Em um condomínio de São Paulo, morava um jovem chamado Artur. Sua paixão por futebol era grande, contudo, graças a sua idade, era improvável que ele sequer conseguisse entrar em uma escolinha de futebol em sua vida.
Artur estava sentado no sofá de sua casa, pernas cruzadas, jogando videogame.
"Que tédio..." Artur falava para si mesmo com seu vazio olhar.
"Minha vida não está ruim, mas... É uma sensação tão estranha..." Artur continuava a jogar por mais alguns minutos, antes de pausar o jogo e passar a mão em seu ondulado cabelo, em um suspiro, ele desliga o videogame.
A cena rapidamente corta para um dos principais prédios da FIFA no Brasil, onde eles estão conversando sobre o momento atual do futebol.
"Olha isso aqui! Nós nem chegamos na Copa do Mundo e estamos quase sendo eliminados!" Exclamava um dos empresários da FIFA, visivelmente irritado enquanto batia sua mão em um gráfico.
"Se acalme, podemos mudar isso." Outro empresário dizia, com um tom mais preocupado sobre a raiva de seu colega.
Com essa tentativa de acalmar a situação, acabou gerando em uma briga maior ainda, onde todos eles concordavam em apenas uma coisa: O futebol no Brasil está mais fraco do que nunca, e eles não fazem ideia de como resolver.
Quando de repente, um estranho homem entra na sala em meio a discussão, passando despercebido, ele se senta em uma das cadeiras enquanto observa a briga.
Ele apoia seus cotovelos em cima da mesa e cruza seus dedos em frente ao seu rosto, com um sorriso malicioso, ele aguarda a confusão abaixar antes de falar.
"Vejo que posso falar." O homem lentamente se levanta. "Meu nome é Ego, Ego Junpachi. E eu vim oferecer uma solução para o problema de vocês!" Ego abriria os braços levemente, ainda mantendo seu sorriso.
Os outros empresários hesitavam, mas estavam dispostos a ouvir a solução que seria apresentada.
"Existem vários jovens no Brasil que jogam futebol muito bem, em cada quadra que passamos podemos ver pelo menos um grande talento que nunca iria florescer, e a minha proposta é simples..." Ego aumentaria mais seu sorriso, como se fosse algum tipo de maníaco. "Vamos escolher 300 jovens destes com talento e fazer seu talento realmente florescer, testar os seus limites para criar um atacante perfeito. Então, o que me dizem?"
Os empresários hesitam um pouco, mas dadas as circunstâncias, o CEO acredita que seja válido dar uma chance. Ego se sente profundamente feliz com aquilo, e começa a explicar mais detalhadamente como será o 'Blue Lock', onde alguns empresários acham absurdo, mas o CEO parece devidamente agradado pela ideia, e aceita fazer parte desse plano maluco sugerido por Ego.
A cena corta de volta para Artur, que estava na quadra de seu condomínio com seu pai jogando um pouco de futebol, brincando de passar a bola um para o outro enquanto corriam de lados paralelos da quadra.
Artur recebia um passe e dominava com o peito do pé esquerdo, se posicionando um pouco e chutando com a perna direita, caindo no processo por ter esticado demais sua perna esquerda e perdido o equilíbrio, ele acaba errando o gol e a bola passa raspando do lado da trave. "Por pouco..." Artur pensa para si mesmo.
Com ajuda de seu pai, Artur levanta e eles voltam ao jogo, trocando passes de um lado para o outro enquanto Artur tem dificuldade para acompanhar graças a seu baixo fôlego, mesmo assim, ao receber uma bola alta de seu pai ele hesita um pouco, no fundo ele queria dar uma bicicleta, mas ele morre de medo de fazer isso e acabar se machucando, então ele opta por dominar a bola no peito e fazer um gol de cabeça.
Artur pega a bola no fundo da rede e vai andando até a saída da quadra junto de seu pai.
"Hoje foi foda demais!" Artur exclama com felicidade, ainda ofegante.
"É, brincar de passar a bola é divertido mesmo" O pai de Artur, Marcel, responde com uma leve risada.
"Chegando em casa, vai direto tomar banho, a gente tem que dormir." Marcel diz em um tom neutro enquanto anda para casa.
"Tá certo..." Artur responde em um tom cansado. "Eu te amo, pai." Ele diz com entusiasmo.
"Eu também te amo." Marcel responde de forma neutra, mas estava bem feliz por dentro.
Ao chegar em casa, é feito o que foi previamente dito, Artur toma banho e vai dormir com uma sensação estranha, como se as câmeras do condomínio estivessem olhando para ele. Ao acordar, ele concluiu a sua rotina padrão de escovar os dentes, tomar banho e lavar o rosto. Com um suspiro, ele desce desanimado e coloca seu tênis para ir à academia.
Ele abre a porta e tem uma surpresa, pela primeira vez em um tempo tem uma carta na caixinha de correio ao lado da porta, que ele rapidamente abre para ler.
A carta diz: 'Caro atacante, você foi um dos 300 jovens selecionados para participar de um projeto para encontrar a nova estrela do Brasil no futebol." E a carta segue com um número de telefone e um endereço. Ao ler aquilo, Artur volta para dentro de casa e vai direto falar com a sua mãe.
"Mãe! Chegou uma carta aqui em casa, desce aqui!" Artur exclama com excitação de frente a escada.
"Carta? Carta de que?" Sua mãe questionava enquanto descia as escadas.
"É uma carta de um projeto pra achar um atacante muito bom pro Brasil" Artur mostra a carta para sua mãe. "Olha aqui, parece bem interessante, eu quero tentar." Diria ele, determinado.
"Bom..." Ela daria uma boa lida na carta. "É realmente o que você quer?" Ela questionava Artur.
"Sim." Ele respondia sem nem pensar duas vezes
Com essa resposta, sua mãe apenas concordava com a cabeça e eles iriam para o carro, com Artur pegando suas chuteiras e se trocando dentro do carro. Ele é deixado em frente ao prédio do Blue Lock, que parece ser recém-construído.
Artur entra no prédio e logo de cara se depara com várias pessoas mais ou menos de sua idade, ele era um pouco mais alto que a maioria do pessoal dali, e olhava em volta tentando entender. As portas atrás dele se fechavam do nada, e Junpachi Ego aparecia em uma grande tela na parede.
"Saudações, diamantes brutos com talento. Sejam bem-vindos ao Blue Lock, o local onde vocês poderão polir os seus talentos para o futebol" Ego continuava de forma neutra, mas com um pingo de ansiedade. "Muitos de vocês atacantes pensam que o Futebol é um jogo de 11 pessoas, e onde isto os levou até agora? A um time fraco de terceira divisão de seu colégio? Não é isso que você quer para seu próprio futuro, ou é?" Ego encarava a câmera com um sorriso maníaco, ele claramente não era muito normal e altamente intimidador, mas para Artur isso era tudo que ele queria. Artur pensou para si mesmo sobre seu sonho ser jogado fora, era algo que ele sempre temeu em sua vida toda, ter um talento que nunca seria capaz de utilizar e acabaria em uma vida medíocre, não é essa vida que ele queria, se é para jogar sozinho então ele vai.
Artur corre primeiro que todo mundo para dentro do projeto, servindo de gatilho para os outros irem atrás dele.
"Perfeito... Que comece o Blue Lock." Ego termina com um sorriso.
