Esclarecimento: Só reiterando que esta história não me pertence, ela é uma adaptação do livro de mesmo nome, de Merline Lovelace, que foi publicado na série de romances "Clássicos Históricos Especial", da editora Nova Cultural.


Capítulo 20

- Pelas barbas de Zeus ! O que é isso ? - a voz de Finnick abalou o silêncio da manhã enevoada, enquanto parava, inquieto. Peeta deu mais alguns passos, com a testa franzida, olhando com atenção a pequena praça calçada de pedras.

A neblina movimentava-se, em movimentos suaves, agasalhando a graciosa fonte no centro da praça como uma diáfana capa cinzenta. O frio úmido, trazido pelo vento que vinha do mar, passava pelo manto de lã de Peeta, pondo arrepios em sua pele.

A multidão reunida na praça não parecia notar a névoa, nem o frio. Todos permaneciam imóveis, em silêncio, os olhos fixos no grupo que saíra há algum tempo da casa de Peeta e descia para o porto.

A primeira suposição que passou pela cabeça dele foi de que se tratava de gente que tinha passado a noite comemorando a vitória e agora estava de volta para casa. Observou as pessoas com mais atenção: não havia sorrisos, nem o tipo de alegria causada pelo excesso de vinho nos rostos de ninguém, não havia risos, nem brincadeiras. E, como cinzentos fantasmas, vindos do nada, novas silhuetas desenhavam-se na neblina, surgindo das ruas adjacentes e juntando-se ao grupo silencioso.

Os cabelos da nuca de Peeta começaram a se eriçar. Fora comandante por tempo demais para não reconhecer o potencial de perigo que havia numa multidão, principalmente quando ela crescia mais e mais.

Sempre que pessoas se reuniam daquele modo, havia algum motivo. Tentou encontrar motivos para a silenciosa e inesperada reunião, mas nenhum dos que conseguiu descobrir acalmou sua apreensão.

- Finnick - sussurrou para o tenente - , diga aos nossos homens que se prepararem para uma emergência. Se alguma coisa ruim acontecer, leve Katniss e Valerie para sua casa; eu cobrirei sua retaguarda e me juntarei a vocês, assim que puder.

Com o rosto muito sério, o jovem oficial assentiu e pareceu diluir-se na névoa que envolvia densamente a liteira puxada a cavalo e a escolta por trás deles.

Por um momento, nenhum som perturbou o silêncio fantasmagórico, exceto o borbulhar da fonte. Peeta imobilizou-se à espera, todos os músculos tensos, prontos para qualquer coisa. De súbito, uma voz baixa fez-se ouvir na praça.

- Ouvimos dizer que vai deixar Atenas, capitão, e que a espartana vai junto.

Com um milimétrico movimento de ombro, o capitão fez o manto escorregar de cima do ombro, permitindo fácil acesso à espada.

- Sim, eu estou partindo - respondeu, também em voz baixa e contida - E minha esposa vai comigo. Não compreendo o que vocês têm com isso. O que estão fazendo aqui ?

Uma mulher magra e emaciada aproximou-se o bastante para ele ver que em seus olhos ardia uma ansiedade febril.

- Estávamos esperando por vocês. Disseram que iam seguir por este caminho, que teriam de passar por esta praça quando fossem para o porto.

A voz da mulher sumiu na névoa quando Katniss pareceu se materializar ao lado dele.

- O que está havendo ? - perguntou ela, a voz suave mas determinada.

Sem tirar os olhos da multidão, Peeta deu uma ordem ríspida:

- Volte para a liteira e fique com Valerie.

Ela balançou a cabeça; se era uma negativa em obedecer ou se tentava livrar-se das volutas de neblina que lhe atrapalhavam a visão, ele não saberia dizer. A capa de lã que cobria os negros cabelos de Katniss escorregou-lhe para os ombros. No mesmo momento, um murmúrio baixo ergueu-se da multidão e logo tornou-se um coro de exclamações.

- É a espartana !

- É ela !

- Veja, a espartana está ali !

Peeta soltou um palavrão, baixinho.

- Volte para a liteira ! - ordenou outra vez, com os dentes cerrados - Por Zeus, Katniss, faça o que estou dizendo.

