Oiii, boa leitura!
Capítulo Quatro
O vestido vermelho
Edward
Coloquei na boca mais um cigarro, já tinha perdido a conta de quantos tinha fumado, mas era minha forma de escapar da bagunça que se encontrava minha mente. Tudo na boate foi uma grande merda, Bella e aquele cara, Bella tentando me beijar — ok isso não tinha sido ruim, mas o desenrolar sim — e depois eu tendo de afastá-la.
— Vamos passar a noite aqui encarando o mar? — James perguntou para mim, sentado ao meu lado na praia particular dos Denali.
Depois do que tinha acontecido no terraço Bella tinha ido embora da boate, com Benjamin, Vick me informou daquilo com uma expressão de julgamento no rosto. E eu voltei para a casa dos pais dela com nossos amigos, e não queria ir para o quarto dormir, não quando estava pensando sem parar em Isabella nos lençóis de outro naquela noite.
— A Bella gosta de mim — foi minha resposta, lembrando dos lábios dela quase tocando os meus, e da sua expressão de raiva e tristeza quando a afastei.
— Jura!? — James ironizou, ele tinha insistido em ficar ali me fazendo companhia. — E você só precisou de 10 anos para perceber isso, seu idiota? A garota te ama, e você dispensou ela, mais uma vez.
Meu estômago se retorceu, eu tinha perdido Bella para sempre naquele terraço? Ela ainda continuaria sendo ao menos minha amiga?
— Por quê, Edward? — ele indagou, meus olhos se encheram de lágrimas. — Olha pra mim, cara — meu amigo exigiu e eu olhei. — Por que você não fica com ela? Só por serem amigos? Vick e eu éramos amigos antes de tudo, e aqui estamos, não entendo porque não se permite ficar com a Bella.
Eu não poderia dizer sobre o segredo, pois James talvez não fosse capaz de guardá-lo como eu guardava e sabia se aquilo fosse exposto a vida de Isabella iria desmoronar.
— Você está perdendo a garota que ama, sabe-se lá o porquê, e ainda tá enrolando a Heidi nessa história por não querer ficar sozinho. É meu amigo, Edward, mas tá sendo um grande idiota, sabe disso, não sabe?
— Eu sei.
— Então, vai tomar vergonha na cara e terminar com Heidi, e se acertar com Isabella de uma vez?
Suspirei, voltando a olhar para o mar. James resmungou e se levantou, provavelmente de saco cheio de mim, como eu também estava.
— Vou te deixar ficar aí e pensar, amanhã a gente se fala.
Ele foi embora, eu acabei meu cigarro e deitei na areia, encarando o céu. Pensando no segredo, pensando em Bella, pensando em como tudo poderia ter sido diferente se eu nunca tivesse escutado aquela maldita conversa.
O som de um carro chegando me despertou dos pensamentos, deveria ser Bella, voltando dos braços de Benjamin. Fiquei de pé, sacudindo o corpo na busca de me livrar um pouco da areia e corri até a casa, eu encontrei Isabella na cozinha, segurando uma garrafa de água em suas mãos.
— Ei — murmurei, ela me olhou, menos irritada do que quando deixou o terraço, mas obviamente ainda triste.
Ela gostava de mim, talvez tivesse passado todos aqueles anos gostando. Entretanto, ela me odiaria em um piscar de olhos se soubesse do segredo que escondia dela. E eu faria tudo, inclusive continuar escondendo a verdade dela, para tê-la junto de mim o quanto fosse possível.
— Me desculpa — pedi. — Mais cedo…
— Você não precisa pedir desculpas — ela me interrompeu. — Fui eu quem tentou te beijar. — Desviou o olhar para a garrafa que segurava. — Ficaria grata se você não contasse isso para Heidi, ela é minha amiga.
— Bella, eu… — voltei a falar, mas não sabia como terminar.
Seus olhos castanhos retornaram para mim, e mesmo que a cozinha estivesse pouco iluminada, vi as lágrimas neles.
— Você é minha melhor amiga, se a gente puder esquecer dessa noite, acho que seria o melhor para todos — foi o que falei por fim, querendo que as coisas voltassem ao normal, ou que pelo menos voltássemos a jogar tudo para debaixo do tapete. — Eu só… — Me aproximei dela, bem devagar. — Só não posso te perder, não se afasta de mim — implorei, e para minha surpresa, ela riu.
— Edward, você tem que fazer algo muito pior do que não me beijar para me perder — sussurrou. Como esconder um segredo sobre sua origem? — Você também é meu melhor amigo, vamos realmente só esquecer tudo isso, a gente tinha bebido muito e… — A voz dela falhou, mas Bella forçou um sorriso e terminou. — É culpa de Hamptons, algo no ar daqui mexe com a nossa cabeça, né? Bom, que seja, está esquecido. Eu vou dormir, não se esqueça que combinamos de andar de bicicleta com a Sunny amanhã de manhã. — Afagou meu braço por um segundo, se livrou de sua água, pegou seus sapatos e bolsa que estavam no chão e deixou a cozinha.
Eu voltei para a praia, precisava fumar mais um.
X
A dor de cabeça na manhã de domingo era excruciante, mas eu nunca perderia um passeio de bicicleta com Summer e Bella, um dos hobbies favoritos das duas. Além do mais, Isabella tinha insistido em sair sem seguranças e mesmo que em Hamptons as coisas fossem mais tranquilas do que em New York, não a deixaria sair desacompanhada por aí.
