Mais uma manhã tirando água do poço. Meu trabalho era árduo e cansativo, mas confesso que me ajudava a me distrair. Afinal, se você estiver cansada o suficiente para desmaiar, não terá tempo para pensar em sentir medo. Viver em um mundo dominado por vampiros, sendo apenas uma humana, nos dá um pouco de liberdade para ter medo.
A história dos vampiros é interessante. Diz a lenda que, há milhões de anos, uma deusa olhou do céu e se apaixonou por um humano. Então, ela desceu para ficar com ele, mas como podem imaginar, isso não terminou bem. A deusa, imortal, não suportava a ideia de ver seu amado morrer, então contou-lhe um segredo: se ele bebesse um pouco do seu sangue, diretamente da veia, ele também poderia se tornar imortal. O homem prontamente aceitou, mas foi dominado pela ganância e pensou: o que aconteceria se ele bebesse mais que um pouco? Ele sugou todo o sangue dela até a última gota, matando-a. Ele se tornou mais do que imortal, adquirindo longos dentes afiados, como uma marca de sua traição. Além disso, ganhou uma forma sobrenatural e velocidade incrível. Rapidamente, ele formou seu exército de vampiros, dominando o mundo.
O que ele não sabia era que a deusa não era a única de sua espécie. O pai da deusa buscou seu corpo e, em seguida, matou o homem. Como parte da humanidade já estava contaminada, o deus benevolente castigou os vampiros, impondo a eles a maldição de queimarem sob a luz do sol.
O que podemos aprender com essa história? Talvez nada, exceto que até uma deusa pode ser ingênua. Por causa da sua tolice, os humanos restantes são tratados como gado. Claro, os vampiros usam termos mais polidos, como "camponeses do reino". Podemos circular pelo reino e temos sua "proteção", desde que doemos nosso sangue de boa vontade. Caso contrário, somos aprisionados nos castelos e servimos como alimento para vampiros inferiores. Para eles, o sangue bom é aquele em que os humanos sentem prazer; se estamos aterrorizados, o sangue tem um sabor amargo para eles.
Os humanos são divididos em classes. Os ricos, de sangue puro e mais agradável, servem aos vampiros da mais alta classe. A classe média, com sangue bom mas não tão especial, serve à classe média vampírica. E os pobres, com sangue de pior sabor, são reservados para soldados e vampiros de baixa classe. Minha família é pobre.
Vivemos no reino mais temido, governado pela linhagem poderosa dos Uchihas. Meu pai sempre me ensinou a aceitar a vida como ela é: doo meu sangue, busco água, corto lenha, cozinho para minha família e vendo legumes na feira. É uma vida mediana.
—Você deveria chamar seu futuro marido para te ajudar, linda moça.— disse Gaara, me abraçando por trás e me fazendo sorrir. Gaara é meu noivo, nos conhecemos desde crianças e temos o mesmo status social.
—Meu marido precisa de uma esposa forte e talentosa. — respondi, soltando os baldes com água e me virando para ele, envolvendo meus braços ao redor de seu pescoço. Sorri e o beijei, e ele me ergueu do chão enquanto retribuía o beijo. Pausamos e nos olhamos.
—Não vejo a hora de nos casarmos, você nunca mais terá que tirar água do poço. Farei tudo por você. —disse ele, beijando uma das minhas mãos.
—Não faz mal, já estou acostumada.—respondi, acariciando seus cabelos ruivos.
—Você é a mulher mais incrível do mundo, merece o melhor. —ele disse.
—Eu só quero viver em paz na fazenda, com você. Isso me faria feliz. —falei, sorrindo gentilmente. "Vamos, precisamos voltar para a fazenda e entregar nosso sangue aos oficiais."
—Eu levo isso para você. — disse ele, pegando os baldes com água. Voltamos para a fazenda dos meus pais.
—Mãe! Pai! Cheguei! Gaara veio comigo. — chamei, entrando em nossa casa humilde. Procurei por meus pais e os encontrei sentados à mesa da cozinha. Eles pareciam tristes, minha mãe chorava e meu pai segurava um papel na mão. —Mamãe? O que aconteceu? — Fui até minha mãe, colocando a mão em seus ombros.
