Noite de Descobertas

O luar filtrava-se pelas cortinas do pequeno quarto, lançando um brilho prateado sobre as paredes e dando um ar quase mágico ao ambiente. As chamas da lareira já se tinham apagado praticamente por completo. Remus e Tonks estavam juntos, sentados na borda da cama, ainda um pouco nervosos e sorrindo um para o outro como se fossem adolescentes apaixonados. As mãos dela estavam entrelaçadas com as dele, e a proximidade era quase sufocante de tão intensa e emocionante.

- Estás bem? - Perguntou Tonks, com a voz suavemente preocupada, mas com aquele toque de brincadeira que sempre fazia Remus relaxar.

Ele assentiu, com um sorriso tranquilo, mas havia uma centelha de nervosismo nos seus olhos:

- Desculpa, pareço um adolescente idiota.

- E és. – Troçou ela. – Somos dois adolescentes idiotas, neste momento. – Soltou uma gragalhada e ele riu, também:

- Não deixas de ter razão.

O sorriso dela tornou-se meigo:

- Agora, a sério, não te preocupes. Combinámos ir com calma, Remus. Só... quero que esta noite seja nossa, aconteça o que acontecer. Não preciso de nada, além de estar aqui, contigo.

Remus assentiu, puxando-a para mais perto. Sabia que era inexperiente, que o seu conhecimento era teórico, derivado de relatos de Sirius e James, e de livros que lera na sua juventude (e não só), sem nunca ter colocado em prática. E mesmo que Tonks tivesse – pelo menos, aparentemente - mais liberdade e confiança, ela também estava a pisar um território novo com ele.

O sorriso dela suavizou-se e a expressão nos olhos dele tornou-se mais intensa.

- Eu quero que esta noite seja especial para nós, Remus. – Disse ela. - Quero que te sintas confortável, feliz. E eu quero... aprender tudo sobre ti.

Ele inspirou profundamente, sentindo o coração acelerar com as palavras dela:

- Eu também quero, Dora. Só... perdoa-me se eu não for... perfeito.

Tonks balançou a cabeça, puxando-o gentilmente para mais perto:

- Perfeito é um conceito sobrestimado. Eu só te quero a ti. Com todas as tuas falhas, as tuas cicatrizes, os teus... uivos. - Piscou o olho, sorrindo maliciosamente.

Remus riu, incapaz de se conter.

– Então, quer dizer que gostas de uivos?

Ela fez uma pausa, como se estivesse a pensar seriamente na questão:

- Bem, depende. Se for para a lua cheia, não. Mas se for... em outras circunstâncias... - Mordeu o lábio, os olhos escurecendo com a insinuação.

Ele deixou escapar uma gargalhada, mas não pôde evitar o calor que subiu pelo seu corpo ao ouvir aquilo, com o desejo a misturar-se com o amor que sentia por ela. Sentia-se mais vivo, mais jovem, mais desperto do que nunca. Lentamente, inclinou-se e beijou-a. Foi um beijo suave, exploratório, como se estivesse a tentar descobrir todos os segredos que ela guardava. As mãos dele deslizaram pelos ombros dela, descendo até à cintura, puxando-a gentilmente para mais perto.

Ela gemeu suavemente contra os lábios dele, e o som reverberou em todo o seu corpo. Remus sentiu-se ainda mais ansioso, mas de uma forma boa, como se estivesse prestes a embarcar em algo que sabia que mudaria tudo.

Tonks afastou-se apenas o suficiente para sussurrar contra a boca dele, o sorriso brincalhão ainda presente:

- Sabes, sempre me interroguei sobre o que escondias por baixo dessas roupas todas. E olha que tenho uma imaginação fértil.

Remus corou, mas o sorriso dele também era travesso:

- Espero não desapontar a tua imaginação, então.

Ela encolheu os ombros, fingindo desinteresse:

- Bem, só há uma maneira de descobrir. - Com um gesto rápido, deslizou as mãos até os botões da camisa dele, começando a desabotoá-la com dedos ágeis. - E se fores tão interessante sem camisa como és com ela, eu diria que estou com sorte.

Ele riu, com o nervosismo a dissipar-se com a atitude descontraída dela:

- Tens uma maneira única de desdramatizar tudo, sabias?

Ela deu-lhe um beijo na clavícula, sentindo os músculos tensos relaxarem sob seus lábios.

- Isso é um elogio?

- Definitivamente. - Remus fechou os olhos por um momento, absorvendo o toque dela, a sensação dos lábios de Tonks contra sua pele. Ela terminou de desabotoar a camisa e afastou-a dos ombros dele, deixando-a cair ao chão. Os seus olhos perscrutaram o peito dele, cheio de cicatrizes e marcas, cada uma contando uma história de dor e sobrevivência.

- És tão lindo. – Sussurrou ela, passando a ponta dos dedos por uma cicatriz particularmente longa. Ele estremeceu ao toque, mas não de vergonha. Havia algo na forma com que ela olhava para ele, com tanto amor e aceitação, que fazia com que ele quase acreditasse que podia ser verdade.