— Eu quero um sorvete de baunilha com cobertura de chocolate e morango — Summer respondeu quando perguntei qual sorvete ela queria, ao pararmos para tomar o doce em uma das praias próximas a casa dos Denali.
— E você também quer que a sua mãe me mate por te dar tanto doce, né? — perguntei para a garotinha, que empurrava sua bicicleta rosa com cesta na frente, igual a da sua madrinha, para o local que iríamos parar e sentar junto ao carrinho de sorvete.
— Vick vai ficar feliz em saber que você tem medo dela, Bob — Bella disse rindo, naquela manhã ela tinha acordado bem diferente, com o astral lá em cima, como se a cena do terraço nunca tivesse acontecido.
— Eu não tenho medo dela — rebati.
— Tem sim — Summer disse rindo, eu forcei uma risada e puxei a ponta do seu rabo de cavalo.
— As duas, se comportem. Bella, o de sempre?
— Óbvio.
Segui até o carrinho após deixar minha bicicleta com elas, as duas se sentaram e eu comprei o sorvete recheado de açúcar de Sunny. Para Bella e eu, sorvetes de chocolate simples, nosso favorito desde crianças.
— Padrinho — Sunny disse, com o rosto sujo do doce, algum tempo depois. — Quando você e Heidi vão casar?
Bella engasgou, ficando vermelha, mas dispensou quando tentei bater em suas costas para ajudá-la.
— Tudo bem, madrinha? — Sunny perguntou assustada para ela, mas Bella já tinha melhorado.
— Tudo ótimo — Bella respondeu e tossiu uma última vez. — Vou comprar uma água. — Se levantou tão rápido que sua cadeira quase caiu e foi até o carrinho de sorvete.
— Sunny, esquece esse assunto de casamento — respondi, engolindo em seco, e limpei o rosto dela.
— Por quê? Ela é legal, sempre joga Uno comigo — a garotinha insistiu. — Você não acha ela legal?
— Claro que acho. — E achava mesmo, quando ela não estava me irritando sobre minha família não gostar dela, ou sobre devermos gravar uma música juntos, ou que fossemos juntos em todo evento, isso sem falar nas várias campanhas publicitárias de casal que o pai dela insistia com meu empresário para que eu fizesse ao lado de Heidi. Mas, sim, ela era legal, não era Bella, obviamente, mas eu ao menos tinha alguém. — Só que casamento, isso é algo sério, não tá na hora de pensar nisso.
— Poxa, que pena — minha afilhada falou. — Eu amo casamentos.
— Vamos embora? — Bella reapareceu, com sua água e parecendo irritada com algo, mas não era o papo sobre casamento, e sim alguns paparazzis que estavam a uma curta distância tirando fotos da gente. — Vem, Sunny, coloca o boné do Edward. — Minha amiga arrancou o boné da minha cabeça e o ajustou na cabeça de Summer, uma forma de proteger um pouco a garota das fotos.
— A gente já precisa ir mesmo? — Sunny perguntou chateada, ainda mais por ter que deixar seu sorvete.
— Vamos, podemos ir para a praia chegando em casa — falei com ela, sabendo que Bella só queria uma manhã tranquila pedalando e não uma manhã cercada por fotógrafos.
X
Se tinha algo que Cullens e Denalis tinham em comum era a capacidade de darem ótimas festas, por isso quando deixei meu quarto na casa dos pais da Bella e desci para a festa, sabia que o resto da tarde e a noite seriam longas. Ninguém dormia cedo quando uma das famílias estava festejando algo, e aquele era um dia ainda mais especial por ser aniversário de 30 anos de casamento de Carmen e Eleazar.
— Garoto, você está tão lindo! — Yolanda, a avó de Bella, me elogiou e assobiou quando me viu descendo as escadas.
— Assim eu fico constrangido, vovó — falei, a chamando da forma como a chamava a minha vida inteira, caminhei até ela e beijei sua bochecha. — A senhora também está um arraso — elogiei seu vestido dourado, bem brilhante como ela gostava de usar.
— Obra da sua mãe, ela é a melhor costureira que existe.
— Se chama estilista, mamãe — Carmen falou, aparecendo na escada por onde eu tinha acabado de descer.
— Dá no mesmo. — Yolanda deu de ombros.
— Você também está um arraso, Carmen — eu disse para ela, que usava um vestido branco esvoaçante, parecia a pintura de uma deusa grega.
— Quando eu não estou, querido? — perguntou dando um beliscão em minha bochecha, me fazendo rir. — Me conte uma novidade.
— Às vezes acho que você e minha mãe dividem o mesmo cérebro — comentei.
— E falando nela, Esme já deveria estar aqui, queria um brinde exclusivo antes dos outros convidados chegarem. Liga para ela e pergunta se já está perto?
— Claro.
Meti a mão no bolso da minha calça — eu usava uma preta social, com uma regata branca e um blazer escuro por cima —, para pegar o celular, mas notei que ele não estava ali.
— Deixei o celular no quarto, já volto. — Corri escada acima, até o terceiro andar, onde ficava a suíte que eu ocupava e bem na hora vi Bella deixando seu quarto.
Eu paralisei, meus músculos se contraíram e meu coração disparou. Ela estava usando vermelho, minha cor favorita, minha cor favorita, ainda mais quando era Isabella a vestindo.
