Capítulo 6 - Em busca de respostas
Naquela mesma noite, Yamato continuava concentrado em sua missão de vigiar Tsunade para descobrir se ela estava planejando fazer a tal "loucura", que Kakashi estava pensando que faria. O moreno então se esgueirou pelo lado de fora da parede do chalé, que para a sua sorte, era feita de madeira. Era exatamente o que ele precisava para se camuflar, e usando um jutsu, ele se fundiu com a madeira a fim de ouvir a conversa da loira com sua fiel assistente, enquanto a primeira ainda analisava os arquivos com uma compulsividade assustadora.
- Tsunade-sama… até quando vai continuar com isso? - Shizune questiona cheia de tédio e também preocupação, pois ela só via sua Mestre agir dessa maneira quando se tratava de jogos.
- Vou continuar até terminar de examinar cada detalhe sobre tudo o que tem a ver com Kabuto Yakushi nesses malditos arquivos! - responde sem paciência, engolindo um generoso gole de chá a contragosto.
- Mas por que se preocupar com isso neste momento? Se nem mesmo quando a grande guerra ninja estava em curso a senhora se preocupou em fazer tamanha análise, quando ele era o responsável por desencadear o Edo Tensei que causou tantos problemas…
- Quieta, Shizune! Está tirando a minha concentração. - a loira a corta rispidamente.
- Tanto faz. Então vou sair para comer.
- Tá, vá logo, Shizune. E aproveite para arrumar um namorado. - faz piada sem pensar, causando uma sensação de constrangimento imensa na pobre Shizune, que sai pisando duro.
Morrendo de raiva, a morena se retira do local. Passando pelo lado de fora, ela tropeça em uma pedra saliente que rodeia um lago localizado bem do lado da janela do quarto onde elas estavam hospedadas. Shizune inevitavelmente cairia na água, mas sentiu seu corpo ser segurado por alguns troncos de madeira que se moldaram em volta de sua cintura e piscou os olhos, perplexa. Ao virar o rosto olhando para trás, se surpreendeu ao ver Yamato, que por puro reflexo em salvá-la, acabou revelando sua presença.
- Yamato-san?! - quase grita espantada - O que faz aqui disfarçado desse jeito?
- Shhhiiii! Por favor, fale baixo… - coça a nuca nervosamente - Adiantaria dizer que estou aqui tirando férias? - recebe um aceno negativo em resposta, em seguida ouvindo o estômago dela roncar e seu rosto corar, tudo ao mesmo tempo - Posso explicar tudo enquanto jantamos, pode ser? Eu também estou com fome.
Shizune aceita, e poucos minutos depois, a dupla já estava se servindo com vários petiscos típicos do Japão em uma barraca não muito longe do chalé.
- Eh? Então Kakashi-san pediu para vigiar a Tsunade-sama? - diz quase se engasgando com a bebida.
- Isso mesmo. Mas ele não me explicou nada, apenas me mandou depressa para que eu não perdesse vocês, e aqui estou. - explica rapidamente, tomando um gole de água com tranquilidade.
- Acho que Kakashi-san tem razão em se preocupar.
- Shizune-san, se pudesse me contar o que está acontecendo seria de grande ajuda. Eu poderia tranquilizar o Kakashi-senpai e preservaria o meu corpo contra qualquer ataque de fúria da Tsunade-sama, o que acha? - disserta com um olhar de cachorro sem dono, que por alguma razão, pareceu tocar o fundo da mente de Shizune.
- Na verdade… - abaixa o olhar e a cabeça levando as mãos às coxas, enquanto amassa o tecido de seu kimono preto - Eu também não concordo com o que ela pretende fazer. Tsunade-sama está analisando todos os arquivos relacionados a Kabuto Yakushi como uma louca. Se eu a conheço bem, ela vai querer ir atrás dele onde quer que ele tenha ido.
- Se Tsunade-sama tomou essa questão como pessoal, é bem capaz que ela queira levar isso até o extremo. - come um pouco de seu udon antes de continuar - Mas o quanto nós podemos confiar naqueles arquivos?
- Como assim? Está querendo dizer que podem haver informações falsas? - arregala os olhos, mirando-o diretamente.
