Hey, pessoal, olá! Como tem passado? Espero que estejam todos bem!
Eu na real não queria escrever nada por um tempo, mas aí chegou o Natal e eu comecei a assistir Last Christmas em looping, logo depois vi um edit ( ZMkBYrJPj/) e aí vi essa arte do Macro ( /daily12sketch/status/1871612787916701919) e aí não teve jeito. Foi um pouco complicado escrever isso aqui (meu humor estava péssimo, minha mãe estava doente e logo depois eu também fiquei), então foi bem difícil tentar escrever algo fofinho quando eu na verdade estava meio na bosta :~
Obviamente não foi betado, então se estiver mal escrito etc etc etc, me avisem para que eu possa corrigir.
E acho que é isso aí. Feliz Natal (atrasado), boa leitura e boas festas!
Estar ao lado de alguém com personalidade forte pode ser uma tarefa um pouco complicada – entretanto, quando são duas pessoas de personalidade forte juntas, a mistura pode ser um tanto desastrosa. E era mais ou menos isso que acontecia com eles: por vezes, concordavam na maior parte dos assuntos, o que era sinônimo de harmonia e paz na Terra; todavia, quando ocorria uma discordância entre ambos, o resultado era sempre catastrófico. Começava com uma discussão acalorada e terminava com Clara Oswald fazendo uma saída dramática batendo a porta da TARDIS atrás de si – enquanto o Doutor desmaterializava a velha nave quase que no mesmo instante.
Isso, no entanto, não era incomum – apesar de não ser uma constante entre eles, de tempos em tempos acontecia. E não havia muito o que se pudesse fazer, a não ser esperar. Esperar que, em algum ponto, o Universo os unisse novamente ou que o Doutor pousasse a nave em seu apartamento em horas impróprias para chamá-la para uma aventura como se nada tivesse acontecido. Era por isso que ansiava sempre que a raiva, que não durava muito, passava. Fazia algum tempo desde a última discussão deles – e fora por um motivo tão banal e sem sentido que a morena não fazia ideia do porquê, em primeiro lugar, haviam discutido. O que ela lembrava vividamente foi de sair da nave explodindo de raiva batendo a porta com força e de ouvir o som da TARDIS indo embora, até que o silêncio era a única coisa que restava junto dela no apartamento.
Dias se tornaram semanas, semanas se tornaram meses e fazia quase um ano em tempo terreno e humano que não se viam. E isso era bastante tempo, a considerar que ele poderia ser um pouco insistente quando lhe era conveniente. Por mais que soubesse que o tolo Senhor do Tempo sabia se cuidar e que, caso não soubesse, a velha TARDIS iria socorrê-lo, seu coração apertava no peito, repleto de preocupação. E mesmo que tenha se forçado a focar no trabalho e em seus próprios problemas humanos, seu coração seguia apertado e repleto de angústia e saudades de alguém que não parecia sentir a falta dela na mesma intensidade que ela sentia a falta dele. Talvez tenha sido por tudo que compartilharam nesses últimos anos, talvez pelas perdas que, ao longo dos anos, haviam destroçado seu coração; ou talvez não houvesse um motivo lógico para explicar aquela saudade que sentia. Ela precisava, apenas, aceitar que sentia falta dele.
Foi por isso que ela pegou o telefone naquele dia. Era finzinho de tarde, o céu começava a escurecer anunciando uma noite agradável com um céu limpo e muito provavelmente repleto de estrelas. A jovem ficou encarando o telefone por longos minutos, ponderando se deveria ou não ligar para ele. Algo lhe dizia que ele atenderia como sempre, mas e se agora fosse diferente? E se ele tivesse encontrado um novo companheiro de viagem e estivesse em uma aventura? Será que ele atenderia o maldito telefone? Tentando afastar o pensamento, buscou o pouco de racionalidade que ainda havia em sua mente. Não tinha como saber a resposta sem discar aquele número, então não havia muito o que ela pudesse fazer a respeito. Discando o número apressadamente, respirou fundo e, então, apertou o botão de chamada.
Sem dúvida, aqueles toques foram os mais longos de toda sua vida e mesmo sabendo que foram apenas três, ela só conseguiu respirar novamente quando ouviu a voz dele do outro lado da linha.
– Clara? – Oh, como ela havia sentido falta da forma como ele pronunciava o seu nome! – Está tudo bem?
– Ah, claro, claro, – e, definitivamente, não era o que ela queria dizer. Porém ela se sentia tola, atrapalhada com as palavras sem conseguir montar uma sentença sem que as palavras morressem assim que abria a boca.
– Clara? – Ele perguntou mais uma vez e ela, mesmo sem vê-lo, poderia jurar que ele estava com as sobrancelhas arqueadas. – Está acontecendo alguma coisa?
– Doutor, – oh, Clara, estúpida Clara! Ela precisava falar algo coerente logo. – Na verdade, acho que está acontecendo uma coisa.