— Você fica muito linda de vermelho — eu tinha dito noites de verão atrás, ela riu suavemente e beijei sobre seu nariz sujo com a tinta em pó.
O vestido era parecido com o de Carmen, de um tecido fino e esvoaçante. Entretanto, o de Bella tinha uma longa fenda na lateral esquerda e um decote mais profundo. Ela estava incrível, linda pra caralho, com uma sandália baixa, maquiagem realçando seus olhos castanhos e um batom também vermelho.
— Querida, você está linda! — a voz de Eleazar me distraiu, virei e o vi deixando sua suíte, Bella sorriu em agradecimento ao pai e eu quis morrer ali mesmo, era tudo culpa dele. Se eu não podia beijar Bella, se eu não podia tocar em sua perna por aquela fenda, se eu não podia passar as mãos por seus cabelos soltos em ondas, se eu não podia ser dela e ter ela, era tudo culpa dele e do segredo que me obrigou a esconder.
— Obrigada, papai. Edward, tudo bem? — ela perguntou, notando que eu não estava com a melhor das expressões.
— Sim, eu só… — Meu olhar se cruzou com o de Eleazar, e o seu era de aviso, me fazendo lembrar que nada poderia ser falado.
— Não diga nada para Bella, Edward, se você realmente é amigo dela, nunca vai deixá-la saber sobre esse assunto — Eleazar tinha dito dias antes quando falei com ele no dia que Bella suspeitou sobre o ao ter uma amante, e eu tinha concordado em manter o segredo.
— Preciso ligar para minha mãe. — Entrei no meu quarto, batendo a porta com força, colocando uma distância segura entre eles e eu.
X
Heidi chegou a festa na hora prometida, depois de reprogramar sua agenda, e antes do jantar ser servido eu a vi dançando com Bella, as duas rindo e tirando algumas fotos entre uma música e outra. Sentado sozinho na mesa destinada à minha família, eu bebia uma cerveja e tentava não começar a chorar ali mesmo por ter transformado a minha vida numa bagunça.
— Tudo bem? — Alguém tocou meu ombro, era Vick, que se sentou ao meu lado.
— Sim — menti, ela riu da minha cara.
— Perceptível, você é o mais animado aqui, Cullen — debochou.
— Você é irritante, sabia? Me deixa em paz.
— Ok, tchau. — Ela fez menção de se levantar, mas pensei melhor e segurei seu braço, a fazendo ficar.
— Fica, pelo menos você me irritando me distraí.
— E do que tanto você precisa ser distraído, Edward?
Eu não poderia contar o segredo para James, muito menos para Vick.
— Que minha afilhada tem a mãe mais chata do mundo, pobre garota — provoquei, Vick riu de novo e me vi lhe abraçando com força, buscando algum tipo de conforto. Ela afagou minhas costas e disse. — Você sabe que é como o irmão chato que eu nunca tive, não sabe?
— Sei, você também é como a irmã chata que eu nunca tive.
— E você sabe que a Bella é como minha irmã? E eu só quero a felicidade de vocês, que está claro que só vai ser 100% quando vocês ficarem juntos.
— Se ela é sua irmã, e eu sou seu irmão, quer dizer que ela e eu também somos irmãos? Isso seria muito incestuoso, Victoria — declarei, debochando e a provocando mais um pouco. Ela resmungou, me deu um tapa na cabeça e desfez o abraço.
— Acorda pra vida, Edward, antes que você perca a Bella pra sempre.
— Benjamin? — perguntei num sussurro, tremendo que ela gostasse dele, eu sequer sabia o que um era pro outro de verdade.
— Não, ele é apenas um contatinho dela, mas pode acabar aparecendo outro cara e você vai perdê-la e eu só vou poder rir da sua cara, porque já tô te avisando sobre. Então, vê se toma uma atitude.
— Valeu pelo conselho, Vick — agradeci.
— Vai seguir?
— Não — neguei, ela rolou os olhos. — Eu não posso.
— Por quê?
— Eu só… Eu só não posso. — Peguei minha cerveja e saí, precisava de uma bebida mais forte.
X
Meus pais foram os padrinhos de casamento de Eleazar e Carmen, então, não foi uma surpresa quando eles foram chamados para fazerem discursos. Primeiro meu pai, sendo o piadista que era, falando com humor sobre a noite que ajudou Eleazar a fazer o pedido de casamento, mas não sem antes os dois acabarem presos num elevador por horas.
Depois, minha mãe se levantou para falar. Em nossa mesa estavam meus pais, Heidi e eu, Jasper e Maria, Vick, James e Sunny.
