SUGAWARA e TATSUO

- Talvez aqui seja seguro. – Koushi apontou a fachada do outro lado da rua. Já começara a suar, embora a temperatura estivesse amena.

"É uma caminhada que normalmente não me afeta. Parece que o meu corpo está reagindo ao meu estado emocional."

- Aqui é longe o suficiente. – Haru assentiu, acompanhando-o espreitar o balcão pela vitrine. Soltou o ar pela boca ao ver apenas um senhor.

"Maldita ressaca! Nunca mais vou beber na vida." Toda a sua força de vontade focada em não arrancar a cabeça latejante.

Eles passaram por várias farmácias procurando algum lugar onde os atendentes não parecessem universitários. A Universidade de Tohoku era grande e, como membros de clubes esportivos, eles não queriam dar chance para qualquer fofoca.

Ele percebeu o esforço dela. Nas últimas duas quadras, tive que parar para ela descansar. A mão que ele segurou para apoiá-la estava fria. Não entendo o porquê dela insistir em vir.

-Bem-vindos. – o senhor de óculos cumprimentou. Assim que a viu, aparência as sobrancelhas em clara desaprovação. – Analgésicos e repositores de sais e vitaminas estão na prateleira da direita.

Havia kits prontos.

"Então é realmente mais comum do que eu imaginava." Ele pegou dois que continham também energia e foi para a caixa.

- Aãh... Bom dia. – Koushi tomou a iniciativa, dando um passo para o lado, a ocultando. Seu estômago dava cambalhotas, tanto pela ressaca quanto pela situação. – Além disso, também precisamos de levonorgestrel. E duas garrafas de água.

Eles pesquisaram na internet um modo de pedir a medicação sem que outros clientes suspeitassem do que se tratava. Não estavam preparados para a veia saltando na testa do atendente.

- Os jovens de hoje não conseguem manter a compostura e as calças no lugar. – ele murmurou enquanto se virava para pegar o envelope com os comprimidos.

Haru se moveu para encarar o atendente atrevido, mas o senhor sequer a notou. Koushi a impediu, num pedido silencioso para não criar encrenca.

- Quem ele pensa que é para falar desse jeito? – ela esbravejou na porta da farmácia. – Nunca mais volto aqui! – falou alto na esperança da sua voz alcançar o balcão.

Koushi misturou os medicamentos e deu a garrafinha para ela tomar.

- Ele não está errado, apesar da forma de dizer ser invasiva. – leia as instruções da pílula e franziu o cenho. – Os efeitos podem ser bem chatos.

- As consequências de não tomar certamente seriam piores. – o pequeno comprimido branco caiu na sua palma e ela tomou junto com um grande gole d'água.

No caminho de volta, as dores na cabeça e no corpo diminuíram gradualmente. Não preciso mais do apoio da mão dele, embora às vezes segurasse na manga do agasalho. Estou silenciosamente pelas ruas com as negociações abrindo suas portas. Havia mais transeuntes agora do que na ida.

- Talvez seja melhor você ficar em casa hoje. – ele corta o silêncio de vários minutos. Haru particularmente com um aceno. – Quer passar no mercado? Eu te ajudo a carregar as sacolas. – o leve tom de hesitação na voz dele a fez querer rir.

- Já tenho tudo o que preciso, mas agradeço a sua preocupação. – Koushi viu o rosto dela ruborizar de novo e endireitou mais a postura. Não queria que o clima voltasse a ficar constrangedor. – Tenho que ligar para o capitão e avisar que não irei ao treino. – ele sentiu o calor subindo pelo pescoço e se espalhando até o alto da cabeça. – Patético a kouhai que não aguenta beber e perde o treino!

- A capita parece bem sensata. – ele usou seu tom conciliador, vendo o prédio dela na esquina. Estranhou o pensamento persistente de como ela ficou fofa brava e se segurou para não rir. – Se você quiser, posso conversar com ela. Não seria suspeito porque você acompanhou sua casa ontem.

Ela parou de chofre. Os olhos castanhos faiscaram perigosamente.

- Você vai treinar? – ele deu um passo para trás.

- Sim. Depois de pegar o kit, me sinto bem melhor. – ele recuou mais e colocou as mãos em frente ao corpo por precaução. – Vou ficar atento ao celular. Se você precisar de qualquer coisa, pode me chamar, Tatsuo-san.

Ela pareceu a ponto de morrer. Soltou um grande suspiro exacerbado.

