Capítulo 15 - Descobertas
Kai está de volta ao quarto e entra para tomar um banho, antes procurando suas roupas, Reita bem que estava certo precisava de ajuda. Uma ducha bem quente e revigorante com bastante fumaça, fez Kai se sentir bem melhor, saindo do banheiro com uma toalha enrolada na cintura e os cabelos ainda molhados escorrendo pelo corpo.
Agora que ele percebeu o que aconteceu ali, havia muita roupa espalhada, garrafas do frigobar pelo chão, bandeja com copos na cômoda do possível jantar e também uma garrafa de vinho vazia.
A razão da sua ressaca encontrando sua mala, procura uma necessaire com remédios para sua dor de cabeça, agora abrindo a geladeira para ver se sobrou uma água, achando no fundo da prateleira um copo pequeno que daria certo para engolir seu remédio.
Ele termina de se vestir se preparando para o café da manhã, seca melhor o cabelo e procura seus óculos escuros e o chapéu, assim não vai parecer que está de ressaca.
Saindo do quarto, deixa pendurado na porta o pedido para a camareira arrumar aquela bagunça da sua noitada. Ainda tentando lembrar algo além do que a Bel lhe contou.
Kai caminha para o elevador no sentido do refeitório, esse será um dia de folga antes da viagem para Europa.
Chegando ao salão, avistou seus amigos numa mesa e o pessoal da produção espalhado nas outras mesas. Reita se levanta vindo em sua direção para recepcioná-lo, já contando as boas novas do líder.
— Ohayoo Kai-san! Até que fim, nosso líder veio nos honrar com sua presença — disse Reita sendo sarcástico.
— Menos Rei-chan tô com dor de cabeça. Pode pegar um café para mim. — Kai pede ajuda para Reita.
— Tá de ressaca ainda? A noite foi boa então! Vou pegar um puro para você. — Reita vai em direção da mesa do café e Kai se senta com os outros membros da banda.
— Sobre o que Reita está falando? — pergunta Ruki interessado no sumiço do líder.
— É Yuta-chan, você sumiu ontem à noite. — É a vez do Aoi indagar sobre sua saída — Um staff veio dizer que você havia voltado bem acompanhado para o hotel.
— Kai-san você ficou meio estranho depois que tocamos Dogma. — Uruha está analisando os fatos — Não via a hora do meet acabar e sumiu, muito suspeito.
— Vocês podem ir mais devagar com as perguntas? Estou tentando curar minha ressaca primeiro. — Kai está atordoado com eles perguntando tudo junto.
— Aqui, Líder-sama! Seu café preto puro sem açúcar. Para melhorar sua ressaca! — Reita entrega o café e dá uma batida no ombro do amigo que reclama de dor.
Uruha já arregala os olhos para o gemido de dor do Kai, no mesmo ombro que ele e Aoi tem uma tatuagem.
— Kai-san me conte mais sobre essa sua noite? — pergunta Uruha querendo saber o que aconteceu.
— Pelo o que eu me lembro, ela estava no show — responde Kai bebendo um gole do café fazendo uma careta, porque está amargo. — Eu sei porque ela tinha uma pulseira azul do meet.
— Como assim? Não se lembra? Me explique esse seu braço doendo? — pergunta Uruha já alterando o som da voz.
— Acalme-se Kou-chan! Minha cabeça ainda dói e eu estou de ressaca, fica difícil lembrar. — Kai tenta manter a calma com Uruha e suas teorias — Exagerei um pouco e hoje o corpo está doendo.
Os outros membros só estão observando essa conversa, sem interferir ou perguntar algo. Uruha parece alterado, querendo confirmar sua teoria. Então Reita conta o que viu para melhorar os ânimos.
— Sossega Kou-chan! Eu vi a moça indo embora de manhã. — Reita dá risada olhando para Kai que tenta esconder se encolhendo atrás de seus óculos escuros e o chapéu, terminando de beber seu café — Nosso líder deu trabalho para ela, que saiu correndo do quarto, quando me viu no corredor me comprimentou e foi embora.