— Eleazar, eu sei que a Carmen é sua esposa, blá blá blá, mas antes de qualquer coisa ela é minha melhor amiga. Então, vocês podem estar comemorando bodas de pérola, mas comigo já é um colar inteiro de pérolas raríssimas. — Carmen de sua mesa riu e jogou um beijo para minha mãe. — Mas, tudo bem, porque você deu dois filhos incríveis para minha Carmen — mamãe disse e meu estômago se contorceu. — E seus filhos são os melhores amigos dos meus, e graças a Nossa Senhora de Guadalupe, como vocês dois falariam, tiveram uma garota, porque só Deus sabe quanto estavamos enlouquecendo com todos esses garotos, especialmente você Emm. — O irmão de Bella gargalhou da mesa da família Denali. — Eu sou muito grata por fazer parte dos dias dos Denali, como sou muita grata por ter vocês nos dias dos Cullen, principalmente quando Carlisle quer falar sem parar sobre algum filme estranho que viu e só Eleazar é capaz de sustentar conversa com ele sobre isso. Ou quando Carmen, Edward e eu nos unimos para assistir Sex and The City. — Foi minha vez de rir. — E principalmente quando Yolanda flagrou Jasper bebendo pela primeira vez e ao invés de dar um sermão, sentou e bebeu com ele, muito obrigado por apresentar uma bebida de verdade para meu primogênito que estava tomando um vinho de providência bem duvidosa. — Todos gargalharam. — O que quero dizer é que, Eleazar e Carmen, vocês são os melhores amigos que Carlisle e eu poderíamos ter, assim como Emmett e Bella são os melhores amigos que meus filhos também poderiam ter. Estou muito feliz que chegaram aqui, 30 anos, ein? Mas não se esqueça, Eleazar, o colar de pérolas é meu, você precisará de mais 30 anos para tentar me alcançar.
Todos bateram palmas, e minha mãe andou para abraçar os aniversariantes do dia. Eu bebi todo o champanhe em minha taça após o brinde que Emmett puxou e pensei que os discursos tinham acabado, mas Bella se levantou e lhe entregaram um microfone.
— Algumas garotas crescem apaixonadas pelos casais de contos de fadas, eu cresci apaixonada por meus pais. Nunca vi um sentimento tão forte quanto esse que une os dois, que vemos presente quando papai compra dezenas de meias para minha mãe porque ela sente muito frio nos pés, ou quando mamãe se recusa a dormir sem pelo menos uma hora de conversa com papai. Também tem os aniversários, um ou do outro, que não importa o que estejam fazendo, precisam ser comemorados juntos. E teve nossa desastrosa viagem para a Austrália, lembra dela, Emmett? Nós todos ficamos doentes, e eu nunca vi duas pessoas tão apaixonadas, mesmo com todo aquele vômito envolvido… Desculpem por falar disso na hora do jantar, mas é só para que tenham uma ideia de o quanto esses dois se amam. Mãe, eu desejo um dia encontrar alguém para comprar dezenas de meias para mim como você encontrou, mesmo que seja no meio do verão.
Bella finalizou o discurso puxando um brinde novo, eu não tinha mais nada em minha taça, mas a observei tomar todo o líquido da sua e ainda estava lhe olhando quando seu olhar cruzou com o meu. E eu compraria milhares de meias para ela, mas não poderia fazer isso, não quando guardava o segredo que arruinaria seu conto de fadas sobre o romance de seus pais.
X
Em algum momento da noite eu acabei dançando com Bella, não sabia exatamente como tínhamos chegado ali, mas lá estávamos. Eu a segurava em meus braços, conduzindo-a ao ritmo de uma canção dos anos 60 que tocava, e só paramos de dançar e rir, quando sua mãe nos abordou.
— Eu vou requisitar meu presente agora, meninos — Carmen disse.
— Do que tá falando, mãe? — Bella perguntou sem entender.
— Vocês lembram que na festa de Natal todos estavam perguntando o que nos dariam de presente?
— Não, a gente encheu a cara, como sempre — respondi rindo.
— Enfim, eu tinha dito que vocês iriam me dar um presente especial e que eu iria revelar qual era quando chegasse a hora, a hora é agora!
— Mãe, eu já dei presentes de casamento para você e papai.
— E eu tenho certeza de que a mamãe me colocou no cartão do presente da família — falei em minha defesa.
— Não importa, quero o presente que quero, ponto final.
— E qual seria, mamãe?
— Quero que cantem Summer Nights para Eleazar e eu. — Bella corou, tanto que sua mãe perguntou preocupada. — Tudo bem, bebê? Você está muito vermelha.
— Tudo — Bella respondeu, limpando a garganta, e eu sabia que a música estava lhe fazendo pensar na nossa noite em 2013. Mas, sabia que Carmen não tinha conhecimento sobre aquela noite, as únicas pessoas que sabiam eram James, Victoria e a avó de Bella que estava na casa naquele verão e me flagrou no dia seguinte deixando o quarto de sua neta e apesar de falante, eu não achava que Yolanda tinha contado sobre para ninguém.
— Certo, vocês vão cantar, não é? — Carmen insistiu. — As vozes de vocês combinam tanto com um dueto!
Bella olhou para mim, parecendo pronta para recusar, mas eu não perderia a oportunidade de cantar ao seu lado. Eu concordava com Carmen, a voz da filha dela e a minha casavam muito bem.
— Vamos — respondi para sua mãe, mas olhando para ela.
— Edward — Bella murmurou incerta.
— Vamos. — Segurei na mão dela e Carmen comemorou, imediatamente nos conduzindo até o palco, onde a banda contratada para tocar terminava uma canção.
Conversamos com os músicos para alinhar a música que iríamos tocar, e ainda consegui um violão emprestado. Carmen, como anfitriã, nos anunciou como apresentação especial do dia e naquela noite, há poucos dias de verão, começamos a cantar a canção que fazia a mãe de Bella lembrar de Eleazar, por terem se conhecido em uma festa temática de Grease.
