Intervalo

"Seems like ever since the first day we met

There is no one else I think of more than you

Can't seem to forget, can't get you out my head

Guess the verdict's in, I'm crazy over you[1]"

Sittin' up in my Room, Brandy

Trish havia acabado de tomar um banho e tivera uma breve conversa com seu pai; uma conversa que fora abreviada pela interrupção de Mac, que viera chamá-lo para atender a uma ligação de negócios.

A jovem tentava escutar alguma coisa dessa conversa, porém, a menos que abrisse totalmente a porta, percebera que seria impossível entender do que se tratava. Suspirando, Trish começava a se afastar da porta, quando ouviu uma batida baixa em sua janela. Ela franziu o cenho curiosa e se aproximou ao ouvir uma nova batida. Talvez algum pássaro tivesse se machucado e estava se debatendo.

Ao chegar à janela e abrir as cortinas, Trish viu Han surgindo na sua frente. Obviamente isso a assustou, mas também sentiu seu coração acelerar. O que ele estava fazendo ali?

Ela moveu os lábios em silêncio e lhe perguntou se ele era louco, e o rapaz fez um gesto para ela abrir a janela.

— Você ficou doido? — ela questionou aos sussurros, porém era perceptível que, se pudesse, ela teria gritado com ele; e isso trouxe um sorriso aos lábios de Han. — O que está fazendo aqui?

O rapaz parou com o rosto próximo ao dela, tirou seus óculos escuros, de uma maneira que a jovem achou incrivelmente sedutora, e disse:

— Eu senti saudades.

Três palavras simples, mas que a fizeram corar e também ficar com um sorriso bobo, formando a covinha que Han tanto gostava.

— Que fofo — ela respondeu em um tom sarcástico para disfarçar o quanto aquelas palavras mexeram com ela. A seguir deu as costas a Han e andou para o meio do quarto. — Eu é que vou sentir saudades se o meu pai te pegar aqui. — Ao se voltar novamente na direção de Han, Trish acabou batendo de encontro ao corpo dele, pois o rapaz estava bem próximo a ela.

— Ele não precisa saber que estou aqui — sussurrou Han, segurando-a pela cintura para que ela não caísse, devido à colisão entre seus corpos. — Eu não vim por causa dele.

— Mas então por que veio? É perigoso, Han... — Os rostos deles estavam bem próximos a essa altura.

— Eu já disse. Fiquei com saudades de você. E também preocupado — ele explicou sem saber se a encarava ou se analisava seus lábios com mais atenção.

— Preocupado?

— Eu vi quando a levaram; então os segui de carro. Estava indo pra sua casa.

— Ele é meu pai. Não vai me machucar.

— Eu sei. Mas seu irmão se foi. Meu irmão também. Acha que não me preocupo com o que pode acontecer a você? — ele questionou encarando-a sério e a jovem engoliu em seco.

Trish percebeu que a sinceridade que ouvia na voz dele não podia ser forjada e se perguntou o que diabos estava acontecendo para se sentir tão atraída por um rapaz que surgira em sua vida há tão pouco tempo e de maneira tão inusitada.

— É claro que também me preocupo com você, Han, mas ainda assim não devia ter vindo. Meu pai...

— Já disse que não estou aqui por ele. E não me importo com os riscos. — Trish sentiu um arrepio percorrê-la quando a mão de Han se pressionou com mais firmeza contra seu corpo.

Por mais nervosa que se sentisse com a proximidade, também se sentia emocionada diante da atitude de Han em querer protegê-la a todo custo.

Trish tocou a bochecha dele com carinho e deu um sorriso de canto.

— Parece que nem se eu quisesse mesmo me esconder de você eu conseguiria, né? — ela perguntou analisando os olhos dele e Han deu um sorriso divertido.

— Você me conhece. Tenho muitas habilidades — ele replicou piscando um olho e Trish riu.

— Então é muito bom que eu não queira escapar de você. Torna as coisas mais fáceis. — E, após dizer isso, a jovem levou sua mão até a nuca de Han e o puxou em sua direção, colando seus lábios.

Por mais que isso fosse exatamente o que o rapaz desejava, ele ficou levemente surpreso, porém não perdeu tempo questionando os motivos de Trish para beijá-lo. Nenhum deles sabia o que o futuro lhes reservava, então parecia mais do que justo que aproveitassem aquele momento. Um curto intervalo em meio ao caos que os rodeava.

O casal trocou alguns beijos apaixonados antes de se afastar levemente em busca de ar. E, ao afastarem seus lábios, Trish encostou a cabeça no ombro dele abraçando-o.

— Se eu soubesse que só precisava escalar a sacada do seu quarto pra conseguir um beijo, teria vindo mais cedo — Han murmurou quebrando o silêncio que havia se instalado no quarto e Trish caiu na gargalhada se afastando para poder encará-lo novamente.

— Você é um péssimo Romeu, sabia disso? — ela indagou ainda rindo e Han também sorriu.

— Não devo ser tão ruim assim se você me beijou. — Trish acariciou o rosto dele novamente e lhe deu mais um beijo.

— É, nisso você tem razão.

Trish sabia que ainda havia muitas questões sem respostas e que eles não deixariam de procurá-las, mas ficava feliz por ainda conseguirem rir e brincar em meio a tantas tragédias. Talvez ainda houvesse alguma esperança no amanhã.

— O que vamos fazer agora, Han? — a jovem questionou, tendo plena noção de que não fora apenas a saudade que o levara até a casa de seu pai.

— Você confia em mim? Está disposta a fugir comigo, Julieta? — Han perguntou estendendo a mão para ela, e Trish, sorrindo devido à brincadeira, a segurou sem pensar duas vezes.

— Você sabe que sim. — Han assentiu se sentindo feliz e aliviado. Por mais que pudesse se virar sozinho era bom saber que podia contar com alguém que o fazia se sentir tão especial.

— Isso é tudo que importa.

E, juntos, eles se esgueiraram para fora da casa para dar continuidade às suas investigações. As poucas evidências que tinham os levava a crer que, em pouco tempo, toda aquela história chegaria ao fim; porém Han faria de tudo para protegê-la e para garantir que o que quer que tivesse se iniciado naquele momento entre eles, não terminasse tão cedo.


[1: "Parece que desde a primeira vez em que nos vimos

Não há ninguém em quem eu pense mais que você

Não consigo te esquecer, não consigo te tirar da cabeça

Acho que o veredito é que estou louca por você". Tradução Livre.]