Enquanto o ruivo andava em uma direção guiada apenas pela posição do Sol, um plano precisava ser traçado. Se as limitadas informações lhe asseguraram algo, é que alguma coisa havia mudado. O ruivo pensava no que fazer primeiro. — Preciso pensar onde estou de fato e o que está acontecendo, meu cansaço está me pregando peças. — Pensava enquanto caminhava, ele nem mais sabia quanto tempo andou, já estava anoitecendo e mesmo com um ferimento grave, ele mantinha seus pés firmes no chão.

— O ambiente está diferente, há mais vegetação e possui mais umidade. Acho que estou no caminho certo para fora do País do Relâmpago. — Pensou o shinobi enquanto permaneceu caminhando até anoitecer, mesmo sangrando. — Já saí do País do Relâmpago, tenho quase certeza disso, mas ainda não encontrei um pequeno vilarejo na direção que estou indo, talvez eu precise mudar a rota... talvez, se eu andar para o sul… eu possa… possa… — Um baque no chão pode ser ouvido em meio a floresta, o rastro de sangue era longo e mesmo com o torniquete improvisado ele perdera muito sangue. — Droga! — Cuspiu junto a um pouco de terra que entrou em sua boca. Suas pálpebras pesaram e seu mundo ficou escuro.

(-)

— Irmão, olhe à sua volta, sua dita revolução agora não passa de uma ideia mesquinha, não há mais muito para sua rebeldia, apenas pare e pense um pouco, por favor. — Um jovem loiro falava em tom cansado.

— De fato, não há mais pelo que se rebelar. O que quero agora é acabar com o sofrimento de mais um irmão. Estou lhe fazendo um favor, depois de você eu mesmo darei cabo de mim, não há mais muito por aqui, deixe que eu ceife sua vida e garanto que serei rápido! — Um adolescente esguio dizia com seriedade.

— Sabe que não posso, precisamos desfazer o Tsukuyomi, e preciso de sua ajuda pra isso, irmão. — Falou o loiro, entrando em guarda.

— Que vivam nos seus próprios sonhos, não há mais nada aqui fora, deixem que morram felizes.

— Sabe que estão sonhando uma mentira, você precisa me ajudar a tirá-los de lá.

— Admiro sua teimosia. Honestamente achei que fosse sua falta de inteligência no início, depois conclui que advinha dos seus traumas, mas hoje vejo ser parte fundamental de você, talvez tenha sido essa sua teimosia que resistiu a tanto sofrimento. Quem sabe se você vivesse mais tempo, entenderia meu ponto. — Disse o jovem pálido enquanto erguia sua espada quebrada.

Em um movimento rápido e preciso, o pálido desferiu sua espada em um golpe poderoso. Enquanto a espada descia cortando os primeiros fios loiros do adolescente, um lampejo laranja foi tudo que restou do paradeiro do loiro. Nem um segundo depois, o pálido sentiu uma dor em seu peito, a velocidade foi tanta que apenas após cair no chão com um rombo no peito é que o moreno se viu ferido mortalmente e sentiu suas forças esvaindo.

— C... como você? — Perguntou o pálido enquanto arfava.

— Você apenas desistiu, amigo. Por isso foi derrotado, suas convicções se fundamentam na loucura, parafraseando seu irmão, "lhe falta convicção". — Uma pausa foi feita para um longo suspiro. — É por isso que hoje consegui devolver o favor de 6 anos atrás. — Disse o loiro com olhos marejados. — Você não me deu escolha, Sasuke.

A íris vermelha sumiu, deixando apenas os olhos negros sem vida de mais um solado morto naquele imenso campo de batalha.

(-)

Com velocidade, ele se ergueu e se sentou na cama. — Maldito… sempre você, preferia sonhar com mulheres, maldito emo de merda. — Sussurrou o ruivo.

— Você parece ter feito bastante coisa para conseguir um ferimento como aquele.

O ninja percebe então um velho que falava com ele. — Fui salvo por um camponês, que sorte a minha.— Pensou enquanto soltava um riso pelo nariz. — Sim, sem dúvida é um belo machucado. — Comentou o ruivo em meio a um sorriso desanimado. — O senhor poderia me dizer onde eu estou?