— Reita, seu puto! Sabia que você não ia deixar isso passar batido. — Kai está bravo com o Reita, por contar sobre sua intimidade dessa maneira — E daí? Se eu fiquei com alguém, sou solteiro sem compromisso.
— Não queremos mandar na vida de Kai-san! Longe disso você tem todo direito de sair e ficar com alguém do seu interesse. — Aoi tenta amenizar o clima que ficou com a exposição que Reita fez do líder.
— O que Uruha-san quer saber, é se você entrou para a lista das grávidas atrás de pensão. — Ruki tocou na questão que eles estavam preocupados — Kai-san, nunca fez isso de sair com alguém sem avisar, acho que é uma dúvida válida depois de tudo o que tem acontecido.
— Ruki-san, isso não temos como saber é um mistério. A única que acreditamos que ficou grávida foi a jovem que estava com Uruha na fogueira. — Kai não acredita muito na teoria que eles estão possuídos e sendo controlados por uma seita — Mas só porquê ele diz ter tido uma visão da criança pedindo ajuda.
— Como é possível? Kai-san não acredita! Ainda acha que sou louco e paranóico? — Uruha está indignado com a descrença do líder — Termine de tomar seu café e vamos tirar a prova no quarto.
— Kouyou querido, está falando muito alto. As outras pessoas das mesas estão nos encarando. — Aoi ao lado de Uruha procura acalmar seu namorado, agora que tinham voltado a ficar juntos — Espera Kai-san comer para resolver isso no quarto somente nós sem ninguém ficar olhando achando que somos malucos.
— Uruha-san, como seu amigo, acho que não teve nenhum problema. — Reita pede calma para Uruha, porque estão em um lugar público — Vamos aguardar o Kai-san terminar sua refeição e subimos para o quarto.
— Já que você faz tanta questão Kou-chan. No quarto eu mostro que não tem nada — disse Kai comendo seu pão e café com leite que ele foi buscar. — Nenhuma tatuagem ou modo de agir estranho, era só uma jovem fã que gostou muito de mim e eu dela.
— Só vou acreditar depois de ver. Então vocês vão me dar razão — afirmou Uruha olhando para os amigos, que continuam incrédulos sobre os sumiços e lapsos de memória. — Uma fã não fugiria, ficaria para o café para aproveitar o máximo do seu tempo com seu ídolo.
Ambos se mantêm em silêncio até o término da refeição do líder. Então se levantam e seguem para o seu quarto.
(...)
Na porta do seu quarto, Kai observa que a placa na maçaneta não está mais lá, isso indica que o quarto foi arrumado, menos uma preocupação para ele. Já está sendo obrigado a ceder às teorias do Uruha, se o quarto estivesse todo bagunçado seria a mais uma explicação que ele não estava afim de dar.
Eles adentram ao quarto assim que Kai abre a porta liberando a passagem, entrando o último e trancando a porta. Uruha está de pé perto da porta da varanda. Ruki e Aoi se sentam na beirada da cama, Reita segue a frente até uma poltrona indicando para que o amigo se sentasse ali.
— Yuta-san melhor se sentar aqui. — disse Reita para o amigo. — Essa sua camiseta é muito fechada e escura não para ver nada, poderia tirar, fica mais fácil.
— Vamos resolver isso logo! — Kai ainda está com dor de cabeça e meio sóbrio depois do café — Uruha-chan! Segura meus óculos e meu chapéu com cuidado.
— Posso ser desajeitado, mas tenho cuidado com as coisas dos outros. Me dê isso aqui. — Uruha dá alguns passos até Kai, pegando seus itens que ele gosta muito, colocando em cima da mala que está ao lado — O quarto não está bem arrumado para quem esteve ocupado a noite?
