Capítulo 16 — Cidade Luz
Na manhã seguinte, eles estavam embarcando para Londres, que seria o primeiro show da agenda da turnê na Europa. O voo era às 6h da manhã, eles estavam com muito sono e cansados, passaram a tarde toda e boa parte da noite pesquisando e criando teorias sobre tudo que acontecia com eles desde a festa da fogueira nos EUA.
Todos foram jantar aquela noite no hotel com o pessoal da produção e cada um que passava estivesse com o braço a mostra era alvo dos olhares deles à procura da tal tatuagem da cruz igual a que a Bel tinha em seu pulso.
Mas não encontraram nenhuma tatuagem parecida, entretanto não podiam se mostrar muito interessados, pois o infiltrado poderia desconfiar e mudar seus planos, seja lá qual fossem eles. Estavam um pouco preocupados com o setlist, agora sabiam que a música Dogma fazia parte do que o Uruha chamava de feitiço, mas não poderiam tirar ela dos próximos shows sem uma desculpa plausível.
Então, cientes da situação atual, eles seguiram para o próximo país. Tinham vários shows ainda na Europa e Ásia, muitos fãs os esperavam já há alguns anos.
(...)
Algumas horas de voo depois…
Eles estavam desembarcando em Londres, chegando de noite na capital, seguiram para o hotel em Camden Town, distrito onde ficava a casa de show The electric ballroom london, onde seria realizado o show na noite seguinte.
Sempre atentos agora a todos os staffs que os ajudavam, sendo a tal tatuagem da cruz, sua única pista. Mas a pessoa infiltrada devia estar bem escondida, talvez desconfiada com as mudanças de comportamento e olhares fixos nos demais.
Depois de se alojarem nos quartos, ficou combinado de saírem para jantar num restaurante próximo com a equipe da produção, sendo mais um momento que eles poderiam conversar e se descontrair para o show do dia seguinte.
Como o local era perto do hotel, decidiram ir a pé para aproveitar a noite, era bem complicado fazer isso, sempre eram reconhecidos e parados pelos fãs. Esse passeio noturno estava indo bem, estavam andando enquanto Aoi, com sua câmera, gravava a caminhada. Antes de chegar ao local, Reita avista próximo a eles um grupo composto de quatro homens vestidos com batinas pretas e colarinhos brancos seguindo na mesma direção que eles.
Reita ficou tão nervoso com o último contato que teve com esse tipo de pessoa, que pegou seu celular para gravar os supostos padres, tocando no ombro de Uruha que estava a sua frente, mostrando-os para o amigo.
Uruha, ao olhar o que o amigo apontava, ficou pálido e seu coração disparou lembrando daquele que tentou o arrastar à força na festa. Parou por um momento procurando Aoi, que filmava sem preocupação e distraído. Uruha pegou em sua mão fazendo ele olhar assustado para o mesmo, pois sua mão era gelada e ele tinha o olhar fixo no grupo de padres.
Então eles apertaram o passo sem dizer nada juntando-se ao Reita, para chegarem mais rápido. Kai notou que eles estavam indo rápido demais, cutucou Ruki para descobrir o motivo da pressa. Se virando para trás, viu o motivo do susto deles, o grupo de padres igual os que os abordaram nos EUA.
Mais que depressa mostrou o que eles viram para Ruki, que ficou muito assustado correndo até alcançar Reita e outros, deixando o pessoal falando sozinho com sua saída brusca. O seu grupo tinha um guia oferecido pelo hotel, a quem Kai foi prontamente perguntar se conhecia aquele grupo de padres.
Obtendo como resposta que eles eram de uma igreja ali perto. O Guia vendo o interesse de Kai completou que eles eram protestantes sempre andavam em grupo e que eles não precisavam ter medo vendo os outros andando rápido, era normal o jeito deles andarem de cara fechada fazendo um tipo assustador.
Kai deu risada do comentário, mas foi de puro nervoso, estava na dúvida se eles os seguiam ou não, mesmo lembrando que a bruxa disse que os padres só queriam protegê-los, naquele hora não sabia o que pensar a respeito daquele grupo.
