Saint Seiya pertence a Masami Kurumada e às empresas licenciadas.

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Hoje, dia 05/06/20, estou reescrevendo essa história. Agora é em homenagem para uma verdadeira amiga que está sempre ao meu lado, seja em momentos bons ou ruins.

You and I é uma música do Scorpions, então se quiserem dar play deixarei o link nas notas finais.

Beijos Escarlates!

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Aquela noite era possível ver todas as constelações no céu grego, e para quem aprecia, seria o cenário perfeito para admirá-las. Todavia, Dohko parecia alheio à beleza celeste, pois seu coração estava angustiado. No dia seguinte aconteceria a disputa de mais uma armadura, e sua pupila seria uma das concorrentes. O libriano fora incumbido de treinar a jovem desde que ela chegara ao Santuário, após Atena, juntamente com Shion, decidirem que era prudente reforçar a proteção do Santuário. Desde então, novos pupilos começaram a chegar, e após anos de treinamento, o momento de disputarem as Sagradas Armaduras finalmente chegara. Como fizera com seus outros discípulos, Dohko ensinou à jovem tudo o que sabia, e tinha plena confiança de que Malu estava preparada. No entanto, sua apreensão era maior desta vez, pois, ao longo dos anos, a discípula tornara-se mais do que apenas uma aluna para ele.

Percebendo o quão tarde estava, forçou-se a ir até o quarto e descansar.

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Assim que o dia começou a raiar, Dohko já estava na arena para assistir às disputas. Por mais que quisesse estar ao lado de sua discípula, não podia, e teria que se contentar em torcer de longe. Diversos embates ocorreram, e a apreensão do Cavaleiro de Libra aumentava a cada instante. Parecia que o momento de Malu nunca chegaria. Porém, ao ouvir seu nome ser anunciado, levantou-se de imediato para acompanhar a luta. Seu coração batia acelerado, como se estivesse na garganta.

A disputa pela armadura de Cruzeiro do Sul era acirrada, como esperado. As duas aspirantes eram ágeis, e era difícil prever quem venceria o combate. Dohko, no entanto, confiava plenamente na capacidade de sua pupila. Havia lhe ensinado tudo o que podia, mas sua apreensão era maior porque nutria sentimentos por ela que iam além do relacionamento mestre-discípula. Desde que a vira pela primeira vez, com seus olhos de um amarelo citrino, ele se afeiçoara à jovem. Com o passar dos anos, essa afeição transformou-se em algo mais profundo, algo que ele nunca se permitira vivenciar em sua longa vida.

— Eu consegui, eu consegui! — Dohko saiu de seus devaneios ao ouvir a voz de Malu ao longe. Ela comemorava a vitória. Havia derrotado sua oponente e conquistado a tão sonhada armadura.

— Parabéns — murmurou o libriano de longe, antes de se retirar em direção à sua casa.

Assim que adentrou seu Templo, Dohko sorriu ao ver o pequeno Shoryu brincando. Ainda sorrindo, foi se juntar ao menino, contando-lhe algo que o fez gargalhar. Sentia-se feliz com essa pequena família que a vida lhe havia dado, mas faltava algo, e ele sabia onde encontrar. Contudo, após tantos anos de privações como um Santo de Atena, não era fácil se permitir viver um amor.

— Dohko, seu velho! — a voz de Shion ecoou pelo Templo de Libra, atraindo a atenção dos dois. — Esse rapazinho está ficando cada vez mais bonito!

— Sim, forte e saudável, como esperado de uma criança — respondeu Dohko, indo ao encontro do amigo. — O que o traz aqui? Achei que ia continuar na arena para os procedimentos de entrega da armadura.

— Atena está cuidando disso. Ela fez questão — o Patriarca deu de ombros. — Além disso, notei que você saiu da arena sem nem parabenizar a moça. Para alguém que estava tão apreensivo, você foi bastante frio com ela.

— Ah, depois eu faço isso. Terei tempo para comemorar com ela — Dohko deu de ombros, mudando de assunto. — Vou preparar um chá. Você quer?

