Após Gilbert e Violet finalmente se acertarem, o casal estava cada vez mais unido e feliz. Os meses se passaram e Gilbert estava cada vez mais convicto que queria Violet ao seu lado para sempre. Nenhum dos dois havia deixado suas funções, e como moravam em cidades diferentes, se encontravam às vezes. Agora, Gilbert estava na estação, à espera da noiva. Quando o apito do trem soou anunciando que o mesmo estava próximo, seu coração acelerou, era sempre assim quando estava perto de vê-la. Quando o trem finalmente parou e Violet saiu pela porta, Gilbert sentiu o ar lhe faltar, porque a bela jovem tornou-se uma mulher linda.
Quando a Autômata parou diante de si, fazendo com que despertasse do transe, Gilbert a abraçou demonstrando a saudade que estava sentindo. – Que bom que chegou! – disse, apertando-a mais em seus braços. Violet por sua vez, permitiu-se relaxar nos braços de seu amado enquanto dizia o quanto era bom estar com ele novamente.
– Vamos? – Gilbert perguntou pegando a mala dela e dando o braço para que ela enlaçasse o dela, o que ela aceitou prontamente.
O casal preferiu ir a pé, porque a residência de Gilbert não ficava distante da estação. No caminho, Violet olhava a cidade com curiosidade e encantamento. Era um lugar muito bonito, com construções no estilo antigo e isso a encantou. O percurso até a residência ocorreu normalmente.
Quando chegaram até a casa de Gilbert e Violet se instalou. Ele convidou a amada para dar um passeio na estufa. Ela adorava ir até lá e ver as violetas. Enquanto Violet admirava algumas flores, Gilbert apanhou uma e se aproximou de Violet.
– Você... – chamou a atenção dela que voltou sua atenção para ele. – Lembra daquele dia, em que te chamei de Violet pela primeira vez?
-O dia em que você me deu um nome… Sim, eu lembro.
- Eu te disse que você deveria ser tão formosa quanto o seu nome… E sabe… Você se tornou até mais bela do que todas essas flores...– Gilbert sorriu ao ver o rosto dela adquirir uma expressão de surpresa – Você é linda, Violet!
Gentilmente, ele colocou a flor nos cabelos de Violet, olhou no fundo de seus olhos azuis e suspirou profundamente, para tomar coragem para falar.
– Violet… Sei que estivemos muito tempo afastados… E nesse tempo, passamos por muitas coisas. Eu me preocupava com o fato de você entender os sentimentos, em entender o que era ser livre, enquanto, que, na verdade, eu que precisava aprender sobre tudo isso... Eu precisei aprender a demonstrar meus sentimentos também, a me permitir sentir... Mas, de algo que sempre tive a certeza, foi do meu amor por você.
-Gilbert… - sussurrou Violet
- Você está ansiosa pelo nosso casamento que se aproxima? - ele perguntou
-Sim… Na verdade, estou um pouco nervosa. Eu ainda não entendo bem sobre… Essas cerimônias… E eu não sei bem o que é ser uma noiva… Mas, as garotas estão me ajudando nisso.
-Você será a noiva mais linda de todas. Tenho certeza. - ele disse segurando o queixo dela entre os dedos beijando-a gentilmente.
- Os convites estão prontos! Podemos entregá-los pessoalmente, a partir de amanhã. - Gilbert falou após parar o beijo.
- Isso parece ótimo! Acredito que nossos amigos ficarão empolgados! - a Autômata respondeu, sorrindo.
- Não mais do que eu! - disse Gilbert, que a pegou no colo, a rodopiou no ar e quando a desceu ele aproximou seus lábios do dela e a beijou com ternura. Aquele dia terminou com o casal apreciando o belo jantar que Gilbert havia mandado preparar especialmente para aquela ocasião.
Os dias se passaram, depois de entregarem alguns convites na cidade que Gilbert morava, foram para Leiden fazer o mesmo. Violet olhava a paisagem através da janela do trem, depois desviou para o anel em seu dedo mecânico. Mal podia acreditar que tudo o que sempre sonhou estava finalmente acontecendo. A calmaria após a tempestade havia chegado em sua vida. Ela desviou seu olhar para Gilbert, que retribui com um sorriso.
O trem parou, ela desceu, com a ajuda de Gilbert e como esperado, Benedict os esperava. Cumprimentaram-se e o loiro os levou diretamente até a companhia postal. Ao chegar lá, Violet pediu que todos fossem até sala de Hodgins.
