J~L
Na última vez que acordou olhando para o nada e pensando em Lily, tinha sido há muitos. Ainda em Hogwarts, para ser exato.
Um tempo depois dessa última vez, era raro não tê-la ao seu lado, então não precisava mais ficar devaneando sobre ela...o maroto podia simplesmente aproveitar.
Antigamente, quando devaneava, era por estar completamente apaixonado e não entender o porquê de não conseguir chegar até ela. A razão era clara, mas aquele adolescente bobão não conseguia compreender o motivo das suas aparentes tentativas de charmes não serem apreciadas. Poxa, ele era tão bom em Quadribol, tinha um cabelo estiloso, um corpo legal, um sorriso bonito. Parecia tão interessante para tantos, mas não para Lily. E aquilo o intrigava bastante nas manhãs.
O que eu posso fazer de diferente? O que ela gostaria de ouvir? Ela prefere visitar outro vilarejo ao invés de Hogsmeade?
Com os anos passando, as perguntas começaram a mudar:
Isso é culpa do Ranhoso?
E mudou mais:
Isso é minha culpa?!
Quando percebeu que era ele mesmo o problema e nenhum outro acontecimento, ele já tinha amadurecido. Não podia dizer que mudou por ela, porque o seu crescimento tinha começado internamente, mais do que o fato de alguém tê-lo feito mudar. Ele quis, aceitou e fez a mudança. Lily ver, gostar e se aproximar foi uma consequência. A melhor que poderia ter.
Mas por que ele acordou pensando nela naquela manhã tão aleatória? Não a via por alguns dias, sem notícias, sem nada. Bastou abrir os olhos e a primeira coisa que pensou, foi ela.
O fato de que tiveram conversas estranhas no último mês pode ser o motivo. Ficaram oito anos sem contato, para então aparecerem um na vida do outro. Ela com um namorado a tiracolo, inclusive.
Ou talvez o fato de Harry ter começado em Hogwarts o levava naquela viagem ao passado. Mas tanta coisa para lembrar, tantos momentos icônicos vividos lá, e tinha que pensar em Lily? Apenas nela?
Levantou e foi até a cozinha. O nascer do sol o acolheu, ainda que bem diferente do de Hogwarts ou do de Godric's Hollow. Tomou o café enquanto lia algo sobre o sangue dos unicórnios. Aquilo também estava jogando com a sua mente, deixando-o um pouco alucinado para saber mais sobre. O fato de que sentia que os centauros falavam sobre Harry, o deixava louco.
Largou o livro e se jogou contra a cadeira, olhando pela janela. Algo que sempre esteve ali no cantinho da sua mente, estava querendo se destacar: a profecia. