.
— Você realmente conseguiu ser um idiota e irritá-lo bastante desta vez, Potter.
— Se você não tem intenções de ajudar então fique calado.
— Eu ia oferecer-me, mas já que você insiste...
— Mais rápido o vômito da tarantula seria você, e depois eu teria de explicar ao seu querido padrinho como a detenção dele acabou matando você no processo.
— Você provavelmente morreria a seguir.
— Por isso, não quero provocar a raiva do malvado antigo professor de poções.
— Afinal você ainda tem um pouco de amor á vida. Todos estes anos eu pensei que você tinha um desejo desmedido de morrer.
— Nem por isso, mas todo o mundo parece que me quer ver morto. — Harry acabou respondendo.
— Com certeza você se irá safar. — Malfoy acabou dizendo, dando duas leves palmadinhas nas suas costas.
— Então, e você? — A pergunta parecia ter apanhado Malfoy um pouco desprevenido. O rapaz inclinou a cabeça ligeiramente confuso. — O que é que Snape lhe disse, naquela noite?
Um certo alivio brotou nos olhos de Malfoy, que se suavizaram lentamente.
— Nada a seu favor, como você pode imaginar. — Ele respondeu sobre o olhar curioso de Harry, mas Malfoy evitou o contacto visual. — Mas também não foi nada de novo. — Disse voltando a sua atenção para o manual da disciplina.
— E ainda assim você decidiu que seria boa ideia sentar aqui. Eu acho que você está pedindo para ir colher ingredientes comigo.
Malfoy acabou dando de ombros, não tirando os olhos do seu livro.
— Meu padrinho não leciona esta cadeira. — Ele acabou respondendo.
— Então isso significa que você vai fingir que eu não existo em defesa das artes das trevas?
— Fingir que você não existe é um pouco improvável, você é demasiado irritante para passar despercebido. — Pausou, pensativo. — Mas eu não quero causar um ataque de coração em meu padrinho, então eu vou só ficar no meu canto.
— Igualmente improvável. Você é demasiado metido para ficar calado por mais de cinco segundos.
— Eu é que sou metido mas você é que está perguntando pela minha vida.
— Foi você que se sentou aqui.
— Você poderia ter ficado calado, como estava antes de eu me sentar.
— Pareceu-me um pouco indelicado da minha parte.
— Claro, porque tudo o que você quer é ficar trocando figurinhas comigo.
Harry deu de ombros.
— Eu realmente não me importo. Quando você não é terrível, meio que até é suportável.
Mas aquilo era um elogio, Malfoy parecia ter reparado. Harry calou-se com um sorriso fechado bem na sua face.
Dias depois, Harry viu-se obrigado a ir ter com Malfoy aos campos de Quidditch. Devido à queda de Malfoy da última vez, Madam Pomfrey proibiu Malfoy de jogar Quidditch por três meses, mas isso não significava que Malfoy deixasse de ser o capitão da equipa, assim como não deixava de ser monitor da Sonserina. Ele ainda continuava mandando e dispondo do seu time com aquele jeito carrancudo que só Malfoy tinha.
Várias vassouras sobrevoavam os céus e lá estava Malfoy, os pés assentes no relvado e os seus dedos finos entrelaçados entre os próprios fios de cabelo. Quanto mais se aproximava, mais notava que aquela não parecia bem uma boa altura para ter decidido ir falar com Malfoy, pois os seus berros e reclamações eram extremamente altos e estridentes, como para além disso, eram ainda também excepcionalmente cruéis e insensíveis.
Harry coçou a garganta como que anunciando a sua chegada, a uma distância considerável segura de Malfoy, somente para sua própria proteção. Malfoy segurava uma bludger para sua enorme infelicidade.
O olhar cinza queimou sobre a figura de Harry como se o estivesse tentando petrificar com a força do olhar.
— O que você está fazendo aqui, Potter? — Malfoy disse com voz de poucos amigos, mas rapidamente a sua atenção voltou-se para algo sobre os ombros largos de Harry. — Nott, seu imbecil! Páre de ficar admirando o céu ou vou enfiar meu punho na sua boca, seu idiota!
Theodore Nott, sobre a sua vassoura, voltou rapidamente à sua posição habitual.
