Um pub, no norte da Escócia

Remus olhou ao redor, sentindo-se ligeiramente deslocado no pub pequeno e aconchegante. A lareira acesa aquecia o ambiente, e o cheiro de cerveja de manteiga e tarte de carne pairava no ar. O lugar estava quase vazio, com exceção de um grupo de feiticeiros locais, que conversavam animadamente numa mesa no canto. Ninguém parecia prestar atenção ao casal que acabara de entrar, o que era exatamente o que ele queria.

Virou-se para Tonks, que estava ao seu lado, com os olhos brilhantes de animação. Os cabelos dela estavam de um vibrante azul-turquesa, como se refletissem o céu claro e a liberdade que sentia naquele momento.

- Tens a certeza, Dora? - Perguntou pela décima vez, tentando esconder o nervosismo na voz. Podemos esperar mais um pouco, talvez planear melhor, convidar... sei lá, alguém da Ordem..."

Tonks revirou os olhos, mas o seu sorriso permaneceu firme.

- Remus, nós já discutimos isso. Foste tu que disseste que não querias algazarra. Estamos no meio de uma guerra. Não temos tempo para grandes festas ou convites elaborados. Só quero casar contigo. Hoje. Agora"

Remus abriu a boca para argumentar, mas ela interrompeu-o com um beijo rápido, que o deixou ligeiramente tonto.

- Além disso, se você não concordar, transformo-te num texugo e caso contigo na mesma.

Ele não pôde evitar sorrir:

- Um texugo? Que pena, estava a torcer para ser um elegante lobo da Alsácia.

Tonks soltou uma gargalhada, chamando a atenção de alguns dos bruxos no canto, que deram um olhar curioso, mas logo voltaram a seus copos.

- Alguma coisa contra os texugos, Sr. Lupin? São o símbolo dos Hufflepuff, a minha casa de Hogwarts.

- Ups! – Fez ele, com um sorriso culpado, mas divertido.

- Remus, agora a sério. Não se trata de pressa ou desespero. É só que... quero aproveitar cada segundo que podemos ter juntos. E quero que saibas, sem sombra de dúvida, que eu escolhi estar contigo. Mesmo que isso signifique casarmos num pub, com uma placa de veados empalhados na parede como testemunha.

Remus olhou-a, com o coração acelerado. Sabia que não era apenas a situação da guerra que o preocupava. Era o medo constante de que o seu estigma como lobisomem pudesse prejudicá-la de alguma forma, de que ele não fosse o suficiente. Mas, olhando para os olhos dela, cheios de amor e determinação, todos esses medos pareceram afastar-se um pouco.

- Tudo bem. - Disse finalmente, devolvendo-lhe o sorriso. - Mas quero deixar claro que não tem nada a ver com o facto de teres ameaçado transformar-me em texugo.

Ela piscou-lhe o olho:

- Claro que não, querido, claro que não. Agora, vem, vamos encontrar um celebrante de casamentos antes que mudes de ideias outra vez.

Dirigiram-se ao balcão, onde um feiticeiro de cabelos grisalhos e óculos tortos limpava um copo com uma expressão entediada.

- Com licença. - disse Tonks, sorrindo. – Sabe indicar-nos um celebrante de casamentos por aqui? Algo simples e rápido.

O bruxo olhou para eles, com os olhos arregalados:

- Casamento? Aqui? - Olhou em volta, como que a certificar-se de que estavam a falar a sério. - Bem, há o Velho MacDougal. Ele faz esses casamentos rápidos. Mas também é o Keeper do nosso clube de Quidditch local, portanto, pode ser que vos peça para se inscreverem como sócios do Canhões de Chudley.

Remus soltou uma risada involuntária:

- Acho que conseguimos lidar com isso.

Minutos depois, o Velho MacDougal foi chamado. Era um homem corpulento, com um bigode espesso e um sorriso afável.

- Então vocês querem casar, hã? De forma rápida e eficaz? - Perguntou, já tirando uma varinha e um pequeno caderno do bolso.

- Isso mesmo. - disse Tonks, apertando a mão de Remus. – Rápido e eficaz.

MacDougal encolheu os ombros, indicando um canto mais tranquilo do pub.

- Certo. Então, vamos lá. Há alguma coisa especial que queiram dizer um ao outro? Promessas? Declarações de amor eterno?

Remus e Tonks entreolharam-se, e ele sentiu uma onda de emoção incontrolável:

- Nymphadora Tonks, eu... eu prometo amar-te e protege-ter, mesmo que eu não seja perfeito e tenha mais cicatrizes do que aquelas com que mereces lidar."

Ela sorriu, com os olhos a brilhar:

- Remus, eu amo-te exatamente como tu és, com cada cicatriz e todos os teus altos e baixos. Prometo amar-te, haja o que houver, e fazer-te rir sempre que for preciso.

- Mesmo que seja à custa da minha dignidade. - Brincou ele, piscando-lhe o olho.

- Principalmente, à custa da tua dignidade. – Concordou ela, rindo.

MacDougal sorriu e levantou a varinha, traçando um arco no ar que brilhou em tons dourados.

- Declaro-vos marido e mulher. Podem beijar-se. Ou não. A escolha é vossa.

Antes que Remus pudesse processar o que havia acabado de acontecer, Tonks atirou os braços ao redor dele e beijou-o com tanta paixão que os feiticeiros na mesa ao lado explodiram em aplausos e assobios.

- Vivam os noivos! - Gritou um dos feiticeiros. - Um brinde ao amor!

Tonks e Remus separaram-se, rindo, e levantaram as mãos em agradecimento, corados, mas felizes.

Mais tarde, enquanto caminhavam de volta para o quarto que tinham reservado numa pequena hospedaria próxima, Remus segurou na mão de Tonks e trouxe para perto dele:

- Sabes, Tonks, eu continuo preocupado com o que isto pode significar para ti. O perigo, o estigma, as dificuldades...

Ela parou, virando-se para ele com um olhar sério.

- Remus, pela milionésima e última vez, para com isso. Nós estamos no meio de uma guerra. Nada é certo. Podemos perder tudo amanhã. Mas hoje, eu tenho-te a ti, e tu tens-me a mim. Não importa o que aconteça, eu não mudaria nada. Prefiro enfrentar qualquer coisa contigo do que passar a minha vida longe do homem que amo.

Ele suspirou, sentindo uma mistura de felicidade e medo:

- És a mulher dos meus sonhos, sabias?

- Ah, sim? - Ela ergueu uma sobrancelha. - Bom, espero que teus sonhos incluam dividir a almofada, porque eu tenho uma certa tendência para me espalhar toda na cama.

Remus riu, puxando-a para um abraço.

- Desafio aceite.

Enquanto continuavam a caminhar, Remus não pôde deixar de se sentir incrivelmente feliz, mesmo com todas as incertezas. Tinha casado com a mulher que amava, e, embora a vida pudesse ser imprevisível e cheia de dificuldades, naquele momento, permitiu-se acreditar que tudo ficaria bem.