A busca pelas relíquias cybertronianas estavam ficando cada vez mais acirradas entre autoboths e decepticons. A coleção de Megatron parecia quase completa, se comparada à de Optimus Prime e os autobots. Não era nenhuma novidade, já que os números definitivamente não estavam a favor dos autobots. Era um deles para, pelo menos, cem decepticons, mesmo que a maioria gritante fossem de vehicons.
– Eu vou… sozinho.
Optimus Prime tratou logo de se impor assim que Ratchet deu a possível localização da possível relíquia. O líder dos autoboths estava cansado de entrar todos os dias naquelas salas vazias. A única coisa que havia ali era o sabre de luz e um jarro ainda desconhecido que, possivelmente, seria bastante inútil.
Ratchet ignorou a vontade de discutir e citar todos os seus motivos para desencorajar Optimus a ir sozinho em busca da tal relíquia. Sabia que as intenções do amigo eram as mais nobres possíveis. Todos estavam exaustos por terem que sair em busca de uma relíquia nova praticamente todos os dias e lidar com alguns decepticons no caminho. Procurar energon para se manterem ativos por, pelo, menos uma semana, antes de uma nova dose. Prestar auxílio em batalhas; às vezes, mais de apenas um auxílio. Lidar com os humanos. Se esconder dos humanos. Era muita coisa, até mesmo para guerreiros natos como eles.
Optimus não era líder a toa. Além de ser o portador da Matrix de Liderança, era bastante responsável e muito forte. Estava sempre disposto a se sacrificar por qualquer criatura viva, terrestre ou não.
E era esse o motivo que deixava Ratchet receoso.
– Bumblebee não está fazendo nada hoje – tentou mais uma vez.
– Não seria porque você teve que restaurar uma ótica e ressoldar as asas dele?
– Sim, e exatamente por isso eu disse que ele não está fazendo nada – Optimus o olhou feio – E vai continuar assim se depender de… nós?
– Ratchet, agradeço sua preocupação, mas precisamos de todos muito bem recuperados se quisermos ter ao menos uma chance nessa guerra. E você me conhece, sabe que posso lidar com isso sozinho.
– Eu nunca questiono seus métodos Optimus, o problema, são os decepticons. Você sabe que eles jogam sujo.
Ratchet abriu o portal.
Optimus ficou um pouco receoso ao sentir o vento gelado entrar pela base. A última vez que esteve em terras geladas quase foi desativado pateticamente ao lado de Arcee. Cybertronianos eram naturalmente sensíveis a baixas temperaturas. Seus sistemas travavam pela falta de calor. Se manteve firme. Não deixou que Ratchet notasse seu desconforto, caso contrário, repetiria a horrível experiência de acabar congelando ao lado de outro amigo; provavelmente Bee.
Optimus atravessou o portal, ignorando os gritos de cuidado de Ratchet.
– Eu vou, porque você são todos uns inúteis.
Megatron terminava de completar sua recarga, ignorando todos os puxa-sacos que se esgueiravam ao redor de si, tentando fazer sua escolta pessoal.
– Mas My Lord, temos cerca de setenta por cento das relíquias conosco, enquanto os autoboths, apenas vinte – Knockout só queria poder deixar a base para dar um passeio. Apesar de que, estar na presença de Megatron, não era lá muito prazeroso.
– Sim e por isso eu vou, para evitar que eles cheguem aos trinta.
– Ou, para garantir que cheguemos aos oitenta – Starscream inflou o peito orgulhoso dos próprios cálculos.
– Incrível Starscream, toda essa sua inteligência me assombra.
– Soundwave acha perigoso Megatron ir sozinho. Devia ao menos levar um vehicon, por segurança.
– Tenho escudos melhores em meu quarto.
– Ora, deixem ele ir, se acontecer alguma coisa estarei aqui para assumir o comando.
Megatron deu alguns passos em direção a Starscream, mas tudo o que fez foi passar pela ponte terrestre aberta por Soundwave. Megatron ficou puto. Queria poder ter torcido o pescoço de Starscream antes de partir, mas sabia que Soundwave queria apenas evitar desgastes desnecessários.
