Luisa POV
A manhã começou tranquila, mas minha mente estava inquieta. Eu precisava me preparar para ir à joalheria e ao shopping com Milo. Um pensamento não me abandonava: minhas roupas nunca seriam suficientes para me passar por alguém de classe alta. Levantei-me, fui até o guarda-roupa e encarei as poucas opções que tinha.
A maioria das peças era simples e prática, perfeitas para minha rotina no Santuário, mas totalmente inadequadas para a missão. Suspirei, frustrada, e continuei a vasculhar até que algo no fundo chamou minha atenção. Era um vestido especial, que Marin e Shina me deram no último aniversário.
O vestido era de manga curta, com um tom azul profundo que lembrava o céu ao anoitecer. Ele tinha um brilho discreto, elegante, e sutis bordados prateados adornavam a cintura, criando um contraste delicado e refinado. O tecido era macio e fluido, com um corte ajustado na parte superior e uma saia levemente rodada que terminava logo acima dos joelhos. Ao segurá-lo, senti um calor no peito, lembrando de como Marin e Shina insistiram que eu merecia algo especial naquele dia.
Para combinar, escolhi uma sandália rasteira prateada, a única peça que parecia à altura e que seria confortável para uma manhã inteira de compromissos. Apesar de não ser um salto, tinha um toque sofisticado que complementava bem o vestido.
Diante do espelho, analisei minha escolha. Sem a máscara, parecia que eu estava encarando uma desconhecida. Meu rosto, tão acostumado a estar oculto, agora era exposto, vulnerável. Os cabelos soltos caíam em ondas suaves, algo que raramente fazia.
Não adiantava complicar. Eu nunca soube me maquiar, então optei pela simplicidade. Peguei o único batom que tinha, em um tom nude rosado, e apliquei com cuidado. A cor era sutil, mas trouxe um pouco de vida ao meu rosto.
Observei o reflexo mais uma vez, ajeitando o vestido e os cabelos. Inspirei fundo. Não era apenas uma questão de roupa; era sobre assumir um papel que parecia tão distante da minha realidade. Guardei na bolsa o que precisava, respirei fundo novamente e, com determinação, dei o primeiro passo para sair.
Estava na hora de encontrar Milo.
Ao me aproximar da saída da vila, meu olhar foi imediatamente atraído por Milo. Ele estava encostado casualmente em uma das colunas, mas havia algo na sua postura que irradiava confiança, como se ele pertencesse a qualquer lugar que ocupasse. Era impossível não notar como ele parecia diferente do usual, mas ao mesmo tempo, tão autenticamente ele.
Vestia uma calça de alfaiataria preta, que moldava perfeitamente suas pernas musculosas, e uma camisa azul-marinho de mangas compridas, com os primeiros botões desabotoados, revelando o início de seu peito bronzeado. As mangas estavam dobradas até os cotovelos, o que dava um toque descontraído ao visual. Um leve brilho dourado na sua pele, combinado com o tecido da camisa, fazia seus olhos azul-escuros parecerem ainda mais profundos.
Quando o vi assim, senti uma onda de calor subir pelo meu corpo, como se o sol estivesse mais próximo do que deveria. Meu coração começou a acelerar, e era como se o ar ao meu redor tivesse mudado. Por um momento, esqueci até como respirar, enquanto uma avalanche de sentimentos conflitantes me invadia. Admiração, surpresa... e algo mais que eu não queria nomear. Algo que deixava minhas mãos inquietas e meu peito cheio de uma energia que não sabia como lidar.
Milo ergueu os olhos e me viu se aproximando. E então, ele sorriu.
Ah, aquele sorriso.
Era desarmante, de uma forma que parecia injusta. Não era um sorriso qualquer — era algo caloroso, cheio de carisma e confiança, como se ele soubesse exatamente o impacto que causava. E, naquele instante, o mundo pareceu parar ao meu redor. Era como se aquele sorriso tivesse o poder de iluminar qualquer sombra, mas também de desnudar cada pedaço de quem eu era, deixando-me exposta.
Meu coração, que já batia acelerado, começou a martelar no peito, como se tentasse sair dali. Era um tipo de agitação interna, uma mistura de nervosismo e algo mais profundo, quase perigoso.
