Violet Evergarden pertence a Kana Akatsuki, Akiko Takase e às empresas licenciadas.
Imagem retirada da internet, todos os direitos autorais reservados ao autor.
Historia escrita em parceria com Miss_Shunshine
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A guerra havia chegado ao fim, e a cidade de Leidenschaftlich estava em festa. Naquele dia, todos haviam se reunido na praça central para o principal evento do dia: o show aéreo. Neste, várias cartas seriam jogadas do céu, como uma forma de homenagear aqueles que haviam perdido suas vidas durante as árduas batalhas no campo de guerra. Entre estas inúmeras cartas, havia uma especial: a primeira carta que Violet Evergarden, a autômata de auto-memórias, havia escrito para si mesma. Dentro daquela carta, ela colocou todos seus sentimentos, tudo o que ela queria ter tido a chance de dizer a ele e também, mostrou o quanto havia mudado nesse tempo.
Os aviões atravessaram as nuvens e todos os olhos se voltaram para o céu. De repente, milhares de cartas começaram a cair e a se espalhar por toda cidade. Os olhos de Violet brilharam e ela dá um leve sorriso. À medida que as cartas caem, ela tem a sensação de que, onde quer que Gilbert estivesse, os sentimentos daquela carta chegariam até ele. Em um lugar um pouco afastado do centro, a carta de Violet toca de leve a grama que está cercada por várias violetas. Uma menina de cabelos ruivos, que carregava uma boneca em seus braços, enquanto corria o campo florido. De repente, ela para em frente ao envelope e olha seus dois lados.
- Marrie, venha! Temos que terminar de organizar as caixas, senão, não conseguiremos fazer a mudança a tempo! - disse uma mulher loira que estava em uma estrada de terra ao lado.
- Já vou, mamãe! - disse a garotinha, que pegou o envelope e colocou dentro do bolso do vestido da boneca e correu até sua mãe.
Ao chegar em casa, Marrie organizou suas coisas em caixas de papelão. Ela tirou o envelope de dentro do vestido da boneca e a colocou dentro de um velho livro de contos infantis. A caixa foi lacrada e colocada próxima a outras. Ao chegar em seu novo endereço, as caixas foram mantidas em um pequeno armário.
Cinco anos depois, a pequena garotinha ruiva havia crescido e se tornado uma adolescente. Em um dia de limpeza, as caixas que estavam estocadas foram abertas. Enquanto folheava as páginas do seu velho livro preferido, um envelope antigo escorreu por entre as folhas dele e caiu no chão. Marrie o pegou do chão e leu seu remetente.
- Gilbert Bougainvillea? - ela leu em voz alta. - Mamãe, você não trabalha na casa para uma senhora com esse mesmo sobrenome? - perguntou a adolescente.
- Isso mesmo, querida. - disse a mãe de Marrie.
- Acho que essa carta era para ser entregue para um deles… - disse a jovem, que entregou o envelope para ela.
- Oh… É uma carta para o senhor Gilbert, que Deus o tenha… Bem, eu sei que ele não lerá isso, mas, acho que é justo levá-la até seu túmulo. - disse a mais velha.
- Acho que é o certo a fazer… - a filha concordou e se direcionou de volta para onde estavam as caixas.
- Eu preciso ir, querida, a senhora Bougainvillea não passa nada bem. Cuide de tudo por aqui. - a mãe de Marrie gritou já saindo pela porta.
- Sim, senhora. - disse Marrie.
Anne fez seu percurso de sempre até a mansão onde começou a trabalhar, a cinco anos atrás. Antes de entrar na casa, ela caminhou até o túmulo onde estava grafado o nome de Gilbert Bougainvillea, abaixou-se, depositou a carta em frente a lápide, fez o sinal da cruz e foi para dentro da casa. Dois dias depois, a ilustre matriarca da afamada família Bougainvillea faleceu. Sua morte foi divulgada pela imprensa local e logo, chegaria aos ouvidos de um de seus filhos, que ninguém imaginava que estivesse vivo: Gilbert Bougainvillea.
Durante seu enterro, amigos e familiares se fizeram presentes, incluindo seu filho mais velho, Dietfried Bougainvillea. E quando o enterro chegou ao seu fim e apenas Dietfried permanecia observando o túmulo de sua mãe, ele viu ao longe alguém de se aproximar. E mal pôde acreditar no que via, poderia ser um fantasma?! A dor o fazia delirar naquele momento?! A figura do irmão se aproximou dele e permaneceu o encarando por alguns instantes.
- Não… Não pode ser… - disse Dietfried, em choque.
- Dietfried… Sou eu… Gil… - disse Gilbert.
- Mas… Como?! Como pode ser?! Achamos que você estava morto! - o mais velho falou aproximando-se do irmão.
- Irmão… Temos muito o que conversar… - murmurou o outro em resposta.
- Gil… É melhor você ter uma boa explicação para isso… Pois, você nos fez sofrer com sua ausência por todos esses anos e agora aparece assim, como se nada tivesse acontecido!? - Dietfrid parou os passos, a surpresa em ver o irmão logo se transformou em raiva.
- Irmão, eu… Sinto muito por isso… - o outro baixou a cabeça, envergonhado.
- Me encontre no escritório… E é melhor que sua justificativa para tudo seja realmente plausível… - disse o mais velho, que colocou as mãos nos bolsos e se afastou, indo em direção a mansão.
Gilbert observou em silêncio o irmão se afastar, aproximou-se do túmulo da mãe e depositou algumas flores. Ele fechou os olhos, como se fizesse uma última oração para ela e depois voltou a sua atenção a uma outra lápide, próxima dali. Ele deu passos lentos em direção a ela e sentiu um certo aperto no peito ao ler seu nome escrito na pedra fria. Ele se ajoelhou e levou as mãos até o chão. Pressionou a terra com os dedos e balançou a cabeça. Talvez, ele tenha ido longe demais com tudo aquilo. Quando levantou a cabeça, com as lágrimas descendo de seus olhos esverdeados, atentou-se para um envelope envelhecido. Seu nome estava escrito na frente dele e quando o virou, ficou surpreso ao ver de quem era. Uma carta de Violet para ele.
Com as mãos trêmulas, Gilbert pegou o envelope e o aproximou do peito, seu coração se acelerou. Depois, ergueu-se e o guardou em um dos bolsos do casaco. Deveria enfrentar seu irmão antes de ler aquela carta.
