Capítulo 12 — Coquetel

Minami aponta para eles a saída, a luz vermelha escrito On Air está apagada, eles se sentem mais aliviado e mais soltos devido à melodia de Dogma, seu pedido foi atendido e agora 5 fãs os esperam para participar desse encontro inesperado. Kai é o último a sair da sala acompanhado de Minami, que está toda derretida de amores pelo lindo baterista, que está com uma prosa bem animada e bem maliciosa se insinuando e sorrindo com suas covinhas.

Kai abraça sua cintura, deixando a jovem japonesa bem envergonhada com esse atrevimento, chegando mais perto enquanto se encaminham para a sala onde foi montado o coquetel. Ele sussurra algo perto do seu pescoço, fazendo ela se arrepiar, ao ver ele passar a língua nos lábios lentamente e mordê-los de forma pecaminosa.

Rapidamente Minami se desvencilhar do abraço de Kai, ao chegarem numa sala com espelhos que é usada como local para maquiagem e cabelo. As fãs estavam esperando eles, os outros rapazes chegaram na frente e já estavam conversando com as fãs escolhidas e o pessoal produção já tinha melhorado a maquiagem e arrumado um pouco os cabelos delas.

Esse pedido deles foi inesperado e como a imprensa estava lá foi o melhor que puderam fazer, um coquetel estava sendo servido no auditório com outras bandas, o pessoal da rádio e alguns produtores.

Os rapazes cumprimentaram as jovens que estavam muito felizes com esse encontro, e passaram algumas horas na companhia dos seus ídolos. Cada um oferece o braço para sua escolhida seguindo para o auditório, um dos rapazes fica curioso, pois uma delas possui uma tatuagem de uma cruz egípcia no pulso, eles seguem conversando sobre suas tatuagens.

Indo na direção do auditório onde estava arrumado uma mesa com frios, incluindo vários tipos de queijos, e aperitivos típicos da gastronomia japonesa, além de frutos-do-mar e empanados dispostos em tábuas de madeiras harmoniosamente com vários tipos de molhos em potinhos de porcelanas espalhados na mesa. Havia garçons servindo bebidas, desde batidas com sabores entre pêssego, morango e maracujá, a vinho, cerveja e whisky.

O auditório era espaçoso, as pessoas circulavam sem esbarrar nas outras, a confraternização estava muito agradável, eles também sentiam-se bem desinibidos e a vontade com as escolhas que fizeram , as jovens eram animadas e a conversa fluía bem.

— Bem bonito aqui, dentro da rádio, por fora nem parece que é tão grande — diz a jovem morena com a tatuagem no braço para seu escolhido.

— Sim, na primeira vez que vim, também fiquei impressionado com a quantidade de salas e estúdios que tem aqui — O rapaz escolhido responde seguindo com a prosa.

— Talvez você pudesse me levar para um tour, eu gostaria de conhecer como funciona uma rádio. — A jovem instiga o escolhido a dar uma volta pelo lugar — Isso se não for atrapalhar seu compromisso com a banda.

— Acredito que não será problema, esse coquetel é uma folga dos trabalhos com a banda. — O escolhido abraça a jovem para falar ao seu ouvido, pois a música está alta — Que tal saímos de fininho, eles nem vão perceber, eu te mostro o lugar?

— Adorei! Vamos pegar uma bebida para despistar nossa saída. — A jovem tenta encontrar o garçom entre os presentes — Achei o garçom, vamos até ele?

— Ótimo, pegamos uma bebida e te levamos para dar uma volta. — O escolhido passa a mão pela cintura da jovem indo ao encontro do garçom atrás das bebidas — O que você quer? Uma batida ou vinho?

— Tem vinho tinto? Meu favorito se for suave, mas sendo tinto pode ser qualquer tipo. — O escolhido acena para o garçom pedindo dois vinhos, entregando uma taça para ela e outra para ele — Arigato.

O casal, com sua bebida, sai andando desviando das pessoas, saindo do auditório sentido ao interior da rádio e suas salas.

Encostado numa parede com uma bebida na mão e na outra um celular, o staff motorista da van que trouxe a banda observa o casal saindo da festa e seus amigos distraídos com as outras jovens nem perceberam sua saída.