– Que tipo de coisa? – Ele parecia interessado. Isso era bom e ela conseguia ouvir o som dos dedos dele batendo nas teclas do console.
– É uma emergência, – um longo suspiro escapou de seus lábios. – Seria muito bom se você...
– Estou a caminho. Espere por mim, chego em um minuto. – Disse simplesmente antes de desligar e deixar uma Clara atônita encarando o telefone.
Definitivamente foi mais fácil do que imaginava. Então, ele não estava com raiva dela, o que era ótimo. Entretanto, não houve muito tempo para pensamentos, porque logo o som característico da TARDIS se fez presente antes dela se materializar no seu lugar de sempre. O Doutor abriu a porta rispidamente, pulando da velha nave de uma só vez. Olhando em volta, constatou que o quarto estava vazio.
– Clara? – Chamou, enquanto olhava para o cômodo que estava organizado como sempre.
Foi em direção a porta para sair do quarto, porque ele tinha certeza que, pelas coordenadas, ela estava em casa no momento da ligação. Sua preocupação, porém, logo deu lugar à curiosidade: exceto pelo quarto, todo apartamento parecia decorado para o Natal. Havia um abeto prateado decorado com luzes e enfeites no canto próximo ao sofá; também tinham pinheiros espalhados pelos móveis e meias penduradas na lareira. Havia, também, um aroma agradável vindo da cozinha e logo uma voz que era como música para os seus ouvidos chamou sua atenção.
– Estou aqui, – ela ainda tinha o telefone nas mãos. Estava apoiada na bancada observando-o à distância.
– Esta era a emergência? – Ele está agora na porta da cozinha, seus olhos azuis fixos nela.
– Sim, – ela aponta para uma travessa que está logo à frente. – Pode levar para a mesa, por favor?
– Espere, – o Doutor se aproxima da bancada, seu rosto mais confuso do que qualquer outra coisa. – Esta é a emergência?
– Sim, eu já lhe disse, – ela desvia o olhar, cruzando os braços protetoramente em frente ao corpo. – Todo Natal é o último Natal. Em algum lugar, para alguma pessoa. Você sabe.
– Claro, – a voz dele não é mais do que um sussurro. Ela não vê que ele também desviou o olhar e também não percebe que ele pegou a travessa até ouvir o som dos passos dele se afastando. – É nessa mesa que tem uma toalha de cavalo?
– Isso não é um cavalo, é uma rena!
– Para mim, parece um cavalo, – ele para na porta da cozinha e sorri. – No que mais posso lhe ser útil, senhorita Oswald?
– Não seja bobo, venha aqui. Preciso de uma mãozinha extra para me ajudar.
Durante pouco mais de uma hora, o Doutor ajudou Clara a arrumar travessas, ajeitar a mesa e a limpar a louça enquanto aguardavam o peru ficar pronto. Ele ainda a ajuda a colocar alguns enfeites e a ligar uma série de piscas piscas nas janelas do apartamento. Enquanto o faz, ele olha pelo vidro embaçado e vê os flocos de neve caindo suavemente, pintando todo o chão de branco lá fora.
– Você fez tudo isso sozinha?
– Ah, nem é tanta coisa assim, – ela se senta no sofá e faz um gesto chamando-o para sentar ao lado dela. – Um pouco de comida e doces para passar a noite, não é nada demais.
– Bem, – ele se acomoda no sofá ao lado dela, um pouco sem jeito. – Me parece bastante coisa.
Clara sorriu gentilmente, recostando-se no sofá. Ela pega o controle da televisão e começa a passar os canais, todos com programações natalinas como era de se esperar. Ela escolhe um que está tocando música, mas nenhum dos dois está realmente prestando atenção na letra ou na melodia. O Doutor arrisca olhares na direção dela, enquanto ela encara a tela brilhante com o semblante distraído. Ficam assim por algum tempo, até ouvirem o apito do forno, indicando que o peru estava pronto.
Last Christmas, I gave you my heart
But the very next day, you gave it away
This year, to save me from tears
I'll give it to someone special
– Espere aqui, – disse, ficando de pé rapidamente. – Antes, tenho algo para você.
Ela sai depressa em direção ao quarto e o deixa esperando por cinco, dez, quinze minutos. Ele estava prestes a se levantar e verificar com os próprios olhos se estava tudo bem, porém assim que se colocou de pé, Clara veio ao seu encontro. Ela vestia um suéter verde bordado com pinheiros, presentes e enfeites, o tipo de suéter típico do Natal.
– Toma, – ela oferece um embrulho vermelho com um laço branco. – Tem um para você também. E nem pense em reclamar.
Sem dizer nada, o Doutor abre o embrulho e encontra um suéter vermelho decorado com estrelas e uma grande rena na frente. Ele olha seriamente para o suéter e depois observa o rosto de Clara, antes de finalmente tirar a jaqueta e vesti-lo por cima da camisa. Arriscando um sorriso, ele se vira para voltar ao sofá, mas a mão dela segura firmemente seu pulso.