Megatron fechou as lentes, irritado. O vento gelado bateu em suas óticas como chicotes, causando um ardor desconfortável. Deu dois passos e sentiu seus pedestais afundando até sumirem na neve macia. Isso não ia dar certo. Viu um par de buracos a sua frente. Pisou. A neve ali já estava bem batida. Haviam pares desses mesmos buracos até uma fenda na geleira a frente. Parecia que algum animal bem pesado havia caminhado por ali antes dele. Não se lembrava de ter visto algum animal tão grande na Terra ao ponto de ter o mesmo tamanho de um pé cybertroniano; pelo menos não de um do tamanho dele ou de…
– Optimus Prime.
Megatron sorriu sádico. Parecia que não era o único a ter que lidar com inúteis. A verdade é que, tirando Soundwave e Shockwave, o restante de seus soldados eram todos inferiores aos malditos autobots. Isso explicava porque cinco ou sete deles sempre davam uma surra em seus mais de quinhentos seguidores, o que Megatron considerava uma vergonha total. Felizmente, Optimus não aproveitava essa grande vantagem e deixava que os autoboths fossem idiotas tanto quanto ele e se apegassem ao sentimentalismo e seus discursos ridículos de que, 'tudo o que fosse vivo merecia viver'.
A conclusão de Megatron era de que todos eram um bando de inúteis; autobots e decepticons.
– É, me parece que estou completamente sozinho nessa – Megatron suspirou entrando na fenda a sua frente, se sentindo realmente sozinho, em todos os sentidos.
– Não conte com isso, Megatron.
Optimus Prime parecia já estar ali há algum tempo. Estava ofegante e apontava uma arma, a qual Megatron notou tremer. As mãos do autobot estavam bastante avariadas, e pareciam ter sido arranhadas por algum animal cheio de garras bem afiadas. Megatron percebeu que Prime estava tentando cavar um buraco na parede de gelo. Isso explicava as mãos destruídas. Provavelmente também estava a procura da relíquia.
– Prime, não sabia que possuía habilidades mineradoras.
– Eu não me importo, farei o que for necessário pelos autobots.
– Ah sim, tipo destruir suas mãos em um lugar ermo, sem saber ao certo onde procurar. Sim, muito heroico mesmo.
Optimus se preparou para um combate intenso, mas acabou ficando bastante confuso, quando Megatron passou por ele tateando as paredes de gelo, ignorando sua posição de defesa. Havia até se esquecido que Megatron sempre foi um minerador excepcional, então, era óbvio que o decepticon tinha vantagens sobre si para localizar objetos soterrados.
Mas parecia que Megatron não estava levando um fator muito importante em consideração.
– Megatron, sei que escavar sempre foi a sua especialidade mas, você sabe que cybertronianos são sensíveis ao frio, certo?
– É mesmo, Prime? – Optimus viu que Megatron olhava para suas mãos parcialmente destruídas pelo gelo – Obrigado por me alertar antes que eu fizesse algo estúpido, como escavar uns cinco metros de gelo sem proteção alguma.
– Eu não tinha outra opção.
– E não pense que eu sou uma. Se eu encontrar essa relíquia, é minha. Vou sair com ela daqui e, dessa vez, de maneira justa.
– Você usando a palavra 'justa' em uma frase dessas, realmente não combina. – Megatron rangeu os dentes. – Tudo bem, Megatron – Optimus se sentou no chão ali mesmo, se escorando na parede de gelo – Eu nem tenho mais forças para discutir com você.
Megatron sorriu vitorioso e continuou cavando.
Depois de quase meia hora, os dedos de Megatron doíam o bastante para que ele pensasse em desistir. Mas com Optimus Prime ali, bem ao seu lado, isso seria uma opção estúpida. É claro que seu rival estava fingindo trégua e o observava sorrateiro. Assim que pegasse a relíquia, certamente Optimus o atacaria e tentaria, a todo custo, levar a relíquia para os autobots.
As pontas gastas e doloridas dos dedos de Megatron bateram contra uma superfície lisa e mais dura que o gelo. Com certeza era metal. Megatron usou todo o restante de suas forças para socar aquele lugar e expor o objeto.
Um misto de contentamento e receio tomou conta do decepticon.
Ali estava ela, a última relíquia que faltava em sua coleção e que não estava sobre o poder dos autobots.
O problema era que alguém já havia tentado a revindicar antes dele, inclusive, ainda a segurava como se sua existência dependesse disso.
E realmente dependeu.
Um mech, aparentemente forte, por sua estrutura robusta e porte de guerreiro, prendia o objeto junto a sua centelha já apagada. Não dava para saber como diabos o infeliz ficou preso ali depois de tanto tempo. Megatron puxou a relíquia das garras do mech. Os servos se desfizeram como pequenos cristais de gelo, estilhaçando-se ao mínimo toque no chão. Megatron notou que havia uma caverna atrás do corpo. Era muito parecida com a que estava agora, porém, mais escura e também mais quente.
