Saint Seiya pertence a Masami Kurumada e às empresas licenciadas.

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Olá pessoal!

Hoje trago uma one de um casal bemmmmm inusitado que não sei porque encasquetei de escrever com eles (acho que por serem meus prateados favoritos), mas achei que deu liga e que ficaram lindos juntos, eu nunca li nada com eles.

Eu particularmente amei escrever essa one e gostei do resultado, espero que vocês gostem tanto quanto eu :)

Beijinhos Escarlates!

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Seu corpo estava caído sobre a areia fofa e escaldante; seus olhos, tão azuis quanto o mar, fitavam o céu límpido e o sol, cujos raios alaranjados brilhavam esplendorosos, alheios ao seu sofrimento. Sentia o veneno da Rosa Diabólica Real agir em seu corpo, fazendo suas forças desvanecerem aos poucos, e sua visão começar a ficar turva, mas fez um esforço para manter-se vivo. Não sentia mais a presença dos seus algozes nos arredores da ilha, e isso, de certo modo, o fez sentir-se feliz e em paz, porque conseguiu salvar seus aprendizes, os moradores e também demonstrar sua lealdade para com Athena até o fim. Havia cumprido sua função como um guerreiro.

Novamente, sentiu sua visão escurecer; sua respiração saía com dificuldade, todas as células do seu corpo doíam com esse ato simples, mas não morreria sem pensar uma última vez naquela que amava... e pensou. Fechou os olhos, já não tinha mais forças para lutar contra o inevitável, foi quando sentiu o gostoso perfume das Sakuras que lhe era tão familiar, e por isso pensou que os deuses o estavam agraciando. Mas, ao sentir sua cabeça ser erguida delicadamente para depois ser apoiada em uma superfície macia, voltou a abrir os olhos; a visão demorou um pouco para focalizar e, quando conseguiu, um leve sorriso brotou em seus lábios ao ver sua visitante.

– Marin, é você? – Ele perguntou com a voz sôfrega e quase inaudível.

– Sim, meu amor. – Com as mãos trêmulas, ela segurou as mãos dele. – Estou aqui.

– Por você ainda me mantenho vivo, meu amor. Eu sabia que você viria. – Apertou o agarre das mãos enquanto fechava os olhos por alguns segundos. – Me deixa ver você mais uma vez, por favor.

A prateada retirou a máscara que cobria seu rosto para aquele que havia sido o único a ultrapassar essa barreira da Lei, para aquele que havia tocado seu coração e sua alma. Seus lábios estavam trêmulos, demonstrando que a vontade de se entregar ao pranto era grande; porém, iria resistir, por ele.

– Você é linda! – seguiu ele. – Sempre foste a dona dos meus pensamentos, do meu coração e da minha alma. – Viu que agora uma lágrima rolava pelo rosto alvo da amazona. – Por isso, por mais que doa, prometa não se entregar à tristeza.

– Como poderei fazer isso, sabendo que você não estará mais aqui?

– Nem a morte será capaz de nos separar. – Ele acariciou o rosto da japonesa. – Levarei comigo seu sorriso, seu amor, seu perfume, que estão gravados em minha alma. E nem que eu vivesse mil anos, poderia esquecer.

– Não sei se conseguirei ser forte sem você, Albion – Marin agora deixava que seu pranto rolasse solto, apagando o brilho de seus olhos que sempre foram tão brilhantes quanto as safiras. – Sempre foste o meu porto seguro, ao qual eu retornava toda vez que alçava voo, e teus braços eram meu alento toda vez que me sentia sem asas.

– Cariño, você é uma das mulheres mais fortes que já conheci, venceste obstáculos para te tornar o que és hoje. – Ele sorriu minimamente, porque até esse simples gesto lhe tirava as forças. – E nós, guerreiros, fomos treinados para lidar com a morte diariamente.

– Isso na teoria é tão simples, mas na prática... – A amazona interrompeu sua fala ao sentir a mão de Albion perder a força.

O Cavaleiro de Cefeu fechou os olhos por um instante; seu espírito queria deixar seu corpo, mas ele o trazia de volta, não iria partir sem dizer tudo o que queria para sua águia. Voltou a abri-los e seus olhos fitaram os dela, azul no azul, o encontro perfeito das águas calmas do mar com o céu límpido no horizonte.