Quanto mais me aproximava, mais sentia minhas pernas vacilarem, como se o simples ato de caminhar em sua direção exigisse um esforço sobre-humano. Era incrível como ele tinha esse efeito sobre mim, fazendo eu me sentir uma adolescente desajeitada, completamente incapaz de controlar minhas próprias emoções.
Milo abriu um sorriso tranquilo assim que fiquei frente a frente com ele, mas antes de dizer qualquer coisa, ele me olhou por alguns segundos, de uma maneira que me fez sentir completamente exposta. Era um olhar admirado, mas também enigmático, como se tentasse decifrar algo em mim. Sabia que o vestido que eu usava era diferente do que costumava vestir, mas não imaginei que causaria tal reação.
— Bom dia, Luisa — ele finalmente disse, a voz tão serena quanto seu sorriso, embora seus olhos ainda me analisassem com atenção.
Tentei não deixar transparecer o turbilhão que aquele olhar havia causado em mim e respondi, mantendo a voz firme: — Bom dia, Milo.
Ele assentiu e fez um gesto para que eu o acompanhasse. — Está pronta?
— Sim, estou.
Sem mais delongas, começamos a caminhar lado a lado. O Santuário ficava próximo de Atenas, e aquele era um trajeto que já havíamos percorrido inúmeras vezes. A paisagem montanhosa ao nosso redor era familiar, quase reconfortante.
Depois de um tempo, Milo quebrou o silêncio, como se quisesse me tirar de qualquer devaneio.
— Ir à pé é melhor. Assim temos mais tempo para conversar sobre a missão.
— Concordo. É uma boa ideia — respondi, tentando manter o tom casual, embora ainda sentisse o efeito do olhar intenso que ele me lançara momentos antes.
Ele seguiu com os olhos fixos no caminho à frente, mas sua postura era relaxada.
— Precisamos parecer convincentes como um casal recém-casado. Na joalheria creio que não será necessário, mas nas lojas que iremos sim.
Assenti, refletindo sobre suas palavras.
— Você acha que vai ser difícil interpretar esse papel?
Ele deu de ombros, como se aquilo fosse a coisa mais simples do mundo.
— Não vejo por que seria. Somos treinados para disfarces. É só encarar como mais uma missão.
A forma tranquila como ele lidava com tudo me fez relaxar um pouco.
— Você faz parecer fácil — comentei, lançando-lhe um olhar curioso.
Ele riu de leve, um som que parecia carregar tanto confiança quanto mistério.
— Talvez seja. Ou talvez eu só tenha aprendido a não pensar demais.
Não pude evitar uma risada diante daquela resposta. Ele tinha essa habilidade de fazer as coisas parecerem menos complicadas.
— Acho que eu deveria aprender isso também.
— Você vai tirar de letra, Luisa — disse ele, com uma convicção que fez meu coração acelerar.
Enquanto caminhávamos, nossa conversa fluía naturalmente, mas, a certa altura, Milo fez uma sugestão que me pegou de surpresa. Ele olhou para mim, a expressão séria, mas ainda assim com aquele toque despreocupado que era tão característico dele.
— Luisa, acho que quando chegarmos na joalheria e nas lojas, seria bom... você sabe, dar as mãos.
Minha mente levou um segundo para processar, mas a reação imediata foi sentir meu rosto esquentar. Ele continuou, provavelmente notando minha hesitação.
— Quero dizer, vai dar credibilidade ao disfarce. Casais fazem isso o tempo todo.
Ele tinha razão, é claro. Ainda assim, a ideia me deixou nervosa. Algo tão simples como entrelaçar as mãos parecia carregar um peso desproporcional. Não era apenas a questão do disfarce — era o fato de ser com Milo.
— É... é uma boa ideia — respondi, tentando manter a voz estável, embora minha mente estivesse em um caos completo.
Ele apenas assentiu, como se não fosse grande coisa. Mas, para mim, era.
O silêncio entre nós voltou a reinar enquanto continuávamos andando, e logo avistamos a joalheria ao longe. O prédio era sofisticado, com uma fachada de mármore e grandes vitrines que exibiam peças deslumbrantes. A proximidade do momento inevitável fez meu coração acelerar.
