Terceiro dia seguido de atualização, eu mereço um prêmio, né? Vou até pedir uma comidinha essa noite, hehe.
Como já consegui adiantar bastante da história (e o final de semana está colaborando), resolvi não segurar mais e postar logo. Confesso que estou ansiosa para chegar na parte onde parei na AU, porque estava começando a ficar bom de verdade. ;)
Agora, sem mais enrolação, vou deixar vocês curtirem o capítulo em paz. Boa leitura e espero que gostem!
— Puta que pariu — disse Caius, com seus olhos arregalados. Ele tomou um longo gole de sua bebida e repetiu, mais lentamente: — Puta… que… pariu.
Edward deixou uma risada áspera escapar-lhe os lábios.
— Isso soa bastante apropriado.
Virando o resto de vodka, Edward olhou para o copo vazio e fez uma careta.
— Essa merda não está fazendo nada por mim — disse, colocando o copo sobre a mesa de centro da sala e se afundando mais ainda no sofá. — Preciso de algo mais forte.
Caius ponderou as palavras do amigo antes de responder.
— Quer ir lá para cima? — ofereceu, Edward o olhou com interesse. — Tenho… coisa boa lá.
E foram.
Edward pediu para manter as luzes do quarto apagadas, não queria ver os olhares de pena de seu amigo. Como ele havia ido parar naquela situação? Parecia uma piada de mal gosto. Quando Caius foi até o cofre embutido em seu closet e o abriu, tirando de lá um pacotinho com um pó branco, ele sentiu seu corpo relaxar.
Mas isso era apenas instinto, não realidade. A verdade é que uma vez que a droga estava em seu sistema, Edward começou a relembrar a conversa que teve com Aro naquele dia e isso o fez sentir todo tipo de coisa ruim.
〰 Algumas horas antes 〰
— O que é isso? — Edward perguntou, recebendo um olhar sério de Aro, que apenas fez um gesto para que ele lesse o documento. Com as mãos trêmulas, Edward começou a ler. — Como ele pôde perder tanto dinheiro...?
— Eu gostaria de ter uma resposta satisfatória, Edward. Sempre pensei que seu pai tinha um controle maior sobre suas finanças. Robert tinha suas falhas, mas nunca imaginei que ele colocaria o futuro dos filhos em risco dessa maneira.
Edward ativamente ignorou o plural utilizado por Aro e franziu a testa, confusão e incredulidade brilhando em seus olhos. O advogado entregou-lhe outro documento, e Edward o pegou hesitante.
— Todas as propriedades... até mesmo a clínica... — A voz de Edward tremia levemente enquanto lia as palavras, e ele soltou uma risada que soou amarga e sem humor. — Ele hipotecou tudo?
Aro assentiu lentamente.
— Sim. Inicialmente, ele pegou empréstimos bancários, mas quando o dinheiro começou a escassear... ele recorreu à hipoteca das propriedades para manter suas apostas. A situação saiu do controle rapidamente.
Edward balançou a cabeça, ainda tentando processar as informações.
— Como ele pôde fazer isso... ele não podia...
— Todos os bens estavam legalmente no nome dele — Aro explicou calmamente. — Ele tinha o direito de fazer isso, e, infelizmente, ele o fez.
— Mas, agora, esses bens estão no meu nome…
— Sim, as propriedades agora são suas, junto com as dívidas que seu pai contraiu — Aro afirmou. — O Hustler Casino entrou em contato comigo. Eles exigem o pagamento total da dívida com os juros dentro de duas semanas, caso contrário, as propriedades serão executadas. Além disso, a herança está congelada até que a dívida seja quitada. Nem você nem seu irmão poderão acessar o dinheiro, que, infelizmente, não é suficiente para cobrir o valor total devido.
Edward olhou para o advogado, sentindo o peso esmagador da realidade cair sobre seus ombros.
— Meu pai… ele sabia disso? Sabia desse prazo? Ele nunca mencionou nada, nunca deu a entender que estávamos nessa situação — a voz de Edward tremia de incredulidade. — Porra, ele estava na Europa com uma vagabunda aspirante a modelo apenas uma semana antes de morrer!
Aro soltou um suspiro pesado antes de responder.
— O representante legal do Hustler Casino me informou que se encontrou com seu pai há... dois meses. Ele o alertou sobre o prazo de pagamento e as consequências de não quitar a dívida.
Edward engoliu em seco, sentindo o choque aumentar. Dois meses.
Dois meses atrás, Robert Masen recebeu uma visita que o deixou claramente abalado, dispensou a governanta e ficou incomunicável por um dia inteiro antes de ser encontrado morto em sua cama, vítima de um infarto.
〰 De volta ao presente 〰
— Filho da puta! — Edward sibilou enquanto preparava mais uma carreira.
— Ei, vai com calma nisso aí — advertiu Caius, sua voz carregada de preocupação.
— Vai se foder, Caius.