De modo sorrateiro, ele segue os dois vendo-os entrar numa das salas no anexo da rádio. Sempre de olho se alguém o segue, fica de prontidão perto da porta protegendo de curiosos que queiram entrar. Ele olha no visor do celular e tem uma chamada perdida de uma pessoa importante, retornando de imediato a ligação.

— Moshi Moshi! Mestra Zoraida acabei de ver sua ligação, o que deseja saber? — O staff encosta numa parede para falar ao telefone sem tirar os olhos da porta.

— A jovem encaminhada foi escolhida por um deles? — pergunta Zoraida para o staff…

— Sim, mestra Zoraida. Tudo ocorreu como esperado ao tocar Dogma, eles foram ativados sendo que Seth, comandou a possessão e pediu o encontro com as fãs. — O staff relata como foi feita a escolha.

— Quem foi que escolheu a nossa garota? — pergunta Zoraida.

— Néftis, que escolheu a nossa jovem. Eles estão numa sala agora logo a missão será realizada. — O staff confirma a identidade de um dos deuses do submundo que foi ativado.

— Perfeito! Me avise quando o ato foi consumado — ordenou Zoraida, para só retornar com o resultado quando ele estiver com a jovem. — Avise ao deus Seth, ter cuidado que os discípulos de Hórus estão nos perseguindo para ele ficar atento. Proteja Uruha, ele terá as premonições da conexão com o filho.

— Mestra Zoraida, não se preocupe, estou sendo atento aos passos e ações deles. Algo mais? — O staff está ainda encostado só de olho em algum movimento.

— Não, mais nada. É só isso. Até logo... — Zoraida desliga o telefone e o staff o guarda no bolso, agora esperando o casal sair da sala.

(...)

Um certo tempo depois, que o staff está naquele corredor de olho entre os convidados da festa e o casal que estava na sala esperando quando vão resolver sair. O staff vê o movimento da maçaneta da porta da sala e se aproxima esperando eles saírem sempre observando se tem alguém passando por ali. O escolhido é o que abre a porta dando passagem para sua acompanhante, a jovem morena que está com brilho nos olhos e sua feição é de contentamento. Ela sai abraçada ao ídolo da banda mesmo estando possuído teve seu momento com ele, agora também carregará um filho daquele lindo japonês.

— Servo mortal, que mantivesse vigia, teve algum problema? — O espírito da deusa fala se dirigindo ao seu seguidor que dobra os joelhos na sua frente, em sinal de respeito.

— Deusa Néftis, tudo correu bem, os amigos do escolhido não perceberam sua saída. — O staff conta sobre a observação — Mestra Zoraida pediu para avisar que os discípulos de Hórus estão nos perseguindo para Seth ter cuidado.

— Podes levantar, meu servo. Cuide muito bem da jovem Malika, ela será mãe do meu filho — ordenou Néftis saindo do abraço da jovem, lhe dando um beijo de despedida entregando ao staff. — Este corpo me serviu bem para continuar a missão, agora preciso voltar.

— Sim, deusa Néftis. Quando tiver terminado de conversar com Seth, recite o encantamento. — O staff fala sobre os verbos finais da música Dogma — Eles voltam ao normal e vocês estarão escondidos novamente, o escolhido não saberá de nada do que aconteceu nesse tempo.

— Estás dispensado, servo mortal. Deixe a jovem Malika em segurança e volte para buscar a banda. — Néftis dá ordem para ele e a jovem irem enquanto ela volta para a festa — Fique de olho nas descobertas deles, essa tatuagem no ombro desse corpo vai causar novas suposições.

A deusa Néftis no corpo do escolhido se encaminha de volta a festa no auditório para encontrar com os outros membros da banda. Ao passar pelo garçom pega uma bebida e visualiza eles conversando tranquilamente com as jovens que foram escolhidas para distraí-los. Chegando perto de Uruha o chama para conversar se afastando um pouco do grupo.

— Se divertindo com as jovens mortais, Seth? — A deusa faz uma provocação com o outro deus no corpo de Uruha, virando gole de sua bebida.

— Estás com ciúmes, Néftis? Quem costuma trair não sou eu. Anúbis é a prova disso. — Seth rebate o comentário com uma acusação, pegando o copo com a bebida e tomando um pouco.

— Ainda ressentido com isso, Seth. Já passou tantos séculos. — Néftis chega mais perto e fala sussurrando — Supere, temos outros objetivos agora.

— Néftis, fez bom uso desse corpo para cumprir a missão? — Seth quer saber se o ato foi consumado entre o casal.