— Eu pedi para a camareira arrumar antes de descer para o café da manhã — Kai responde meio a contragosto. Uruha está impaciente fazendo perguntas. — O seu quarto por acaso está impecável? Os dois dormiram como anjinhos?
Kai provoca Uruha que olha para Aoi, enquanto retira sua camiseta para os olhos atentos de Reita. Que chama o vocalista para ver, ele está com o rosto assustado.
— Taka-chan, vem aqui rápido!
— Rei-chan o que foi? Que cara é essa?
— Só quero ter certeza de que não estou vendo coisa errada, Chibi.
— Ah! Chega de gracinhas, Rei-chan. Deixa eu ver.
Ruki olha surpreso para Reita, que retorna seu olhar colocando a mão na boca segurando sua expressão de espanto. Estavam os cinco naquele quarto, Kai sentado no sofá pequeno sem sua camiseta, enquanto seus amigos perplexos analisavam a sua pele marcada.
— Me digam quem é o paranóico agora? — Uruha exclamou, olhando para eles que estavam sem acreditar no que estavam vendo. — Estou falando que tinha algo de muito errado aqui, essa calmaria era suspeita. Kai-san, você acha normal aparecer com tatuagem depois de uma noite de amor?
— Pessoal, vocês estão me assustando! — Kai vira o pescoço na tentativa de se ver mas sem sucesso — Isso é sério mesmo?
— Yutaka-san, lamento dizer mas… — Aoi chega perto do amigo e passa a mão em sua tatuagem, enquanto Ruki e Reita estão sem palavras — Tem uma tatuagem igual a minha e do Uruha, no seu ombro, sua noite foi planejada e não foi por você.
— Agora Ruki-chan, vai continuar com as piadinhas sobre a pensão? — Uruha está encostado na parede da varanda e braço cruzados só olhando as expressões deles — Kai-san, nenhum lapso de memória? Sabe o nome dela ou como escolheu a jovem fã para passar a noite? Certeza que esse lance de manipulação ficou lá no Japão?
— Uruha-san devíamos ter escutado você, agora já é tarde para o eu avisei — Ruki exclama com o amigo que está rindo e debochando deles. — Está feliz agora? Você não está louco, há mesmo uma intervenção satânica!
— Cara! Essa seita deve ter muitos seguidores espalhados, estão nos observando desde que saímos daquela maldita festa. Na verdade foi tudo arquitetado para irmos parar naquela festa — disse Reita com as mãos no cabelo, andando de um lado para o outro. — Kai-san, você foi o único que conversou com a jovem, tenta lembrar de algo, precisamos de uma pista. Porque ela fugiu, algum detalhe nela ou algo que ela falou.
Kai está sem palavras, tudo o que ele disse um dia antes para Uruha, sobre que nada de estranho tinha acontecido na viagem, que se houvesse alguém manipulando eles havia ficado no seu país. Aquilo tudo era verdade, não queria admitir, mas a teoria de Uruha estava certa, eles foram mesmo possuídos por aquelas fumaças negras e enfeitiçados com a música Dogma que está envolvida em cada evento que coisas estranhas acontecem com eles.
— Vamos com calma! Pessoal, estou tentando assimilar tudo isso, como verdade, por mais absurda que seja — disse Kai olhando para eles assustado.
— Só agora que mais uma tatuagem apareceu, que vocês estão considerando que não sou louco ou paranóico! — Uruha comenta sua indignação. — Isso mostra que vocês nunca me levam a sério mesmo.
— Uruha, por favor, agora não é hora de ficar ressaltando que devíamos ter investigado isso mais a fundo depois daquele pesadelo no avião e os lapsos de memória. — Ruki está olhando para o amigo que encostado na parede olhando eles surtando.
— Gomenasai, Shima-chan por falar que fiquei com jovem por vontade própria e não acreditar em você. — Aoi tenta se aproximar dele, que apenas faz uma menção com os ombros ressentido — Por favor Kou, não fique assim! Precisamos que nos ajude a encontrar uma pista sobre quem são essas pessoas.