O grupo viu os membros da banda andarem mais rápido, também o fizeram chegando ao restaurante para o jantar. Kai havia entrado por último e ainda ficou olhando para os padres que passaram direto, fazendo o líder suspirar aliviado. Por causa de todo o acontecido eles ficaram com medo.
Apesar do susto, o jantar ocorreu bem sem mais nenhum imprevisto. Eles acabaram esquecendo e se divertiram um pouco comendo e bebendo com os amigos. A volta para o hotel foi tranquila, sem encontros desagradáveis pelo caminho, o dia seguinte seria corrido e eles queriam fazer o melhor show na Europa, muitos dos fãs já esperavam na frente da casa noturna. Uma boa noite de sono seria o mais certo a fazer, se despediram e cada um foi para seu quarto para descansar para as atribulações do dia do show.
(...)
O dia seguinte seguiu como programado. Depois do café, a van os levou para o local do show, onde o palco já estava quase montado. Eles seguiram para o camarim para arrumar os cabelos que era o mais demorado.
Aos poucos, conforme foram sendo liberados, cada um fazia acertos em seus equipamentos, esquecendo até de comer na hora certa. Como havia passado da hora do almoço, eles ainda tinham muitos ajustes para fazer, não teriam tempo para sair e pediram para entregar suas comidas favoritas, cada um pegava uma daquelas embalagens que na sua maioria eram de yakisoba, eles saíram andando e comendo pelos corredores.
Quando todos os cinco membros estavam no palco, fizeram a passagem do som de todas as músicas escolhidas para aquele show à noite. Já era de tarde, então foram para a maquiagem e trocar sua roupa para os figurinos do show.
Eles aguardavam numa ante sala, assim que ficaram prontos, só beliscando uns aperitivos que estavam na mesa, bebendo uma água. Uruha e Aoi testavam os acordes de suas guitarras. Kai fazia uma percussão na perna seguindo o ritmo das guitarras deles para aliviar o nervoso. Reita andava de um lado para outro testando seu coração, depois os batimentos dos amigos Uruha e Kai.
Ruki parecia tranquilo no sofá, comendo um doce e olhando para seu celular, tirando fotos e postando no seu instagram para o delírio dos fãs. Tentava assim disfarçar o nervoso. Fazia mais de seis anos que haviam feito uma live em Londres. Um pouco mais cedo, junto com Kai, olharam pela janela no alto da casa de show e ficaram observando o tamanho da fila que se formava em volta do local. Queria entregar sua melhor performance para todos aqueles que vieram vê-los.
O nervoso aumentou assim que o interlocutor começou a anunciar a banda. Eles caminharam no corredor escuro, prontos para entrarem depois de terem feito sua roda com os cinco membros e Kai dá o seu grito de guerra. Eles foram entrando um por vez, levando o público presente à loucura.
Algumas horas depois…
O show foi um sucesso, a banda estava muito feliz, os fãs estavam eufóricos e cada música apresentada foi cantada junto com eles. Apesar de ficarem preocupados na hora de tocar Dogma, nada de estranho aconteceu, os deixando um pouco aliviados, mas ao mesmo tempo apreensivos, pois havia outros shows e ficavam sem saber quando outro sumiço iria acontecer.
O importante era que esse show superou as expectativas deles. Agora era só se preparar para o próximo país, que segundo a escala seria a França, sendo o show na capital Paris, considerada a cidade mais romântica do mundo.
O show de Paris fora marcado para daqui três dias, tempo o suficiente para eles descansarem e se prepararem para viajar de balsa, atravessando o oceano para chegar nas terras francesas, onde todo trajeto entre os países que fariam outros seria feito com um trailer ônibus moderno e confortável.
Com a folga de um dia livre, eles queriam visitar um dos pontos da cidade, mas com a agenda apertada e o tempo corrido não conseguiram ver nada nos outros países que passaram, tudo por que o Ruki sempre quer que tudo fique perfeito nas lives.