—Senhor Haruno? O senhor está bem? — perguntou Gaara, aproximando-se do meu pai, que lhe entregou o papel. Gaara ficou sério de repente, seu rosto empalideceu e ele deixou o papel cair no chão.
—Gaara? O que foi? —Peguei o papel do chão e comecei a ler. Senti o ar escapar dos meus pulmões e meu corpo gelar, minhas pernas fraquejaram e caí no chão.
Era um comunicado oficial do reino. Eles iriam passar em todas as casas para buscar as filhas primogênitas, para servirem oficialmente aos vampiros dos castelos com seu sangue. Nunca mais poderiam sair. Haveria uma prova de sangue, e as mulheres seriam distribuídas de acordo com o sabor, podendo servir desde o rei até o soldado mais sujo do castelo. Elas seriam oficialmente pertencentes a apenas um vampiro.
—Isso não pode ser... Como... Quando isso começou a acontecer? — Então, me lembrei de um recente ataque ao castelo, onde metade das humanas foram mortas, deixando muitos vampiros sem suas bolsas de sangue particulares.
—Eu não vou deixar eles te levarem, Sakura! Vamos fugir, o mais rápido possível. —Gaara se agachou, segurando-me pelos ombros, forçando-me a olhar para ele. Seus olhos estavam cheios de lágrimas e aterrorizados.
—Não... Não há para onde fugir e, mesmo se houvesse, assim que descobrissem, eles matariam meus pais, seus pais e todos que nos conhecem. —falei, sem esperança.
—Filha, você deve ir! Já estamos velhos, não importa o que nos aconteça. Você não sabe o que acontece naquele castelo? As histórias horríveis que ouvimos? Como eles tratam as mulheres que são bolsas de sangue dos soldados? Eles não se importam com a qualidade do sangue, eles se satisfazem de outras maneiras. — meu pai disse, cerrando o punho e socando a mesa.
—Ouça seu pai, Sakura, eu prefiro morrer do que descobrir que você está sendo tratada como um animal naquele castelo. Somos pobres, você certamente será direcionada para um soldado do nível mais baixo. — minha mãe disse, secando as lágrimas. Ela se levantou e começou a preparar uma bolsa com roupas e alimentos para mim.
—Não, mãe! Eu nunca vou deixar vocês.— falei, levantando-me e abraçando minha mãe.
—Não temos opção. —disse Gaara, também se levantando e colocando a mão no meu ombro. Meu pai fez o mesmo.
As lágrimas escorriam sem parar. Não tive outra escolha a não ser fugir. Podia voltar para buscar meus pais mais tarde. Gaara foi para casa se preparar, trazendo uma besta com várias estacas de madeira, uma das poucas armas que podiam ferir um vampiro.
O sol estava começando a se pôr, logo eles chegariam. Estava na porta dos fundos. Gaara já havia voltado e estava pronto para fugir também. Dei um último abraço nos meus pais.
—Eu voltarei para buscar vocês, prometo.—falei em lágrimas, e então parti com Gaara.
Conhecíamos alguns atalhos. Antes de escurecer, soldados humanos guardavam as portas de vigia. Eu tinha um medalhão de família que poderia valer algum dinheiro; poderia vendê-lo para tentar suborná-los e nos deixar passar. Corremos, até que um vulto passou por mim, jogando a mim e a Gaara contra uma árvore. Senti a dor imediatamente e gritei de dor.
— Ora ora o que temos aqui, dois pombinhos —Apareceu 3 soldados à nossa frente. Um deles falou com um sorriso sem humor lábios.
Eu e Gaara nos esforçamos para ficar em pé. Ele prontamente tentou preparar a besta para atirar contra eles. Um dos soldados tão ágio como um vento foi até ele e o socou o fazendo desmaiar.
—Gaara! — Gritei tentando ir até ele, mas fui segurada por outro soldado.
—Calma gracinha, só queremos conversar. — Ele falou e cheirou meu cabelo, ao fazer isso ele soltou um som de satisfação, e suas garras saíram para fora. —Você parece ser deliciosa, em todos os sentidos.
