IDIOMA -Português Europeu (Inglês e Português do Brasil em breve)

N/A -A história passa-se durante o livro "Harry Potter e o Príncipe Misterioso", logo após a cena da enfermaria, quem que, após ver que Fleur ainda quer casar com Bill, mesmo após este ter sido mordido por Greyback, Tonks tem um colapso nervoso e implora o amor de Lupin, na frente de todos.
Não escrevo fan fictions desde que saiu este livro, ou seja, há cerca de 19 anos, por isso, tenham paciência comigo, por favor. :)

Prólogo

Remus saiu da enfermaria com um nó no peito, o peso de todas as suas palavras, do sofrimento de Tonks e da frustração acumulada no seu coração. Não havia mais como negar a verdade: ele amava-a, mais do que a qualquer outra coisa no mundo, mas estava tão preso às suas inseguranças e à sua própria maldição que não conseguia ver uma saída.

Sentou-se num banco de um dos jardins mais remotos de Hogwarts, onde as sombras da noite pareciam mais acolhedoras do que ameaçadoras. Precisava de um momento para respirar, para tentar organizar seus pensamentos. O som de passos apressados atrás dele fez seu coração saltar.

- Remus! - Era Tonks, a voz dela era urgente, mas cheia de remorsos.

Ele virou-se, com o rosto pálido e os olhos a brilhando também de culpa e tristeza, ao mesmo tempo. Ela parou a poucos passos dele, com os braços cruzados, como se tentasse proteger-se.

- Desculpa. - Começou, com voz sumida. - Desculpa por te interromper os pensamentos agora, desculpa por me ter passado à frente de toda a gente, desculpa. Desculpa por não ter respeitado o teumomento de dor em relação à morte do Dumbldore. Vi como ficaste de rastos, nunca te tinha visto assim. Deves estar destruído por dentro. Primeiro o Sirius, agora ele… E ainda tiveste de levar com a minha explosão, à frente de toda a gente. Deves sentir que o mundo está todo contra ti. Era a última coisa que eu queria. Só quero ver-te feliz, mas sou desastrada até nisso. Desculpa.

Ela tinha razão. Lupin estava arrasado, com tudo o que estava a acontecer, embora mantivesse sempre o seu ar impassível e calmo. No entanto, começava a enfraquecer. Não era de ferro. Com os olhos fixos no chão, ele limitou-se a encolher os ombros, sentindo-se derrotado, e respondeu:

- Não tens de pedir desculpa. Todos temos os nossos limites e este foi o teu. Percebo que a história do Bill e da Fleur tenha sido um gatilho para ti. Também não tens andado nada bem, não penses que não reparo. Em grande parte, por minha causa, e peço-te desculpa por isso. Ninguém está no seu estado normal. Estamos todos com os nervos à flor da pele. A guerra, as perdas… - Deteve-se, com a voz embargada. Não queria chorar na frente dela. Sempre se habituara a esconder e reprimir os seus sentimentos. Não poda quebrar. Não agora.

Ela aproximou-se mais e respirou fundo, tentando ganhar coragem para prosseguir. Então, colocando, a medo, uma mão no ombro dele, recomeçou:

- Parece que só sei pedir desculpa, mas tem de ser. Desculpa voltar ao assunto, mas prometo que é a última vez. Achas mesmo que eu me importo? – A sua voz tremia, enquanto uma lágrima teimava em escorrer-lhe pela face. – Com o facto de seres um lobisomem, ou com qualquer um desses disparates que dizes?

Tonks baixou-se, para poder olhá-los nos olhos, que estavam fixos no chão, e pediu, firmemente:

- Diz-me que não me amas e eu desisto de ti imediadamente. Mas apenas se for verdade. Se não for, desiste tu de me mandar embora. Rende-te, Remus Lupin. Estamos em guerra! Não precisamos de uma guerra entre nós.

Remus não respondeu. Tinha os olhos marejados de lágrimas, que teimava em conter a todo o custo.

Como não obtivesse resposta, Tonks suspirou e prosseguiu, com um tom mais meigo, sabendo que não tinha nada a perder. O pior que podia acontecer era continuar na mesma triste situação:

- Se não me amares, prometo que desisto de ti, ficamos apenas amigos e pronto. Prometo! Basta isso. Basta que digas, olhando-me nos olhos, com toda a sinceridade, que não me amas.

Tonks fitou-o, resoluta, mas nervosa. Olhou-o bem no fundo dos seus olhos azuis, tremendo perante o medo da resposta. Tinha prometido.

Remus baixou os olhos e passou a mão pelos cabelos, frustrado.

- Dora, eu... eu amo-te. Mas não percebes o que me estás a pedir. Não é só o facto de ser um lobisomem. É tudo o que vem com isso. O perigo, o preconceito… Eu não quero arrastar-te para esta vida.

Ela aproxomou-se a inda mais, com os olhos a brilhar de lágrimas e determinação.

- Eu já estou nesta vida, Remus. Estou aqui, não estou? Fico a cada noite de lua cheia à espera que voltes, vivo e inteiro. Luto ao teu lado constantemente. Eu amo-te, e agora, que admitiste que também me amas, não vou desistir de nós.

Ele sentiu o peito a ficar mais apertado, e antes que pudesse pensar, ela estava nos seus braços, com as mãos a agarrar o casaco dele com força.

- Não me mandes embora. - Pediu, embora já sem grande força. - Não agora. Deixa-me consolar-te pela morte do Dumbledore. Estás a sofrer. Estamos ambos a sofrer.

Para sua surpresa e felicidade, Lupin abraçou-a, sentindo o calor do corpo dela contra o dele, e foi como se algo finalmente se partisse dentro de si. As palavras não vieram de imediato. Limitou-se a abraçá-la, com as emoções quase a esmagá-lo. Beijou-a com uma urgência que não sabia possuir, como se todo o medo e desejo reprimido se derramassem naquele momento. Após o beijo, abraçaram-se e deixaram que as últimas emoções caíssem sobre eles e os dominassem totalmente.

Choraram durante algum tempo, abraçados um ao outro. A amálgama de emoções dos últimos tempos escapou, como numa panela de pressão, que chegara ao limite das suas capacidades.

- Desculpa. - Murmurou ele contra os lábios dela, após alguns minutos. – Desculpa por te ter afastado. Eu... sou um idiota. Tenho tanto medo de te perder que acabei por quase te afastar de vez.

Tonks sorriu contra o rosto dele, as lágrimas escorrendo silenciosamente:

- Nunca mais faças isso. - Sussurrou ela .- És um idiota adorável, mas és o meu idiota.

Os dois riram baixinho, e ele beijou-o novamente. Desta vez com mais calma, com mais doçura. O peso das dúvidas parecia diminuir um pouco, substituído por um calor novo e inesperado.A guerra estava cada vez mais próxima, e ambos sabiam que cada momento poderia ser o último. Decidiram, então, viver aquele amor sem reservas, mesmo com o medo e as incertezas que os cercavam.

Era o começo de algo que ele nunca achou que pudesse ter, algo que ele nunca se permitiu desejar.