Andar de Treinamento.

Nos dias que se seguiram, os homens também se reuniram — mas suas conversas eram bem menos produtivas. Com toda a sua impressionante inteligência, os tios Tony e Bruce tentavam convencer os pais Steve e Clint a usarem fantasias na festa de Halloween dos bebês, apelando para o lado paternal.

Steve, sempre um pai presente, mantinha a rotina de treino enquanto cuidava do filho. Segurando a barra de flexões, seus músculos se contraíam a cada subida, elevando a cabeça bem acima da barra em movimentos firmes e contínuos — perfeição de Super-Soldado. Preso às costas do pai em um canguru ergonômico, James balbuciava satisfeito, embalado pelo ritmo constante do exercício.

— Vamos lá, Steve! Vai ser divertido! Imagina só como o James vai ficar adorável!

— Ele sempre é adorável, Tony. Não preciso me fantasiar de príncipe da Disney.

— Tecnicamente Hércules é um herói, Steve.

— A resposta é não, Bruce.

Perto dali, Clint segurava as mãos de Francis, que estava sentado em seus ombros. A cada agachamento, o bebê ria, feliz com o movimento. Alternando entre manter a forma e entreter o filho, Clint via o momento como uma forma perfeita de criar vínculo enquanto treinava.

— Clint, que tal fantasias de arqueiros combinando para pai e filho?

— Se você conseguir um macacão do Gavião Arqueiro pra ele, tô dentro, Bruce. Mas eu não vou usar fralda.

— Não, Clint, essa é pro Francis. A sua é uma toga grega clássica com arco e flecha, na sua cor favorita: roxa.

— Exatamente. Não. E asas de anjo, Tony? Sério? Vai encher o saco do Falcão…

Sam fazia flexões no chão, trabalhando a resistência. Sem perder o ritmo, deu sua opinião. — Relaxem, galera... Eu já vou de Hermes, o mensageiro dos deuses. Tem asas nos tornozelos e tudo. Aposto que vou ser o tio favorito!


Andar dos Vingadores. Cozinha comum.

Sempre que podiam, Tony e Bruce tentavam impor sua ideia. A nova estratégia era convencer Steve e Clint de que eles também poderiam se divertir de verdade. Mas, desconhecendo a rotina dos bebês, os tios escolheram o pior momento possível — aquele dia, qualquer ideia de diversão parecia impossível.

Com James agitado nos braços, Steve estava no limite do estresse. Natasha tinha descido para uma consulta no andar médico, e o filho estava com fome. Como era exclusivamente amamentado, uma mamadeira arriscava fazê-lo rejeitar o peito depois. Momentos assim eram um desafio, e Steve, como pai, estava se sentindo inútil sem a esposa. De testa franzida, ele balançava o bebê suavemente, tentando acalmá-lo enquanto mandava uma mensagem para Natasha, pedindo que voltasse logo.

— O que me diz, Capitão? Um pouco de diversão não faz mal a ninguém!

— Não tô no clima, Bruce. E usar saia não é a minha ideia de diversão.

— Mas do que você tá reclamando, Capitão… Sua roupa é a melhor de todas! Um verdadeiro guerreiro grego. Você tem até um escudo!

— Fique à vontade para usar você mesmo, Tony. E só pra constar, eu também não vou usar o seu vestido rosa.

Perto dali, Clint enfrentava sua própria batalha: Francis, que estava mais interessado em mastigar um brinquedo do que aceitar colheradas de papinha. A cada tentativa, o filho derrubava a colher com convicção, espalhando comida por toda parte. A bagunça aumentava, e a paciência de Clint diminuía. Com os dentes nascendo, Francis só queria mamar, recusando qualquer outra comida se Bobbi estivesse por perto. Assim, a tarefa de garantir os nutrientes essenciais ficava para o pai, e ele estava falhando miseravelmente.

— Já tá tudo resolvido, Gavião! Decoração, diversão, vai ser a comemoração que todos nós precisamos.