Como ela acenasse que não outra vez, ele contraiu as mandíbulas, zangado. Mantendo os olhos e a atenção no grupo que continuava crescendo, voltou-se para a esposa:

- Não gosto do jeito dessa multidão. Volte para a liteira. Se permanecer lá, Finnick e eu poderemos proteger vocês caso aconteça alguma coisa.

- Não quero ser protegida - rebelou-se ela - Escolhi ficar ao seu lado, e é onde ficarei.

Ele soltou um suspiro curto, então avaliou se teria tempo e jeito de atingi-la para que ficasse inconsciente. Então, poderia enfiá-la na liteira e mandar que a levassem de volta, rua acima, antes que aquela gente resolvesse atacar. O instinto avisava que o tempo deles estava acabando. A multidão começou a movimentar-se, agitada, e ouvia-se repetir vezes e vezes sem conta o nome de Katniss, por vozes de homens, de mulheres, em vários tons. Parecia um terrível pesadelo. Protetor, Peeta deu um passo na direção da esposa.

- Dê-me sua adaga - pediu ela.

O pedido o fez estacar.

- Katniss...

Fogo cinza parecia jorrar dos enormes olhos dela, maiores no rosto emagrecido, quando sacudiu a cabeça e soltou os cabelos, que desceram pelas costas. Ela ergueu o queixo, fitando-o intensamente e insistiu:

- A faca, sim, capitão ?

Por um momento, um instante fora do tempo, Peeta foi levado para outro lugar, para outra madrugada. Viu novamente a nereida surgindo do mar, com a mesma cabeleira negra escorrendo, molhada, pelas costas. Uma filha do deus Nereu, de porte delicado, que o atacara atingindo-o no estômago, com os cotovelos e força inesperada, derrubando-o sobre as pedras.

A criatura do mar, que era tão forte e corajosa, tão selvagem e livre ! Mas a luz em seus olhos naquele momento distante no tempo não podia se comparar com o brilho que via agora nos olhos de sua Katniss, que se preparava para enfrentar o inimigo. A expressão que havia no olhar dela fazia o coração de Peeta saltar. O amor entre eles era tão profundo, tão sem medo, que a respiração dele parou por instantes.

Vendo-o hesitar, ela sorriu:

- Uma vez, você me disse que não podíamos fazer mais que dançar a música que os deuses tocassem para nós. Foi o que fizemos, meu marido, e é o que faremos. Dê-me sua adaga.

Um sorriso triste e orgulhoso surgiu nos lábios dele.

- É o que faremos, pequena.

Tirando a pesada arma da bainha, ele entregou-a a ela, o cabo para frente. Seus dedos se tocaram por um momento quando Katniss a pegou, abaixando a mão em seguida, a mortífera adaga letal escondida por trás do braço. Lado a lado, viraram-se para encarar a multidão que murmurava, indócil.

- Abram caminho, abram caminho !

O grito se fez ouvir entre a neblina, parecendo vir do outro lado da praça. Todos se voltaram para uma rua estreita que desembocava nela e pouco depois divisou-se alguém, vestindo túnica branca e abrindo caminho entre a a multidão. Era um homem velho, encarquilhado, que se aproximou do casal. A túnica decorada com bordados em fios de ouro, mostrava que era rico e suas feições alongadas pareciam vagamente familiares, apesar de Peeta não conseguir dizer de quem se tratava. Ainda não se recuperara da surpresa causada pelo aparecimento do velho quando Katniss deu um passo à frente. Mais surpreso ainda, estendeu a mão e segurou-a, mas ela soltou-se com impaciência e foi até o idoso senhor:

- Filippos ! O que está fazendo aqui ?

- Senhora Katniss - disse o velho - , tive tanto medo de não conseguir alcançá-la ! A multidão impediu minha liteira de passar.

Peeta juntou-se a eles, de cenho franzido:

- Conhece este homem, minha esposa ?

- Sim, claro. É Filippos, filho de Spyridon.

- Sacerdote arconte do Quarto Conselho - disse o velho, com orgulho, empertigando-se o quanto seu corpo curvado permitia.

Grande Zeus, pensou Peeta, aquele homem servira Atenas nos tempos do pai do seu pai. Impressionado, ficou ouvindo a conversa entre a esposa e o homem.

- Veio nos ajudar a passar por esta gente que nos detém ? - perguntou Katniss, em voz baixa.

- Não, não...

- Seria bem de você ! - preocupou-se ela, sem ouvir a negativa do velho sacerdote - Agradecemos, mas precisa se proteger, meu marido e eu enfrentaremos juntos nosso destino.