– Eu consegui, encontrei a relíquia. Agora cumpra sua palavra Prime, e não interfira.
Megatron se preparou para se transformar e deixar Optimus para trás. Mas estranhou o fato de Optimus o ignorar naquela situação. Caminhou até o autobot e o chutou com pouca força. O corpo de Optimus apenas tombou minimamente para o lado e continuou imóvel. Megatron fez uma careta.
– Isso não tem graça, Prime. Não pense que vou ficar com pena de você só porque você vai morrer congelado ai.
Megatron olhou para o corpo do mech desconhecido caído no chão. O mech parecia maior que Optimus e, ainda assim, acabou sucumbindo ao frio. Megatron fez outra careta.
– Você não está morto, está, Prime?
Megatron deu outro chute em Optimus, desta vez, com bem mais força. Ficou com muita vontade de rir por estar chutando um Prime desacordado no chão. Mas a vontade passou bem rápido, quando notou que Optimus não respondia. Se abaixou colocando a relíquia no chão. Levou as mãos ao rosto do Prime, abrindo sua máscara de batalha. Se aproximou o máximo que pode para sentir qualquer sinal de atividade vinda do autobot.
Os olhos azuis de Optimus se abriram lentamente.
Apesar do frio intenso, Megatron sentiu um calor estranho na face.
– Se for me beijar, Megatron, sugiro que faça isso rápido, antes que nós dois congelemos.
Megatron soltou o rosto de Optimus se afastando rapidamente.
– Você é muito descarado, Prime.
– Foi só uma brincadeira, Megatron. Pelo menos serviu pra aquecer.
– Está zombando de mim, mas eu achei a relíquia. Você perdeu, Prime.
– Eu sei Megatron, eu ouvi isso desde a primeira vez que você me chutou.
– Ah, você estava acordado?
– Como se eu fosse tirar os olhos de você por um minuto sequer.
– Olha, isso foi romântico.
– Não tanto quanto tentar me beijar.
– Eu não tentei nada. Devia ser grato por eu ainda me preocupar com você.
– E sou. Obrigado, Megatron.
Megatron sentiu de novo aquele calorzinho na face, o que não era nada ruim, dada situação em que se encontrava.
Caminhou até a abertura recém-descoberta e espiou lá dentro. Parecia seguro. Voltou até Optimus e o levantou, colocando seu braço envolta da cintura dele e o braço dele em seu pescoço.
– O que está fazendo?
– Tentando não te deixar congelar até a morte.
– Por quê? Você poderia levar a relíquia e me deixar aqui. Isso seria o fim da guerra para os autobots.
– Para todos saberem que foi o frio quem venceu a guerra? Não obrigado. Prefiro eu mesmo te desativar um dia.
– Você poderia dizer que fez isso. Ou poderia realmente fazer. Sabe que não estou em condições de revidar.
– Eu não vou mentir. Todos veriam você intacto assim que te descongelassem. Além do mais, eu não bato em moribundos.
– Megatron, às vezes você fala como um terráqueo.
– Também não precisa ofender.
Megatron levou Optimus para dentro, na tentativa de aquecê-lo um pouco mais. Colocou o autobot sentado no chão, mas Optimus voltou a tombar, mesmo acordado.
– Desta vez juro que não fui eu.
– Eu sei Megatron, estou acordado; por enquanto.
– Como assim, por enquanto. Acha que pode se dar ao luxo de descansar nessas condições?
– Sei que não posso, mas, estou ficando letárgico.
– Ahaha, desculpa, Prime, mas você sempre foi um pouco – Megatron riu de sua própria piadinha, mas tudo o que Optimus fez foi dar um pequeno sorriso de volta e tombar o elmo – Ei Prime, o que foi?
– Eu disse, não me sinto muito bem.
– Em quanto está sua energia?
– Acho que uns 15 por cento; ou menos.
– Prime, você vai desativar.
– Eu sei disso, Megatron, mas não há nada que eu possa fazer agora.
– Prime – Megatron desviou os olhos por toda caverna e levou mais tempo que o normal para formular a frase – Você quer um pouco de energon, digo, pelo menos para você não desativar?
– Você tem energon ai com você?
– Bom, tenho, óbvio. Minha energia está em oitenta por cento.