— Bom pra você, Homem de Ferro. Mas tô fora da Festa à Fantasia dos Vingadores.

— Você não tá vendo, Gavião? O time todo vai se beneficiar.

— Não tenho tempo pra brincadeira, Doutor! Vão se divertir sem mim.

Enquanto isso, Sam estava sentado no balcão, saboreando seu lanche favorito com um sorriso, observando o caos ao redor. — Sério, pessoal, o que custa abraçar a criança interior de vocês? Confiem em mim, vocês dois vão se arrepender se não participarem!


Andar de Treinamento.

Com o dia da festa se aproximando, as tensões aumentaram. Depois das tentativas iniciais fracassarem, Tony e Bruce decidiram mudar de tática. O novo plano? Dividir para conquistar. A abordagem agora era convencer Steve e Clint individualmente, recorrendo até à chantagem emocional se fosse necessário.

Criar filhos pequenos já era muito exaustivo, e a pressão extra dos tios intrometidos testava a paciência dos pais ao limite. Abordá-los enquanto liberavam o estresse não era exatamente a decisão mais sábia, considerando os métodos letais que cada um usava para isso.


Na academia, Steve descontava a frustração no terceiro saco de pancadas, seus golpes implacáveis. Nem se abalou com a chegada dos outros, focado em manter a rotina.

— Rogers, o negócio é o seguinte: somos um time, e fazemos as coisas como um time.

— Não vem com essa, Stark. Não vou me fantasiar de nada ridículo… Isso não tem nada a ver.

— Só queremos que todo mundo se divirta, Rogers.

— Diversão pra quem exatamente, Banner? Vocês três podem estar curtindo isso tudo, mas eu e o Clint não estamos.

Acertando o saco de velocidade com precisão, Sam entrou na conversa. — Olha, Capitão, não dá pra escapar dessa… Suas mulheres já toparam… Vai rolar uma pressão pesada…


No estande de tiro, Clint já havia terminado seus exercícios de arco e flecha – mais por hábito do que necessidade – e agora praticava com armas de fogo. Cada tiro atingia o alvo com precisão, os cartuchos se acumulando ao lado dele. Só parou quando ouviu vozes familiares interrompendo sua concentração.

— Tô te falando, Barton, a Natasha vai fazer o Steve ceder. Aí você vai ser o único de fora. A Bobbi não vai gostar…

— Ha! Tá louco, Banner. Steve não vai entrar nessa. Natasha? Menos ainda.

— Pelo James? Quer apostar, Barton? Te dou meu cartão de crédito por um dia inteiro.

— Você é tão irritante… Tá bom, Stark. Se o Steve se fantasiar, eu vou como o maldito Cupido. Agora me deixa em paz!

Se preparando para seu próprio treino de tiro, Sam se virou com um sorriso. — Posso te emprestar minhas asas pra praticar, Barton. Algo me diz que você vai sair voando logo, logo.


Andar dos Vingadores. Área comum. Sexta-feira à noite.

Na véspera da festa, Tony e Bruce estavam quebrando a cabeça, completamente sem ideias sobre como convencer Steve e Clint. Até que Sam passou, com um sorriso maroto.

— Gente, como dois dos homens mais inteligentes do mundo podem ser um fracasso em persuasão? Achei que vocês teriam táticas melhores, sendo… gênios?

Falcão se abaixou a tempo, desviando de uma chuva de copos e garrafas lançados em sua direção. Ele não conseguia parar de rir, se divertindo ao ver como seus colegas mais velhos se irritavam com facilidade. Na verdade, ter conseguido provocar os quatro nas últimas semanas foi muito mais divertido do que qualquer travessura que o jovem Vingador poderia imaginar.

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OBS: Esta história faz parte de uma série (Chris Crush) que começou em 2013, antes do filme Capitão América: O Soldado Invernal. Por isso minha versão de Sam Wilson foi baseada no desenho Avengers Assemble, mas ele é um jovem adulto (23 anos em 2015) em vez do adolescente Falcão do desenho animado. Mas eu adoro a interpretação de Anthony Mackie.