Edward a viu correr e sentiu uma necessidade irresistível de segui-la. Ela estava levando sua pele consigo: ele não tinha escolha senão segui-la. Teria sido melhor se ela não tivesse corrido.

Praguejando ao ver a fuga dela, Edward saiu do mar e foi até as grutas que a água havia escavado no arenito. Lá dentro ele guardava suas roupas de terra: sandálias de tiras entrelaçadas, jeans bem batidos, algumas blusas e um relógio. Quando seu irmão, Jacob, tinha ido a terra antes, tinha pego emprestada a camisa macia de que Edward tanto gostava. Em vez dela, Edward ia ter que usar uma que precisava ser fechada com muitos botãozinhos. Ele detestava botões. A maior parte de sua família não gostava de ir a terra a ponto de precisar de muitas roupas, mas Edward já tinha ido a terra com muita frequência tal que o fazia sentir falta de uma camisa apropriada. Ele mal conseguiu abotoar a camisa, metendo um ou dois botõezinhos nas casas igualmente minúsculas e saindo logo depois para encontrá-la: a menina que ele havia escolhido, no lugar do mar.

Ele não tinha planejado que ela encontrasse sua Outra-Pele assim, não aquele momento. Tinha pretendido falar com ela, mas ao sair da água, ele a vira: ali, não na festa. Ele a contemplara, tentando imaginar como sair da arrebentação sem assusta-lá, mas então sentiu aquilo - o toque dela na sua pele. A pele dele não devia estar ali. Não devia ter acontecido isso. Ele tinha planejado tudo.

Um selkie não podia ter uma companheira e a água ao mesmo tempo, portanto Edward tinha esperado até encontrar uma moça que o estimulasse o suficiente para lhe prender a atenção. Depois de conviver com os humores do mar, não era fácil encontrar uma pessoa pela qual valesse a pena perder as ondas.

"Mas eu encontrei uma."

Então planejou acalmá-la, tentar corteja-lá em vez de capturá-la, mas quando ela pisou na sua Outra-Pele, todas as demais opções deixaram de existir. Não havia saída, estavam agora ligados um ao outro. A ele só restava fazer o mesmo que seu pai tinha feito uma vez, tentar convencer uma mortal a confiar nele depois de ele tê-la capturado. O fato de que ele não tinha colocado a pele onde ela a havia encontrado não mudava nada. Ele só podia agora tentar esperar que ela não deixasse de ter medo, encontrar uma forma de convencê-la a confiar nele, encontrar uma maneira de persuadi-la a perdoá-lo: exatamente as coisas que ele queria ter evitado.

Os mortais não tinham força suficiente para rejeitar o encantamento que prendia o selkie a ela. O encantamento não a obrigaria a amá-lo, mas os selkies eram criados sabendo que eles não iriam ter sempre amor. A tradição era mais importante. Encontrar uma companheira, formar uma família, isso era mais importante.

E o plano de Edward de ir contra as tradições e conhecer melhor a sua companheira antes de unir-se a ela tinha ido por água abaixo.

"Graças a Jacob."