- Mesmo durante a grande guerra ninja não conseguimos reunir informações consistentes sobre aquele garoto. - suspira por alguns segundos - Eu soube que Orochimaru até infiltrou informações falsas sobre Kabuto para que seu subordinado fizesse os exames chunnin por várias vezes seguidas se passando por um simples genin de Konoha, quando na verdade, ele já possuía habilidades médicas impressionantes que o colocariam em um ranking de Jounin facilmente. A verdadeira origem de Kabuto Yakushi é desconhecida até mesmo para ele, então eu acho que não deveríamos levar tão a sério o conteúdo daqueles arquivos. - termina seu raciocínio depositando o par de hashi sobre a tigela vazia.
- Eu também acho isso. - mordisca o polegar inquieta - Mas, por favor, não conte à Tsunade-sama que eu lhe disse isso, senão ela vai me matar! - diz um tom acima, agarrando as mãos de Yamato entre as suas quase em desespero. Tal contato deixa os dois com o rosto corado seguido de um sorriso mútuo ao soltarem as mãos.
- Só se você também não contar a ela que me viu por aqui, e que estraguei o meu disfarce por impedir que uma dama caísse no lago.
Shizune sorriu, e os dois passaram mais um bom tempo comendo, bebendo e conversando sobre coisas mais agradáveis do que as loucuras da ex-Hokage. Quando a kunoichi retornou, viu que sua Mestre pareceu estar dormindo confortavelmente em seu futon, então ela tratou de preparar o seu próprio para descansar também, antes de ser surpreendida.
- Demorou, Shizune. Será que é porque conseguiu um namorado? Ou acabou bebendo mais do que devia? - indaga sacana.
- Não é nada disso! - vira-se para o lado oposto - Eu apenas me distraí ouvindo as conversas divertidas das pessoas ao meu redor. Isso é tudo. - Pela primeira vez mente para sua mentora, mas sabia que era por uma boa causa.
- Sei…
A expressão irritada da mulher logo muda para um sorriso bobo quando ela se lembra de Yamato, pois nunca pensou que o Jounin fosse uma pessoa tão agradável para conversar, tanto sobre os problemas da vida Shinobi, quanto por temas casuais também. Sem que percebesse, já se sentia ansiosa para conversar com ele novamente.
...:::~X~:::...
Pouco mais de duas semanas haviam se passado. Kukkaku estava jogada em sua cama enrolando uma mecha de seu cabelo entre os dedos olhando para o teto, quando a figura de um belo jovem de cabelos prateados invadiu a sua mente. Ela sentiu saudade da comida do médico, e também de como foi confortável conversar com ele.
Levou a mão esquerda até seu braço falso, e lembrou-se de que as palavras de Kabuto não saíram de sua cabeça. Shiba não entendia como raios um simples humano teria percebido tal detalhe ocultado pelo gigai. E se ele negou ser um Shinigami, a única explicação seria que ele fosse um ser humano com uma elevada capacidade de percepção espiritual. Ele a enxergou através do gigai? Essa dúvida não saía da cabeça da inquieta mulher, do contrário, ele não teria feito aquela pergunta.
- Muito bem! - grita de repente, dando um salto da cama - Está na hora de fazer uma visita ao Doutor bonitão!
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As duas primeiras semanas de Kabuto na nova cidade serviram para ele colocar seus pensamentos em ordem. O apartamento já estava arrumado e configurado do jeito que ele precisava, mas o rapaz ainda não tinha nenhuma certeza sobre que rumo iria tomar, ou o que faria da vida. A primeira coisa que pensou seria em conseguir um trabalho, mas onde exatamente, se o seu único talento era curar pessoas? (Ou matá-las). Ele não estava acostumado com aquele tipo de cidade, sendo que viveu toda a sua vida em países Shinobi.
Depois de se levantar, tomar um banho e se vestir adequadamente, o platinado foi até a cozinha, e lá preparou um reforçado e farto café da manhã. Colocou o café em um copo, junto com leite em pó, e com a ajuda de um mixer manual movido à bateria, fez um café com leite cremoso, seu favorito. Quando estava prestes a beber o líquido quente, ele quase engasgou ao ouvir a campainha de seu apartamento.
Surpreso por alguém estar batendo em sua porta, ele logo se levanta para abrir, quando dá de cara com Shiba, que adentra o lugar sem ao menos esperar obter permissão para fazê-lo.