— Você quer que eu volte mais tarde?
— Espere, eu já falo com você. Crabbe! Desça daí e venha cá! — Malfoy bateu o pé. O outro rapaz deu uma breve corrida. O rosto do rapaz estava vermelho, como se a qualquer momento Crabbe fosse explodir. — O que você pensa que está fazendo?!
— Eu-
Malfoy não deu nem três segundos para Crabbe se explicar.
— Dê dez voltas ao campo. — Crabbe pegou na vassoura, que ainda mais rápido foi confiscada pelo capitão tirano. — Sem vassoura. Faça as suas pernas serem úteis. — Malfoy olhou ao seu redor e o seu olhar recaiu em Harry. — Você tem dez minutos. Potter vai ficar contando.
Não havia como escapar agora, Harry pensou. Talvez se ele fosse rápido o suficiente...
Mas Harry acabou a verificar os minutos no seu relógio de pulso assim que Crabbe iniciou a sua corrida. Harry achou engraçado o olhar de ajuda que Crabbe fez na sua direção antes de começar correndo, provocando um pequeno sorriso em Harry, mas quem parecia não estar achando a mínima piada à situação era Malfoy que olhou para Harry como se pudesse matá-lo.
— Você não sabe ficar quieto?
Harry enfiou as mãos nos bolsos do manto, reduzindo-se à sua insignificância.
— Você não acha que está exagerando? — Harry disse num tom baixo. — Se Crabbe continuar correndo você vai acabar por ficar sem um membro do time.
— Você cuida do seu time e eu cuido do meu, Potter. — Malfoy parou de falar por uns segundos. — Além que você nem deveria estar aqui, o que você quer agora?
— Eu queria pedir-lhe para você fazer o meu turno hoje e eu faço o seu de sexta.
— Por que? — Perguntou Malfoy, os seus olhos fixos nos jogadores do seu time. Ele nem parecia estar ouvindo o que Harry estava dizendo.
— Eu vou visitar Hagrid hoje depois do jantar.
— O ogre peludo que vive entre as abóboras nos campos de Hogwarts numa casa feita de palha?
— Hagrid o seu professor de Criaturas Mágicas, Malfoy, sim.
Malfoy olhou para Harry com uma careta assim que Harry o corrigiu. Harry deixaria passar aquela.
— Por alguma razão em especial?
— Não irá beneficiar mais você não ter que fazer rondas na sexta?
— Talvez. — Malfoy nada disse por uns segundos. — Peça a Bones para trocar com você.
— Por que? Você vai estar ocupando sendo insuportável na Sonserina hoje?
Malfoy arregalou os olhos na sua direção e o corpo de Harry estremeceu.
— Você é que me está pedindo algo, não acha que deveria ser um pouco mais simpático?
— Você quer que eu me ajoelhe ou algo do género?
— Você acha que eu vou cair nessa conversa? — Malfoy cortou rapidamente, parecendo ligeiramente mais irritado. — A escapadinha que você quer fazer esta noite vale assim tanto isso?
— Qual que, você é idiota?
— Por que raio você haveria de ir ter com aquele- — Malfoy inspirou profundamente antes de prosseguir, tentanto ganhar um pouco mais de controle sobre si mesmo. — com Hagrid?
Bem, aquilo era um avanço no carácter.
— Você se esqueceu que o seu querido e amado padrinho me colocou de detenção? Eu não posso simplesmente entrar na Floresta Proibida sozinho e esperar que saia de lá inteiro.
— Por que não? — Malfoy cortou, um leve sorriso de escárnio na face ossuda. Pelo menos, Malfoy parecia mais relaxado, isso aliviou Harry. — Que seja. Mas se você não estiver no Grande Salão ás onze da noite, eu irei fazer-lhe uma espera na cabana de Hagrid, você ouviu?!
Harry tentou esconder o leve sorriso, falhando miseravelmente.
— Se você está tão desconfiado que eu esteja usando Hagrid como desculpa para- — Harry parou abrutamente, dizer aquilo não parecia certo. — Você pode vir.