- Não minha senhora, não está compreendendo... nós...

Katniss interrompeu a voz do homem idoso, que não tinha mais força e sonoridade de um dia:

- Sim, entendo, meu amigo, e agradeço. Mas deve ir agora.

- Não, minha senhora, se quiser me escutar...

Peeta segurou o braço de Katniss, puxando-a para si e ela girou, a adaga mortal pronta para ser usada, num movimento instintivo.

- O que...? - começou a perguntar.

Calmamente o marido tirou a arma da mão dela.

- Deixe o pobre homem falar, esposa ! - ordenou e, ignorando o olhar indignado dela, fez um assentimento bem educado para o idoso - Por favor, senhor Filippos, diga-nos por que veio e por que estas pessoas estão aqui.

O homem indicou a multidão com um gesto rápido:

- Não sei por que eles estão aqui. Eu, pessoalmente, acabo de sair de uma reunião especial do Conselho, pedida por Péricles.

Peeta franziu a testa:

- Péricles ?

A cabeça branquinha do velho assentiu, movendo-se para a frente e para trás sobre o pescoço fino.

- Sim. O grande homem em pessoa pediu-me para reunir o Conselho e, feita a reunião, mandou-me vir, depressa, para avisá-los enquanto eles votam. Mas vocês já tinham deixado sua casa quando cheguei lá.

Ele parou de falar, para respirar fundo.

Peeta olhou do homem para Katniss, com uma expressão de dúvida. Ela retribuiu-lhe o olhar, a perplexidade estampada no rosto, sem entender nada do que acontecia.

Enquanto esperavam que o velho sacerdote recuperasse o fôlego, a mulher magra que falara antes aproximou-se, andando muito devagar. Por trás do véu que lhe cobria parte do rosto, percebia-se os olhos queimando com tal intensidade que fez a mão de Peeta buscar a empunhadura da espada e dar um passo, colocando-se diante de Katniss.

Para sua surpresa, a mulher se jogou de joelhos no chão, curvou-se, pegou a barra da túnica de Katniss e levou-a aos lábios.

- Agradeço-lhe, minha senhora, do fundo do coração !

Katniss ficou sem jeito, deu um rápido olhar para o marido, em seguida curvou-se para ajudar a mulher a se levantar. Num gesto rápido, ela segurou a mão da espartana e a teria beijado se Katniss não a detivesse. Em vez disso, então, a mulher reteve-lhe a mão com força inesperada e desmanchou-se em pranto:

- A senhora cuidou para que meu marido fosse enterrado com todas as honras, quando eu estava doente demais e não conseguia sequer mexer a cabeça. O corpo dele teria apodrecido nas ruas, sua alma seria condenada a vagar por toda a eternidade, se a senhora não tivesse cuidado dele. Obrigada, senhora.

- Eu também !

Um soldado hoplita barbudo passou por Peeta e pelo idoso que ainda não recuperara a respiração, parou diante de Katniss e inclinou-se, dobrando um joelho no chão:

- Agradeço-lhe, minha senhora, por cuidar para que meu filho tivesse onde dormir e fosse alimentado depois que minha esposa morreu. Se os seus homens não tivessem descoberto e amparado o meu menino, ele teria morrido como a mãe. Voltei há apenas dois dias e o encontrei bem, com saúde, mamando no seio de outra mulher... obrigado por tê-lo feito viver !

Peeta viu-se ser empurrado quando outro homem se adiantou e depois outro, em seguida uma mulher, mais outra... logo sua esposa estava cercada por uma massa humana, todos agradecendo-a. Ela ali ficou, no meio deles, aceitando toda aquela gratidão, de cabeça baixa, humilde e emocionada com a manifestação.

Pequena e magra, não demorou para que estivesse quase sendo soterrada pela multidão, mas Peeta ainda podia vê-la assentindo. Num momento, quando ela ergueu o rosto para ele, teve a impressão de ver o brilho de lágrimas nos olhos cinza.

- Sua esposa é uma mulher especial. Ela tem um grande e corajoso coração.

O marinheiro de um só braço que fizera parte do pessoal refugiado na casa de Peeta estava parado ao seu lado.

- Sim - concordou o capitão - Ela é mesmo.