Eu comecei tocando e cantando, tentando não olhar para Bella, mas foi impossível. A música não era nossa, mas músicas em geral eram algo que pertencia a nós dois, desde sempre, duas crianças apaixonadas por instrumentos, cds e sair cantando pelas casas dos Denalis e dos Cullens.
— Summer loving had me a blast — cantei, voltando meu olhar para o dela, que olhava para mim e mesmo corada, entretanto menos do que antes, cantou com perfeição.
— Summer loving happened so fast.
— I met a girl crazy for me.
— Met a boy cute as can be. — O sorriso dela era imenso mesmo cantando.
Não aguentei, deixando meu microfone e indo cantar mais perto dela, passando a dividir com ela o seu sobre o pedestal.
— Summer days drifting away. To oh, oh, the summer nights — cantamos juntos e passamos o resto da música cantando naquele mesmo microfone, com ela dançando enquanto eu tocava o violão diretamente para ela, deixando seu vestido balançar com a brisa do mar, o que parecia estar lhe divertindo muito.
Quando a canção acabou e nossa bolha se desfez, eu desejei desesperadamente poder voltar no tempo e passar o resto da vida apenas repetindo aqueles minutos da música.
X
Um dos privilégios de ser o filho do dono da gravadora era que além de ter meu estúdio exclusivo, eu também tinha uma sala de descanso que mais parecia um mini apartamento. Contava com copa, dois sofás que viravam cama, banheiro completo, uma TV imensa e um videogame, que estava sendo utilizado por meu empresário, Jacob Black, naquela tarde.
— Você não tem que ir, sei lá, trabalhar? — perguntei para Jacob.
— Meu trabalho é ficar de olho em você, filho, é isso que estou fazendo.
Revirei meus olhos, detestava quando ele me chamava de filho, era só 6 anos mais velho do que eu, mas se achava o sabichão por ser meu empresário. Jacob era filho de um figurão do rock, Billy Black, que foi um dos primeiros cantores a ingressarem na gravadora do meu pai, mas que se aposentou após um acidente que lhe deixou paraplégico.
Jacob nunca se interessou em cantar ou tocar como seu pai, mas acabou crescendo no meio e tomando gosto pelos bastidores. Há cinco anos tinha começado sua própria agência, foi quando o filho da puta do Caius e eu decidimos trocar o velho Randall, que foi o empresário da duo no começo da dupla, para percorrer novos caminhos com o Black.
E no que Jacob chamava de divórcio ele tinha escolhido ficar comigo, Caius tinha um novo empresário e uma nova gravadora, afinal, meu pai o chutou tão rápido quanto eu. Mas não fomos rápidos o suficiente para tirá-lo de nossas vidas e impedir que Caius roubasse um dos meus cadernos de composições, provavelmente no dia que recebi várias pessoas em casa numa festa de fim de ano, só alguns dias antes dele trair Isabella.
— E você? — Jacob falou. — Não deveria estar gravando alguma coisa?
— Não tenho o que gravar, não tenho inspiração, eu fui roubado e minha mente está um grande pedaço de papel em branco, nunca mais serei capaz de escrever nada — resmunguei, deslizando do sofá para o chão, me sentindo como um dos brinquedos de Sunny, uma amoeba.
— E aí, galerinha!? — Só tinha uma pessoa que falava daquele jeito, meu pai.
— Oi, pai. — Ele entrou no meu campo de visão e o vi fazer uma careta. Meu pai estava mantendo seus cabelos loiros longos há um tempo, e naquele dia estavam presos em um rabo de cavalo baixo.
— O que você tá fazendo aí?
— Contemplando a minha existência, ou a falta dela — continuei dramatizando. — Eu perdi minhas músicas, agora não sou capaz de escrever outras.
Meu pai riu e se agachou só para dar um peteleco na minha testa.
— Aí, porra!
— Deixa de ser chorão, moleque — ordenou. — Levanta daí e vai escrever algo.
— Não sou capaz — continuei a reclamar, só queria ficar ali no chão sofrendo.
— Oi, gente!
Ao escutar a voz dela, minha existência voltou a fazer sentido. Eu fiquei de pé tão rápido que fiquei tonto, mas a agilidade me permitiu olhar para Bella e olhar para ela era uma das melhores coisas da minha vida.
Tinha chamado Bella para ir até a gravadora naquela quinta-feira, mas nós quase não tínhamos nos falado desde a festa dos seus pais e achei que ela não fosse aparecer. Mas, lá estava ela, e isso clareou minha mente tão nebulosa.
— Bella, bom ver você, vê se dá um jeito no seu amigo — meu pai pediu.
— O que aconteceu? — ela perguntou, sentando ao lado de Jacob, que continuava focado no videogame, mas deu um oi para minha amiga.
— Ele acha que…
— Pai, chega, vai trabalhar — ordenei, o interrompendo de falar sobre o roubo das músicas, não queria que Bella se sentisse mal outra vez por conta daquele assunto.
— Ei, o dono desse lugar sou eu, quem dá as ordens aqui não é você — ele disse, apontando um dedo para mim e eu me afastei antes de ele atingir minha testa de novo. Mas, mudou seu alvo para Bella. — E você, garota, nada para seu álbum novo?
— Eu acabei de encerrar uma turnê! — ela exclamou. — Carlisle, você explora a gente, vou abrir um sindicato, viu?
— Coitada, pode tentar, vão trabalhar! — exclamou e deixou a sala de descanso.