Kai estava pesquisando sobre a tatuagem e a história dos deuses egípcios no seu notebook. Paris tem um dos maiores museus, o Louvre, com a maior quantidade de acervos sobre o Egito, ele gostaria de visitá-lo. Ruki gostou da ideia e queria ver o famoso quadro da Monalisa. Uruha e Aoi também ficaram empolgados em passear pelo museu.
Reita só queria descansar da viagem quando chegaram ao hotel, que ficava próximo ao Teatro Bataclan, onde fariam o show na noite do dia seguinte. Mas acabou cedendo à pressão dos amigos para fazer o passeio, pois não sabiam quando teriam outro dia livre ou voltariam ao país.
Depois que chegaram ao hotel guardaram suas malas, eles se arrumaram para sair para o passeio, alguns staffs, um segurança e o câmera para guardar esses momentos para o DVD, os acompanharam. Uma van os levou até o museu, eles estavam bem animados em conhecer um lugar tão famoso na Europa. Ao chegar no local junto com eles havia um guia para ser o tradutor e mostrar a exposição para o grupo de japoneses.
O hall de entrada era maravilhoso e todo feito de mármore, com colunas representando o templo do Monte Olimpo e as esculturas espalhadas nessa exposição da Grécia.
O guia foi levando aquele grupo peculiar por várias exposições, entre esculturas, pinturas, vasos antigos, além contar a história de grandes conquistadores que viveram na terra.
Então passaram pela exposição do Egito, essa era a que interessava mais a eles, fonte de suas pesquisas.
— Olha só, um corredor só de múmias enfaixadas — disse Uruha dando uma gargalhada
— Olha Reita, encontramos seus parentes, eles também usam faixa — Aoi comentou rindo também com Uruha.
— Podem ir parando já os dois, eu só estou de máscara hoje — Reita retruca com os dois.
— Uma réplica da esfinge, chega aqui Reita, vamos tirar uma foto. — Ruki encosta perto da escultura para uma foto com Reita.
— l A esfinge perdeu o nariz e não fica se escondendo como certas pessoas. — Kai provoca o amigo.
— Kaisan, até você? Meu nariz é normal, sabe que é só um estilo, não sei mais andar sem a faixa. — Reita já estava ficando bravo com a implicância dos amigos.
— Pessoal, aqui há um mural sobre os deuses do Egito. — Uruha chama os amigos para ver e o guia para dizer quem são.
— Essas pinturas são do casal Osíris e Ísis, que eram o deus dos mortos e sua irmã e esposa, a deusa da fertilidade, e do casal Seth e Néftis, que eram os deuses do caos e do deserto, respectivamente. Os quatro eram irmãos e se uniram para se manter no poder. — O guia explica para eles sobre os deuses — Esse cão negro em cima do sarcófago é Anubis, responsável pela mumificação dos mortos para o pós-vida.
— Kai-san, essa estátua de Anubis tem a cruz Ankh no colar, parece você quando está mal-humorado — Ruki comenta sobre o humor do líder.
— Os egípcios eram bons na navegação, nesse barco de argila são os parentes do Ruki, tudo anãozinho. — Kai rebate a provocação.
— Sabia que estava demorando para começar as brincadeiras com a minha altura. Vamos andando Reita, quero ver as pinturas. — Ruki chama o namorado para sair de perto do deboche dos outros.
Os outros membros ficam um pouco para trás dando risada do Ruki e do Reita, que fugiram das provocações deles. O passeio continua com eles vendo os artefatos, se divertindo com o que encontram e fazendo referência a algum deles.
Quando chegaram perto do famoso quadro da Monalisa, Ruki ficou pouco frustrado com o tal quadro, era bem pequeno, estando protegido por redoma de vidro. Havia muitas pessoas a sua frente impossibilitando sua visão, o que os deixou irritados, andando entre as pessoas para conseguir o melhor ângulo para uma foto.