-Gilbert? Nossa, que milagre te ver! Agora que virou Tenente-Coronel, anda ocupado demais para os amigos? - perguntou Hodgins.
-Não diga besteiras. Você sabe como esse cargo demanda tempo. Mas, estou aqui, não estou?
- E qual a razão dessa reunião? - perguntou Hodgins.
- Viemos entregar isso pessoalmente para vocês. - disse Violet, que estendeu os convites para a frente.
- Os convites de casamento! Adoro casamentos! - disse Cattleya, empolgada.
Érica e Iris deram pulinhos de felicidade e abraçaram a amiga. Estavam verdadeiramente felizes por ela. Benedict ficou sério, apenas observando.
– Parabéns Violet! – Hodgins a abraçou efusivamente. – Estou muito feliz por vocês. – Hodgins deixou que algumas lágrimas rolassem por seu rosto, ele tinha Violet como uma filha. E agora vendo tudo o que estava acontecendo na vida dela fez com que um alegria inundasse seu coração.
Quando Hodgins iria se afastar, foi surpreendido por Violet que o abraçou forte.
– Eu agradeço por tudo o que você fez por mim! Todas as mudanças em minha vida só foram possíveis graças a você.
– Não, Violet. Foi você que fez tudo isso acontecer. E eu estou muito feliz por vocês dois. Agora, eu tenho uma pergunta.- disse Hodgins
-O que seria? - perguntou Violet.
– Gilbert, quando vai me pedir a mão de Violet? Ou, Você pensa que vou deixar minha filha casar assim, sem nem um pedido oficial? Hahahaha.
-Ele… Precisa fazer algo assim? - perguntou Violet, confusa.
- Hahahaha. Para de ser bobo, Hodgins! Não, Violet! Está tudo bem! Não precisa nada disso! - disse Gilbert, que estapeou o amigo no ombro.
- Ei, quem disse que não? Hahahaha. Só brincadeira, Violet. Mas, esse tratante nem para me dizer uma coisa dessas com antecedência! Ele vai ver só! - disse Hodgins, que depois olhou para Benedict. - E você? Não vai parabenizar a Gilbert e Violet?
- Claro que vou. Na verdade, eu quero muito agradecer a eles. - disse Benedict.
- A nós? Por quê? - perguntou Violet, surpresa.
- Porque você, Violet, me ajudou a notar uma garota maravilhosa e você, senhor Bougainvillea, me deu coragem para fazer uma coisa importante. Érica, pode vir aqui? - perguntou Benedict.
- Eu?! Por… Por quê?! - perguntou Érica, nervosa. Ela deu alguns passos em direção de Benedict e ficou de frente à ele. De repente, Benedict se ajoelhou e revelou uma caixa vermelha. Quando ele a abriu, havia um anel.
- Oh, nossa! Nossa!
- Mentiraa! - gritou Cattleya, surpresa.
- Fica quieta, mulher! - disse Benedict. - Caham… Eriquinha, você quer casar comigo?
-Eu… Eu… Eu quero sim! - gritou Érica. Benedict ficou assustado, mas deu um sorriso. Ele colocou o anel no dedo dela, ela pulou no colo dele e o beijou de maneira apaixonada. Benedict retribuiu, mas o beijo durou pouco.
- Chega! Chega! O que os clientes vão pensar disso?! Deixem para fazer isso na rua! - disse Hodgins.
- Hihihihi. - Érica sorriu, envergonhada.
- Violet, obrigado! Foi tudo graças a você!Te devo essa!- disse Benedict.
- Espero que vocês sejam muito felizes! - disse Violet.
- Ah, não vale! E eu?! Vou ser a encalhada?! - disse Íris, que fez um beicinho.
- Calma, logo, alguém aparece para você. Você vai ver! - disse Cattleya.
- Bem, vamos voltar ao trabalho! Nossa! Muita novidade para um dia só! - disse Hodgins, nervoso. - E você, tratante, venha com Violet almoçar na nossa casa. Temos muito o que planejar.
- Tudo bem. Me convenceu. -disse Gilbert.
E após aquele dia, algumas estações passaram, até a chegada do grande dia: o casamento do influente Tenente-Coronel, Gilbert Bougainvillea e da famosa autômata de auto-memórias, Violet Evergarden. Muito se comentou sobre essa cerimônia, principalmente o fato dela ser reservada a poucos. Todos estavam curiosos, porém apenas privilegiados puderam acompanhar esse dia alegre.
