Durante várias semanas, Edward a observou, sua Isabella, sua ex-futura-companheira, na praia, seu ex-lar. Ele não sabia o que fazer. Ela o rejeitara, o devolvera ao mar, mas parecia estar arrependida de ter feito isso.

"Se não me amava, por que está chorando?"

Então um dia ele a viu segurando o colar que ele lhe dera. Sentada na areia, ela passou a mão nas pérolas, com cuidado, com carinho. E chorou durante todo o tempo.

Ele foi até a praia, ao recife onde a havia escolhido, onde tinha observado seus hábitos para tentar encontrar a melhor forma de cortejá-la. Dessa vez foi mais difícil, sabendo que ela conhecia tantos segredos seus e que o havia rejeitado. Na beira do recife, ele saiu da sua Outra-Pele e a escondeu em um buraco sob uma rocha do recife, onde ficaria oculta. Estrelas-do-mar gigantescas prendiam-se ao lado inferior da rocha, e ele se perguntou se ela as teria visto. Seus primeiros pensamentos também costumavam ser sobre ela, seus interesses, seu riso, sua pele macia.

Ela não o ouviu se aproximar. Ele foi até perto dela e parou ao seu lado, fazendo a pergunta que o vinha atormentando.

- Por que está triste?

- Edward? - perguntou ela, escondendo o colar no bolso e recuando, tendo o cuidado de olhar onde pisava, sem dúvida para evitar a sua Outra-Pele, e em seguida olhando de relance para ele, depois de cada passo. - Eu libertei você. Vai embora. Some daqui.

- Não. - Ele vinha sonhando em estar assim perto dela desde que tinha sido obrigado a se afastar. Não havia como evitar... ele sorriu.

- Onde está ela? - indagou Isabella, ainda olhando freneticamente em volta, para as poças da maré expostas.

- Quer que eu lhe mostre...

- Não! - Ela cruzou os braços sobre o peito e franziu o cenho. - Não quero mais fazer isso.

- Está escondida. Não corre o risco de tocá-la, a menos que me deixe levá-la até o esconderijo. - E aí se aproximou mais de Isabella, e ela não recuou dessa vez, mas também não se aproximou dele como ele desejava.

- Você está... hã... sem roupa. - Ela corou, e lhe deu as costas. Depois pegou a mochila e tirou um dos blusões e jeans confortáveis que tinha encontrado num brechó enquanto eles estavam fazendo compras naquela primeira semana. E empurrou as roupas para ele. - Toma.

Sentindo um prazer incomensurável por ela estar carregando consigo as roupas dele, por achar que aquilo certamente indicava que ela tinha esperança de que ele voltasse, Edward se vestiu.

- Quer dar uma volta comigo?

Ela concordou.

Eles deram alguns passos, e ela disse:

- Você não tem motivo nenhum para estar aqui. Quebrei o encantamento, ou seja lá o que era aquilo. Não precisa mais...

- Que encantamento?

- O que obrigava a você a ficar do meu lado. Jake me explicou. Você pode agora ir encontrar uma fêmea para você no mar. É melhor assim.

- Jake te explicou? - repetiu Edward. Jacob tinha convencido Isabella a arriscar sua própria vida para se livrar de Edward. Aquilo fez a pulsação do rapaz acelerar-se como acontecia quando ele nadava durante uma tempestade. - E acreditou nele por quê?

O rosto dela voltou a corar.

- O que ele disse?

- Que você ia sentir raiva de mim porque perdeu o mar, e que não podia me dizer isso, e que o que eu sentia era só efeito dos feromônios... como as centenas de outras moças que você... - E aí ficou ainda mais vermelha. - E eu o vi à noite, Edward. Você estava tão triste...

- ...E agora vivo triste lá, nas ondas, observando você. - Ele a puxou para perto de si, abraçando-a e beijando-a como só haviam beijado algumas vezes antes.

- Não entendi. - Ela tocou seus lábios com a ponta dos dedos, como se houvesse algo estranho no fato de ele a beijar. - Por quê?

Mesmo os recifes floridos não eram tão deslumbrantemente belos como ela, ali parada, olhando-o com os lábios inchados por tantos beijos intensos, com os olhos arregalados de surpresa. Ele a manteve nos braços, onde era o seu lugar, onde ele queria que ela sempre estivesse, e lhe disse:

- Porque eu te amo. É assim que expressamos...

- Não... o que quis dizer foi... você não é obrigado a me amar agora. Eu libertei você. - A voz dela era suave, um sussurro sob a brisa que trazia a maresia.

- Nunca fui obrigado a amar você. Simplesmente precisava estar ao seu lado, a menos que recuperasse minha pele. Se quisesse partir, teria acabado encontrando-a.