—Me solta seu vampiro nojento! —Falei tentando bater nele.
—Vocês estavam tentando fugir, sabe o que isso significa? Que agora vocês são nossa comida, e podemos fazer o que quisermos com vocês. - Ele disse descendo a mão para meus seios e os apertando, então ele rasgou meu corset e me jogou no chão vindo para cima de mim. Todos eles estavam rindo.
—Calma aí guloso, temos que jogar na sorte quem vai comer a vadia de cabelo rosa primeiro. — Disse outro passando a mão em seu penis enrijecido.
—Cala essa boca, eu vou comer ela primeiro, você pode vir quando eu terminar. — Ele respondeu lambendo meu pescoço e apertando meu seio esquerdo. Eu me debatia tentando o jogar pra longe, mas todo meu esforço eram inválidos, ele era como uma rocha em cima de mim.
Depois de um tempo, parei de resistir. Devia aceitar que aquele era meu fim; afinal, que esperança eu teria em um mundo dominado por essa praga? Fechei meus olhos, aceitando meu destino. Então, como em um piscar de olhos, ele já não estava mais em cima de mim. Quando os abri novamente, ele estava jogado no chão, com o braço quebrado, implorando pela vida. Os outros soldados olhavam assustados, e na frente dele havia um homem de cabelos negros que balançavam ao vento. Sua armadura, igualmente preta, estava desenhada para se ajustar perfeitamente ao seu corpo. Em sua mão, ele segurava uma espada prateada manchada de sangue, e seus olhos, negros e sem vida, eram perturbadores.
— Como vocês ousam brincar com a comida do reino? — Sua voz grossa e assustadora fez meus pelos da nuca se arrepiarem.
— Desculpe, senhor! Eles estavam tentando fugir, por favor! Perdoe-nos! — Os soldados se ajoelharam e imploraram pela vida.
— Não importa o que estavam fazendo. A ordem é levar todas as primogênitas para o reino, para serem designadas aos seus novos donos — ele falou sério, sem qualquer traço de humor na voz. Então, ele olhou para mim. Arregalei os olhos ao encontrar seu olhar, minha respiração acelerada. — Você vem comigo — ele ordenou.
Aquela figura sombria caminhava em minha direção, e cada centímetro do meu corpo tremia a cada passo que ele dava. O som de sua armadura era notável. Ele parou na minha frente e estendeu a mão para mim, sua expressão permanecendo inalterada. Temerosa, estendi minha mão e peguei a dele. Rapidamente, ele me puxou e me envolveu em seus braços, me tirando do chão. Envolvi meus braços em seu pescoço. Ele se movia com uma velocidade impressionante, e mal conseguia ver o tempo passar. Fechei meus olhos, aterrorizada. Depois de um tempo, ele desacelerou. Abri meus olhos, ainda temerosa, e olhei por cima de seu ombro. Percebi que estávamos no castelo. Todo o lugar era glamoroso, com o símbolo Uchiha espalhado por toda parte. Era uma mistura de branco, preto e azul, as cores características do clã Uchiha. Paramos em frente a uma porta, e ele me colocou no chão. Uma mulher veio em nossa direção e se curvou para ele.
— Faça o teste de sangue e direcione-a para a seleção dos donos, de acordo com a qualidade do sangue — ele ordenou.
— Sim, senhor — respondeu uma mulher de aparência idosa, sem ousar olhar diretamente para ele. O homem se afastou gradativamente, e ela não se mexeu até que ele estivesse fora de vista.
Depois que ele saiu, ela se levantou, assumindo uma postura de superioridade, e me olhou de cima a baixo.
— Vamos, menina — disse ela, pegando meu braço gentilmente e me guiando para dentro de um quarto, onde outras garotas estavam reunidas. Todas olharam para mim com olhos arregalados, parecendo apavoradas. Ninguém ousava dizer nada. A mulher me colocou junto com as outras e então parou na nossa frente, para que todas pudessem vê-la.