— E aí? Vamos tirar seu pai do trono da A Records e tomar o poder? — Bella perguntou para mim, mexendo suas sobrancelhas para cima.
— Hum, considerando que sou o herdeiro e que isso poderia ser um parricídio, acho melhor ficar na minha — entrei na brincadeira, minha amiga revirou seus olhos demoradamente.
— Fraco, te falta ódio, Edward Cullen.
— Merda, perdi! — Jacob reclamou quando uma explosão soou de seu joguinho, largou o controle e se virou animado para Bella. — E aí, cadê a Leah?
Ele era doido para ficar com Leah, uma das amigas de Bella, que não dava abertura alguma para meu empresário.
— Trabalhando, e você? Não trabalha? — Bella rebateu.
— Ok, vou pro meu escritório bem longe de vocês artistas chatos, adeus! — Ele se despediu, e saiu, mas antes passou na copa e levou alguns salgadinhos que eu mantinha ali.
Eu ocupei o lugar vago ao lado de Bella, que tinha pego o controle para tentar jogar, mas ela era péssima naquilo e não durou muito.
— E aí? Você também não vai trabalhar? — ela perguntou para mim, eu suspirei, apoiando a cabeça no sofá.
— Estou numa crise criativa.
— Ah não, nem pensar. — Ela se levantou e me fez levantar também. — Eu não vim da minha casa, deixando minha gata sozinha, para ver você jogado aí sem fazer nada. Vamos para o estúdio.
— Não tem nada que eu queira gravar.
— E daí? Vamos fazer uns exercícios para liberar a criatividade…
Eu sabia o que aquilo significava.
—...Vamos tocar e cantar Britney! — e eu tinha acertado.
— Certo, vamos lá, Masterchef.
X
Bella também era mimada o suficiente por meu pai, e por todos da A Records, para ter um estúdio particular no prédio da gravadora. E foi lá que ficamos pelo resto da tarde, já que ela preferia o dela ao meu, eu basicamente servindo como seu guitarrista particular enquanto minha amiga cantava todas possíveis da Britney Spears.
— Mais uma vez.
Eu ri, ela era obcecada por Lucky da cantora e já queria cantar pela quarta vez. Era tão fã que tinha o nome da canção tatuada em sua nuca, e em contrapartida eu era obcecado por aquela tatuagem dela, e desejava beijá-la ali desesperadamente desde o dia que Isabella apareceu com ela pouco depois de fazermos nossa primeira tatuagem juntos.
Além dessas tatuagens, e da tatuagem em comum que tínhamos com o Sol desenhado por nossa afilhada, Bella tinha mais três, a imagem de Nossa Senhora de Guadalupe em um dos pulsos. No seu tornozelo direito tinha o contorno do mapa do México e perto do seu cotovelo esquerdo, na parte interna, uma tatuagem de Lucy, sua gatinha, dormindo.
— Já anoiteceu, podemos pausar e ir comer alguma coisa? — perguntei, ela arregalou os olhos e xingou. — O que foi?
— Eu combinei de ir jantar com a Rose e com a Maria, sabe que elas odeiam atrasos. Preciso ir, mas pelo menos ajudei sua criatividade?
— Sim, estou pensando em abandonar o rock e lançar carreira como cover da Britney.
— Você não me merece, Bob. — Ela estava certa quanto aquilo, mal sabia da verdade sobre suas palavras. — Preciso mesmo ir agora, amanhã a gente se vê. — Iríamos jantar na casa dos Smith, e eu não estava ansioso por isso, já que Vick tinha dito que cozinharia e ela era péssima na cozinha.
— Tchau, não deixa a Maria ter mais ideia de dança para o casamento.
Bella riu.
— Não prometo nada!
Ela saiu apressada do estúdio, e eu fui embora da gravadora logo depois, sem ter mais nada para fazer ali. No meu apartamento, muito vazio, e muito silencioso, me joguei na cama, ligando a TV e deixando clipes passando no YouTube, enquanto mexia em meu celular.
heidi: como pode a Califórnia só ficar mais quente?
Minha namorada tinha voltado para lá naquela manhã, para gravar algumas publicidades em São Francisco, e ficaria na costa oeste até a véspera do meu aniversário, dali alguns dias. A festa, que aconteceria num iate, estava sendo organizada por ela e Jacob.
Conversei com Heidi por um tempo, até ela ter de largar o celular para focar no trabalho. O tédio me fez abrir o Instagram, James tinha postado uma foto dele e de Sunny na loja, minha mãe de mais uma de suas pinturas, Emmett postou uma com meu irmão, e Bella tinha acabado de postar algo também.
Um vídeo que tinha gravado de mim enquanto tocava o instrumental de Lucky.
izzy: muito bom ter um melhor amigo que atende todas minhas ordens!
Eu respirei fundo, queria escrever algo em troca, mas não consegui, porque tudo que desejava dizer para ela era proibido. Apenas curti a publicação e larguei o celular de lado, tentei não pensar nela, tentei focar nos clipes aleatórios passando na TV, mas claro que o algoritmo me levou à Isabella.
O clipe de Brisa de Verão, a música título de seu segundo álbum, começou. Era Bella, numa praia na Califórnia, cantando sobre sentir saudades do verão e de um cara.
