Ele era o próprio demônio.

Pura tentação. Pecaminoso, exalava luxúria e soberba, ainda que a ganância reinasse.

Ela o conhecia. Decorou cada detalhe de seu corpo e cada segredo de sua alma. Não havia novidade em suas noites, quando ele a levava ao céu. Sabia o prazer que ele proporcionava e ela nunca se cansava.

Ele acariciou as suas costas.

"O que está pensando?", perguntou.

"Em como isso é errado".

Ele riu pelo nariz em seu pescoço e em seguida a beijou.

"Bem, se fiz alguma coisa boa em toda a minha vida, dela me arrependo do fundo do coração".

"Por que está citando Shakespeare?".

Ele riu novamente e se levantou. Colocou suas roupas e deu-lhe um último beijo antes de partir.

Ela o amava. E amá-lo era vermelho.

Porém ela o perdia todos os dias. E sentir sua falta era cinza.

E, por mais que tentasse, ela não conseguia esquecê-lo quando estava com aquele com quem escolhera passar o resto de sua vida. Era como tentar entender alguém que nunca havia conhecido.

Mas ela continuava. Continuava porque, quando o tocava, entendia exatamente o que queria e sabia o quanto aquilo era forte. Mais forte que ela.