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Durante todo o combate, Malu sentia-se segura, pois sabia que seu mestre estava presente, torcendo por ela. E ela não poderia, nem queria, decepcioná-lo. A luta fora difícil, mas em determinado momento, a jovem conseguiu descobrir o ponto fraco de sua oponente e desferiu um golpe certeiro, garantindo a vitória.

— Eu consegui! — gritou, pulando de alegria, sendo imediatamente parabenizada por algumas aspirantes.

No entanto, enquanto recebia os cumprimentos, olhou para onde havia visto seu mestre e se entristeceu ao perceber que ele se retirava da arena sem ao menos lhe parabenizar. Porém, não teve muito tempo para lamentar, pois logo a voz de sua Deusa, Atena, chamou sua atenção.

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Dohko serviu o chá e, enquanto tomava o líquido quente, seus pensamentos voltaram à bela jovem de longos cabelos negros ondulados e olhos de um amarelo citrino, que contrastavam com sua pele alva.

— Dohko, meu velho amigo — a voz de Shion o trouxe de volta à realidade. — Por que Atena nos trouxe de volta à vida?

A pergunta surpreendeu o moreno, que apenas fitou o ariano em silêncio, sem saber o que responder.

— Para que possamos, enfim, desfrutar daquilo pelo qual tanto lutamos. Durante anos, nos privamos de idealizar um futuro, pois as circunstâncias assim exigiam. Vivíamos para dedicar nossa vida à Deusa e à paz na Terra — Shion fez uma pausa, observando atentamente as expressões do amigo. — Mas agora podemos e devemos desfrutar de tudo o que a vida tem a nos oferecer, inclusive o amor.

As palavras de Shion atingiram profundamente o libriano. Dohko sabia que não poderia esconder seus sentimentos do amigo, pois o ariano era perspicaz. Ele nunca dissera nada sobre o que sentia por sua discípula, mas tinha certeza de que Shion já percebera, e por isso viera até ele.

— Shion… — murmurou Dohko, após longos minutos de reflexão. — Será justo que uma jovem tão cheia de vida, como Malu, tenha de passar a vida ao meu lado? Eu posso parecer jovem, mas tenho mais de duzentos anos — suspirou, seus olhos verdes encontrando os violetas do amigo. — Como você disse, dediquei minha vida a vigiar o despertar dos Espectros e a treinar novos discípulos. Não me preparei para amar. Jamais me perdoaria se a magoasse. E, o pior, e se ela não sentir nada por mim?

Shion compreendia bem as dúvidas e os medos do amigo, pois eram os mesmos que ele próprio já enfrentara. Permitir-se algo novo era assustador, e quem nunca experimentara a felicidade em sua plenitude tendia a se perguntar se realmente a merecia.

— Dohko — continuou Shion —, todos nós cometemos erros. Somos humanos, afinal. Já se esqueceu dos erros que cometemos em nossa juventude? — vendo que o amigo apenas o ouvia, prosseguiu: — Lembra-se de quando ganhamos nossas armaduras de ouro e partimos em busca de Hades? Se não fosse o cavalo de Tenma, o Pégaso, não teríamos sobrevivido à Guerra Santa. E o que dizer da nossa teimosia em ir até aquele vulcão, quase matando Odysseu?

A menção daqueles eventos fez o libriano desviar o olhar para sua xícara e depois para Shoryu. Cada palavra de Shion o atingia profundamente.

— Aonde você quer chegar? — finalmente, Dohko quebrou o silêncio. — Você sabe que essas lembranças são dolorosas para mim. Elas me remetem ao confronto com Suikyo… — o moreno suspirou profundamente ao lembrar — …onde ele pereceu em meus braços.

— Onde eu quero chegar? — Shion tomou mais um gole de chá antes de continuar. — É que, por maior que seja nosso erro, todos nós temos o direito de nos redimir, de sermos perdoados e, acima de tudo, de nos perdoarmos. Então, viva, Dohko. Aproveite essa nova chance que os deuses nos deram.