Voltou-se para ir até Finnick, que se encontrava de pé ao lado da liteira, com Valerie. A menina estava de olhos arregalados, ao lado dele, de mãozinha dada com o tenente. Mas antes que chegasse onde eles estavam, o capitão viu outros homens de túnicas brancas chegarem à praça.

Ao ver a multidão que se reunira, Péricles começou a andar majestosa e mais lentamente, ajeitando o cabelo grisalho. Abriu caminho entre o enorme e compacto grupo de pessoas, passando pela fonte. Com ele vinham os três arcontes e atrás deles via-se o que parecia ser metade do Conselho.

O grupo de pessoas ao redor de Katniss se afastou quando percebeu Péricles se aproximando. Fazendo sinal para que Finnick ficasse onde estava, Peeta foi se colocar ao lado da esposa.

Num instante o povo ficou em silêncio, quebrado apenas pelo som da água na fonte e o arrulhar das pombas que começavam a despertar, nos tetos das casas ao redor. Com sua melhor voz dramática, o brilhante estadista dirigiu-se a todos, pedindo-lhes que testemunhassem o que iria acontecer.

- O Conselho reuniu-se numa sessão especial para considerar uma petição extraordinária colocada por Filippos, filho de Spyridon - começou com voz sonora.

- Escrita pelo próprio Péricles - completou o ancião.

- Eu, é, bem...

Por um momento, Péricles pareceu desconcertado, mas logo se recuperou e sua voz ganhou volume, alcançando os quatro cantos da praça:

- Durante o período em que nossa cidade enfrentou problemas, quando homens corajosos temiam caminhar pelas ruas e as mulheres trancavam-se para chorar e se lamentar, uma pessoa ousou desafiar a morte à espreita nas sombras.

Fez um curto silêncio dramático, antes de prosseguir:

- Uma pessoa teve coragem de sair às ruas. Uma pessoa, muito corajosa, assumiu para si a tarefa de recolher os mortos que não tinham sido honrados. Uma pessoa, determinada, que percorreu rua por rua da cidade.

Ele parou, olhando ao redor, soberano, então suas palavras escorreram como ouro líquido pela praça:

- Esta pessoa logo se tornou duas, depois três e por fim uma centena. Esta pessoa trouxe a coragem de volta aos homens apavorados, a esperança para as mulheres que a tinham perdido. Esta pessoa deu honra aos nossos mortos e vida às nossas crianças.

Ele moveu-se e segurou a mão de Katniss:

- Esta pessoa é esta mulher. Esta espartana.

Diante da designação, o queixo de Katniss ergueu-se, assumindo um ângulo real.

Vendo-a ali, ereta como uma lança, Peeta pensou que seu coração ia estourar de orgulho. Para onde quer que fossem, o que quer que tivessem de enfrentar, iriam guardar para sempre aquele momento em que Atenas honrava a mulher que era sua esposa.

- Se ela consentir, a mulher espartana receberá um título - troou a voz de Péricles - O título que ela mereceu pelo amor e a força de seu coração, pela coragem de suas ações.

Ele virou-se e olhou para Katniss por empolgantes segundos:

- Se consentir, minha senhora, de agora em diante deverá ser considerada como uma mulher de Atenas.

Murmúrios excitados romperam em meio a multidão e de imediato foram acompanhados por aplausos e gritos.

Katniss ficou paralisada, então Péricles, confuso, sem saber o que pensar do silêncio e da imobilidade dela, voltou a falar:

- Em reconhecimento a seus atos heróicos, o Conselho decidiu lhe dar cidadania completa, senhora Katniss. Este pergaminho...

A voz embargada dela o interrompeu:

- Eu lhe agradeço, meu senhor.

- Sim, bem... eu...

- Estou mais agradecida por tal honra do que jamais poderei dizer. Mas sou de Esparta e não posso renegar o que sou.

- Nem estamos lhe pedindo que o faça - disse Péricles, erguendo o pergaminho - Este decreto lhe confere o status de cidadã especial, sem requerer que renuncie à cidade em que nasceu.

E o estadista entregou o pergaminho com um floreio.

Katniss olhou para o documento com desconfiança:

- Isto quer dizer que devo me enquadrar nas leis de Atenas ?

Piscando várias vezes, Péricles ficou perdido e um tanto irritado com a relutância dela em aceitar a honra que ele conseguira depois de passar a noite toda usando o máximo de sua capacidade de estadista.