— Foi ótimo ter um corpo de novo e copular com a jovem naquele sofá. Quer que eu conte com detalhes sórdidos? — Néftis solta outra provocação, deixando Seth irritado.

— Me poupe dos detalhes, guarde só para você. A jovem está segura? — Seth já acelera a prosa.

— O staff já a levou embora. Mais uma coisa, Zoraida mandou tomar cuidado com os discípulos de Hórus. — A seita que não quer que a profecia seja cumprida.— Proteja o dono desse seu corpo, sua conexão com o filho nos avisa dos perigos através dos sonhos dele.

— É muito bom ter um corpo, senti falta disso. Néftis, hora de partir, vamos nos esconder para evitar problemas. — Seth está satisfeito com o resultado da missão ser positivo.

— Seth, recite comigo para todos nós ficarmos seguros. — Néftis lembra do encantamento que o staff falou que devia repetir para os rapazes serem desativados de possessão.

— Eu vou envolver esse mundo na escuridão. — Néftis fala o primeiro verso.

— A escuridão desse mundo.— Seth recita o segundo verso.

— Começa hoje à noite. — Os dois falam o último verso junto.

(...)

O gatilho da música Dogma, faz com eles fiquem por um segundo com os olhos pretos e no momento seguinte voltarem a coloração normal, sendo novamente os donos daqueles corpos. Ambos se olham, mas não lembram o que falavam, com o copo na mão dá mais um gole e passa o homem à sua frente. Eles acabam gargalhando dizendo que estão ficando bêbados, para esquecer assim tão fácil o que diziam.

Eles voltam a se juntar com os amigos e as fãs, que estão maravilhadas em passar esse tempo com seus ídolos nesse coquetel apreciando os aperitivos e bebidas variadas. Já haviam passado algumas horas, e os convidados começaram a despedir para ir embora e o auditório foi esvaziando lentamente, logo as jovens percebem que é hora partir também, dando fim ao encontro especial daquela noite.

Durante a despedida que eles percebem que só tem 4 jovens que ficaram conversando com eles, só então lembram que um dos amigos ficou um bom tempo sumido, voltando apenas perto do fim do coquetel.

— Cara, onde você foi? Ficou sumido quase o coquetel todo — Um deles pergunta o paradeiro do amigo.

— Exato. Estava aqui junto num minuto depois não o vi mais. — Outro amigo indaga onde ele teria ido.

— Mas estranho é a garota que estava contigo também sumir e nem aparecer para se despedir. — Um dos amigos expõe a situação que ocorreu já se preocupando.

— Posso ser sincero, não sei o que aconteceu. Lembro de estar bem animado conversando, e a jovem me chamou para tomar outro drink, e disse algo sobre conhecer a rádio. — O escolhido conta o que lembra — De repente, num piscar de olhos, eu estava aqui rindo com vocês.

— Seria um lapso de memória? Igual tivemos nos EUA? Será possível isso. — Um dos meninos já está assustado com a possibilidade dos fatos daquela vez estar se repetindo.

Um amigo que está mais perto encosta a mão no ombro do escolhido que geme de dor e se afasta, deixando os outros três amigos à sua frente apreensivos.

— Quando foi que você machucou o ombro?

— Não lembro, só que está ardendo agora que você encostou.

— Não pode ser, seria muita coincidência.

— Você também tá achando que é?

— Ah… pessoal! Fala o que tem no meu ombro.

— Vem aqui! Vira aqui para a gente ver.

Um deles, com cuidado, abaixou o ombro da camisa de botões que o amigo estava usando, revelando o que eles suspeitavam, mas não queriam acreditar estar acontecendo de novo com eles no seu próprio país. Quem os está vigiando?

— Como isso é possível? Vejam outra tatuagem do pentagrama no ombro. — Kai bem nervoso confirma a outra tatuagem — Isso explica o sumiço e lapso de memória.

— Lamento informar, mas temos um problema aqui. — Reita ressalta o óbvio com braços na cabeça — Sua escolhida era uma outra bruxa, atrás de um filho.

— E agora o que faremos? Temos um infiltrado dessa seita entre nós, não estamos mais seguros. — Kai olha para seus amigos, sem saber o que fazer...

— Ainda não estão acreditando que aquele ritual era um feitiço e fomos amaldiçoados. — Uruha reforça sua teoria para desespero dos amigos.