Capítulo 8 - Um Ninja e uma Alma

Kukkaku arrastou Kabuto até um food truck onde funciona uma hamburgueria artesanal. Ela tinha ouvido uma conversa entre Ichigo e seus amigos sobre esses lugares, e que os lanches que serviam eram deliciosos. Sem nenhuma cerimônia, a morena mergulha a mão cheia de batatas fritas em um pote de queijo cheddar derretido e leva à boca. Kabuto apenas observa a cena admirando o enorme prazer que ela sente ao comer, ao mesmo tempo se perguntando para onde ia toda aquela quantidade de comida. Ele observa a mulher dar uma mordida no hambúrguer com gosto, e só falta se entalar quando toma um generoso gole de refrigerante para se recompor.

- Que foi, Kabuto-sensei? Não vai comer? - fala de boca cheia, como uma criança empolgada.

O platinado apenas sorri com o comportamento infantil e concorda com a cabeça, passando a degustar seu lanche antes que esfrie. De fato, era um sabor bastante peculiar. O jovem não se lembrava de ter comido nada parecido em nenhuma das aldeias ou países ninjas que havia conhecido até aquele momento de sua vida, e olha que ele conhecia os países ninja como ninguém, devido ao seu trabalho como espião. Quem sabe estar longe daquilo tudo possa ter sido a melhor escolha? Foi o que ele pensou. Mas o fato de Kukkaku ter desistido de falar depois de tentar colocá-lo contra a parede o deixou deveras intrigado, mas decidiu que não iria insistir, a menos que ela mesma decidisse contar.

Ele aprecia a refeição de bom grado, mordendo o hambúrguer e mastigando com tranquilidade, provando depois das batatas. Shiba observa o jovem médico e sorri como uma menina. Os gestos tranquilos e elegantes do homem, suas boas maneiras ao comer e sua atmosfera tão serena e bem educada eram fascinantes, além, é claro, de sua notável beleza. Era a primeira vez em muito tempo que a sobrinha de Isshin se sentia tão bem na companhia de uma pessoa. Não importava quem, de fato, Kabuto fosse, Kukkaku não tinha dúvida de que ele já havia conquistado sua admiração e afeto.

- Nossa… acho que comi demais. - ele suspira satisfeito, terminando o último gole do copo de refrigerante com certo esforço.

- Como assim? Você só comeu um combo. - Kukkaku tenta zombar dele, e se gabar por ser uma máquina de comer ambulante - Eu já comi três hambúrgueres, dois copos de refrigerante e três porções de batatas. O jovem doutorzinho não aguenta nada. - passa a gargalhar com vontade.

- Não diga isso. Acredito que eu comi o necessário. Por outro lado, Kukkaku-san deveria evitar os excessos tanto de comida quanto de álcool, se quiser preservar sua saúde. - sorri divertido ao apreciar o bom humor dela.

- Corta essa, sensei! Temos que aproveitar enquanto estamos vivos para comer à vontade. Depois que formos para a vala, acabou tudo.

- Nisso você está certa. Muito obrigado pelo dia de hoje. Agradeço por ser a minha única companhia nesta cidade até agora. Tem me ajudado muito. - ajeita os óculos no centro do rosto afastando alguns fios cor de prata da frente de seus olhos ao se levantar e deixar o dinheiro da conta no balcão.

- Espere, já vai, Kabuto-sensei?

- Sim. Kukkaku-san deve ter outras coisas para fazer. Mas venha me visitar quando quiser. Podemos sair de novo como hoje, se eu não estiver ocupado.

- Deixa disso. Eu não tenho mais nada para fazer. Pelo menos vamos juntos até o seu apartamento e você me serve um chá, pode ser?

- Tudo bem.

Os dois seguem caminhando em direção ao apartamento do ex-ANBU. Eles andam a passos lentos, pois seus estômagos estavam cheios. No meio do caminho, Shiba aponta para uma barraca de sorvete e vai até lá. De repente, uma garganta começa a se abrir no céu, e de dentro dela, um Menos Grande surge. A Reiatsu negativa liberada pela criatura é incrível, e Kukkaku logo percebe enquanto pega seu sorvete. Kabuto se vira para olhar melhor o hollow, mas não parece muito surpreso com o que está vendo.

- Kabuto-sensei! Depressa! Vamos sair daqui! - a jovem tenta puxá-lo para longe, mas o platinado não se move.

- Que interessante. Acabei vindo parar em uma cidade onde monstros caem do céu. - comenta naturalmente, e o queixo de Kukkaku só faltou cair no chão de tanta surpresa.

- COMO É QUE É?! Pode me explicar como você consegue ver esta criatura gigantesca, e mais ainda, como pode estar tão calmo diante de uma ameaça deste tamanho?! - diz aos berros, mas a calma de Yakushi parecia inabalável.

- Você também consegue ver, então o que há de tão estranho nisso? Nós devemos fugir? - disserta tranquilo, desconhecendo a situação.

- Esse cara só pode estar de brincadeira… - pensa consigo - Onde está aquele inútil do Ichigo quando mais precisamos dele? Dentro desse gigai inútil eu não consigo fazer nada, muito menos na frente do Doutor Bonitão.

Ichigo e Ishida sentem a presença do hollow e correm até o local, mas Kabuto e Kukkaku não demoram a serem atacados. O Ninja Médico salta rapidamente, pegando Kukkaku em seus braços enquanto se desvia de uma chuva de ataques do hollow. Shiba observa embasbacada, e até fica tonta com a rapidez com a qual Kabuto se movia.