— Está na hora — Milo disse, olhando para mim com um sorriso tranquilizador, enquanto estendia a mão.
Respirei fundo e, com dedos hesitantes, aceitei o gesto. Nossas mãos se encontraram, e ele entrelaçou os dedos aos meus com naturalidade, como se fosse algo que fizéssemos todos os dias.
Foi nesse instante que as emoções me atingiram como uma onda. Um misto de nervosismo, consciência aguda de cada ponto de contato entre nós, e uma espécie de calor inexplicável que parecia vir do simples fato de estarmos conectados. Era estranho e, ao mesmo tempo, inebriante.
Olhei de relance para ele, tentando avaliar se também sentia algo, mas Milo parecia tranquilo, quase como se estivesse aproveitando o momento. Aquilo me deixou ainda mais inquieta.
— Está tudo bem? — ele perguntou, sem tirar os olhos do caminho à frente.
— Sim, claro — menti rapidamente, esforçando-me para ignorar o tumulto interno.
Era apenas uma missão, tentei me lembrar. Apenas parte de um papel. Mesmo assim, enquanto seguíamos em direção à entrada da joalheria, era impossível negar a intensidade daquele momento, tão simples e, ao mesmo tempo, tão carregado de significado.
Ainda com o coração disparado, senti Milo apertar levemente minha mão, como se tentasse me tranquilizar. Seu gesto, embora sutil, foi suficiente para me fazer respirar um pouco mais fundo.
— Vamos? — ele perguntou, me lançando um olhar encorajador.
Assenti, mesmo que ainda estivesse nervosa, e o segui enquanto cruzávamos a elegante entrada da joalheria. O ambiente era sofisticado e convidativo, com uma música instrumental suave ao fundo e um aroma floral delicado no ar.
Quase imediatamente, uma mulher de sorriso profissional se aproximou de nós. Ela usava um uniforme elegante, composto por um blazer preto e um lenço de seda preso ao pescoço.
— Bom dia, em que posso ajudá-los? — perguntou educadamente, lançando um breve olhar curioso para nossas mãos entrelaçadas.
Milo deu um passo à frente, assumindo o controle da situação com sua naturalidade de sempre.
— Bom dia, meu nome é Milo, e esta é minha esposa, Luisa. Estamos aqui a pedido de Helena Chrysáfi. Ela está nos esperando.
A mulher arregalou levemente os olhos, reconhecendo o nome mencionado.
— Ah, claro, senhor Milo. Por favor, me acompanhem — disse, gesticulando para que a seguíssemos.
Enquanto andávamos pelo luxuoso espaço, notei o cuidado em cada detalhe da joalheria: o brilho impecável das vitrines, os reflexos delicados das pedras preciosas sob a luz estrategicamente posicionada, e até mesmo o chão de mármore polido. Tudo exalava exclusividade.
A vendedora nos levou por um corredor lateral, onde as vitrines davam lugar a portas discretas de madeira. Ela parou diante de uma delas, bateu suavemente, e uma voz feminina, firme, mas acolhedora, respondeu do outro lado:
— Podem entrar.
A vendedora abriu a porta e nos deu passagem. Lá dentro, encontramos uma mulher elegante sentada atrás de uma mesa de vidro. Helena Chrysáfi, dona da joalheria, era uma figura impressionante: seus cabelos curtos e perfeitamente arrumados eram de um tom prateado natural, e seus olhos verdes brilhavam com inteligência. Ela vestia um tailleur creme impecável, e um colar de pérolas adornava seu pescoço.
Assim que nos viu, Helena se levantou, estendendo a mão com um sorriso caloroso.
— Senhor Milo, senhora Luisa, que prazer recebê-los. Sejam bem-vindos.
Milo soltou minha mão momentaneamente para apertar a dela, e eu fiz o mesmo logo em seguida, tentando esconder qualquer resquício de nervosismo.
— Obrigado por nos receber, senhora Chrysáfi — Milo respondeu, com aquele tom seguro que parecia abrir portas onde quer que ele fosse.