– Oitenta? Como conseguiu chegar aqui tão bem?
– Você recarregou antes de sair?
– Não, eu estava com muita pressa. Fui descuidado.
– Sim, foi. Não esperava isso de você, Prime.
– Megatron, por um acaso está me oferecendo os seus oitenta por cento?
– Claro que não, assim vou acabar desativado no seu lugar. No máximo uns trinta, e sinta-se grato.
– Não Megatron, o que estou querendo dizer é, está me oferecendo energon direto do seu corpo? – Megatron ficou corado – E como espera que eu aceite isso? Quer que eu te morda e sugue seu energon como um necrófago?
– Eu pareço um maldito cadáver pra você? Qual é Prime, você sabe que existem outras formas de eu dar energon a você. Não é muito convencional, mas pode salvar a sua centelha e aquecer um pouco a gente.
Optimus pensou por um instante. Observou a expressão um pouco constrangida de Megatron e acabou chegando a conclusão mais óbvia.
– Você quer me encher com seu transfluido?
– Ei, não fale encher, isso soa tão sujo – tanto Megatron quanto Optimus sabiam que a palavra encher era de cunho vulgar e puramente sexual.
– Ah, desculpe. Você quer me ceder energon através de transfluido corporal.
– Prime, você é mesmo um desgraçado sabia. Bom, é o melhor que posso oferecer. Vai aceitar ou não?
– Sim, eu aceito, Megatron.
Megatron ficou em estase por alguns segundos. Era tão difícil acreditar que Optimus aceitou aquilo quanto o fato de que ele mesmo se ofereceu para fazer aquilo. Saiu de seu estado de choque quando viu Optimus escorregar ao tentar se levantar.
– Não, espera, fique deitado onde está, Prime. Está muito fraco para se levantar, deixe isso comigo.
Megatron ajeitou Optimus em uma posição melhor. Segurou as pernas do autobot abrindo-as, se colocando entre elas. Ainda com muito receio do que estava prestes a fazer, tocou a tampa do painel de Optimus. Estava frio. Em uma situação normal, ele estaria fervendo. Fez mais uma careta.
– Desculpe, estou quase desligando.
– Quieto, Prime.
Megatron destravou e abriu o painel. Era possível ver, por dentro, a protocarne cinza claro, macia, cheia de pequenas elevações azuis celeste, que tinham o mesmo tom dos olhos do Prime. Tocou a borda, deslizando o servo pelo nodo que ficava exposto bem próximo a entrada. Optimus soltou um som meio preso, como se não quisesse chamar a tenção de Megatron para ele. O som foi tão bonitinho que Megatron repetiu aquele toque mais algumas vezes, fazendo Prime acabar não conseguindo se segurar em todas. Parou quando viu um fio rosa e pegajoso de energon escorrer para fora da válvula, molhando seus servos.
– Prime, não se lubrifique, isso só vai piorar a sua baixa taxa de energon.
– Fácil falar quando não tem ninguém te olhando e te tocando dessa forma, Megatron.
Megatron sentiu tanta vergonha que poderia derreter todo aquele gelo só com o calor que se acumulou em sua face. Maldito Prime, sempre o provocando. Se Optimus não estivesse tão frágil como estava agora, o socaria até a morte.
Megatron destravou o próprio painel de interface, pressurizando seu pico para fora. Megatron o segurou em sua mão, passando o restante do lubrificante rosa de Optimus que ficou em seus servos.
– Primus, me ajude! – Optimus disse suspirando, como um mantra.
– O que foi, qual o problema?
– Nenhum Megatron, apenas que você está demorando mais que o necessário.
– Ah, agora que você o viu você quer, não é mesmo, Prime?
– Vai começar com os joguinhos, Megatron?
Megatron riu. Posicionou seu pico na entrada da válvula de Optimus e empurrou. Se segurou no chão enquanto deslizava seu comprimento dentro do autobot. Seus servos tremiam em êxtase. Nunca imaginou que fosse tão agradável dentro do Prime. Sentia-se derretendo a cada centímetro mais fundo. Seu pico formigava e pulsava, iguais as paredes de protocarne ao redor de si, que pareciam querer absorvê-lo de tanto que o apertavam e o sugavam para dentro.