— Olá, meu nome é Miranda. Como sabem, vocês estão aqui para servir nossos superiores. O destino de vocês será determinado exclusivamente pela qualidade do seu sangue. Para isso, vou tirar uma gota do seu sangue e misturar com um líquido que fará o sangue mudar de cor. Se o sangue ficar amarelo, é de qualidade ruim; se ficar roxo, é de qualidade média; e se ficar azul, é de altíssima qualidade — explicou. Em seguida, servas vieram e nos obrigaram a estender as mãos, espetando nossos dedos para coletar o sangue. Elas misturaram o líquido uma por uma, definindo nossas castas.
As mulheres designadas para os soldados saíam de lá chorando e gritando. Eu entendia o motivo. Eles eram monstros. Quando chegou a minha vez, Miranda me chamou à frente. Esperei ver meu sangue mudar para amarelo, já que vinha de uma família pobre e de baixo nível. Meu pai e minha mãe tinham sangue amarelo. Mas fiquei assustada ao ver que o sangue se tornava azul. Como isso era possível? A mulher à minha frente também parecia surpresa.
— Menina de sorte — murmurou, olhando para o sangue azul com olhos enrugados pela idade.
— Sorte? — minha pergunta saiu com um tom de indignação. Sorte? Como poderia ser sorte ficar presa em um castelo para servir de alimento a monstros? Era um destino triste, isso sim.
— Querida, se você tivesse sangue amarelo, aí sim veria que existem coisas muito piores do que servir ao mestre — disse ela em tom neutro, como se fosse algo normal. Mas não era. Estava desesperada por dentro; só queria não servir ao tal mestre, nem a nenhum vampiro.
— Atenção! — a mulher chamou alto para ser ouvida. — Vocês que têm sangue azul terão uma serva designada para cada uma, que as preparará adequadamente para serem apresentadas ao mestre. Peço que não resistam nem tentem fugir. O mestre não será piedoso com pessoas ingratas. Podem seguir as servas — ordenou.
Olhei ao redor, observando as garotas. Algumas estavam chorando; outras, com o olhar baixo, pareciam paralisadas pelo medo. Sentia pena delas e de mim mesma. Nosso destino era incerto e tenebroso com esses seres perversos.
— Vamos, garota — uma serva se dirigiu a mim. Nossos olhares se encontraram, e eu apenas acenei com a cabeça, concordando, seguindo-a pelos enormes corredores do castelo. Andamos por alguns minutos até chegar ao nosso destino. A serva abriu a porta, revelando um enorme quarto. Entramos em silêncio.
— Tire as roupas — ordenou ela, enquanto preparava o banho. A timidez me fez paralisar. Ela olhou de lado enquanto verificava a temperatura da água.
— Vamos, menina — disse ela, com voz severa, me fazendo tremer. Com as mãos trêmulas, comecei a tirar minhas roupas, deixando-as jogadas no chão. Andei com passos lentos até a banheira.
— Rápido, não temos o dia todo. O mestre não gosta de atrasos — repreendeu-me novamente. Sem questionar, entrei na banheira de madeira e sentei. Ela lavou meus cabelos e esfregou minhas costas. O aroma de cerejeira preenchia o ar. Por ser pobre, nunca tive acesso às coisas de luxo que os ricos usufruíam, e agora estava tendo. Não sabia o que ela tinha colocado na água, mas era cheiroso e deixava minha pele macia.
— O mestre gosta que suas humanas estejam sempre bem arrumadas e limpas. Não sei se você será a escolhida, mas, na cerimônia de escolha, todas devem estar limpas e bem arrumadas — explicou enquanto me ajudava a sair da banheira.
Ela me ajudou a vestir um vestido branco, que parecia um vestido de noiva de tão perfeito que era. Em seguida, penteou meu cabelo, fazendo algumas pequenas tranças e deixando o restante solto, criando um contraste com o vestido branco.
— Agora, é só esperar — disse ela, dirigindo-se à porta. Não conseguia falar, invadida pela tristeza. Meus pensamentos vagavam para minha família e Gaara. Será que ele estava bem? Só de pensar, lágrimas começaram a descer pelo meu rosto.