— Por favor, me chamem de Helena — ela insistiu, indicando as poltronas confortáveis à nossa frente. — Vamos começar?
Enquanto nos sentávamos, senti que o ambiente ali era muito diferente de qualquer lugar em que já havia estado. Tudo exalava elegância e profissionalismo, mas havia algo na postura de Helena que me fazia sentir um pouco mais à vontade.
Helena se acomodou novamente em sua cadeira e sorriu com confiança antes de começar a falar:
— Recebi todos os detalhes da missão através do senhor Stavros Demetriou. Ele me explicou a importância de cada peça escolhida se alinhar ao disfarce e garantir que ninguém suspeite de vocês como agentes infiltrados. Entendo que isso é crucial.
Enquanto ela falava com sua voz firme e profissional, não pude deixar de me perguntar como uma mulher como ela e uma joalheria tão renomada se tornaram parceiras em algo tão fora do convencional. Seria possível que ela mesma tivesse alguma conexão com situações como a nossa? Talvez tenha enfrentado algo semelhante em seu passado, ou até mesmo tenha laços com pessoas que compartilham o mesmo senso de justiça. A ideia me intrigava.
Helena se levantou então, dirigindo-se a um móvel de madeira escura no canto da sala. Com movimentos precisos, ela abriu uma gaveta e retirou dois pequenos mostruários de veludo, trazendo-os de volta para a mesa. Ao abri-los, revelou uma variedade de alianças tão deslumbrantes que fiquei sem palavras por um momento.
Ela posicionou o primeiro mostruário à nossa frente, sorrindo ao nos observar.
— Aqui estão algumas sugestões para as alianças de casamento. — Helena apontou para a primeira peça: um anel de ouro branco com um delicado padrão de ondas gravadas ao longo de toda a circunferência. — Este modelo é simples, mas com um detalhe exclusivo. As ondas representam a união e a harmonia.
A peça seguinte era de ouro rosé, com pequenos diamantes encrustados em uma fina linha central. Era elegante e sofisticada, transmitindo um brilho discreto.
— Esta é uma das nossas mais populares. Seu design atemporal combina sofisticação com um toque moderno.
O terceiro par era mais ousado: ouro amarelo com uma textura de martelado que parecia artesanal. Tinha um aspecto único, quase como se carregasse histórias gravadas em cada curva.
— Este modelo é mais artesanal, ideal para quem busca algo com personalidade.
Enquanto Helena explicava cada peça, meus olhos se fixavam nas alianças com admiração. Eu nunca havia visto joias tão belas. As texturas, os detalhes, o brilho impecável — tudo era perfeito. Cada uma parecia contar uma história, e me peguei imaginando o que significaria usá-las, mesmo que fosse apenas parte de um disfarce.
— São impressionantes — acabei dizendo, a voz um pouco mais suave do que pretendia.
Milo olhava para as peças com atenção, mas, em alguns momentos, percebi que seus olhos desviavam para mim, como se quisesse saber minha opinião antes de tudo. Isso fez meu coração acelerar novamente, mas eu disfarcei, concentrando-me no brilho hipnotizante das alianças.
Todas as alianças eram lindas, mas algo na primeira me chamou mais a atenção. Eu a observei com mais cuidado; ela parecia mais simples, mas tinha uma beleza que se encaixava com o que eu imaginava para nós. Era como se aquela peça estivesse feita para mim e para Milo, sem excessos, sem aparências, mas com um significado real.
— Eu gostei mais dessa — disse, apontando para a aliança com o padrão de ondas sutis. — Parece mais simples, mas... parece ser perfeita para nós, não acha?
Milo olhou para a aliança que eu apontava, como se também estivesse ponderando. Por um momento, ele ficou em silêncio, e eu percebi que estava refletindo sobre o que eu dissera. Então ele sorriu e, finalmente, disse:
— Eu também acho.
Helena, vendo que havíamos chegado à nossa escolha, sorriu e pediu que experimentássemos as alianças. Eu peguei a minha com cuidado, sentindo o peso e a suavidade da peça. Quando deslizei a aliança no meu dedo, ela se ajustou perfeitamente, como se fosse feita sob medida. Meu coração bateu mais forte, e eu quase senti uma onda de calma. Aquele simples gesto de colocar a aliança parecia ter mais significado do que eu imaginava.