- Bom dia, Doutor bonitão! Como está? - diz sem nenhuma cerimônia, cumprimentando o aludido com vários tapas no ombro, e Kabuto apenas fica sem reação diante da energética mulher, mais ainda quando ela senta frente a refeição dele e começa a comer - Waa! Comida! Que delícia! Sabia que eu estava com saudade da sua gororoba? Você cozinha tão bem. E que café gostoso! - sibila maravilhada, devorando a tigela de arroz também.
- Bom dia, Shiba-san. - responde sem jeito, indo até a pia, onde pega outra xícara e começa a preparar mais um café com leite, sentando de frente para ela - Desculpe, eu não fazia ideia de quando viria, então…
- Ah, caramba! Eu que peço desculpas! Acabei comendo toda a sua comida. Mas olha! - retira de sua bolsa uma garrafa do mais puro sake, para o espanto de Yakushi - Trouxe isso para o nosso almoço! Vamos beber juntos e fofocar bastante.
- Desculpe, Shiba-san, eu não bebo.
- Sério? Mas que vida chata! - suspira entediada - Que graça tem a vida se você não pode tomar uma de vez em quando?
- Por que há pessoas que fazem isso de vez em sempre, estou certo? - olha diretamente para ela, que tenta se fazer de inocente.
- Que Doutor malvado… - faz beicinho ao retrucar - Mas e você? Como passou esses últimos dias? Tem feito alguma amizade?
- Na verdade não. - responde diretamente ao colocar sua xícara sobre o pires com elegância.
- Mas como assim?! - exclama surpresa - Eu percebi que você é um cara tímido e tudo mais, só que precisa sair da toca e conhecer novas pessoas, até para conseguir um trabalho, não é? Você não quer trabalhar como médico? Não é isso que sabe fazer?
- Você está certa, mas não é tão fácil assim. - baixa o olhar momentaneamente enquanto explica - Não estou acostumado com a dinâmica dessas grandes cidades. A verdade é que ainda estou muito perdido por aqui, então não me sinto muito motivado a sair de casa.
- Mas para se familiarizar e conhecer um lugar, você precisa sair para se acostumar com ele, oras! - fala alto e em tom divertido - Pode deixar comigo, Kabuto-sensei. - bate no peito querendo se vangloriar, ou chamar a atenção para o seu vasto decote - Kukkaku Shiba vai te apresentar cada buraco desse muquifo de cidade!
- Obrigado, Shiba-san.
- E vê se para com esse "Shiba-san". Pode me chamar apenas de Kukkaku, está bem?
Kabuto responde com um sorriso, e Kukkaku também sorri amplamente enquanto puxa o rapaz pelo braço, literalmente o arrastando apartamento afora com destino a um longo passeio de reconhecimento por toda Karakura.
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Era quase onze da manhã em Karakura. Um nervoso Uryuu caminhava a passos apressados em direção à falida loja de Kisuke, enquanto passava por perto de um parque. De repente, ele estanca seu caminhar ao ver Kukkaku de longe puxando o braço de um rapaz que ele nunca tinha visto na vida. O moreno balançou a cabeça em negativa, achando que Kabuto se tratava de mais uma conquista da falida nobre, e só de pensar que ela agora estaria "perseguindo garotinhos" fez seu estômago embrulhar. O Quincy certamente sabia como aquilo terminaria: ela levaria um fora, passaria a noite inteira bebendo e acordaria dando vexame na casa de Ichigo mais uma vez, como sempre fazia, afinal, não era a primeira vez que ele via esse tipo de cena na casa de seu amigo.
Ishida deixou de lado esses detalhes da vida alheia, pois a verdade é que o jovem Quincy se encontrava deveras tenso e abatido, sobretudo porque a ferida em seu braço só fazia piorar, e tentou esconder tal fato de Orihime a qualquer custo, porém, as constantes dores, e até mesmo sangramentos tornavam o objetivo do moreno cada vez mais difícil. Ele segue rapidamente para a loja de Kisuke, e ao chegar lá, encarou o loiro de chapéu com o semblante extremamente preocupado.
- Bom dia, Ishida-kun. A que devo a honra da sua visita tão repentina?
- Deixe de formalidades inúteis. Eu vim aqui em busca de respostas.
Continua…