Estava sozinha no quarto, sentada na beirada da cama, com o olhar fixo na porta. Logo ouvi a porta se abrir lentamente e a senhora que havia feito o teste de sangue apareceu.
— Vamos, garota — disse ela. Levantei-me e a segui pelos corredores. O castelo era enorme, e eu poderia facilmente me perder se tentasse fugir. Andávamos em passos apressados; o comprimento do vestido me deixava desconfortável, e eu tentava levantá-lo, mas era inútil. A mulher parou de repente em frente a uma porta gigantesca. Dois guardas estavam na frente, e, ao verem a mulher, começaram a abrir a porta. Meu coração acelerou; minhas pernas trêmulas me faziam diminuir o passo. A mulher olhou para trás com uma expressão ranzinza.
— Vamos, menina — sua voz parecia distante. Meus olhos estavam fixos na enorme porta, que se abria lentamente. Podia ouvir música, instrumentos tocando, pessoas conversando. Estava à beira de um pânico. A mulher me pegou pelo braço e me forçou a andar em direção a toda aquela confusão. Ao entrar, meus olhos encontraram as outras garotas em um canto. Pareciam assustadas, exceto por uma loira, que parecia não ter medo, mantendo a cabeça erguida e um sorriso no rosto.
— O mestre já vai chegar. Fique ali com as outras meninas — a mulher apontou para que eu seguisse sua ordem.
Segui em frente, permanecendo na fileira com todas as outras garotas. Juntamos as mãos no centro e abaixamos a cabeça, conforme ordenado. Ficamos esperando. De repente, o lugar ficou em silêncio quando um homem anunciou a entrada do rei e da rainha, juntamente com seus dois filhos. Ouvi os portões se abrindo e passos, mas não ousei olhar para eles. No entanto, não resisti e levantei a cabeça um pouco. Não pude evitar a surpresa ao perceber que um dos príncipes era o mesmo que me "salvou" mais cedo. Ao lado dele, havia um homem muito parecido, só que um pouco mais velho, que presumi ser seu irmão mais velho. Entre eles estava uma mulher de cabelos negros, pele branca e polida, esteticamente perfeita, vestindo um vestido azul, uma das cores características do clã Uchiha. Junto a ela, estava um homem de cabelos igualmente negros e compridos, que parecia ser o rei.
Claro que todos eles parariam de envelhecer em certa idade. Na verdade, todos os filhos de vampiros nasciam humanos e, após um ritual, eram transformados em vampiros. Isso podia acontecer muito cedo ou tarde, dependendo das habilidades e do quão merecedores eram de continuar como Uchiha.
Eles se posicionaram diante de uma longa e luxuosa mesa, destacando-se entre as outras, podendo ser vistos por todos no grande salão.
— Bem-vindos ao grande evento do reino. É um prazer reunir toda a corte real em meu palácio. Todos lembram do infortúnio que foi o último ataque ao reino, que resultou na morte de nossas melhores humanas. — Disse o rei. — Eu, Madara Uchiha, juntamente com minha rainha Mikoto e meus filhos, os príncipes reais Itachi e Sasuke, caçamos e destruímos todos que ousaram invadir o palácio, e trouxemos novas humanas de puro sangue azul. — O rei completou seu discurso, levantando o que parecia ser uma taça de sangue. Todos fizeram o mesmo.
— Vida longa ao rei Madara! — Todos disseram em uníssono, brindando e bebendo o sangue de suas taças. Em seguida, sentaram-se em suas cadeiras.
Senti meu estômago embrulhar. Era como ser um coelho no matadouro; meu corpo tremia involuntariamente, aquilo era uma loucura.
— Tragam à frente as escolhidas. — Ordenou Madara. Fomos então direcionadas e colocadas em frente ao rei e sua família. Todas mantiveram as cabeças baixas. — Ergueram as cabeças. — O rei ordenou, e todas obedecemos. Meu olhar se direcionou para o único rosto conhecido naquele lugar, o do meu "salvador" ou, devo dizer, Sasuke Uchiha. Percebi que ele não parecia muito interessado naquele evento, mas mantinha-se sério e sem expressões faciais.