- Daqui eu vou sozinha.

- Vou te acompanhar até em casa e preparar uma bolsa de água quent...

- Você vai se atrasar. – indicado para a estação pela qual eles acabaram de passar. – Não fale nada para o capitão. Isso é assunto meu, Sugawara-san. – ele piscou e abriu a boca para argumentar. – Eu vou me cuidar. Não quero causar mais preocupações. Até a próxima segunda-feira. – curvou-se rapidamente e virou para as costas, fingindo não ouvir chamá-la.

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SUGAWARA KOUSHI

-Suga-san! – o chamado de Tateyama Shiguedomi, o líbero titular, o fez acelerar o passo da corrida. O aquecimento estava no fim e ele estava disperso quase o tempo todo. – Você não é assim, cara. O que está pegando? – ele diminuiu o volume da voz, querendo subir com confiança. - Aconteceu alguma coisa quando você levou o Tatsuo-san?

-O que? Não! – ele olhou para os lados para constatar se as outras duplas na volta do ginásio escutaram. – Por que você está falando esse tipo de coisa? – viu um meio sorriso surgir no rosto do colega de vez.

- Ela é uma gracinha. As garotas do primeiro ano, é que ficam em pé de igualdade com a Himeno-san. – ele revirou os olhos. – Para mim, é muito novinha, mas não julgo se você ficar com ela.

"Não posso agir de forma suspeita."

- Eu só a levei embora e fui para casa... Acabei bebendo demais e agora estou com sono. – a faculdade do quarto ano de química industrial deu uma gargalhada.

- O seu jeito me faz esquecer que você é o meu kouhai! – deu uma tapa nas costas que quase o desequilibrou. – Vou te chamar para sair mais vezes para você se acostumar.

- Será que hoje nós do primeiro ano conseguiremos jogar? – "Mude o assunto. Mude o assunto."

- O capitão prometeu acelerar um pouco os rodízios, já que temos tantos caloros esse ano. Falta só um para ter um jogo completo só com vocês novatos, não é? Espero que não fiquemos muito além do horário. Prometi para a minha namorada que passaria a tarde com ela hoje e sabe como é, né? Não posso deixá-la sozinha o final de semana inteira...

Koushi suspirou aliviado.

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TATSUO HARU

"Aquele medicamento é um descarado, mas os remédios são eficazes." Haru aumentou um pouquinho o volume da caixa de som. "Não posso desistir agora!" Terminei de organizar as prateleiras, colocando a figura do Seiya de Pegasus no lugar. "Ele viu... Será que ele vai comentar com alguém?... Não, ele prometeu que não falaria nada... Para todos os efeitos, ele nem entrou aqui."

Ela sentiu o rosto quente ao lembrar daquela manhã impossível.

"Se controla!... Será que elas ficariam melhor aqui, como ele disse?" Colocou as figuras dos cinco Cavaleiros de Bronze juntas e se levou para ver o efeito. "O seu objetivo é bem claro diante de você! Não desvie o foco!" O som do choque das palmas com as bochechas ecoou pela sala. "Vendo pelo lado bom, ganhei tempo para limpar o apartamento e preparar a comida da semana toda... Sugawara-san não é o problema." Os tapas marcaram o rosto com o desenho vermelho das mãos.

O celular vibra. Era uma foto do lago do jardim da casa de seus pais.

#Nara não é a mesma sem você.# Sua mãe ainda não se acostumara com a mudança dela para uma cidade tão distante.

"Se eles demoraram dois anos para aceitar a ausência da Nee-chan, estamos dentro do cronograma." Ela tirou uma selfie e com os dedos em V e com inveja.

#Hoje é dia de faxina! Quando tiver uma folga, farei uma visitinha.#

Passou os cremes de tratamento nos cabelos com a touca térmica, a máscara de skincare no rosto e foi para a cozinha.

"Ele pareceu realmente preocupado... Depois de enviar uma mensagem para tranquilizá-lo." Preparou e porcionou a comida, separando por dia os três obentôs. "Tenho que arrumar um emprego." Depois de tentar intensamente lembrar do que acontecera, sem nenhum sucesso, decidi evitar o assunto. "Preciso me preparar para amanhã."

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Observações

Levonorgestrel – pílula do dia seguinte.

Kouhai – novato, calouro, quem veio depois (relativo a companheiro).

Nee-chan – uma forma contraída e carinhosa de se referir à irmã (onee-san).