— Você não quer fritar seu cérebro, irmão. Seus futuros pacientes não vão gostar disso.
— Que futuros pacientes? — Edward riu com amargura. — Você acha que vou conseguir pagar as mensalidades da faculdade agora? Eu tô fodido, Caius! Eu não tenho porra nenhuma!
— Cara, tenho certeza de que meu pai vai te ajudar de alguma forma…
Mas Edward não queria ouvir. Ele sempre foi melhor em ignorar seus problemas do que em lidar com as coisas saindo de seu controle. E foi exatamente isso que ele fez. Ignorou até não poder mais, até a realidade dolorosamente óbvia de que não havia nada que ele nem ninguém pudesse fazer para consertar a situação o atingisse em cheio.
Seu pai tinha cometido um erro colossal e o deixou para trás para lidar com as consequências.
Edward ainda estava com o celular no ouvido, apertando-o com tanta força que parecia prestes a quebrá-lo. Seu rosto estava contorcido de fúria, os dentes cerrados em desgosto. Aro entrou na cobertura — praticamente vazia —, seguido por Caius. Eles estavam ali para ajudar Edward a encontrar um lugar mais acessível para morar, já que ele havia recusado a oferta de se mudar para a mansão dos Volturi.
Algum tempo havia se passado desde que Edward tomou a decisão de assinar a papelada autorizando o leilão das propriedades herdadas. O dinheiro que recebeu como parte de sua herança, após o pagamento das dívidas, não era o que ele esperava, mas era o que restava. Agora, ele estava considerando alugar um apartamento modesto e trabalhar para se manter enquanto decidia o que fazer com sua vida. A ideia de tentar uma bolsa na faculdade de medicina o atraía, mas o plano B — mudar de curso para algo que ele pudesse pagar — o enchia de repulsa.
Ele nunca quis ser outra coisa em toda a sua vida. Como poderia, de repente, escolher uma nova carreira agora? Não, ele precisava conseguir aquela bolsa de estudos. Sua vida, seu futuro, dependiam disso.
— Edward, você está bem? — Aro perguntou assim que viu a expressão de raiva estampada no rosto do rapaz.
Edward levantou os olhos do chão e encarou Aro com uma frieza que o fez tremer.
— Eu estava falando com Esme — ele respondeu, entre dentes, sua voz carregada de ressentimento. Aro endireitou-se, limpando a garganta.
— Ah, sim? E como foi?
— Fiquei bastante curioso para saber como aquela vagabunda conseguiu meu número.
— Edward, por favor, ela é sua mãe…
— O que você estava pensando ao passar meu número para ela? — Edward cortou Aro com um tom de voz afiado. — Qual é a porra do seu problema?
— Ei, cara, abaixa essa bola — Caius interveio pelo pai, mas Aro ergueu uma mão para silenciar o filho, não querendo ser o centro de uma briga entre os dois.
— Vejo que você está chateado, mas fiz isso para o seu próprio bem — disse Aro, com uma calma enervante.
Edward soltou uma risada sarcástica.
— Chateado? Isso está longe de descrever o que estou sentindo agora — Edward cuspiu as palavras. — Você não tem o direito de se meter na minha vida, porra!
Aro suspirou profundamente, sentiu estar preso em um déjà vu angustiante. Tinha certeza de ter tido conversas muito semelhantes com Robert e estava começando a perder a paciência.
— Você se parece demais com seu pai para o seu próprio bem, Edward — Aro respondeu, a expressão de preocupação cravada em seu rosto. — Ele também não sabia ouvir os outros, não aceitava ajuda e ignorava seus problemas até ser tarde demais. Tentei convencê-lo a parar com as apostas, mas foi em vão. Espero que você consiga perceber que aceitar a ajuda de sua mãe é o melhor caminho agora. Seria uma pena ver você perder o pouco que lhe resta por pura teimosia.
— Sai da minha casa — Edward murmurou, a voz tensa e baixa, como um aviso prestes a explodir. Aro franziu a testa, inclinando-se ligeiramente, sem ter certeza se havia ouvido direito.
— O quê?
— Eu disse: sai da porra da minha casa! — Edward gritou, a voz ecoando pela sala, carregada de uma raiva crua e impotente. Ele sabia, porém, que aquelas palavras eram vazias. A casa já não era mais sua.
A cobertura, assim como todos os bens que um dia pertenceram a Robert Masen, agora fazia parte do patrimônio do Hustler Casino. Em poucos dias, seria leiloada, e por mais que Edward gritasse, isso não mudaria nada.
Por hoje é isso, pessoal! Vou tentar voltar com o próximo capítulo no meio da semana (dedos cruzados!), mas, se tudo der errado, vocês podem esperar algo novo no próximo final de semana.
E, por favor, não deixem de comentar! Além de eu adorar saber o que vocês estão achando, isso ajuda muito a dar visibilidade para a história e fazer com que mais gente possa conhecê-la.
Então, é isso! Até a próxima!
08/09/2024.
