Os dois passaram a hora seguinte conversando, parando de falar e voltando a conversar. De tempos em tempos, Isabella se descontraía. Edward notou que ela estava se divertindo, mas toda vez que percebia isso, uma espécie de ligeira irritação surgia no seu rosto, e ela voltava a fechar-se. Quando se sentia atraída por ele, ela voltava a se retrair. Sua força de vontade era imensa, e por mais que ele respeitasse isso, sentia desespero ao notar que ela estava decidida a resistir.
Ele viu que ela o ouvia com a cabeça inclinada para um lado. Percebeu o ritmo de suas palavras enquanto ela falava de sua vida em terra. Sabia que era uma estratégia consciente, que ela estava avaliando a situação para poder se livrar dele. Mas tinha aprendido a ser paciente e flexível durante sua vida no mar. Eram qualidades de que todo selkie precisava para sobreviver. O pai de Edward tinha alertado que essas qualidades eram igualmente essenciais num namoro, e embora Edward não tivesse pensando em seguir o comportamento do pai, tinha prestado atenção quando ele falava. Naquela noite, ele se alegrou por ter aprendido isso.
Finalmente, a loja foi se esvaziando, até restarem somente os dois. Isabella começou a bocejar.
- Precisa descansar, Isabella - disse ele, ficando de pé e esperando por ela. Os olhos dela estavam pesados de sono. Talvez uma boa noite de sono ajudasse os dois.
Ela não olhou para ele, mas já havia abaixado a guarda o suficiente para aceitar que ele pegasse na sua mão; engasgou de susto ao perceber que tinha aceitado.
Edward ficou paralisado, esperando que ela decidisse o que fariam em seguida. Não tinha resposta, não tinha a menor ideia de como reagir. Ninguém o havia avisado de que só de tocá-la ele iria sentir uma emoção como aquela. Tinha lutado até o limite de suas forças para mantê-la próxima e segura, para fazê-la feliz. A emoção que o impelia parecia com o mar. Ele se deixaria afogar sob o peso dela, sua enormidade, sem nem mesmo protestar.