Em um dos quartos da mansão Bougainvillea, Gilbert terminava de vestir a farda especial para a ocasião. Dietfried e Hodgins o observavam.
-Ainda dá tempo de desistir, Gilbert… - disse Dietfried em um tom malicioso.
- Boa tentativa! Mas, eu não vou mudar de ideia. Violet e eu seremos felizes. - disse Gilbert.
- Humpf… Se você acha… Bem, a farda ficou ótima em você. Nunca pensei que você me passaria a perna e se casaria antes de mim, Gil. - disse Dietfried.
-Você ainda encontrará alguém que combine com você. - disse Gilbert.
- Nada mal, nada mal. Está bem elegante! Bem, cortem esse falatório, a hora se aproxima.
- Eu irei aguardar próximo aos outros convidados. Nos vemos. - disse Dietfried, que saiu do quarto.
- Tudo bem. Está nervoso? - perguntou Hodgins.
- Talvez sim… Acho que nem nos dias de intense, eu me senti assim. -disse Gilbert.
- Relaxe, a mulher da sua vida que está esperando. - disse Hodgins.
-Eu ainda te devo um grande favor… Nem sei como irei pagar minha dívida… - disse Gilbert.
- Faça ela feliz. Isso é o bastante. - disse Hodgins, que abraçou o amigo.
- Bem, a hora chegou. - disse Gilbert.
Já no quarto no fim do corredor, Violet recebia ajuda das garotas para terminar de se arrumar.
-Ai, como você está linda! - disse Érica, que terminava de ajeitar uma flor no cabelo em meio às tranças dela.
- Violet, está nervosa? - perguntou Cattleya.
- Um pouco… Eu… Não sei o que esperar desse momento… - disse Violet.
- Apenas, seja feliz. Seja você mesma! - disse Íris.
-E lembre das nossas dicas na lua de mel, hein? Hahahaha. - disse Cattleya.
- Cattleya, não seja indecente! - disse Érica, com o rosto avermelhado.
- Eu acho que… Lembro de suas dicas… - disse Violet, com o rosto avermelhado.
Violet se aproximou do espelho e olhou seu reflexo nele. Era finalmente, seu grande dia. Observava a fina e detalhada renda de seu vestido. Era tão linda e delicada. Usava longas luvas para resguardar suas marcas de guerra. Suas mãos metálicas não deveriam brilhar mais do que a noiva em si. Seu coração palpitava, ansioso. Sua respiração estava acelerada. O grande dia! O melhor dia de todos! Enfim, chegou a hora de ir ao altar improvisado no jardim da mansão.
Quando estava pronta, as meninas foram até o jardim e Hodgins entrou no quarto, porque seria ele a acompanhar. Quando a viu, Hodgins não pôde evitar que seus olhos começassem a lacrimejar, estava muito emocionado ao ver o quanto Violet havia mudado. Respirou fundo para conter a emoção, foi até ela e com calma começou a guiá-la até o jardim.
O lugar estava lindo. Havia várias flores e fitas enfeitando o jardim. Tudo estava como Violet havia planejado. Quando a noiva acompanhada de Hodings despontou no tapete vermelho, os músicos começaram a tocar a música. Os olhos azuis de Violet olhavam tudo com admiração. Já Gilbert não conseguia tirar os olhos da noiva, ela estava linda. Quando estavam um de frente para o outro, Gilbert esticou a mão para que ela pudesse colocar a dela, e assim que ela fez eles se viraram em direção ao juíz que iria realizar a cerimônia. Tudo transcorreu como esperado e agora Violet e Gilbert eram oficialmente casados.
Todos os convidados juntamente com a noiva curtiam a festa. A felicidade reinava para todos. Apenas Íris que estava emburrada em um canto, enquanto os casais dançavam.
-Que chato…- resmungou Íris.
- Também está entediada? - perguntou Dietfried.
-É… Parece todo mundo está se casando… .
- Acho casamentos chatos… Mas, tem a parte boa de encontrar belas moça… Gostaria de dançar? - perguntou Dietfried.
- Sim, com certeza.
Os dois embalaram uma dança longa e conversaram por toda festa. No fim, decidiram dar uma volta no jardim da casa.
-Então, você viajará em missão em breve? - perguntou Íris.