Milo fez o mesmo, colocando a aliança no dedo com um gesto tão natural que parecia que já fazíamos parte daquilo, daquele momento, daquela promessa. Eu olhei para ele, e o silêncio entre nós dois parecia ser cheio de significado. Era como se, com aquele simples ato, algo profundo tivesse sido selado entre nós.
Helena, então, sorriu com satisfação, mas antes de nos deixar desfrutar do momento, ela se inclinou um pouco para frente, como se tivesse uma ideia.
— Claro, antes do casamento tem o noivado, não é mesmo? — Ela deu um sorriso misterioso e se levantou. — O anel de noivado...
Ela se afastou e foi até uma prateleira, onde retirou uma caixa de veludo. O brilho do diamante que apareceu dentro dela fez meus olhos se arregalarem. Ela pegou o anel com delicadeza e me entregou, como se fosse um tesouro precioso.
— Este modelo combina perfeitamente com a aliança que vocês escolheram — ela disse, com um sorriso gentil. — O diamante é simples, mas de um brilho intenso, e o design complementa as ondas da aliança, sem competir com ela.
Eu olhei para o anel, e o brilho do diamante me hipnotizou por um momento. Era simples, mas sua beleza era inegável. O anel parecia irradiar uma luz própria, como se tivesse sido feito especialmente para mim e para Milo.
— É perfeito — murmurei, admirando o brilho suave do diamante sob a luz.
Milo estava ao meu lado, observando também. Ele não falou nada, mas o olhar dele sobre mim e sobre o anel era tudo o que eu precisava para saber que estávamos na mesma sintonia. Ele fez um leve gesto com a cabeça, como quem confirma que também achava que aquele anel era o escolhido.
Helena parecia satisfeita com a nossa reação e deu um passo para trás, como se dissesse que o resto agora estava em nossas mãos. Ela havia nos mostrado as opções, agora era hora de fazermos a nossa escolha. Eu sentia o peso de tudo o que estava acontecendo, mas ao mesmo tempo uma sensação de leveza, como se aquelas joias não fossem apenas objetos, mas símbolos de algo mais profundo entre mim e Milo.
Todas as alianças eram lindas, mas algo na primeira me chamou mais a atenção. Eu a observei com mais cuidado; ela parecia mais simples, mas tinha uma beleza que se encaixava com o que eu imaginava para nós. Era como se aquela peça estivesse feita para mim e para Milo, sem excessos, sem aparências, mas com um significado real.
— Eu gostei mais dessa — disse, apontando para a aliança com o padrão de ondas sutis. — Parece mais simples, mas... parece ser perfeita para nós, não acha?
Milo olhou para a aliança que eu apontava, como se também estivesse ponderando. Por um momento, ele ficou em silêncio, e eu percebi que estava refletindo sobre o que eu dissera. Então ele sorriu e, finalmente, disse:
— Eu também acho.
Helena, vendo que havíamos chegado à nossa escolha, sorriu e pediu que experimentássemos as alianças. Eu peguei a minha com cuidado, sentindo o peso e a suavidade da peça. Quando deslizei a aliança no meu dedo, ela se ajustou perfeitamente, como se fosse feita sob medida. Meu coração bateu mais forte, e eu quase senti uma onda de calma. Aquele simples gesto de colocar a aliança parecia ter mais significado do que eu imaginava.
Milo fez o mesmo, colocando a aliança no dedo com um gesto tão natural que parecia que já fazíamos parte daquilo, daquele momento, daquela promessa. Eu olhei para ele, e o silêncio entre nós dois parecia ser cheio de significado. Era como se, com aquele simples ato, algo profundo tivesse sido selado entre nós.
Helena, então, sorriu com satisfação, mas antes de nos deixar desfrutar do momento, ela se inclinou um pouco para frente, como se tivesse uma ideia.
— Claro, antes do casamento tem o noivado, não é mesmo? — Ela deu um sorriso misterioso e se levantou. — O anel de noivado...