- Se for uma cidadã, creio que vai querer estar de acordo com nossas leis - disse ele, um tanto ríspido.

Katniss cruzou os braços.

- Então, não posso aceitar. Agradeço a você e ao Conselho, do fundo do coração, mas não posso viver minha vida fechada dentro de uma casa.

O queixo de Péricles caiu. Ele olhou de Katniss para Peeta, então novamente para Peeta. Quando viu que não teria ajuda de nenhum dos dois, voltou-se para os arcontes. Os rostos impassíveis também não o ajudaram em nada. Mais uma vez ele olhou para Peeta.

Combatendo a gargalhada que ameaçava irromper de seu peito a cada vez que respirava, o capitão avançou um passo. Seus olhos riam ao pegar o pergaminho das mãos de Péricles. Desenrolando o documento, ele leu, então deixou que se enrolasse novamente.

Curvando-se, apresentou o decreto à esposa beligerante e desconfiada, enquanto explicava:

- O Conselho realmente lhe dá cidadania especial. Não há precedentes, nenhuma exigência, ao conferir o status, minha esposa.

Ela ergueu as sobrancelhas:

- Nenhuma ?

- Nenhuma.

- Não há restrições escritas acompanhando esse status ? - ela insistiu, ainda desconfiada.

- Nenhuma.

Katniss estendeu a mão e tocou o pergaminho com um dedo.

- Não há nenhuma lei citada aqui, nenhuma condição que eu deva aceitar ?

- Nenhuma. Desconfio que tal omissão foi calculada pelo Conselho. E é uma omissão da qual tenho certeza que irão se arrepender.

Fitando o documento, depois o marido, ela hesitou e ele conteve a respiração.

Com agoniante lentidão, Katniss fechou os dedos ao redor do pergaminho e ergueu os olhos para ele, fitando-o com profunda atenção:

- Se eu aceitar, ficaremos aqui ?

- Se essa for a sua vontade.

Com a expressão de alguém determinada a aceitar o que os deuses tinham decidido, ela respirou fundo:

- Como não há condições neste documento que restrinjam os meus movimentos, eu aceito ! - declarou e apertou o pergaminho ao peito, com força.

Mas seu marido não soltou a ponta do rolo de pergaminho, que ainda segurava.

Surpresa, ela encarou-o.

- Oh, não, meu amor - sussurrou ele com uma risada - Não há nenhuma condição escrita aqui. Mas eu tenho as minhas condições.

Ela estreitou os olhos como uma ferazinha acuada:

- E quais são ?

- Se ficarmos, não quero minha esposa treinando nua numa arena.

Depois de um momento, ela assentiu:

- Posso concordar com isso.

- Nem vai lutar corpo-a-corpo com homem algum, exceto eu.

Um sorriso malicioso surgiu nos lábios dela:

- Então é melhor você praticar, ateniense, se quiser ser um oponente digno de minhas habilidades.

- E quando andar sozinha pelas ruas, você terá que concordar em não ir a certas áreas...

O sorriso dela sumiu:

- Por quê ? - já havia um toque de rebelião na bonita voz.

- Quero que seja livre, minha Tétis, mas não tão livre a ponto de encontrar novamente nossa velha amiga Sae. Temo que minha masculinidade possa não sobreviver a outra dose da poção que ela lhe deu daquela vez.

Katniss ficou muito vermelha:

- Maldito marinheiro ! Como ousa falar disso na frente de toda esta gente ? E não me chame por esse nome desagradável !

Furiosa, jogou o pergaminho na cabeça dele.

A risada alegre, sonora, de Peeta se fez ouvir em toda a praça, enquanto ele a envolvia com os braços e neutralizava a raiva da nereida espartana com um amoroso beijo.


P. S.: E aqui chegamos ao final de " A Escrava de Atenas", que é a minha vigésima quarta adaptação. Também é a minha terceira adaptação com o fandom de Jogos Vorazes, e a terceira adaptação com o ship Katniss/Peeta.

P. S. 2: E, com vinte capítulos e mais de oitenta mil palavras, esta tornou-se a maior adaptação que eu fiz e que postei no Fanfiction. Eu hesitei muito, e não foi fácil fazer esta adaptação, mas valeu a pena. E eu realmente espero que vocês gostem dela.

P. S. 3: E, se vocês gostarem... reviews, pode ser ?