– Não fique triste quando eu me for – Albion voltou a tocar nesse assunto, sabia que, para partir em paz, precisaria que ela estivesse em paz.

Embora Marin já sentisse a dor da saudade e da ausência, sabia que ele precisava disso, e, mesmo sem ser muito convincente, apenas meneou levemente a cabeça.

– Meu amor, sinto muito por não conseguir cumprir nossa promessa. – Agora era dos olhos dele que grossas lágrimas rolavam sem pudor algum. – Eu imaginei tantas vezes nós dois morando numa casa no campo, em meio às mais belas flores. – Ele passou a língua para umedecer os lábios ressecados. – Eu queria ter sido o pai dos seus filhos, os enxerguei em meus sonhos muitas vezes, correndo e sorrindo, um menino ruivo como você e uma menininha loira como eu. Eu teria passado minha vida inteira com você, meu amor.

Ao ouvir essa confissão, a pisciana não mais lutou contra o seu pranto, seus olhos azuis já estavam vermelhos; ela abraçou-se a ele como se, assim, pudesse prendê-lo e não deixá-lo partir, mesmo sabendo que não tinha poderes para isso. Afastou um pouco o rosto e selou seus lábios no dele, num último beijo tão ansiado por ambos.

– Eu te amo! – Ele sussurrou assim que deu fim ao beijo; era seu último suspiro.

A mão do Cavaleiro pendeu para o lado de seu corpo, seus olhos se fecharam para nunca mais tornarem a abrir.

Em seu desespero, Marin trouxe o corpo de seu amado mais contra o peito, abraçando-o forte, e um grito de agonia, de desespero, de dor ecoou por toda aquela ilha, enquanto o corpo de Albion transformava-se em cosmo e subia aos céus. Ela sentia seu coração ser perfurado por milhões de adagas, sua alma estava sendo estilhaçada; em seu peito havia um buraco imenso, seu coração estava vazio.

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Muito tempo se passou depois daquela dolorosa despedida para a Amazona de Águia; por mais que tenha pensado em desistir, seguiu em frente. Por vezes, pensou que nunca iria conseguir superar essa perda, mas o tempo, soberano de todas as coisas, mostrou o quanto ela era mais forte do que pensava ser, e, aos poucos, a dor da saudade foi amenizando, mas nunca conseguiu esquecer o seu amor por Albion.

Marin caminhava a passos largos, os fios vermelhos de seus cabelos refletiam os raios solares daquele entardecer, em suas mãos carregava um pequeno ramalhete de flores silvestres. Cessou seus passos e leu o letreiro que se desenhava à sua frente: "Cemitério do Santuário"; engoliu em seco, por mais que não doesse mais, era inevitável pensar em como teria sido sua vida se ele ainda estivesse vivo. Suspirou profundamente e começou a caminhar lentamente por entre as lápides.

Seus pés a guiavam automaticamente; ir até ali e depositar flores havia se tornado um ritual. Parou diante daquela que procurava, ajoelhou-se e ficou observando por um instante aquela pedra fria. Fechou os olhos e todas as promessas que fizeram voltaram com força em seu pensamento.

Meu amor, espero que esteja em paz onde estiver – ela falou enquanto depositava o ramalhete próximo da lápide. – Não foi fácil, mas estou seguindo em frente como lhe prometi. – Deslizou os dedos sobre a pedra, delineando o nome que estava gravado ali, era como se quisesse memorizar aquele nome. Bobagem, ele já estava guardado em seu coração e em sua alma.

– Marin!? – Uma voz doce chamou por seu nome, fazendo com que despertasse de seus devaneios. Virou-se em direção ao seu visitante inesperado e ficou olhando para os olhos verdes dele, que a fitavam com ternura.

– Shun!? O que está fazendo aqui? – Tão logo perguntou, se arrependeu; é claro que o menino vinha visitar o túmulo do seu mestre. – Desculpe!

– Não precisa se desculpar – O Cavaleiro de Andrômeda se aproximou da amazona e se ajoelhou ao seu lado. — Você o amava, não é?

Marin não respondeu, apenas ficou olhando para o ramalhete que havia depositado sobre o chão minutos antes. Todas as vezes que tinha ido até a Ilha de Andrômeda, ela e Albion sempre agiam discretamente; não pensou que alguém desconfiasse deles.

– Por que a pergunta? – perguntou sem se voltar para ele.