E foi só ali, tantos anos depois do lançamento daquela música, que percebi o óbvio. A canção era para mim, ela gritava meu nome com o título, mas também sussurrava nos versos.
— O beijo dele, uma mera brisa de verão em meu rosto. Eu lembro do sentimento, mas estou esquecendo a sensação após tanto tempo.
Bella tinha escrito para mim, Bella gostava tanto de mim que eu fazia parte de sua discografia. Imediatamente pausei o clipe, parando bem em uma cena dela seminua, cabelos molhados, encarando a tela, encarando a mim.
Eu peguei meu celular, eu ensaiei uma ligação. Eu pensei em falar sobre os segredos, queria contar tudo para ela, porém mais uma vez fracassei.
Segui até o banheiro do meu quarto, precisando de um banho gelado por diversos motivos. Entretanto, a água não resolveu nada e eu terminei aquela noite sozinho em minha cama, me masturbando pensando na minha melhor amiga.
X
Bella me buscou em casa na noite seguinte, mal conseguia olhar no rosto dela, pensando na música e no que fiz após perceber que era para mim. Por sorte, ela estava em seu próprio mundinho, falando sobre a nova bicicleta que queria comprar para si.
Quando deixamos o carro dela, dirigido por seu motorista, respirei aliviado, seria mais fácil parecer menos nervoso com nossos amigos e Sunny por perto. A loja de instrumentos de James ainda estava aberta, entramos ali e vimos ele terminando de arrumar algumas coisas no caixa, os outros funcionários já tinham ido embora.
— Bem na hora, me ajudem a fechar as portas.
— Até parece, fiz minhas unhas hoje, se virem aí — Bella disse, seguindo até a escada que levava ao segundo andar do prédio de dois andares, em cima ficava o apartamento deles. Tinha uma entrada externa para o apartamento também, para que eles tivessem mais privacidade no dia a dia.
Ajudei James a fechar e subimos, Bella já estava na cozinha ajudando Victoria a cozinhar, o que queria dizer que teríamos algo decente para comer. E Sunny surgiu do seu quarto carregando o baralho de Uno, já indo até mim e falando:
— Vamos…
— Sim, sim, vamos jogar! — concordei prontamente, sabendo que ela estava numa fase obcecada pelo jogo.
James foi trocar de roupas, enquanto eu sentava no chão da sala com Summer para jogar e escutava Vick e Bella fofocando sobre alguma funcionária do estúdio de dança da primeira, sendo fácil de ouvir pela sala e cozinha serem conjugadas. Quando meu amigo voltou, foi direto até sua esposa, lhe abraçando e beijando, e eu vi o sorriso que dei refletir no rosto de Bella.
James e Victoria tinham sido feitos um para o outro, até mesmo a pessoa mais cética do mundo saberia disso. Eles tinham nascido no mesmo dia, em lugares bem distantes, ele ali em New York e ela em Portland, no Oregon, mas se mudou ainda quando criança para a costa leste.
Eu o conheci, então Bella conheceu Vick e um entrou de vez no caminho do outro. Eles começaram a namorar em algum momento no começo de sua pré adolescência, e ninguém ficou surpreso, porque os dois eram tão grudados, que fazia todo sentido do mundo ficarem juntos.
Como faria sentido se eu ficasse com Isabella, se não fossem os empecilhos.
Nós jantamos pizza, de sobremesa comemos brownie. Sunny pegou no sono cedo, sendo embalada nos braços do pai, enquanto tocava uma playlist dos Beatles, que também era a banda favorita do meu melhor amigo.
Vick a levou para o quarto, e quando voltou de lá pegou cerveja para si, para o marido e eu, Bella já estava tomando vinho. Nós ficamos na sala, escutando o restante da playlist, conversando, rindo e apenas aproveitando a companhia.
Duas garrafas de cerveja depois, quando a playlist dos Beatles acabou, Victoria colocou uma da Madonna. Se James e eu éramos grandes fãs da banda inglesa, Bella da Britney, Vick era da Madonna.
Quando começou a tocar Like a Virgin, a canção favorita da dançarina, todos estavam cantando juntos e em algum momento ficamos de pé para dançar. Vick conduzia os passos e nós a seguimos, bêbados e não tão bons dançarinos quanto ela.
— You'se só fine, and You'se mine — cantei mais alto do que devia, pois todos me censuraram falando que eu iria acordar Summer. — Vocês são chatos, mas eu os amo. Te amo, Masterchef. — Beijei a bochecha de Bella. — Também te amo, Vick. — Beijei o rosto dela também, e quando fui beijar o de James, acabei o abraçando e dançamos juntos o resto da música, quando ela acabou, segurei a cabeça dele entre minhas mãos e recitei o amor pelo meu amigo também. — Amo você, cara.
— Eu também te amo, muito!
— E eles nem fumaram nada dessa vez — Vick disse.
— Vamos fumar! — Bella exclamou.
— Pode ir parando, minha filha tá dormindo aqui ao lado — Vick cortou a ideia. — Mas garanto mais cerveja.
X
O dia dos pais, no domingo, foi na casa da minha família. Além dos meus pais, do meu irmão e de Maria, os Denali estavam lá, assim como James, Victoria e Summer.
Com a casa cheia, eu quase consegui ignorar a apreensão em meu peito toda vez que olhava para Isabella. Principalmente quando ela estava com o pai dela, sem saber nada sobre a verdade.