— Obrigado pelo convite, mas infelizmente vou ter de recusar. Já não bastaria estar com você, como ainda teria de estar com aquele ogre e de bónus no pior sítio em Hogwarts. Além que- — Malfoy mordeu o lábio. — Eu duvido que o seu querido amigo queira a minha presença lá.
Ele duvidava muito que Hagrid levasse a mal levar Malfoy consigo, mas daquela forma ele ficava menos ansioso. Por um lado, Hagrid ficaria feliz em Harry apresentar-lhe pessoas novas, mesmo que essas novas pessoas fossem Malfoy, o mesmo Malfoy que tentou destituir Hagrid do seu cargo de Professor e fez com que Buckbeack fosse condenado a uma pena de morte.
A ideia de levar Malfoy consigo já não parecia tanto uma boa ideia.
— Bem, uma coisa é certa, você não foi propriamente a pessoa mais tolerante com Hagrid.
— Eu sou uma pessoa mudada- — Malfoy parou subitamente. As orelhas ficando vermelhas. — Crabbe! Eu disse para você continuar correndo! Seu idiota! Imbecil! Continue correndo ou eu vou mandar essa buggler contra você!
Uma pessoa mudada, pensou Harry observando Malfoy. Mas ele ainda acreditava que Malfoy quando tentava se comportar, ele tinha a capacidade de ser minimamente tolerável.
— Eu vou andando então.
Malfoy subitamente pegou no seu braço, travando Harry no lugar quando este estava prestes a ir embora.
— Não, não, você precisava ficar aqui. Quantos minutos faltam para Crabbe acabar? Aquele idiota- Crabbe! — Para surpresa de Harry, Malfoy arremassou a buggler contra Crabbe, que por pouco não foi atingido por ela.
Harry checou o seu relógio.
— Dois minutos.
— Você tem mais dois longos minutos pela frente! Continue correndo!
A força com que Malfoy apertou o braço de Harry deu Harry a entender que o outro estava chateado.
— Você não prefere ficar descansando hoje? Você parece meio stressado. — Harry ponderou. — Eu posso falar com Bones-
— Cale a boca. Eu cubro você. — Malfoy percebeu que estava segurando Harry e subitamente largou-o como se Harry fosse pegajoso. — Vá falar com Hagrid.
Se Malfoy continuasse assim, explodiria de raiva. Aos olhos de Harry, Malfoy estava especialmente chateado hoje. Não duvidava que algo tivesse acontecido para que Malfoy acabasse naquele estado.
— Eu vou ficar aqui até Crabbe acabar. — Disse calmamente, tentando com que Malfoy acalmasse o seu temperamento também. Malfoy ficou em silêncio, os seus olhos brilhavam contra o céu ao ver os seus colegas jogarem, de vez em quando esboçando uma careta de repulsa.
Quando o relógio marcou o final dos dez minutos Malfoy parecia não ter dado conta ou então não deu a mínima. A concentração do loiro estava totalmente virada para os jogadores sobre as vassouras e Harry não ousou quebrar a sua atenção. Crabbe no campo já parecia ter desistido há um bom tempo. O rapaz estava estendido sobre a relva completamente derrotado.
Por momentos, Harry pensou que ele estivesse morto.
Acabou pegando numa garrafa de água que estava ali perto e levou-a até ao sonserino derrotado sobre os relvados do campo de Quidditch.
— Beba. — Harry estendeu-lhe a garrafa que com muito esforço foi pega por Crabbe. Harry ficou observando o rapaz sugar completamente o líquido da garrafa. Crabbe deveria estar tão cansado que nem deu conta que tinha acabado de ser ajudado pelo terrivel Harry Potter, como toda a sonserina o pintava.
E ele provavelmente nunca daria conta se não fosse por Malfoy que subitamente apareceu ao lado de Harry, também apanhando Harry de surpresa.
— Agradeça a Potter, porque se fosse por mim você continuaria correndo. — Malfoy arremessou uma toalha de suor contra Crabbe e virou costas. Harry com as mãos nos bolsos, seguiu Malfoy.
O temperamento de Malfoy estava de tal jeito que Harry temia dizer algo e acabar o irritando ainda mais, e assim, ele limitou-se a dar uma leve palmadinha no ombro de Malfoy se despedindo.
Então Harry foi.
