Durante as três semanas seguintes, as dúvidas de Isabella foram pouco substituídas por uma espécie de amizade. "Não faz mal tratá-lo bem. Não é culpa dele." Ela começou a tentar se convencer de que podiam ser amigos. Mesmo que não pudesse se livrar dele, não iria necessariamente precisar namorá-lo, e definitivamente não precisava casar-se com ele.

Certa noite, acordou assustada, trêmula, pensando em Edward. Eram amigos. Tudo bem, ele dormia no sofá da sua casa e também dormia com ela, mas não era um compromisso. Era uma questão de conveniência. Ele não tinha para onde ir. Não podia dormir na praia. E era ele quem fazia as compras, portanto não era um simples parasita. Era só... um amigo que estava sempre presente.

"E ele me faz feliz."

Ela foi até a sala de estar. Edward estava de pé diante da janela, os olhos fechados, o rosto voltado para cima. A expressão no seu rosto era de dor. Sem pensar duas vezes, ela se colocou ao seu lado.

- Edward?

Ele se virou e olhou para ela. A agonia nos seus olhos era tão intensa que chegava a dar dó, mas depois que ele piscou, não se viu mais nada.

- Está se sentindo mal?

- Não.

Ela pegou a mão dele e o afastou da janela.

- Está?

- Claro que não. - Sorriu, um sorriso que seria tranquilizador se ela não tivesse visto a tristeza ainda em seus olhos.

- O que aconteceu?

- Nada - disse ele, apontando para a porta do quarto dela. - Pode ir. Estou bem.

Ela pensou no caso, que ele estava longe de sua família, de sua casa, de tudo que lhe era familiar. Eles só falavam do que ela queria, do que a fazia feliz, de como ela se sentia. Ele tinha tantos problemas quanto ela, até mais.

- Vamos conversar. Afinal, estamos tentando ser amigos, não estamos?

- Amigos- repetiu ele. - É isso que vamos ser?

E ela fez uma pausa. Apesar da situação absurda, ela não estava mais se sentindo desconfortável. Tocou-lhe o rosto e deixou a mão ali onde estava. Ele era uma boa pessoa.

Ela disse:

- Não estou tentando me fazer de difícil.

- Nem eu. - E ele encostou o rosto na mão dela. - Mas... estou tentando ter cuidado.

Ela colocou as mãos nos ombros dele e ficou na ponta dos pés. O toque da mão dela em sua pele era suficiente para fazer o mundo inteiro parecer completo como sempre parecia. Durante os últimos dois ou três dias, ela tinha deixado os dedos lhe roçarem o braço, tinha esbarrado nele com o ombro... pequenos toques para ver se sempre era assim perfeito. E era. Porém, o coração dela agora batia acelerado.

Ele não se mexeu.

- Não posso prometer nada - murmurou ela, e depois o beijou. E aquela sensação de pura felicidade que surgia a cada vez que ela tocava a pele dele a consumiu. Ela não conseguiu respirar, nem mover-se, nem fazer mais nada a não ser sentir.