– Tem mais uma coisa, – ele arqueia as sobrancelhas, curiosidade, incredulidade e uma pitada de divertimento encarando-a de volta. – Mas, antes, feche os olhos.
– Mas, Clara...
– Nada de "mas", vamos! Olhos fechados.
Sem escolha, o Doutor suspira, resignado, e então fecha os olhos conforme lhe fora pedido. Ele consegue sentir a respiração de Clara bem próxima de seu rosto, assim como percebe que ela está muito provavelmente na ponta dos pés e também, sente uma leve pressão na cabeça.
– Pronto, – tem uma pitada de orgulho na voz dela, ele percebe. – Pode abrir agora.
Ele assim o faz e então encontra Clara usando um arco com uma estrela, combinando com o par de brincos que usava. Virando-se para ficar de frente para a janela embaçada, percebe que ele próprio tem um arco na cabeça – e dois chifres vermelhos se destacam, combinando com o seu novo suéter.
– Ficou fofo, pode falar, – ela diz parando ao lado dele, os reflexos de ambos parecendo um quadro tipicamente natalino com a neve chapiscada no vidro.
Talvez, a apenas talvez, ele tenha achado mesmo fofo – ainda assim, jamais iria admitir em voz alta. Clara parece tão animada e feliz, que qualquer reclamação ou descontentamento morre assim que seus olhos encontram o semblante iluminado dela. Ela se afasta para voltar a cozinha enquanto ele pega os pratos para colocar na mesa. Ele vai até o encontro dela para ajudá-la com a travessa pesada, pegando-a da mão dela para colocá-la triunfalmente no meio da mesa.
– Hora da ceia, suponho, – ele diz, meneando suavemente a cabeça para que ela o acompanhe, mas então percebe que ela continua parada no mesmo lugar. – Clara? Está tudo bem?
A jovem o encara meio incrédula, meio divertida. Percebendo que o Senhor do Tempo não seguiu seu raciocínio, ela aponta para cima. Por um momento, ele não entendeu o que estava acontecendo – e então foi como se as engrenagens do seu cérebro começassem a rodar e a rodar, processando a informação que seus olhos viam. Logo acima deles, havia um pequeno ramo peculiar com seu tom verde característico e um laço singelo vermelho em torno dele. Oh, Doutor, estúpido Doutor! Era óbvio que já tinha visto viscos ao longo de sua extensa convivência com humanos, porém como não havia percebido que havia um logo ali?
– Bem, – foi a jovem quem o chamou de volta à Terra. – Acho que você vai ter que me beijar.
Foi como se todo o sangue de seu corpo tivesse congelado ou como se o ar faltasse em seus pulmões. Ele sentiu seus corações acelerarem e suas mãos começaram a suar. Depois de tanto tempo longe, queria estar o mais perto de Clara que lhe fosse permitido e possível – então, por que estava tão nervoso? Como se pudesse ler seus pensamentos – e havia momentos em que ele poderia jurar que ela conseguia mesmo –, ela sorriu seu sorriso mais gentil. O Doutor sorriu de volta e então se inclinou o suficiente para que seus rostos ficassem mais próximos. Seus lábios se encontraram em um beijo casto, que terminou com Clara lhe dando um beijo no rosto.
– Agora vamos levar essa travessa para a mesa, antes que você a derrube e estrague tudo.
A face of a lover with a fire in his heart
A man undercover, but you tore me apart
Ooh, ooh, now I've found a real love
You'll never fool me again
Ambos riram e, naquele momento, não havia outro lugar em que quisessem estar. A noite estava agradável, a conversa entre eles fluía de forma natural, como sempre, e a televisão – a pobre televisão que fora esquecida horas antes –, tocava um de seus muitos clichês natalinos ainda que os dois sequer percebessem. Passava das três da manhã quando o Doutor deitou no sofá e Clara veio deitar-se ao lado dele trazendo um cobertor e um livro nas mãos. Aninhando-se nele, o Senhor do Tempo sorriu abertamente.
– Dickens? – Ele perguntou com certa surpresa. – É meio clichê para esta época, mas é incrível. Dickens era brilhante.
– Mesmo? Conte-me mais sobre.
Os primeiros raios de sol invadiam o apartamento de Clara quando eles finalmente adormeceram, um ao lado do outro.
Foi meio triste, porque eu fiquei pensndo num equivalente pro Roberto Carlos e não consegui lembrar de ninguém? Imagina que Natal triste, sem ligar a tv e ouvir:
WHEN I AM HERE
I LIVE IN THIS BEAUTIFUL MOMENT
TANANÃ TANANÃ TANANÃ TANANÃ
LOOKING AT YOU AND THE SAME EMOTIONS
FEELING IT
*pulando pro final*
IF I CRIED OR SMILED
THE IMPORTANT
IS THE EMOTIONS THAT I LIVEEEEEEEE
Enfim, que pena dos gringos que não tem essa belezura no final do ano... q