— Você está em um pequeno vilarejo ao norte no País do Pântano. — Disse o velho de forma monótona.

— Entendo. Foi você que me trouxe para cá? — O ruivo perguntou curioso.

— Não, agradeça à minha filha, que trouxe problema para casa. — Falou o velho em tom seco.

— Imagino que minha visita seja indesejada pelo seu tom. — Falou o shinobi com semblante sério.

O senhor, de ombros cansados, apenas olhou sem uma resposta, era evidente que sua presença era incômoda.

— Eu realmente agradeço por me remendar. Se você permitir, eu irei embora agora mesmo.

— Diga-me rapaz, qual o seu nome? — Perguntou o velho.

Um silêncio atingiu a sala. — Meu nome? — O jovem indagou em tom reflexivo.

— Não me diga que a poça de sangue que você deixou na floresta tirou seu nome de você? — Indagou o velho desacreditado.

— É Ashina… Ashina Uzumaki — Falou o ruivo com convicção.

— Diga, Senhor Uzumaki, você é uma boa pessoa? — Perguntou o velho com os olhos cansados.

— Quando você olha para mim senhor, o que vê?

O velho pareceu ter chupado algo azedo, pois sua cara se enrugou para uma careta. Recompondo-se, o velho decidiu responder após encarar o homem por algum tempo — Me parece problemático. — Comentou o velho em tom de decepção.

O jovem absorveu a resposta do velho com nostalgia, ele olhava para além do velho, como se visse outro homem. — Então, você já tem sua resposta, permita que eu saia da sua vida, os problemas me perseguem. — Disse em um tom bastante sarcástico.

— Eu só queria ter certeza, direi para minha filha que você foi embora sem se despedir, mesmo que eu tenha tentado te impedir. — Falou o velho enquanto se levantava.

— Faça o que você achar melhor senhor. Como você mesmo disse, eu saí mesmo com suas tentativas de me manter aqui. Só me responda duas coisas senhor, quanto tempo apaguei e para onde fica o País das Cachoeiras?

O velho o encarou por alguns segundos e então respondeu. — Você apagou por três dias inteiros e o País das Cachoeiras fica a oeste da minha casa.

Um aceno de cabeça foi tudo que foi dito pelo ruivo. Ashina refletiu um pouco sobre tudo que sabia até agora, mas o quebra-cabeça parecia ter peças faltando.

— Senhor, se não se importa, lembrei de algo, você ouviu falar da guerra? Sabe qual das regiões está mais fragilizada pelo inimigo?

Ao ouvir essa pergunta, o senhor ficou contemplativo. — De que guerra você fala filho?

Ashina pareceu ainda mais confuso. — A guerra de todas as guerras, aquela em que todas as nações estão envolvidas.

— Essa guerra já acabou faz alguns anos, onde você estava? Numa caverna? — De repente, algo veio à mente do senhor. — Você é um desertor da última grande guerra? Por isso está ferido, estão casando você! Saia, saia da minha casa antes que te encontrem! — Mandou o velho assustado.

Ashina ficou confuso e travou por um momento tentando entender o que estava de fato acontecendo. Em meio a reflexões, foi seu reflexo paranoico que evitou uma pequena catana enferrujada e a segurou no segundo golpe desajeitado do senhor.

— Saia da minha casa de uma vez, desertor maldito, seja da vila que for!

Ashina se surpreendeu com as tentativas do velho, mas não se ofendeu, ele talvez fizesse o mesmo para evitar mais problemas. Segurando a espada com força, o ruivo falou — Isso não é necessário, estou indo, agradeço por seus cuidados. —Ashina largou a catana e saiu pela janela na direção apontada pelo agora histérico senhor que saia da casa em busca da filha. Sem o ferimento aberto, sua pequena sabedoria em jutsus de cura e seu fator de cura fariam o resto do trabalho. — Preciso comer e começar a andar, tenho um longo caminho pela frente — Refletiu Ashina.