— Você, diga seu nome. — Dessa vez, foi a rainha quem falou com a primeira garota da fileira. Ela se apresentou.
Eles ao menos queriam saber o nome da sua comida, pensei, um pouco curiosa. Uma a uma, as garotas foram se apresentando até que chegou a vez da loira que eu havia notado mais cedo.
— Qual o seu nome, jovenzinha? — Perguntou a rainha.
— Me chamo Ino. — A loira respondeu, fazendo uma pequena reverência. — É um prazer poder servir ao reino Uchiha. Sou do clã de humanos Yamanaka. Meu pai me enviou pessoalmente para servir aos Uchihas. — Ela respondeu com elegância e segurança. O próprio pai dela a enviou para ser bolsa de sangue de vampiro? Claro, já tinha ouvido falar que os de sangue azul e suas famílias eram muito favorecidos pelos vampiros se colaborassem de boa vontade.
— É sempre bom conhecer pessoas dispostas a viver para um bem maior. — Respondeu a rainha, acenando com a cabeça. A loira deu um sorriso confiante e direcionou seu olhar para Sasuke.
— E você, querida, qual o seu nome? — Ouvi a rainha falar e, então, fui cutucada pela menina ao meu lado. Era minha vez.
— Eu? — Perguntei, percebendo a loira sorrir de satisfação, talvez por eu ter dito algo estúpido para a rainha.
— Sim, você, não precisa ter medo. — Ela falou gentilmente. Talvez tivesse notado minhas mãos trêmulas.
— Eu me chamo Sakura Haruno. Não sou de um clã de sangue azul; minha família é de sangue amarelo, vossa alteza. — Respondi sem muita segurança.
— Ouvi dizer que você foi pega tentando fugir e que meu filho Sasuke a salvou, é verdade? — A rainha perguntou.
— Sim, vossa alteza. — Respondi.
— Entendo, você deve ser grata a ele, então. Acho que seria bom retribuir com gratidão, sendo a humana dele. Você concorda com isso, Sakura Haruno? — A rainha perguntou novamente.
Confesso que fui pega de surpresa com essa pergunta. A loira também parecia surpreendida, seu rosto de satisfação havia desaparecido. Percebi que fiquei muito tempo sem falar nada.
— Sim, vossa alteza. — Respondi, engolindo em seco. Olhei novamente para Sasuke, e me surpreendi ao perceber que ele também me olhava. Desviei o olhar rapidamente.
— Vossa alteza, se me permite falar, estou disposta a servir o príncipe com todo prazer. Sou de um clã renomado e fui treinada para ser uma serva do sangue de melhor qualidade. — A loira, ou devo dizer, Ino, falou com a rainha.
— Eu sei bem disso, senhorita Yamanaka. Você será direcionada para o príncipe mais velho, Itachi Uchiha. E essa é minha decisão final. — Respondeu a rainha, retirando qualquer possibilidade de Ino questioná-la. Logo, todas as humanas foram designadas para seus "donos."
Fomos redirecionadas pelas criadas para trocar os vestidos, tivemos que colocar um vestido vermelho, para encobrir a cor do sangue, também era leve de seda, não podíamos ter roupas intimas. Apenas o pequeno vestido. Isso para facilitar que o vampiro possa morder quantas partes do corpo quiser. Fui levada pela criada para o quarto de sasuke. No meio do caminho recebi um olhar fulminante de ino. Qual seria o problema dela comigo afinal?
Foi ordenada a entrar no quarto e me sentar em frente a cama, colocar meu cabelo para o lado, e apenas falar com ele quando ele me ordenasse.
Finalmente estava sozinha no quarto mesmo que por pouco tempo. Olhei em volta e tinha cores pretas e vermelhas, um pouco de dourado.
Suspiro ao pensar em Gaara, será que ele estava vivo? O que será que aconteceu?
Estava perdida em pensamentos quando ouvi a porta abrir e sasuke entrar. Ele me olhou rapidamente e começou a caminhar pelo quarto em direção a uma mesa com bebidas, ele se serviu de sangue em uma taça.