Uruha, como era o mais alto deles, pegou Ruki pela cintura e o levantou para tirar a foto que ele queria, mas depois levou uma bronca do baixinho, por achar que ele era uma criança e ficar elevando ele no meio da multidão.
Então um grupo de jovens que estavam ali olhando as pinturas, reconheceu eles, mesmo que estivessem com roupas casuais e sem maquiagem, elas se aproximaram e pediram autógrafos e selfies para eles. Como foram descobertos e para evitar outros fãs e a situação sair do controle, eles se permitiram ir embora, já haviam visitado quase todo o local.
O dia seguinte seria bem trabalhoso e exaustivo com tudo que eles precisavam arrumar para o show sair perfeito. Um bom descanso do jantar seria bem vindo.
(...)
Paris, 23/11/17 - Noite do show
O show da banda à noite seria no Teatro Bataclan. Agora em novembro completaria dois anos dos atentados terroristas que ocorreram em Paris, quando mais de cem pessoas foram mortas dentro daquele teatro.
Depois dos eventos fatídicos daquela noite, todos os serviços de segurança foram reforçados, sendo mais equipados e capazes de individualizar cada ameaça, para que não ocorra uma outra vez.
Eles estavam um pouco nervosos com tudo o que aconteceu. O melhor que podiam fazer era se concentrar em realizar um ótimo show para alegrar todos os fãs que já os esperavam desde muito cedo na fila em volta do teatro.
Assim que chegaram ao teatro, depois do café da manhã no hotel, o palco estava pronto, todo o equipamento no seu lugar e os técnicos estavam à espera para a passagem do som e saber se a iluminação estava do agrado deles.
O local havia sido reformado com camarins maiores e confortáveis, com sofás grandes com vários lugares, ainda um frigobar e uma mesa no centro. Um camarim menor, só para maquiagem e cabelo, com espelho e luzes.
O dia passou rápido com tudo em ordem, Kai num dos camarins onde todos esperavam começar o show, repassou novamente o setlist incluindo o encore. Ficou decidido que fariam o meet antes do show, para não ficar muito tarde depois que o show terminasse e também queria evitar que o mesmo tivesse influência no sumiço de um deles assim como aconteceu com o Kai no Brasil.
Não demorou muito, eles foram chamados um por vez e foram entrando para o delírio e deleite do público presente. O show começou, todos vibravam e cantavam juntos com a banda, o que fazia eles ficarem muito contentes com a interação dos fãs.
(...)
A platéia esperava ansiosa por essa música que é um ícone do álbum Dogma. Kai começou a tocar a música sem medo e deu sinal para Ruki que pegou seu microfone começando a cantar e outros acompanham seguindo o ritmo.
Fuhai shita bakenokawa
Tsumi wa suitai no yo ka
Obitadashiku korogaru douzoku wa yoku no shigai
I deny everything
I deny all of it
I deny everything
Yami o matoi koko wa gi ni mukau
Soko ni shinjitsu ga aru to
A música seguiu seu curso até o fim, apesar do receio deles sobre quando Dogma agiria sobre eles, tocavam e cantavam com muito fervor e paixão. Então a música chegou no último verso que fala da escuridão.
Yami to nari kazarou
Yuushuu no shi o
I will blacken out this world
Darkness in the world
Starts tonight
As luzes focalizaram o vocalista Ruki no centro do palco recitando o verso final, aguardando os acordes finais das guitarras e o baixo. Nos bastidores, o staff que monitorava o show através das câmeras pelo monitor mostrava um sorriso suspeito, a música tinha realizado novamente sua função como gatilho, ativando o próximo deus, assim como aconteceu com Kai.
Ruki num breve instante, piscou olhando para a câmera, o staff viu suas que suas órbitas estavam internamente negras e piscando estava normal outra vez, mais um deus havia sido ativado sem que os membros da banda suspeitassem da possessão.
O show continuava com Ruki cantando eufórico as outras músicas:
UGLY!