- Sim. Marinheiros foram feitos para viver no mar, não é verdade? E ficar parado, não é para mim. É preciso algo importante para me fazer ficar em terra firme. - disse Dietfried
- Entendo… Uma autômata também viaja muito. Tenho muitas obrigações. Teria que ser um homem corajoso ou ousado o suficiente para se apaixonar por uma. Seu irmão deve ser desse tipo… - disse Íris.
-Meu irmão é um tolo sentimental… Eu diria que eu sou mais do tipo que se enquadra nesse perfil… O desafio sempre me atraiu… - disse Dietfried, que encarou Íris e lhe deu um sorriso confiante.
- Interessante… Será mesmo que é bom com desafios? Talvez, eu seja um bem difícil de vencer. - disse Íris.
- Isso deixa as coisas mais interessantes. Acho que vou aceitar seu desafio… - disse Dietfried.
- Temos um acordo, então. - disse Íris, que estendeu a mão para ele.
- Feito. - disse Dietfried, que retribuiu e apertou a mão dela.
Os dois retornaram para o espaço de festa e se juntaram aos outros. Quando a festa terminou, os noivos despediram-se dos convidados e foram até o quarto preparado para eles.
Violet sentia-se nervosa, por não entender bem sobre o que deveria acontecer. Sabia o pouco que Cattleya havia lhe contado. Ela trocou de roupa, vestiu uma camisola de renda. Quando voltou ao quarto, Gilbert a esperava sentado na cama. Quando ele a viu, sentiu uma certa emoção. Era tão bela e graciosa, que parecia uma semi- deusa.
Gilbert estendeu a mão para ela e Violet se aproximou e as mãos metálicas se tocaram. Ele a puxou pela cintura, o que uniu seus corpos, devagar. Antes de deitarem na cama, trocaram um beijo amoroso e se declararam.
-Eu te amo, Violet. Hoje, você se tornou a minha esposa e a mulher da minha vida. - disse Gilbert
-Gilbert, eu te amo! Quero ficar ao seu lado para sempre. - disse Violet.
Mesmo nervosa, Violet deitou-se na cama junto a Gilbert. Seu esposo a conduziu de maneira amorosa e suave, o que fez o medo e a insegurança se dissiparem. E, dali, tornaram-se um só. E enfim, tornaram-se senhor e senhora Bougainvillea.
Alguns meses se passaram desde a cerimônia de casamento. Violet acabara de voltar de uma viagem e se sentia adoecida. Gilbert ficou extremamente preocupado e pediu para que um médico viesse visitá-la. O médico pediu para que Gilbert entrasse no quarto.
-E então, doutor, há algo de errado? - perguntou Gilbert.
- Hahahaha. Calma, meu jovem. O que ela tem é algo maravilhoso! A senhora Violet está esperando um filho. - disse o médico.
Gilbert ficou em choque, enquanto Violet parecia um pouco nervosa.
-Bem, preciso ir. Lhe aguardo em meu consultório, senhora Bougainvillea. - disse o médico.
-Sim, obrigada. - disse Violet.
Quando o médico se retirou, o silêncio tomou de conta do quarto. Gilbert se aproximou com uma expressão séria. Violet ficou com medo do que aquilo queria dizer. Mas, de repente, Gilbert abraçou sua amada e ela o ouviu soluçar. E, em lágrimas, ele disse:
-Violet, você sabe o que isso quer dizer? - perguntou Gilbert.
- Eu… Sei… Mas, é confuso… Gerar uma criança… Eu não sei nada sobre isso… - disse Violet.
– Violet, você está me fazendo o homem mais feliz do mundo, meu amor! Um filho é o fruto vivo do nosso amor! E eu te prometo, que vou ama-lo e vou cuidar de vocês dois.
– Gilbert… Eu tenho um pouco de medo, mas eu também estou muito feliz. Antes eu não sabia nada sobre os sentimentos, mas agora eu consigo compreender. E ter alguém dentro de mim, gerar uma vida… Isso me faz me sentir mais viva do que nunca! - disse Violet.
-Eu te amo, Violet. De todo meu coração. A você e a esta criança em seu ventre. - disse Gilbert.
-Eu também amo você, Gilbert. A vocês dois! - disse Violet, antes de selar um beijo com seu esposo.
E foi assim que Violet Evergarden, uma menina que foi treinada para ser uma arma e Gilbert Bougainvillea, finalmente encontraram a felicidade. Depois de tantas intempéries em seus caminhos, o destino lhes proporcionou uma nova chance de viver o amor e enfim, terem uma vida livre.