— Então seu nome é Sakura? — Ele falou, e sua voz fez os pelos da minha nuca se arrepiarem. — Quantos anos você tem? — Ele perguntou.
— Tenho 23 anos, Vossa Alteza — respondi.
— Você já foi mordida antes, Sakura? — Ele perguntou.
— Não, senhor — respondi.
— Você já... foi tocada antes? — Ele perguntou, dando um gole na bebida, ainda sem olhar para mim. Olhei para ele, confusa com a pergunta. — Já esteve com algum homem antes? — Ele explicou, e então eu entendi.
— Não... — Ele pareceu surpreso com a minha resposta.
—Gosto que minha humana seja pura, o sangue fica mais delicioso— Aquelas palavras me fizeram tremer. Ele sentou-se ao meu lado na cama e novamente estremeci, seus dedos tocaram de leve meu pescoço cerrei os olhos esperando a mordida.
—Sakura —Sua voz calma fez meus olhos abrirem. Ele me encarava, parecia se divertir com a cena humilhante que eu estava tendo.
—Não precisa ter medo de mim, não vou fazer nada que você não queira. — Seu rosto se aproximou do meu pescoço, senti sua respiração tocar suavemente minha pele. Meus pelos se arrepiaram, seu nariz passou gentilmente pelo meu pescoço. Meu coração acelerou.
—Sério? —Minha voz saiu como um sussurro.
—Claro, mas não posso te livrar da mordida, porque realmente preciso de você Sakura—Sua voz grave me provocava uma reação desconhecida, por incrível que pareça o medo tinha se dissipado, por algum motivo desconhecido confiava em Sasuke.
—Compreendo, e te servirei Sasuke, quer dizer, mestre. —Ele sorriu.
—Você pode me chamar apenas de sasuke, seremos íntimos Sakura, então vamos deixar as formalidades, apenas quando estivermos na frente dos meus pais, eles são rigorosos nesse requisito. — Acenei concordando. Estava aliviada em certo ponto, pois não seria forçada a ter algum tipo de relação com ele, seria só apenas meu sangue e por mais que isso fosse horrível, mesmo assim me conformava, pois pior seria ser forçada.
—Eu posso? — Ele afastou meu cabelo do pescoço delicadamente.
—Pode — Meu tom de voz continuava baixo, era uma mistura de medo, ansiedade e um pouco de timidez. Ele me deixava desse jeito, eu nunca baixei a cabeça para ninguém, mas como não baixar para um vampiro, ele me mataria em dois segundos e poderia fazer mal a minha família também, eles tinham fama de ser vingativos.
—Não vai doer, você vai querer mais— Era difícil concordar com essas palavras, quem gostaria de ser bolsa de ser mordida por um vampiro? Acredito que somente a loira chamada Ino, mas acho que nem ela e nem a família bate bem da cabeça para querer algo assim para o futuro. Eu tinha sonhos, que foram destruídos e odiava esses vampiros por tratar a humanidade como gado.
Seus lábios tocaram levemente meu pescoço. Tenho que confessar, ele pelo menos estava sendo cuidadoso. Logo senti uma pequena furada e ardência em minha pele, sem que eu esperasse, meu corpo foi dominado por uma sensação fora do comum, era relaxante e prazeroso, minhas pálpebras baixaram um pouco e soltei um pequeno suspiro. Isso me deixava quase completamente entregue. Meu pescoço caiu um pouco para o lado, dando total liberdade dele se aprofundar ainda mais. Suas mãos seguravam meus ombros que foram descendo para cintura, não conseguia mandar ele se afastar, era como se a mordida jogasse algo na minha corrente sanguínea me deixando louca de desejo, eu só desejava que ele não parasse, era loucura, não queria está sentindo essas coisas.
— O que.. o que você fez comigo?— Minha voz saiu arrastada pelo êxtase. Ele largou meu pescoço para que pudesse falar.
—Você quer que eu pare ? —Ele perguntou olhando fixamente em meus olhos.