- És tão doida. – Murmurou ele, com a voz rouca de emoção.

- E tu és o homem mais maravilhoso que já conheci. – Rebateu ela, puxando-o para outro beijo. Dessa vez, o beijo foi mais profundo, mais intenso, e quando as mãos dela começaram a explorar o corpo dele, Remus sentiu a última das suas inibições derreter. Puxou-a para mais perto, as mãos a deslizar por dentro do top dela, sentindo o calor da pele e a curva suave da cintura.

Ela sorriu contra o beijo, rindo baixinho:

- Estás a gostar do que estás a descobrir, Professor?

- Mais do que alguma vez podia ter imaginado - Respondeu ele, com toda a sinceridade. - Tu és... incrível.

Tonks inclinou-se para trás, arrancando o próprio top com um movimento decidido, e o cabelo mudou para um rosa vibrante, enquanto sorria para ele, com os olhos a brilhar de desejo.

- Bem, ainda não viste nada.

Remus deixou escapar uma gargalhada alegre:

- Não tenho a menor dúvida.

Beijaram-se novamente, mais urgentes desta vez, e conforme as roupas se foram perdendo pelo quarto, a vulnerabilidade e o amor que sentiam um pelo outro tornaram-se a única coisa que importava. Cada toque, cada beijo, era uma descoberta, uma promessa de que estariam ali um para o outro, de que juntos poderiam superar qualquer coisa.

Os beijos intensificaram-se, com as mãos de Tonks a explorar as cicatrizes nos seus braços, no peito, lugares que ele costumava esconder, mas que ela tocava com carinho e reverência. Cada toque parecia apagar uma insegurança, uma marca deixada pela vida de lutas que ele tinha vivido.

Os corpos entrelaçaram-se lentamente, com cuidado. Remus viu-se maravilhado com a suavidade da pele dela, a maneira como ela suspirava ao seu toque, como o cabelo dela mudava de cor levemente, refletindo as suas emoções. Descobriram-se aos poucos, entre risos baixos e respirações entrecortadas, tentando entender o ritmo um do outro.

Quando finalmente se uniram, foi um momento de pura vulnerabilidade. Não havia urgência, apenas um desejo de partilhar aquele instante, de se mostrarem exatamente como eram, sem barreiras, sem medo. Remus sentiu um calor tomar conta do seu peito, um amor tão profundo que o fez quase chorar. Ele nunca tinha pensado que seria capaz de ter algo assim, tão verdadeiro. Foi como se o mundo ao redor desaparecesse. Não havia mais medo, apenas o amor e a aceitação que partilhavam. Tonks brincava suavemente, sussurrando palavras de carinho e pequenos risinhos, enquanto Remus a segurava, guiando-a com uma delicadeza que apenas ele poderia ter.

Tonks sussurrou o nome dele, segurando-o com força, e naquele momento, ele soube que todas as dúvidas que tivera não tinham mais lugar ali. Estavam juntos, e por mais que o futuro fosse incerto, aquele momento era real.

De repente, ele sentiu uma explosão de prazer como nunca havia sentido antes. Perdeu o controle de si mesmo e… uivou, enquanto perdia as forças. Por uns instantes, ficou aflito, assustado consigo mesmo e com medo da reação dela. No entanto, nos olhos de Tonks bailava um ar de surpresa e, ao mesmo tempo, um sorriso divertido. Então, ele relaxou e os dois começaram a rir, com as poucas forças que lhes restavam.

Quando finalmente se deitaram juntos, o corpo dela encaixado no dele, os corações batendo em sincronia, Remus soube que nunca mais seria o mesmo. Estava assustado, mas também maravilhado, e acima de tudo, profundamente feliz.

Tonks olhou para ele, os olhos brilhando de ternura e amor:

- Amo-te, Remus John Lupin.

Ele sorriu, beijando-lhe a testa suavemente.

- Também te amo, Nymphadora Tonks.

Ela fez uma careta brincalhona:

- Não acredito que usaste o meu primeiro nome.

Ele riu baixinho:

- Não me faças uivar, Dora.

Ela riu com ele, e então se aconchegou mais perto:

- Prometo tentar não te provocar.

Remus suspirou, sentindo-se completo pela primeira vez em muito tempo. E enquanto a noite seguia, cheia de promessas e esperanças para o futuro, eles entregaram-se um ao outro com todo o amor e desejo que tinham guardado por tanto tempo.

Depois, ficaram abraçados, o silêncio confortável entre eles, as respirações sincronizadas. Tonks estava com a cabeça sobre o peito dele, e Remus afagava suavemente os seus cabelos agora castanho-claros, sentindo uma paz que não sabia ser possível.

Sorriu, beijando-lhe a testa:

- Obrigada por não teres desistido de mim.

- Obrigada eu por teres desistido de me afastar. – Tonks ergueu o olhar, com os olhos brilhantes de determinação. - Jamais desistiria de ti. Tu vales a pena, Remus Lupin. Sempre.

E naquela noite, envoltos pelo calor de um ao outro, Remus e Tonks adormeceram, sabendo que, acontecesse o que acontecesse, aquele momento seria para sempre deles.