Em determinado momento Eleazar deixou a sala onde todos estávamos e foi até a cozinha, eu me vi indo atrás. Ele estava pegando uma garrafa de água para si na geladeira, e quando me viu, parecia saber porque tinha o seguido até ali, onde mais ninguém poderia nos ouvir.
— Não é hora, nem lugar para essa conversa, Edward.
— Vamos para o quintal, então?
— Edward…
— Por favor — insisti, ele cedeu e saiu até o quintal primeiro, eu o segui e desatei a falar. — Ela precisa saber.
— Já falamos sobre isso antes, falamos dias atrás quando ela estava mexendo na minha biblioteca, eu já disse que não vou contar. E se contasse, ela saberia que esconde isso dela há anos, não seria bom pra você também, não?
— Porra, eu sou filho dos seus melhores amigos, como você pode me chantagear desse jeito? — indaguei furioso.
— Não estou te chantageando, estou protegendo sua amizade e de Isabella, ela não perdoaria nenhum de nós dois por esse segredo, não perdoaria a mãe dela também. Por isso, o melhor a se fazer é nunca tocar nesse assunto.
Fechei os olhos e balancei a cabeça, sabia que ele estava certo. Bella não iria lidar nada bem se a verdade surgisse, mas aquele segredo me matava mais a cada dia.
— Edward, garoto. — Eleazar se aproximou, tocando em meu ombro, eu o olhei. — Nunca quis que você fosse arrastado para esse segredo, eu sinto muito, mas agora é tarde demais para que façamos algo.
A descoberta que caiu em meu colo, por acaso, tinha acontecido em junho de 2013, poucos dias antes do meu aniversário naquele ano. Eu estava na casa dos Denali, Emmett estava dando uma festa na piscina para uns amigos, e em algum momento entrei para pegar o violão de Bella, que ela tinha deixado mais cedo no cinema da casa, foi quando ouvi Eleazar e a mãe dele, Martha, conversando na biblioteca.
— Isabella não é sua filha e sua esposa te traí, você deveria pôr um fim nisso tudo! — Martha tinha gritado, e saído da biblioteca em um rompante, ela me viu ali, mesmo assim foi embora sem falar mais nada. Eleazar, no entanto, quando me viu, me fez entrar na biblioteca.
Eu estava tremendo, dos pés à cabeça. Bella não era filha dele?
— Edward, o que você escutou, não pode contar isso para ninguém.
— A Bella não é sua filha? Ela precisa saber disso! — Tentei sair da biblioteca, mas ele me segurou, impedindo que eu saísse.
— Não, nem pensar, você não pode dizer nada disso para ela.
— Mas…
— Escuta, esse é um segredo nosso, ok? Você não pode falar para ela, isso devastaria a Bella e ainda arruinaria meu casamento com Carmen, e não posso deixar isso acontecer, amo as duas e não vou perdê-las.
— De quem ela é filha? — murmurei a pergunta.
— Eu não sei, mas você não precisa de mais informações também, só precisa saber que fiz um exame de DNA e atestou que ela não é minha filha biológica. Mas, não ligo pra isso, minha mãe liga, só que eu não, Isabella é minha filha e exame nenhum no mundo vai mudar isso. Só que, é melhor que ninguém saiba, especialmente Bella, você tem que jurar não contar, Edward. Jura!? — implorou, tremendo como eu também tremia, porque ele também tinha medo de perder Isabella.
E eu jurei, porque achei que seria mais fácil para mim suportar aquele segredo do que expor uma verdade dolorosa como aquela para Isabella.
— Edward!? — Eleazar chamou por mim, me levando de volta a 2023.
— E se você falasse com Carmen sobre primeiro? Talvez se ela contasse com jeito para Bella — dei uma sugestão, ele bufou e me soltou.
— Você quer que eu chegue na minha esposa e fale que há mais de dez anos descobri que ela me traiu, e que a filha que diz ser minha na verdade, não é? E se ela quisesse que Bella soubesse, já teria contado, mas não contou e eu não vou destruir minha família agora, nem mesmo para aliviar sua consciência pesada, Edward, sinto muito.
— Eu sou apaixonado pela Bella — confessei, parecendo de fato pegar ele de surpresa. — E eu não posso ficar com ela, mesmo que saiba que ela é apaixonada por mim também, porque não seria justo esconder da minha namorada, a mulher que eu amo, a verdade sobre a paternidade dela. E sim, faz anos que escondo isso dela, e sei que ela pode nunca me perdoar se contarmos agora, mas é minha última chance de ficar com sua filha antes de perdê-la de vez — falei tudo aquilo segurando as lágrimas.
Eleazar colocou as mãos no rosto e ficou um bom tempo assim, até que voltou a me olhar e disse:
— Você não pode contar, lamento, se isso te afasta romanticamente dela. Mas pensa, como essa verdade maldita iria destruir todos nós, não faça isso, Edward.
Ele voltou para o interior da casa, me deixando sozinho no quintal. E quanto mais tempo eu ficava lá, mais sabia que nunca contaria a verdade para Bella.
O amor de verão me divertiu muito
O amor de verão aconteceu muito rápido
Conheci uma garota louca por mim
Conheci um rapaz muito lindinho
Dias de verão estão se transformando. Em, oh, oh, aquelas noites de verão
Você é tão bonito e é meu
Beijos!
Lola Royal.
23.09.24