— Não.. — Mas o que eu estava fazendo? Não conseguia controlar meu corpo, ele precisava mais daquela sensação. Já tinha ouvido falar sobre meninas que foram mordidas e ficaram viciadas, achei que era bobeira, lendas, superstições, mas não era, a mordida provocava uma reação tão prazerosa que era difícil desconectar.
Ele sorriu com minha resposta, mas dessa vez ele me jogou sobre a cama. Seus olhos ferozes me encaravam com desejo, logo estava por cima de mim. Com um agilidade sobrenatural ele já abocanha meu pescoço e logo aquela sensação prazerosa me invadiu mais uma vez. Parecia ser um veneno muito letal, aquele veneno que te vicia a querer mais e mais. Minhas mãos entrelaçaram em seus cabelos.
_ Que sensação é essa?— Minha voz saiu em tom prazeroso.
— Você gostou, Sakura? Quer que eu morda todo seu corpo? Aposto que vai gostar. — Aquela voz presunçosa me deixava com curiosidade de saber como é ser mordida por todo corpo, será que tinha como ficar melhor? Pois parecia uma feitiço que te aprisiona em um dimensão inacreditável e surreal.
— Quero. —Seu sorriso de satisfação me deixou com mais vontade. Ele passou mordeu em cima dos meus seios fazendo-me arquear as costas para trás de prazer. Eu tinha que lutar contra isso, não poderia ser tão tola de me deixar ser entregue assim para uma vampiro, mas minha mente e meu corpo lutavam com essa pequena parte que queria retornar ao controle. As mãos dele subiam pelas minhas coxas deixando ainda mais quente aquele momento. Droga retoma o controle Sakura, rápido! Meu subconsciente gritava. Suas mãos apertavam a borda da minha virilha e deixei que um gemido escapasse sobre meus lábios. "Empurra ele!" Novamente minha mente travava uma luta contra aquela sensação que me tirava o poder de raciocinar.
—Você é muito deliciosa Sakura. — Ele sussurrou enquanto suas mãos subiam pelas laterais das minhas coxas, conseguindo tirar de mim vários suspiros prazerosos. "Empurra agora Sakura, você vai se arrepender, vamos!" meu subconsciente gritava mais uma vez. Com uma força que eu nem sabia que tinha, minhas mãos empurrou Sasuke, que nem se mexeu, porém ele me olhou surpreso.
—Quer que eu pare ?— Respirei fundo tentando voltar daquela loucura que estava minha cabeça e meu corpo.
—Sim, acho que você já está satisfeito. —Minhas voz ofegante denunciava que eu tinha curtido toda essa loucura.
—Sua boca fala uma coisa, mas seu corpo fala outra— Ele sorri de canto, achando que sabia tudo e que podia conquistar quem quisesse.
— Você disse que não ia fazer nada que eu não quisesse.— Disse me ajeitando enquanto ele saía de cima de mim.
—Eu falei e vou cumprir, mas eu sei que você me quer Sakura, veja como seu corpo reage ao meu toque, não tem nada demais admitir que você quer mais, eu vou te proporcionar as melhores sensações se você permitir, algo que você nunca viverá com outra pessoa. — Ele era tão confiante que me fazia ter raiva. Aquelas mordidas ainda tinham um efeito absurdo sobre mim, mas eu conseguia retomar o controle com muita luta.
—O mundo não gira ao seu redor Sasuke, eu não sinto todo esse desejo que você está falando e nem vou sentir, se quiser eu posso ser sua humana de sangue e nada além disso, só se você me tomar a força.— Sua expressão mudou ficando séria. Ele aproximou o resto um pouco mais do meu olhando nos meus olhos. Me perdia na escuridão daquele olhar. Senti um pouco de medo. Talvez tenha o incentivado a fazer algo.
_ Você ainda vai implorar para que eu te tenha. — Ele continuou me olhando por mais alguns segundos e se levantou saindo do quarto. Ele parecia irritado, mas não me importava, estava feliz que ele tinha me deixado em paz e eu poderia me livrar desse veneno que circulava dentro de mim, logo retornaria os meus sentidos.