— Kouyou, eu me importo muito com você. Fiquei extremamente nervoso quando você desmaiou. — Reita expressa sua preocupação com o amigo — É meu melhor amigo como um irmão, o considero muito. Só você pode nos ajudar.
— Tudo bem Rei-chan, não precisa ser tão sentimental assim, estraga sua reputação de bad boy — Uruha avisa, dando uma leve risada do amigo que se faz de durão para não perceberem que é bem sensível. — Tá perdendo umas lágrimas vai molhar toda a faixa.
Uruha agora descruza os braços e caminha até Aoi que havia voltado para sentar na cama, meio triste que o namorado o havia afastado ressentindo por não ter acreditado na sua teoria.
— Shiro-chan, eu sei que você foi manipulado, assim como o Kai para ficar com essas mulheres. Que bom que agora vocês reconhecem isso! — afirma Uruha pensativo tentando juntar os fatos. — Precisamos entender como e quando isso acontece. Kai-san tente se lembrar do que você conversou com a sua jovem.
— Calma! Minha ressaca ainda não passou. Vejamos minha última lembrança é de que sairmos para o intervalo depois da música Dogma para descansar para o encore. — Kai está tentando lembrar sua noite — Então só lembro de acordar aqui no hotel com a jovem Bel dormindo ao meu lado me olhando muito feliz.
— Já temos o nome da garota e quando ocorreu o lapso de memória. Ruki-san pega um papel e vai anotando. — Uruha está analisando os fatos — Kai-san, eu já havia dito que como a música Dogma foi usada no ritual ela faz parte do feitiço. O problema é saber como ela é usada? Não é sempre que ficamos com lapsos de memória.
— Verdade, quando Kai sumiu depois do meet, nenhum nós teve perda de memória. — Ruki está pensando sobre isso, segurando um papel e uma caneta que encontrou nas coisas do Kai — Ao contrário da rádio, ficamos conversando com aquelas fãs, que a Minami disse que foi um pedido nosso. Depois de um tempo Aoi apareceu e não lembrava de nada e nem percebemos que ele não estava ali.
— Ainda temos que descobrir quem é o infiltrado, essa pessoa está sempre por perto, mas é como se fosse invisível só fica observando nossos passos. — Uruha pensa sobre quem seria a pessoa que os vigia — Como Reita diz, essa seita deve ter seguidores em cada lugar que passamos. Mas deve ter algum jeito deles se comunicarem, uma marca ou código secreto.
— Kai-san, onde está seu notebook? Quero pesquisar sobre essa tatuagem de vocês — Reita pergunta para Kai que ainda está sentado no sofá sem sua camiseta. — Ruki-chan o seu celular que tem a melhor câmera tira uma foto da tatuagem do Kai.
— Acho que ele está na minha mala ainda Aki-chan — responde Kai. — Quando acordei a princípio ela não me chamou pelo nome. Esperem um pouco, ah! Lembrei que ela falou "Bom dia Sr. Anúbis" . Eu estava sonolento só disse que errou de nome ela se retratou, dizendo " Ohayoo Kai-san".
— Perfeito Kai-san! Ainda bem que sua memória funcionou. Com certeza uma daquelas fumaça negras pode ser o espírito de Anúbis. — Uruha está contente, pode ser a primeira pista concreta que eles tinham — Rei-chan pesquisa sobre Anúbis, precisamos saber sobre ele.
— Muito bom Líder-sama! Se lembrar de mais alguma coisa mesmo que ache banal, pode ser uma pista para chegar no infiltrado e como eles escolhem essas jovens. — Ruki com o papel na mão anota mais essa informação — Ah… dá pra vestir a sua camiseta? Não preciso ficar vendo como você está forte, bronzeado e com esse abdômen malhado bem definido.