– Me… Megatron…
A voz suave de Optimus chamou Megatron, fazendo o warlord abrir os olhos. O autobot parecia ainda mais bonito aos olhos do decepticon. Optimus exibia um borrão azul nas placas faciais. Megatron o tocou ali, fazendo o autobot também abrir os olhos. Megatron quase teve uma sobrecarga com aquelas lindas joias azuis o observando assim tão de perto. Ainda que todos os autobots tivessem os mesmos olhos azuis, os de Optimus eram os mais lindos.
– O que foi, pare de resmungar, Prime.
– Você não resmungaria se tivesse um pico do tamanho de uma montanha enterrado dentro da sua válvula?
– Ah, então era esse o problema, o tamanho do meu pico?
– Vai começar a se gabar agora, Megatron?
– Me diga você, Prime, acha que eu não tenho motivos para me gabar?
– Não precisa, você sempre foi o maior e mais forte.
– Prime… – Megatron gemeu em êxtase – Você pode repetir as quatro últimas palavras?
– Não.
– Nossa Prime, como você é um estraga prazeres.
Megatron jogou seus quadris com força em direção aos de Optimus. Optimus mordeu a boca e fechou os olhos, ignorando qualquer vestígio de desconforto, se concentrando apenas nas sensações boas. Megatron parecia não ter pressa. Seus Movimentos eram fortes e profundos, porém, lentos. Optimus ficou irritado. Era assim que ele gostava, e Megatron parecia saber muito bem disso.
O corpo de Optimus começou a se aquecer mais que o normal. Sua válvula se dilatava cada vez mais, na intenção de dar todo o espaço que o pico de Megatron precisasse para poder acariciá-la por inteiro.
Megatron não esperava por isso e, quando deu outra forte estocada, sentiu-se afundar completamente. Seu pico perfurou algo denso e gelatinoso, assustando tanto ele quanto Optimus.
– Megatron, não com tanta força! – foi a primeira vez que Optimus gritou com ele de verdade – A menos é claro, que queira um espumante correndo pela Nemesis, buzinando nos seus áudios.
– Não grite comigo, Prime. E não se preocupe com isso, somos velhos demais e inimigos demais para termos um. Além do mais, quem disse que se pareceria com você?
– Não seja ingênuo, Megatron, não somos tão velhos assim. E mesmo sendo inimigos mortais, estamos transando, no meio do nada, como dois mechs adolescentes.
– Ei, não diga transando, isso é nojento, é coisa de humanos.
– É a mesma coisa. E Primus não daria essa sua cara feia a um espumante inocente, então sim, ele se pareceria comigo.
– Uhm, qual seria melhor, cara feia ou cara de bobo?
– Não me provoque, Megatron.
Megatron voltou a se movimentar dentro de Optimus, desta vez com mais velocidade. Manteve seu pico preso dentro do gel da câmara gestacional de Optimus.
– Não, Megatron, saia!
Optimus tentou empurrar Megatron, não o suficiente para o warlord deixar completamente sua válvula, mas na intenção de evitar um possível futuro espumante.
– Cala essa maldita boca, Prime.
Megatron se deitou sobre o corpo de Optimus. As garras prateadas tocaram gentilmente a nuca do autobot, se fechando em seguida, em um aperto firme, o trazendo para um beijo.
Aquilo foi demais para os sistemas de Optimus, que superaqueceu e sacudiu em uma sobrecarga intensa. Optimus segurou Megatron com força, sentindo sua energia rapidamente ser restaurada, enquanto jatos de transfluido transbordavam dentro de si.
Uma sensação única de plenitude e felicidade inundaram seus sistemas, fazendo pequenas gotas de energon vazarem de suas óticas. Optimus as limpou rapidamente, para evitar qualquer desperdício de energia.
Aos poucos, sentiu Megatron deixar seus lábios. Nem viu quando ele sorriu, antes de sair de seu corpo e tombar para o lado, cansado daquela brincadeira com seu inimigo.
Se Megatron estava acabado, Optimus se sentia mais vivo do que nunca.
Embora a centelha de Orion Pax tivesse pedido para que ele se deitasse ao lado de Megatron e ficasse ali, abraçado a ele, até o fim, a Matrix de Optimus Prime gritou para que ele aproveitasse a oportunidade e salvasse a relíquia das garras cruéis do tirano decepticon.
Infelizmente, Orion Pax, já havia partido a muito tempo.
Optimus recuperou a relíquia e, silenciosamente, mandou sua atual localização para a base.
Um portal se abriu e Optimus ainda relutou, dando uma última olhada para um Megatron adormecido no chão de gelo.