Ela se afastou e foi até uma prateleira, onde retirou uma caixa de veludo. Quando ela a abriu, revelando o anel, eu não consegui conter o suspiro. A pedra azul, envolta em ouro branco, parecia capturar toda a luz da sala e refletir uma intensidade serena. O design era elegante, mas discreto, com uma pedra que parecia ter uma profundidade própria.
— Este modelo combina perfeitamente com a aliança que vocês escolheram — ela disse, com um sorriso gentil. — A pedra azul tem um brilho suave, mas intenso, que complementa a suavidade da aliança, sem competir com ela.
Eu segurei o anel, admirando a pedra azul que parecia brilhar suavemente com a luz do ambiente. Era como se o anel tivesse sua própria energia, um símbolo do que estávamos prestes a viver.
— É perfeito — murmurei, tocando a pedra azul com o dedo.
Milo estava ao meu lado, observando também. Ele não disse nada, mas o olhar dele sobre o anel e sobre mim dizia tudo. Eu sabia que estávamos juntos naquele momento, na mesma sintonia. O anel, com a pedra azul, parecia refletir não apenas a beleza do momento, mas o futuro que estávamos começando a construir.
Helena deu um passo para trás, satisfeita com nossa reação. Ela havia mostrado as opções, agora era nossa vez de escolher. Eu senti o peso do que está acontecendo, mas também uma sensação de leveza, como se aquele anel, com a pedra azul e o ouro branco, fosse mais do que uma joia. Era a materialização de algo muito mais profundo entre mim e Milo.
Helena, percebendo que já havíamos feito a nossa escolha em relação às alianças e ao anel de noivado, foi até o balcão novamente e trouxe uma seleção de joias, que ela colocou delicadamente sobre a mesa. Havia brincos, pulseiras, anéis e colares, todos com um design sofisticado e refinado. Algumas das peças eram deslumbrantes, com pedras preciosas que reluziam intensamente, mas a verdade é que, mesmo com todas aquelas opções tão lindas, eu me sentia um pouco perdida.
Os brincos tinham formas elegantes, alguns com pedras grandes e outras com detalhes finos, brilhantes, que chamavam atenção logo de cara. Já os anéis, eram peças imponentes, com pedras carmesins ou esmeraldas, sempre grandiosas e visíveis. As pulseiras tinham um brilho sutil, com pequenos diamantes que refletiam a luz com cada movimento. Havia também colares, com pingentes delicados e longos, que só de olhar pareciam perfeitos para um grande evento.
Eu ficava olhando para todas as peças, sem saber por onde começar. Tantas opções, e todas pareciam tão distantes do meu estilo habitual. Eu me vi refletindo sobre o que realmente queria para aquele momento, o que parecia mais com eu mesma.
Quando finalmente olhei para Milo, ele me observava com a paciência de sempre, como se soubesse que eu estava tentando decidir o que realmente gostaria de usar. Eu respirei fundo e comecei a falar com mais certeza, olhando para as joias com uma expressão pensativa.
— Eu... — hesitei por um momento, buscando as palavras certas. — Eu acho que prefiro as mais simples, sabe? Algo mais discreto. E os brincos pequenos. Nada muito chamativo.
Helena sorriu com compreensão e se afastou para pegar algumas peças que achou que combinariam mais com o que eu procurava. Ela trouxe uma seleção refinada, começando com os brincos. Alguns eram pequenos e delicados, com pedras brancas que brilhavam suavemente à luz, enquanto outros tinham um design mais elaborado, com pequenas pérolas, quase invisíveis a princípio, mas que, ao olhar mais de perto, traziam um toque de elegância sutil. Havia também brincos mais longos, com detalhes de fios dourados que caíam de forma fluida, mas nada muito chamativo.
Em seguida, Helena mostrou algumas pulseiras. Uma delas era fina, com um padrão de pedras que se entrelaçavam ao redor do pulso, quase como uma brisa suave, discreta mas incrivelmente sofisticada. Outra pulseira era mais robusta, com uma linha de pedras verdes escuras que pareciam mais ousadas, mas ainda assim elegantes de maneira sutil.