As palavras do Patriarca ecoaram na mente de Dohko. Quando se preparava para responder algo, sentiu o cosmo de Atena se aproximando. Os dois trocaram um último olhar cúmplice e se dirigiram até a porta principal, aguardando a chegada da Deusa.

— Você fez um ótimo trabalho, Dohko — a voz doce de Saori ecoou pelo Templo assim que ela adentrou o recinto.

— Obrigado, Atena — respondeu o Cavaleiro de Libra.

— Vamos, Shion? — chamou a Deusa, dirigindo-se ao Patriarca.

Antes de partir, Shion pousou a mão no ombro do amigo. — Pense no que eu disse, seu velho teimoso.

Atena nada comentou. Conhecia bem seus Cavaleiros e compreendia as lutas internas que cada um travava. Afinal, até mesmo ela, uma deusa com uma forma humana, enfrentava suas próprias batalhas.

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Após o pequeno cerimonial para receber sua armadura, Malu decidiu ir para um lugar mais tranquilo. Sentia-se cansada e, acima de tudo, triste. Dohko era muito mais que um mestre. Cada vez que olhava nos orbes esmeraldinos do chinês, encontrava sua esperança. Cada sorriso largo que ele lhe devotava era um alento para seu coração, mas ela queria poder ser abraçada por ele, não como uma discípula, mas como uma mulher. No entanto, sabia que ele era alguém inacessível. Alguém com tanta vivência jamais se interessaria por ela.

Estava anoitecendo, e a lua cheia já se fazia presente no céu noturno. A lua, que ela tanto adorava, a fascinava a ponto de passar horas admirando, tentando desvendar todos os seus mistérios e significados. Ela se dirigiu para uma encosta nos arredores do Santuário, como sempre fazia, para observar o belo satélite natural.

— Dohko — murmurou — Será que você imagina que te vejo como mais que um mestre? — Malu se perguntava, fitando a lua, como se ela pudesse lhe responder.

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Após a saída da divindade e de seu amigo, Dohko ficou refletindo sobre as palavras de Shion. Era incrível como o ariano era capaz de lê-lo. Apesar de terem ficado separados por tantos anos, era como se nunca tivessem se afastado nem por um minuto, tal era a conexão entre os dois.

— Mestre! — A voz de Shunrei cortou o silêncio do Templo de Libra.

— Shunrei! Minha bela primavera — Dohko sorriu largo para aquela que ele considerava uma filha.

— Mestre, me desculpe, mas não pude deixar de ouvir sua conversa com o Shion — a ariana falou, levemente envergonhada. — O senhor é um homem bom, cuidou de mim e de Shiryu como filhos. — Ela se aproximou mais do chinês. — Tudo o que eu e ele queremos é que o senhor seja feliz.

— Então você anda ouvindo as conversas alheias, Shunrei? — Dohko perguntou, sério. — Foi essa a educação que eu te dei?

— Não! — Shunrei suspirou profundamente. — É só que sabemos o que o senhor sente por Malu. Na verdade, acho que todos sabem. Basta ver como seus olhos brilham quando está próximo dela.

As palavras de Shunrei pegaram Dohko de surpresa. Ele nunca imaginou que seus sentimentos fossem tão óbvios, soltando um longo suspiro. — E se ela não sentir nada por mim? — Foi tudo o que conseguiu dizer, finalmente reconhecendo a verdade nas palavras da jovem.

— Só o senhor não percebe que ela é apaixonada por você. — E sem dar chance para ele rebater, Shunrei prosseguiu: — Vá em frente... viva esse amor! A vida é curta, e talvez vocês não tenham outra oportunidade depois.

Dizendo isso, Shunrei se retirou, deixando Dohko sozinho com seus pensamentos.

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Malu não soube dizer quanto tempo ficou perdida em seus pensamentos naquele lugar mágico. Quando decidiu que era hora de voltar para casa, seu coração acelerou ao ouvir alguém chamá-la.

