Manhã Seguinte, Grimmauld Place

O primeiro raio de sol esgueirou-se por entre as pesadas cortinas do quarto de Grimmauld Place, tocando suavemente o rosto de Remus Lupin. Ele abriu os olhos lentamente, piscando os olhos algumas vezes antes de se habituar à luz suave que invadia o espaço. Havia uma sensação de calor e conforto que ele quase não reconhecia como familiar.

Virando-se na cama, seus olhos caíram sobre Nymphadora Tonks, ainda adormecida ao seu lado. Os seus cabelos, que durante a noite mudaram várias vezes de cor em resposta aos seus sonhos, estavam agora de um tom suave de rosa claro, espalhados pela almofada. Remus não conseguiu evitar um sorriso ao vê-la assim, com o rosto sereno e os lábios entreabertos.

Sentiu uma onda de felicidade invadi-lo, mas também uma pontinha de dúvida: como podia ele, Remus Lupin, um homem marcado pela lua e pelas cicatrizes da vida, ter tido a sorte de encontrar alguém como ela?

Tonks mexeu-se, murmurando alguma coisa ininteligível antes de abrir um olho, piscando-o contra a luz. Encarou por um momento, confusa, antes que um sorriso lento e sonolento se formasse nos seus lábios.

- Bom dia, professor Lupin, - Murmurou, sua voz rouca de sono. - Se eu soubesse que acordar ao seu lado seria tão bom, ter-me-ia esforçado para conquistá-lo mais cedo.

Remus riu baixinho e o som reverberou no silêncio tranquilo do quarto.

- Bom dia, Nymphadora. - Respondeu, sabendo muito bem que ela odiava aquele nome, mas não conseguindo evitar provocá-la um pouco.

Ela revirou os olhos, mas o sorriso em seus lábios só aumentou:

- Cuidado, ou eu faço-te acordar com cabelo cor de rosa, Remus John Lupin.

Ele ergueu uma sobrancelha, fingindo estar pensativo:

- Cor de rosa, hã? Bem, não seria minha primeira escolha, mas talvez seja uma melhoria. - Brincou, com o sorriso a transformar o seu rosto geralmente sério em algo mais leve, quase jovial.

Tonks soltou uma gargalhada, um som leve e despreocupado que encheu o quarto. Essticou-se, esfregando os olhos, antes de se virar completamente para ele. Os seus dedos traçaram levemente as cicatrizes no peito de Lupin, enquantops seus olhos procuravam os dele, e a seriedade substitui por um momento o humor:

- Remus... está tudo bem? Quer dizer... tudo isto... nós...

Ele entrelaçou os dedos nos dela.

- Eu estou bem, Tonks, - Disse suavemente. - Mais do que bem. Estou... feliz. A sério. Só só que...- Fez uma pausa, escolhendo as palavras com cuidado. - Só que ainda me estou a habituar a ter algo tão bom na minha vida. Tu.

Tonks mordeu o lábio, com os olhos a brilhar:

- Tu mereces, Remus. Se há pessoa que merece ser feliz, essa pessoa és tu.

Ele sorriu, apertando a mão dela:

- E tu mereces mais do que eu te posso oferecer, mas aqui estamos.

- Eu gosto do que tens a oferecer. – Replicou ela, aproximando-se para um beijo suave, que rapidamente se tornou mais profundo e cheio de promessas de um novo começo.

Depois de algum tempo, Tonks afastou-se, com uma expressão travessa no rosto.

- Agora, a sério, estou cheia de fome. A última coisa que comi foi uma fatia bolo na noite passada e, considerando o que fizemos desde então, acho que queimei mais calorias do que deveria.

Remus soltou uma gargalhada, sentindo-se incrivelmente leve:

- Então, o que gostaria a menina de comer ao pequeno almoço? Podemos pedir ao Kreatcher, se ele estiver de bom humor hoje.

Tonks fez uma careta exagerada:

- Prefiro não arriscar. Ele era capaz de por veneno na comida e ainda diria que foi um acidente.

Remus riu novamente, sentando-se e esticando os braços acima da cabeça.

- Então é melhor eu fazer alguma coisa para nós.

Tonks assentiu, também se sentando, mas rapidamente se enrolou no cobertor, olhando-o com uma expressão curiosa:

- O Remus Lupin sabe cozinhar? Isso, para mim, é novidade.

Ele encolheu os ombros, com um brilho divertido nos olhos:

- Digamos que, com uma vida como a minha, é bom ter algumas habilidades extras. Não te preocupe, vou fazer algo simples.

- Simples é bom. Só não deites fogo à cozinha, por favor. – Disse ela, inclinando-se para lhe dar mais um beijo antes de sair da cama e enrolar-se ainda mais no cobertor, parecendo um casulo ambulante.

- Prometo tentar não causar um incêndio- Respondeu Remus, observando-a com carinho enquanto ela tentava encontrar as suas roupas espalhadas pelo quarto. Ele levantou-se também, pegando nas calças e na camisa atiradas para o lado da cama. - Mas se isso acontecer, podes sempre me salvar com as tuas habilidades de auror, não?

Tonks piscou para ele, já com um dos seus ténis na mão, e lançou-lhe um sorriso travesso:

- Combinado. Mas se fizeres porcaria, transformo-te em sapo.

Remus abanou a cabeça, rindo, sentindo uma felicidade tranquila invadi-lo enquanto se dirigia para a cozinha, com Tonks ao seu lado. Era um novo começo, e por mais incerto que fosse, ele estava pronto para aproveitar cada momento.