— Que é isso Chibi!? Tá olhando demais para os músculos do Kai, também estou malhando só me falta um pouco de sol — Reita reclama com um pouco de ciúmes do Ruki.
— Ficou ciumento agora Rei-chan? Não tenho culpa se a bateria é melhor exercício, que o baixo. — Ruki provoca Reita dando uma risada — Vamos procurar aí, sobre a mitologia egípcia, se concentra.
Kai se levanta da poltrona rindo do Reita bravo com o Ruki estar, olhando para os músculos dele colocando sua blusa no ombro, antes de vesti-la vai em direção ao banheiro, para se olhar no espelho grande que havia em seu quarto para ver a marca da tatuagem.
Reita havia colocado seu notebook na mesinha que tinha no quarto, sentou-se no sofá de dois lugares à sua frente com Ruki ao seu lado com seu celular aberto na foto da tatuagem. Uruha estava sentado na cama ao lado de Aoi que estava pensativo olhando para a porta, ele viu Kai se virando para trás para ver a marca, levantando-se foi até o líder que parecia agitado, encostando no batente da porta.
— Não está tão ruim! É a sua primeira tatuagem também?
— É sim, nunca pensei em fazer uma. Queria entender o porquê dessas marcas.
— Também queria Kai-san. De onde surgiram essas pessoas? Queria saber o propósito daquele ritual, ainda penso no lance do sacrifício.
— Então aquelas mulheres deram a vida delas para nos salvar. Me arrepia até hoje, por que somos tão especiais?
— O que me intriga é que elas disseram que fomos entregues como oferenda. Por quem, eu me pergunto? E alguma coisa fez aquelas fumaças negras mudarem de planos nos mantendo vivos.
— Estão nos usando para gerar crianças de modo sobrenatural. Se fui possuído por Anúbis, vocês devem ser os outros espíritos dessa mesma categoria. O que a maldita seita está querendo invocar?
— Se for pensar de acordo com o filme A múmia, ele queria trazer a sua amada de volta do mundo dos mortos, e acabou quase provocando um apocalipse. Sei que é loucura, mas ele estava interessado em dominar o mundo.
— Uruha, não dá para usar um filme como base para resolver nossos problemas. Seria o mesmo que dizer que as crianças serão iguais ao filme da A última profecia, o menino tinha um número tatuado na nuca e o seus protetores também tinham.
Kai nem termina a frase, sai do banheiro vestindo sua camiseta meio que atropelando Uruha na porta atordoado atrás do papel que Ruki estava escrevendo.
— Yukkun, o que houve? Por que esse desespero? — Uruha pergunta indo como um tiro atrás do líder.
— Gomen, Kou-chan! O filme me fez lembrar que a Bel tinha uma tatuagem no pulso onde a estava pulseira. — Kai lembrou-se de algo que pode ajudar.
— O que você vai fazer? Sobre que filme vocês falavam? Kai-san, o que você está procurando? — Aoi pergunta vendo ele passar correndo e Uruha logo atrás.
— Um filme sobre profecias. Estou procurando um papel, eu preciso desenhar — Kai explica indo pegar a folha com Ruki. Se ajoelhando na mesa em frente ao notebook.
— Pessoal! Sobre Anúbis, eu achei algumas coisas interessantes na história dele. — Reita está pesquisando sobre o deus do egípcio.
— Rei-chan fala logo! Tem algo que possa nos ajudar? — pergunta Uruha, apreensivo olhando também os rabiscos que Kai tentava fazer .
— Anúbis é o deus com cabeça de chacal e corpo de homem. É aquele cachorro negro deitado ao lado do sarcófago. — Reita dá risada lendo — Nasceu da união de Osíris e Néftis, que o iludiu usando a forma de Ísis sua irmã e esposa. Anúbis é filho bastardo de Osíris. — Reita está achando essa história muita louca — Esses deuses não perdoavam nem os irmãos. Que pouca vergonha!