– Não me entenda mal, mas é que você sempre vem aqui deixar flores e, como te vi algumas vezes lá na Ilha, juntei as peças. – Shun respondeu enquanto depositava algumas flores ao lado das que Marin deixou.

— Tudo bem… – Marin, como vocês se conheceram? — O esverdeado perguntou após alguns segundos de silêncio.

A ruiva o olhou de canto de olho, pensou em não responder, mas ponderou e achou melhor fazê-lo, afinal, esconder pra quê se ele já sabia de tudo? Acomodou-se melhor para então começar.

Alguns meses após a chegada de Seiya, fui chamada à presença do Patriarca – disse Marin, virando-se para Shun, que a ouvia atentamente. – Quando cheguei ao Décimo Terceiro Templo, pensei que fosse algo relacionado ao treinamento ou alguma missão, mas o Grande Mestre me aguardava com dois garotinhos…

– Leda e Spica – interrompeu Shun, completando a fala da amazona.

– Sim, eles mesmos – confirmou ela. – Ele pediu que eu os levasse até a Ilha de Andrômeda. Partimos no dia seguinte. Confesso que não foi uma tarefa muito fácil, porque os dois eram uns pestinhas e brigavam muito. – Marin riu ao se lembrar das travessuras dos meninos.

– Realmente, eles brigavam bastante – concordou Shun, rindo também.

— Quando chegamos à ilha, encontrei seu mestre pela primeira vez — Marin parou de falar, sentindo um nó dolorido na garganta. Virou o rosto para o horizonte e ficou assim por alguns instantes, enquanto Shun, respeitoso, aguardava em silêncio, sabendo que várias lembranças passavam pela mente da amazona.

– Quando reparei naqueles olhos azuis e vi como ele era gentil com todos, senti que queria estar ao seu lado, como se de alguma forma esse jeito dele me completasse. – Olhou para Shun com carinho. – Nunca havia me sentido assim antes.

– Ele tinha esse poder de deixar quem estivesse ao seu lado se sentindo muito confortável – disse Shun. Logo em seguida, recriminou-se por ter cortado Marin novamente, fazendo um gesto com a mão para que ela prosseguisse.

— Naquele dia, conversamos bastante e, a cada momento, eu me sentia mais estranha. No dia seguinte, quando parti, comecei a sentir um vazio aqui – disse Marin, levando a mão ao peito. – Quando acordava, ele era a primeira lembrança que me vinha à mente, e também a última na hora de dormir. Com o tempo, a saudade começou a apertar.

Shun ouvia a história com curiosidade, sem ousar piscar seus olhos esmeraldinos, temendo perder algo. Seu mestre sempre fora conhecido por sua lealdade, e saber desse amor pela Amazona de Águia, mantido em segredo, revelava um lado desconhecido dele.

– Demorei um tempo para conseguir dar nome ao que estava sentindo. Achei que isso passaria, pois não iria reencontrá-lo, mas chegou a um ponto em que esse sentimento começou a me sufocar – continuou Marin, após uma pausa para umedecer os lábios. – Foi então que fiz algo que jamais pensei em fazer: fui até a ilha e confessei o que sentia.

– Você confessou? – perguntou Shun, com um misto de alegria e espanto.

– Sim – respondeu Marin, rindo da expressão do Cavaleiro. – Na hora, nem pensei nas consequências da minha atitude, mas, para minha surpresa, Albion se confessou para mim também. – Marin voltou a rir, balançando a cabeça como se não acreditasse nas próprias palavras. – E, desde então, passamos a nos encontrar.

– Uau – exclamou Shun inconscientemente, arrancando mais um riso da ruiva. – Vocês se arriscaram muito.

– É verdade. Quando estamos apaixonados, nem pensamos direito. Mas estar nos braços dele era o alento para todas as dores. Sabe, Shun – Marin fitou os olhos do mais novo – tínhamos planos de abandonar nossas armaduras e nos casar, mas... – O rosto de Marin adquiriu um semblante triste.

– Marin, adorei saber a história, mas preciso ir – disse Shun, levantando-se. – Você poderia terminar de me contar outro dia?

– Será um prazer – respondeu ela, acenando para Shun, que seguia pela trilha para sair do cemitério.

A amazona ficou mais alguns segundos diante da lápide e, em seguida, se retirou. Os raios solares já haviam se findado, dando lugar ao breu da noite.

