O sol brilhava sobre o Santuário de Athena, banhando os imponentes templos zodiacais com uma luz dourada. Shina caminhava pelos caminhos familiares do lugar que um dia chamara de lar. Seus passos eram firmes, carregados de determinação, mas também de uma calma interior que antes lhe era desconhecida. O vento suave brincava com seus cabelos negros, agora livres da máscara que tanto a aprisionara.

À medida que se aproximava do monte zodiacal, o coração de Shina batia com uma mistura de emoções. Era como se estivesse retornando a um passado que, embora familiar, agora parecia distante e estranho ao mesmo tempo.

Ao chegar em frente ao primeiro templo, suas sobrancelhas se ergueram em surpresa ao ver que não era o cavaleiro de Áries que a aguardava. Seus olhos se encontraram com os do dourado, e um sorriso caloroso iluminou o rosto imponente do cavaleiro.

— Bem-vinda de volta, amazona de Serpentário — disse o dourado com sua voz profunda e reconfortante. — Estamos todos felizes com seu retorno.

Shina permaneceu em silêncio por um momento, absorvendo as palavras de boas-vindas. Ela nunca esperara ser recebida com tanto carinho após sua partida. Uma mistura de gratidão e emoção inundou seu peito enquanto ela finalmente encontrava coragem para falar.

— Obrigada — respondeu ela, sua voz suave carregada de sinceridade. — É bom estar de volta.

O dourado deu um passo à frente, estendendo a mão em um gesto de amizade. Shina hesitou por um momento antes de aceitar o cumprimento, sentindo a força reconfortante do cavaleiro sob seus dedos.

— Venha — disse ele, seu sorriso nunca vacilando. — O Grande Mestre e Athena ficarão felizes em vê-la.

Com o cavaleiro liderando o caminho, os dois seguiram em direção ao coração do Santuário. Enquanto caminhavam, Shina não pôde deixar de notar as mudanças sutis que haviam ocorrido desde sua partida. O Santuário parecia mais vibrante, mais vivo, como se a paz e a harmonia finalmente tivessem encontrado um lar ali.

Chegando à imponente presença do Grande Mestre, a italiana inclinou-se respeitosamente, sentindo a energia poderosa que emanava do homem à sua frente. Ao seu lado, Athena estava sentada em seu trono, sua presença radiante iluminando a sala com uma aura celestial.

— Amazona de Serpentário, que alegria vê-la novamente — disse o Grande Mestre com um aceno caloroso. — Seu retorno é uma bênção para todos nós.

Shina sentiu-se humilde diante das palavras gentis do Patriarca. Ela sabia que tinha muito a fazer para se redimir por seus erros do passado, mas por enquanto, estava grata por ser recebida de braços abertos.

— Athena — começou ela, sua voz firme e decidida. — Eu retornei ao Santuário para me redimir por meus erros e para servir a você e ao Grande Mestre com todo o meu coração.

Os olhos azuis da deusa encontraram os de Shina, e por um momento, pareceu que todo o peso do mundo havia saído de seus ombros.

— Você é uma valente guerreira, Shina — disse Athena com uma voz suave, mas firme. — Seu coração sempre foi puro, mesmo em tempos de conflito. Por isso, não se culpe mais, porque você fez o que achava ser o certo.

Uma sensação de alívio lavou sobre Shina enquanto ela ouvia as palavras da deusa. Ela havia mudado muito naqueles dois anos, mas inconscientemente a culpa pelos erros cometidos no passado teimavam em nublar seu coração, mas ela procurava logo dispersar e focar no agora. Não era uma tarefa fácil, mas ela tinha esperança que um dia iria aceitar que havia sido perdoada por Athena.

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Após a comovente audiência com o Grande Mestre e Athena, os dois guerreiros saíram da imponente sala, deixando para trás a aura solene que lá residia. O silêncio reinava entre os dois cavaleiros enquanto caminhavam pelos corredores do Santuário.

O sol dourado banhava o Santuário com uma luz suave enquanto eles chegavam novamente no Templo de Áries. O ar fresco da tarde acariciava seus rostos, trazendo um alívio bem-vindo.

— Obrigada, Aldebaran — disse ela finalmente, quebrando o silêncio que pairava entre eles. — Por estar ao meu lado durante toda essa jornada.

O gigante de Touro sorriu calorosamente para ela, seu olhar gentil refletindo a força e a bondade que sempre o caracterizaram.

— Não há necessidade de agradecer, Shina — respondeu ele com sua voz profunda e reconfortante.

Enquanto observava Shina se afastar após se despedirem, Aldebaran sentiu uma mistura de emoções inundar seu coração. Seus olhos acompanharam cada passo dela, capturando a graciosa dança de seus cabelos ao vento e a determinação em seus passos.

— Como ela está linda — murmurou ele para si mesmo, incapaz de afastar os pensamentos que teimavam em ocupar sua mente. Havia algo na maneira como Shina se movia, como ela olhava para o horizonte com determinação, que o deixava sem fôlego.

Por um momento, Aldebaran permitiu-se sonhar, permitiu-se imaginar um futuro em que ele e Shina pudessem compartilhar mais do que apenas uma amizade. Ele sempre admirara sua coragem e sua força, e agora, mais do que nunca, essas qualidades pareciam brilhar ainda mais intensamente.

No entanto, ele sabia que tinha que ser paciente, que tinha que respeitar o tempo e o espaço de Shina. Ela tinha acabado de retornar ao Santuário e por mais que desejasse correr até ela e confessar seus sentimentos, sabia que era preciso esperar mais um pouco e deixar que ela abrisse seu coração para um novo amor.

Com um suspiro resignado, Aldebaran voltou sua atenção para o horizonte, contemplando o pôr do sol em silêncio. Ele sabia que tinha um longo caminho pela frente, mas por agora, estava contente em apenas admirar a mulher corajosa que havia roubado seu coração.

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Shina chegou em sua modesta casa. Enquanto ela fechava a porta atrás de si, sua mente estava repleta de pensamentos sobre o encontro com Aldebaran. Ela não conseguia evitar a sensação de calor que se espalhava por seu peito.

Ela sempre admirara Aldebaran, é claro. Ele era um cavaleiro corajoso, gentil e nobre, cuja presença inspirava confiança e admiração em todos ao seu redor.

Ela não conseguia explicar completamente o que era. Era como se uma faísca tivesse sido acesa em seu coração, uma faísca que ela não conseguia ignorar. Era uma sensação estranha e nova, uma mistura de admiração, gratidão e algo mais, algo que ela não conseguia identificar completamente. A única certeza que tinha, era que aquelas sensações eram por causa da gentileza do taurino.

Com um suspiro, Shina abriu os olhos e olhou ao redor de sua humilde casa. Ela sabia que tinha um longo caminho pela frente, que ainda havia muitos desafios a enfrentar. Mas agora, mais do que nunca, ela se sentia determinada a seguir em frente, a abraçar o futuro com coragem e determinação.

Com um sorriso nos lábios, Shina levantou-se da cadeira e foi para seu quarto, pronta para descansar e recarregar suas energias para o novo dia que se aproximava.