A pequena flor vermelha, tímida e solitária, nascia alegremente envolta pelo asfalto cinzento, como se não se importasse com a solitude em que se encontrava. Era brava, rompendo as rachaduras do cimento queimado e batido da egocêntrica metrópole. Ali, quase no mesmo ponto, a alguns passos de distância, estava uma jovem exausta, observando o horizonte que se estendia à sua frente, preocupada e incerta com os próximos passos. Quem dera tivesse a força daquela flor, para retomar as chaves do sucesso que pareciam ter escapado de suas mãos. Mas, o que poderia fazer quando tudo conspirava contra ela? Talvez, o melhor fosse se entregar à resiliência de mais um fim de tarde em sua varanda, apenas sonhando e observando a cidade que parecia lhe virar as costas.