Depois, Helena trouxe um conjunto de anéis. Alguns eram simples, com pequenas pedras brilhantes como a ametista e a topázio, com um toque clássico e atemporal. Havia também anéis mais trabalhados, com design intricado e pequenas curvas delicadas, que refletiam um brilho suave, mas constante, sem serem exagerados. Ela me ofereceu alguns desses, dizendo que eram perfeitos para quem procurava algo mais discreto.
Por fim, Helena trouxe colares, os mais simples de todos. Um deles era um fio fino de ouro branco, com um pequeno pingente de pérola no centro. Outro colar tinha um toque mais moderno, com um pingente de cristal transparente que refazia o contorno do pescoço de forma elegante. Ela também me mostrou um com pequenas pedras em fileiras delicadas, mas nada extravagante, apenas o suficiente para captar a luz suavemente.
Eu olhei para todas aquelas peças com uma certa sensação de admiração. Elas eram lindas, mas de uma beleza que me parecia mais natural, quase como se estivessem feitas para alguém que gostasse de um estilo mais reservado. Ao mesmo tempo, consegui perceber a qualidade e a atenção aos detalhes em cada joia. Nenhuma delas parecia chamar atenção de forma descarada, mas todas elas tinham um brilho sutil e refinado, algo que me agradava imensamente.
Helena observava meu olhar atento e me perguntou suavemente:
— Você gostaria de experimentar algum desses modelos?
Eu me senti mais tranquila com as opções à minha frente. Percebi que, entre todas aquelas joias, algumas se encaixavam perfeitamente no que eu imaginava. Eu poderia não ser uma pessoa acostumada com joias luxuosas, mas algo ali, mesmo nas peças mais discretas, parecia refletir uma elegância que eu precisava para aquele disfarce. Eu não queria me afastar do meu estilo, mas ao mesmo tempo queria estar pronta para o papel que teria que desempenhar na missão.
Então, com um sorriso, eu finalmente falei:
— Sim, eu adoraria experimentar algumas dessas, se possível.
Helena, com a mesma gentileza e paciência, começou a pegar as peças que mais combinavam com o que eu imaginava, como se soubesse exatamente o que eu queria. Tudo parecia se encaixar de uma maneira confortável, e eu me sentia mais preparada para o que estava por vir.
Após experimentar as joias e fazer minhas escolhas, Helena as colocou cuidadosamente em pequenas caixas de veludo preto, cada peça guardada com o devido cuidado. Ao terminar, ela nos entregou os pacotes e sorriu calorosamente, com um brilho de incentivo nos olhos.
— Espero que tudo corra bem na missão de vocês. Estarei torcendo pelo sucesso — ela disse, com um tom gentil, mas firme, como se quisesse transmitir confiança.
Milo foi o primeiro a agradecer, com sua habitual compostura.
— Obrigado por toda a sua ajuda, Helena. Isso fará toda a diferença.
— Sim, muito obrigada. As joias são lindas e realmente vão nos ajudar a parecer... bem, no papel que precisamos desempenhar — falei, tentando manter a voz calma.
Helena inclinou a cabeça levemente, como quem diz que entendia mais do que estava dizendo.
— Vocês vão se sair muito bem. E lembrem-se, qualquer coisa que precisarem, estarei à disposição.
Ela nos acompanhou até a porta de sua sala e se despediu com um sorriso caloroso. Quando saímos da joalheria e voltamos para as ruas movimentadas de Atenas, senti uma onda de alívio, mas também uma crescente ansiedade pelo que estava por vir. Segurei o pacote com as joias como se fosse algo muito mais pesado do que realmente era, o peso da responsabilidade começando a se manifestar.
Milo, ao meu lado, parecia tranquilo, embora seus olhos ainda carregassem aquele brilho astuto de quem já estava pensando nos próximos passos. Ele olhou para mim de canto de olho, percebendo minha tensão, mas decidiu não comentar nada, pelo menos não ainda.
— Vamos? — ele perguntou, sua voz calma cortando o som das ruas ao nosso redor.
Eu apenas assenti, ajustando o pacote nas mãos e tentando manter o foco. A missão estava apenas começando, e havia muito mais a ser feito.
