Edward observou Isabella cautelosamente no dia seguinte. Ele não sabia o que tinha acontecido, se significava alguma coisa ou se ela só estava sendo compreensiva. Tinha sido muito clara ao insistir que fossem amigos, e que só poderiam ser amigos, e nada mais. Ele esperou, mas ela não mencionou o beijo... nem tornou a beijá-lo.
"Talvez tenha sido só um acaso feliz."
Durante dois ou mais dias, ela agiu como tinha agido antes do beijo: foi bondosa, amistosa, e às vezes esbarrava nele como que sem querer. Mas nunca era. Ele sabia disso. Mesmo assim, não fazia nada extraordinário.
No terceiro dia, ela se deixou cair ao lado de Edward no sofá. Renee tinha saído para uma aula de ioga, mas isso também não fazia diferença. Renee parecia estar encantada por Isabella ter querido que Edward ficasse na casa delas; Edward desconfiava que Renee nem sequer se importaria se ele dormisse no quarto com Isabella. Foi Isabella quem impôs limites. A mesma Isabella que agora estava sentada tão perto dele, contemplando-o com um sorriso de quem está se divertindo.
- Pensei que tivesse gostado de me beijar naquela noite - disse ela.
- E gostei.
- Então...
- Acho que não estou entendendo.
- Podemos fingir que somos amigos... mas estamos namorando. Certo? - E ela brincou com a bainha da camisa.
Ele aguardou, no espaço de várias respirações, mas ela não disse mais nada. Então ele perguntou:
- E aquele seu plano de me convencer a ir embora?
- Não sei mais se quero mesmo isso. - E pareceu ficar envergonhada. - Não posso prometer que ficaremos juntos para sempre, nem mesmo que ainda estaremos juntos no mês que vem, mas penso em você o tempo todo. Sou mais feliz com você do que jamais fui em toda a minha vida. Sinto uma espécie de... magia quando nos tocamos. Sei que não é de verdade, mas...
- Não é de verdade?
- É coisa de selkie, certo? Como a necessidade de pegar sua Outra-Pele. - E ela parou de falar. Depois continuou, muito rápido: - Funciona nos dois sentidos?
Ela estava perto o suficiente para que fosse natural que ele a abraçasse. E ele fez isso. Puxou-a para seu colo e passou-lhe os dedos pelos cabelos, deixando que os fios se enredassem nos seus dedos.
- Não é coisa de selkie, não - disse-lhe ele. - Mas é nos dois sentidos, sim.
Ela começou a afastar-se.
- Pensei que fosse só... você sabe, magia.
Ele segurou-lhe a cabeça com uma das mãos, mantendo-a bem perto de si, e disse:
- Mas é magia. Encontrar uma companheira, apaixonar-se, perceber que ela corresponde ao seu amor... É magia pura.
E sua Isabella, sua companheira, o amor da sua vida, não se afastou. Aproximou-se o suficiente para beijá-lo... não por compreensão, nem outras emoções mal-interpretadas, mas por carinho.
"Tudo está perfeito." Ele a abraçou com mais força e entendeu que, apesar de sua incapacidade de cortejá-la antes de eles estarem ligados, tudo ia terminar bem. Ela não tinha dito isso com todas as letras, mas o amava.
"Minha Isabella, minha companheira..."