"Ele teria feito pior, se fosse você".
Orion sabia que não, mas Optimus sempre ouvia a Matrix, e assim, atravessou o portal, que foi selado novamente, deixando todo aquele frio para trás.
Quando Optimus atravessou o portal e pisou na base, todos correram para cumprimentá-lo por seu grande êxito. Ninguém ali parecia duvidar que seu líder seria mais do que capaz de cumprir tal tarefa sozinho, apenas Ratchet, insistiu em fazer um check-up, apenas por precaução.
Seguiu o médico autobot até seu consultório, pedindo ao Allspark que os exames não fossem tão detalhados assim. Tinha medo de que seu pequeno momento de trégua com Megatron fosse vergonhosamente descoberto.
Deitou na maca e ficou esperando Ratchet verificar seus olhos, seus áudios e ler sua assinatura com um aparelho. Parecia coisa simples.
– Parece mais nervoso que o normal, Optimus.
– Fiquei com medo do frio, só isso.
Ratchet parecia feliz e satisfeito com os resultados.
– Isso é ótimo, Optimus. Você só não sobreviveu ao frio mas também recuperou a relíquia antes dos decepticons – Optimus sorriu orgulhoso – Tudo isso sem gastar praticamente nada de energia.
– Que exagero, Ratchet. Acha que trinta por cento é uma quantidade digna de um Prime?
– Trinta por cento? Hahahaha – Ratchet riu – Isso é só o que falta para você estar cem por cento um Prime.
Optimus puxou seu braço, que ainda era examinado pelo autobot médico, ignorando as reclamações de que "eu ainda precisava terminar isso" e avaliou seus níveis de energia.
Uma sensação de pânico e puro desespero tomou conta de Optimus.
Sua energia estava em exatos setenta por cento. Ele só tinha pouco mais de dez, ou nem isso, quando Megatron o encontrou, fraco, a beira da desativação.
Megatron. Fraco. A beira da desativação.
Pela primeira vez, em milhões de anos, Optimus Prime perdeu totalmente o controle de um Prime.
Optimus se levantou em um salto, assustando Ratchet, que tombou e caiu no chão. O movimento abrupto, mais os gritos de revolta do Prime, acabaram chamando a tenção de todos, que correram até o consultório, sem saber o que realmente estava acontecendo.
Chegaram a tempo de ver Optimus abrindo seu chassi e arrancando a Matrix de Liderança, a lançando com fúria no chão, como se aquilo fosse um maldito enxame de Scraplets.
– Mentirosa! Optimus gritou. Parecia estar falando sozinho agora – Ele não teria feito – Optimus desabou desesperado – Ele não fez.
Quando Arcee e Bumblebee tentaram se aproximar, Optimus se levantou e correu em direção ao centro de comando. Segurou a alavanca que abriria o portal da Terra e tentou puxá-la.
Foi parado por Ratchet, que segurou sua mão, ainda presa a alavanca.
– Ratchet, velho amigo – as óticas de Optimus transbordavam energon – Ele não teria feito pior.
– Optimus… – Ratchet aos poucos soltou a mão do Prime – Você não estava recarregado quando deixou a base, estava?
– Nem vinte por cento – sua voz tremia.
– Se demorar mais que dez ciclos vamos atrás de você, entendeu? – Optimus apenas acenou em concordância e se apressou em partir. – Optimus, mais uma coisa. – Optimus parou antes de atravessar. – Não se atreva a trazê-lo aqui; peça ajuda.
Optimus sumiu pelo portal, deixando todos, exceto Ratchet, com muitas dúvidas.
Optimus aterrissou no chão frio da caverna.
Olhou em cada canto.
Estava vazia.
Não havia sinais de que alguém esteve ali depois deles.
Saiu dali se afundando na densa neve que circundava as enormes montanhas de gelo. Chamou por Megatron. Gritou seu nome. Sussurrou palavras doces e gentis. Implorou por sua presença. Nada. Nenhum sinal de vida. Mas, se não haviam vestígios, então, certamente, os decepticons o teria encontrado. Lembrou que Ratchet o instruiu a pedir ajuda.
Soundwave.
Tentou contato com a Nemesis.
Ninguém.
Optimus voltou para a base quando seus dez ciclos chegaram ao fim.
Passou novamente pelo portal, dessa vez, desolado, carregando o peso de uma traição e, na pior das hipóteses, o de um fim trágico de um inimigo não mais tão inimigo assim.