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No dia seguinte, Marin estava trajada com sua armadura diante de Athena, assim como os demais Cavaleiros remanescentes. Todos haviam sido convocados no dia anterior, o que trouxe o receio de uma nova guerra.

– Meus amados – Athena se levantou de seu trono e fez ecoar sua voz serena e doce pelo salão. – O motivo de tê-los convocado hoje é porque tenho algo importante para dizer.

Todos se entreolharam, e um burburinho generalizado se formou.

– Acalmem-se, por favor! – pediu a deusa, enérgica. Quando todos se acalmaram, ela prosseguiu: – Como vocês sabem, os Deuses assinaram um Tratado de Paz, e, após vários meses, consegui a permissão deles para realizar um dos meus maiores desejos. – Ela sorriu.

Agora, todos ouviam atentamente e em silêncio, ansiosos para que Saori terminasse. Athena caminhou até a porta lateral do salão e a abriu. Dela, saíram primeiramente os doze homens trajando suas armaduras douradas, que reluziam com a luz solar que entrava pelas amplas janelas. Kiki, Shiryu e Hyoga, com lágrimas nos olhos, correram até Mu, Dohko e Camus, que se abraçavam efusivamente.

Logo após, foi a vez dos Cavaleiros de Prata começarem a aparecer no salão. Ao avistar seu amado, Marin sentiu seu coração acelerar além do imaginável. Suas pernas estremeceram, e, por um momento, ela precisou se apoiar na parede para não cair. Sentiu as lágrimas começarem a brotar em seus olhos, mas conteve-se. Queria ir até ele e abraçá-lo, para ter certeza de que não era sua mente lhe pregando uma peça, mas não o fez. Albion estava junto de Shun.

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Marin estava sentada em um dos bancos no jardim do Salão do Décimo Terceiro Templo. A brisa suave fazia seus cabelos ruivos balançarem, e ela mantinha os olhos fechados, tentando se restabelecer após a grande emoção que havia sentido momentos atrás.

– Marin!? – Uma voz tão conhecida por ela a despertou de seu leve transe, fazendo-a se virar em direção ao visitante.

Ver Albion lhe sorrindo amavelmente fez com que ela não conseguisse mais reprimir suas emoções. Ela se jogou nos braços de seu amado em um abraço tão apertado que ambos podiam sentir seus corações batendo alucinadamente. Se pudessem, se fundiriam naquele ato.

– Albion – ela separou o abraço e levou as mãos macias até o rosto do argentino. – Desejei tanto que isso acontecesse que tenho medo de que seja um sonho.

– Minha amada, isso não é um sonho – disse ele, também acariciando o rosto feminino e secando as lágrimas que rolavam pelo rosto alvo. – Eu estou aqui.

E, sem mais esperar, seus lábios se encontraram em um beijo cheio de saudade. Ambos demonstravam, naquele ato, o amor que sentiam e que nem o tempo que passaram separados foi capaz de apagar.

– Eu te amo! – disse Albion com a voz embargada. – Marin, nossas promessas ainda estão de pé?

– É claro que sim, meu amor – respondeu ela, sorrindo.

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Seis anos depois…

Um garotinho de cabelos ruivos e uma menininha de cabelos loiros presos em duas marias-chiquinhas corriam alegremente atrás de uma borboleta que voava por entre as flores no campo verdejante que se estendia próximo a um riacho de águas cristalinas. As crianças eram observadas pelos olhos atentos dos pais, Albion e Marin, que se encontravam sentados na escada de casa.

– És feliz, meu amor? – perguntou o argentino, após abraçar sua amada.

– Mais do que um dia pude imaginar – respondeu ela, aconchegando-se mais ao peito largo de Albion. – Faria tudo novamente.

Mamãe, papai – chamou Pablo, que segurava a mão da irmã. – Podemos brincar no jardim?

Marin analisou minuciosamente o rosto dos filhos, sorriu e depois os abraçou. Aquilo que, há alguns anos, era apenas parte de um sonho, o destino lhe deu uma segunda chance.

– Podem sim – respondeu ela, após separar o abraço. – Só tomem cuidado para não machucar a Yumi.

Logo que receberam a permissão, os dois pequenos saíram em direção ao jardim. O casal novamente se abraçou e selou seus lábios em um beijo apaixonado, demonstrando todo o amor que os unia.

FIM