Headache Man
Psychedelic Heroine
Ao final de Filth in the Beauty, foram envoltos pelas luzes e a fumaça saindo um por vez em direção ao camarim para o intervalo de antes do encore, durante esse tempo alguns usavam para colocar uma camiseta, beber uma água, tomar um fôlego, fumar ou conversar rápido sobre o show, enquanto o público gritava sem parar pelo encore.
Ruki ansiava por um cigarro, mas não poderia fumar ali dentro, com seu maço e isqueiro na mão estava encostado numa parede perto do cabide de roupas pensando em ir até a área aberta para fumantes nesse breve espaço de tempo que eles tinham antes do encore, então um staff se aproxima dele recitando o verso de Dogma.
— Ruki-san, a escuridão desse mundo… — O staff fala a frase de gatilho para conversar com o deus que foi ativado nele.
— Começa hoje à noite — Ruki responde intuitivamente, sendo dominado pelo espírito do deus em seu corpo. — Eu sou o grande Osíris, deus dos mortos. Por que estou sendo importunado por um servo mortal?
— Grande senhor Osíris, estou aqui para ajudar a cumprir sua missão. — O staff diz em tom baixo para os outros não ouvirem a conversa — A sua escolhida é uma jovem chamada Bruna, que já está lhe esperando em um camarim com um sofá grande e confortável. Pode me acompanhar?
— Por que só eu fui ativado? O que mais Seth está planejando? — Osíris caminha com o staff saindo daquela ante sala atrás do palco para o camarim que falou.
— Os rapazes estão começando a ficar desconfiados com os lapsos de memória. — O staff conta sua desconfiança sobre o comportamento deles depois do show do Brasil — Seth está preocupado com os padres seguidores dos filhos de hórus, eles são em maior número aqui na Europa, podem estar por perto vigiando.
— Aqueles seguidores não querem que concluamos a profecia. Estão nos cercando, já tentaram matar o filho de Seth. — Osíris sabe dos atentados a mãe e a criança — Foi Seth quem escolheu realizar esse encontro no meio do show dos escolhidos?
— Anubis deu muita sorte, não desconfiaram do baterista sair com a fã indo para o hotel — o staff explica sobre o encontro de Kai no Brasil. — O corpo que o senhor Osíris possuiu é o vocalista da banda, podemos ter complicações se ele sumir. Eles têm esse intervalo de descanso de vinte minutos antes de voltar para o palco.
Ambos chegaram ao camarim, onde estava a escolhida européia pela seita. A jovem Bruna, que possui uma pele clara e lindos cabelos loiros, longos e lisos, está a espera para ficar com o vocalista da banda, Ruki, que abriga o espírito do deus Osíris.
— Já perdemos boa parte desse tempo conversando, assim nem vou poder me divertir com esse corpo de estatura baixa. — Osiris gostou de ter um corpo e queria fazer bom uso dele — Arrume um jeito de ganhar mais tempo para eu completar minha missão e me divertir também.
— Vou distraí-los, talvez eu diga que você saiu para fumar depois fazendo eles tocarem sozinhos para a platéia até o senhor Osíris cumprir sua missão. — O staff já tem um plano arquitetado, só falta colocar em prática — Quando ouvir o som das guitarras deves voltar para o Ruki cantar como se nada tivesse acontecido.
— És um ótimo servo, terás posição importante quando estivermos andando pela Terra novamente. Agora vá e fique de olho nos outros. — Osíris abre a porta, apreciando a linda jovem escolhida para ele.
— Bom divertimento, meu senhor Osíris. Esse camarim tem chave para trancar a porta. — O staff se distancia do camarim indo vigiar outros — Para sua segurança e da jovem Bruna depois venho buscá-la.
(...)
Os quinze minutos do intervalo passaram rapidamente, o staff só ficou observando a confusão que começou a se formar com eles perguntando e procurando por Ruki, o público não parava de gritar pelo encore. Eles já deviam ter voltado, mas o vocalista não estava sendo encontrado.
— Kai-san, onde será que o Ruki foi? — pergunta Reita.