— Eles faziam isso para se manter no poder, monarquia é assim mesmo. A rainha da Inglaterra é casada com seu primo — comenta Aoi.
— Toda pessoa ao morrer era recebida por Anúbis, então ele é o deus da morte. — Reita continua lendo. Kai estava tentando desenhar, o que estava deixando Ruki nervoso com sua falta de habilidade — Como deus dos mortos, suas principais funções eram as seguintes: Guardar a múmia, acolher as almas, e pesar o coração. Segundo a lenda, foi ele quem criou a primeira múmia, ao preparar o corpo do pai assassinado pelo irmão Seth.
— Que família, hein! Só queriam saber do trono. O Irmão matou o outro, depois o filho fez a múmia dele e ele renasceu no pós-vida como um deus. — Ruki analisa toda a história — Não é atoa que chamam de mitologia, esses contos são muito fantasiosos.
— Rei-chan, boa história mas não resolve nossos problemas — indagou Uruha. — Qual a ligação desses deuses com o ritual da fogueira? O que eles têm em comum?
— Uruha-chan, não sei se tem uma ligação. Você que é o rei das teorias, não eu. — Reita está queimando os neurônios para tentar entender — O único ponto em comum que achei é que todos são irmãos e alguns fazem parte do mundo dos mortos. Mmm… Será que as fumaças negras são espíritos desses deuses, querendo voltar a vida como nos filmes? Tipo o retorno da múmia?
— Rei-chan é tão inteligente às vezes, já fez até sua própria teoria — exclamou Ruki, olhando para o loiro ao seu lado que abre um sorriso com o elogio. — Kai-san, o que tanto você rabisca? Você é péssimo desenhando, sabia? Me dá essa folha aqui e me fala o que você quer.
— É uma cruz meio arredondada, com as laterais curtas parecendo uma chave só que reta. — Kai tenta explicar como era a cruz que ele havia visto — Lembro de ter visto em algum lugar, parece um bastão. Rei-chan procura sobre o uso de cruz na mitologia egípcia.
Ruki tem mesmo um talento fora do comum para desenhar, ele fez os traços e uma forma de cruz bem próximo ao que falei. Virando a folha para saber se era parecido com o que eu tinha visto.
— Isso mesmo! A tatuagem era preta e se assemelha muito com o seu desenho. — Kai olha para o desenho que parecia ser quase aquilo que o Ruki desenhou — Reita volta uma imagem, essa mesmo! Eu sabia que já tinha visto essa estátua do faraó o segurando como um bastão. Procura o nome dela.
— Kai-san, só um instante. Aqui tem várias fotos, chama-se cruz de ansata ou ankh, é usada como símbolo da fertilidade. — Reita encontra o significado da imagem — Simboliza a união do homem e da mulher para a criação de uma nova vida.
— Parabéns Reita-san! Essa é a pista que precisávamos da tatuagem da cruz, é a marca das escolhidas pela seita para gerar um filho. — Uruha teoriza uma resposta — É assim que eles se comunicam e se encontram, pela marca.
— Shima-chan, será que o infiltrado também tem essa marca? — Aoi pergunta intrigado ao se namorado. — Vamos ter que ficar encarando os outros para ver se achamos uma tatuagem?
— Essa é a primeira pista que temos, acho que não vai ter outro jeito — Uruha responde para Aoi. — Vamos ter que ser discretos em olhar o pessoal da produção, se caso o espião desconfiar que sabemos de algo ele pode mudar de estratégia.
Ambos passam o restante do dia pesquisando e anotando as teorias, pois não tem muito tempo, o voo para a Europa sai na manhã do dia seguinte e eles não sabem o que lhes esperam nos próximos shows. Os três membros da banda com tatuagem olham para Reita e Ruki pensando se vão descobrir quem os controla e os vigia antes de acontecer o mesmo com os outros dois amigos.
(...)