— Malu! — O sorriso largo e os olhos brilhantes de Dohko fizeram com que ela sentisse um arrepio percorrer seu corpo.

— M...Mestre! — balbuciou. — Aconteceu alguma coisa?

— Não — Dohko se aproximou lentamente. — Eu apenas vim te dar os parabéns!

— Obrigada — respondeu, baixando o olhar. — Eu só fiz o que o senhor me ensinou.

A luz do luar, em contraste com a pele alva de Malu, a fazia parecer ainda mais radiante.

— Nunca baixe o olhar diante de ninguém, Malu — disse Dohko, sério.

Quando a jovem ergueu novamente os olhos, seus orbes citrinos encontraram os olhos verdes de Dohko, e ela sentiu o coração disparar. Pela primeira vez, percebeu um brilho diferente nos olhos do mestre. Dohko sentiu o mesmo. Naquele gesto simples, ambos puderam entender o que carregavam na alma. Afinal, os olhos são o espelho da alma.

I lose control

(Eu perco o controle)

Because of you, baby

(Por sua causa, meu bem)

I lose control

(Eu perco o controle)

When you look at me like this

(Quando você me olha desse jeito)

There's something in your eyes

(Há algo em seus olhos)

that is saying tonight

(Que está dizendo essa noite)

I'm not a child anymore

(Eu não sou mais uma criança)

life has opened the door

(A vida nos abriu uma porta)

to a new exciting life

(Para uma vida nova e emocionante)

Malu fechou os olhos quando Dohko, com delicadeza, levou uma de suas mãos ao rosto dela, sentindo a maciez de sua pele. Com o polegar, contornou suavemente os lábios avermelhados da jovem, fazendo-a suspirar de prazer diante do toque.

Dohko sorriu e, sem mais se conter, a beijou. Foi um beijo doce e suave, mas que transmitia todo o amor que ele guardara em seu coração por todos aqueles anos. Ele a puxou para mais perto de si, e só separaram os lábios para respirar.

— Me perdoe por ter demorado tanto para fazer isso — ele sussurrou, acariciando suavemente o rosto dela. Os olhos de Malu brilhavam ainda mais com as palavras de Dohko.

Time stands still

(O tempo para)

When the days of innocence

(Quando o dias de inocência)

Are falling for the night

(Estão caindo pela noite)

I love you girl

(Eu te amo garota)

I always will

(Eu sempre amei)

— Mestre...

— Me chame de Dohko. Estamos aqui, eu e você... apenas um homem e uma mulher. — Ele tentava organizar os pensamentos. — Faz tempo que quero abrir meu coração e dizer o que sinto por você, Malu.

— E o que sente? — perguntou Malu, a emoção evidente em sua voz.

— Amor — ele respondeu, sem hesitar.

— Amor... — ela repetiu, num murmúrio.

— O sentimento mais nobre e forte que existe, capaz de mover céus e mudar uma pessoa completamente.

— Amor... é o que eu também sinto por você, Dohko — disse ela, antes de se aproximar e beijá-lo novamente, com toda a paixão que ardia em seu peito.

You and I just have a dream

(Você e eu temos apenas um sonho)

To find our love a place

(Achar um lugar para nosso amor)

Where we can hide away

(Onde podemos nos esconder)

You and I were just made

(Você e eu fomos feitos apenas)

To love each other now

(Para amar um ao outro agora)

Forever and a day

(Para sempre e um dia)

E assim, sob a luz da lua cheia, um grande amor começou a ser escrito entre o Cavaleiro de Libra e a Amazona de Cruzeiro do Sul. Eles não se preocupavam com o futuro, pois, naquele momento, o presente era tudo o que importava para os dois.

You and I were just made

(Você e eu fomos feitos apenas)

To love each other now

(Para amar um ao outro agora)

Forever and a day

(Pra sempre e um dia)

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Então gente, espero que tenham curtido e obrigada por terem lido.

Link da música: https//watch?v=NmxPDhreibAlist=RDNmxPDhreibA