— Reita-san também queria saber? Já procuraram no banheiro? — Kai sugere onde ele poderia estar.
— A última vez que o vi, ele procurava seu maço de cigarro e o isqueiro — responde Aoi.
— Estranho, mas ele falou que tinha parado. Voltou a fumar escondido? — Reita comenta o fato do vocalista estar tentando largar o fumo.
— Alguém mais achou ele diferente depois que tocamos Dogma? — Uruha ressalta sua teoria.
— Será possível, Uruha-san? Aconteceu de novo? Ele tinha que sumir no meio do show? — Kai explana suas dúvidas.
— Kai-san, por que dúvida se o Reita ainda está aqui? Aconteceu dele sumir assim como foi com o Aoi — Uruha responde às perguntas do líder.
Um staff com uma prancheta se aproxima, querendo saber porquê eles ainda não voltaram para o palco porque já passou tempo demais, está atrasando o show. Fazendo Kai pensar numa forma de distrair o público enquanto os outros procuram o Ruki pelo teatro.
— Ride with the ROCKERS. Vamos fazer isso, sei que não faz parte do setlist da turnê, mas é a única coisa que me veio à cabeça para contornar a situação e o show continuar. — Kai encontra uma solução para esse problema.
— Kai-san, isso é uma boa ideia. Dá para fazer sem ensaio, é só avisar o pessoal da produção. — Reita sempre faz essa apresentação nos shows de final de turnê com Kai.
— Combinado então. Kai-san você entra primeiro, depois Reita se ainda assim o Ruki não aparecer, Aoi-san e eu entramos. — Uruha combina com fazer isso.
— Espero que dê certo, que Ruki-san apareça, senão esse show vai ser um desastre — afirma Aoi, sem muita confiança nesse plano.
— O público adora essas músicas instrumentais. Vai dar certo sim. Mobilize todos para encontrar o Ruki, se ele foi fumar deve estar em alguma área para fumantes — Kai delega as funções para os amigos procurarem o vocalista sumido.
O staff com a tatuagem da cruz, estava só observando os planos e reações deles descobrindo que eles sabem de algo, então resolve guiar o grupo para longe do camarim que Ruki está com a Bruna.
Kai entra no palco provocando um alvoroço na platéia, fala um pouco e dá seu famoso grito "Kakatte Koi" começando tocar sua bateria, esperando por notícias. O grupo segue o staff para área dos fumantes, sem encontrar o amigo. O tempo entre as músicas é muito curto, cerca d minutos. Reita se separa do grupo de busca para acompanhar o líder para dar mais tempo para Uruha e Aoi.
Eles vasculham os banheiros, eles sabiam que Ruki devia estar com alguma jovem escolhida pela seita, que os controlam para gerar filhos para os espíritos das fumaças negras da fogueira.
No corredor do camarim que Ruki está, o staff diz para os dois que já olhou naquelas salas e não tem ninguém ali, fazendo eles não verificarem aquele local. O solo do Kai e o Reita está perto de acabar. Uruha e Aoi voltam na direção do palco para entrarem, pedindo para os staffs continuarem a busca.
Kai e Reita quando visualizaram os dois entrando no palco, assim que as luzes se apagaram, já perceberam que Ruki ainda não havia aparecido. Kai segue tocando a próxima música para os guitarristas acompanharem o ritmo.
Para espanto deles, quase no final daquela apresentação, eles veem o vocalista parado ao lado do staff esperando sua deixa para entrar.
— Bom show, senhor Osíris, A escuridão desse mundo… — O staff recita o verso do gatilho para desativar o deus, para fazer Ruki não se lembrar de nada.
— Começa esta noite… Cuide bem da jovem Bruna — Ruki responde e entra no palco para cantar Inside Beast como se nada tivesse acontecido.
Com olhares assustados para o amigo que não entendia o que estava acontecendo. Kai dá o ritmo na sua bateria para continuarem o show, depois vão saber onde o vocalista estava, se ele se lembrar e verificar se ele também ganhou uma tatuagem no ombro.