- Como fez isso? De que planeta você veio, afinal?

- Não é hora para esse tipo de questionamento. Temos que derrotar esse monstro, não é?

Ao se virar para responder Kukkaku, Kabuto acaba sendo atingido de raspão no rosto e no braço por uma das lanças cortantes, e o sangue dele respinga em Kukkaku, que grita assustada. Outra das lanças atinge a fita de cabelo, deixando as madeixas prateadas livres, caindo sobre seu rosto.

- Kabuto-sensei!

- Não se preocupe. Eu vou dar um jeito nisso. - diz convicto, ajustando os óculos que estavam prestes a cair, jogando uma mecha de cabelo para trás.

- Mas o que está dizendo?! Não tem como um ano comum derrotar essa coisa. - rebate contrariada, mas se espanta ao ver que os ferimentos dele estavam se curando instantaneamente, ao mesmo tempo que os olhos negros assumiam um a cor dourada significativa - A menos que… você não seja exatamente um humano comum… - sussurra para si mesma, vendo a mão direita de Kabuto liberar uma espécie de brilho de cor azulada quando ele ativa seu Bisturi de Chakra sem nem ao menos executar os selos de mão.

O ex-ANBU corre em alta velocidade, e dando um enorme salto, corta a enorme criatura ao meio precisa e cirurgicamente, que se desintegra, fazendo a garganta desaparecer, e o céu voltar ao normal, mas antes disso, ele saca um pequeno frasco do bolso interno de seu paletó, e coleta uma espécie de amostra, guardando novamente o frasco em seu bolso. Sentada de bunda no chão, Shiba permanecia com os olhos verdes arregalados e chocados quando o rapaz andava tranquilamente em sua direção, tendo os longos fios remexidos pelo vento que soprava. Uma bela visão, ela podia dizer.

- Está tudo bem, Kukkaku-san? Não se machucou? - pergunta genuinamente preocupado.

- Eu… acho que não. Só alguns arranhões na canela. - responde aérea, apontando para o local atingido.

- Não se preocupe, eu cuido disso.

Desta vez, a mão direita de Yakushi brilha em verde, e ele cura as pequenas feridas instantaneamente, enquanto a morena observa a cor de seus olhos voltarem ao normal assim que ele termina.

- Está certo, Doutorzinho… - o confronta, colocando o indicador sobre a ponta do nariz dele, que não se move - Tem noção do que acabou de fazer? Você acabou de cortar um hollow gigantesco ao meio! Isso foi um…

- Chakra no Mesu - a interrompe ao responder tranquilamente, como se não fosse nada.

- Não entendi esse idioma, mas não mude de assunto. Vai confessar de uma vez quem você realmente é? Por que esse papo de ser "apenas um médico" já não me convence mais.

- Mas eu sou um médico. - ajusta os óculos tranquilamente, recebendo um olhar fulminante da morena pela resposta solta antes de corrigir sua frase - Um Ninja Médico.

Kukkaku caiu de bunda no chão. Como assim um Ninja? De que raios ele estava falando?

- Minha intenção era viver pacificamente nesta cidade, mas pelo jeito, aqui também tem coisas interessantes para se lidar. - as lentes de seus óculos brilham, e Kukkaku pôde ver o brilho de empolgação nos orbes escuros - Mas e você? Também vai me dizer quem é, e por que está usando um corpo artificial? - também a confronta secamente, e ela quase cai para trás com o tamanho da perspicácia dele.

- Tudo bem. Eu vou te contar tudo, mas… - sorri travessa ao enlaçar seu braço ao braço dele - Vamos até um bar, e eu te conto com detalhes.

E vários minutos depois…

A dupla estava no bar, e Kukkaku já tinha bebido quatro doses enquanto explicava para Kabuto tudo sobre os Shinigamis, porque ela pensou que ele também fosse um Shinigami, e contou que ela é uma Alma. Yakushi processou todas as informações atentamente, e sorriu de canto, pois apesar de querer viver em paz, ficou feliz por ter algo naquele lugar que ele pudesse pesquisar. Shiba também o questionou ao mesmo tempo que continuava bebendo.

- O que eu não entendo, é como você enxergou o hollow e percebeu que eu estou usando um corpo artificial se você não é um Shinigami.

- Sabe, desde criança, eu tenho muito talento com o controle de Chakra, e por causa disso, aprendi a usar Ninjutsu Médico ainda muito jovem. Durante meu treinamento na ANBU, adquiri um conhecimento notável em medicina, e sobre o corpo humano, então não foi muito difícil perceber que se trata de um corpo artificial. - explica, terminando de tomar um copo de suco.

- Incrível! Parece que os Ninjas são mesmo impressionantes! - diz empolgada com os olhos brilhando.

- Obrigado. Espero que possa me mostrar seu braço real algum dia. E quem sabe, eu possa ajudá-la com isso, se você quiser.

- Está falando sério? Kabuto-sensei, você é o melhor! - o agarra de repente, e o rosto do platinado cora de vergonha - Quero que me leve para casa. Acho que estou um pouco bêbada, mas vou comer mais.

- Kukkaku-san não tem jeito… - suspira resignado, mas concorda em acompanhar a energética mulher até sua casa, quando ela finalmente se cansar de tanto comer e beber...

Continua…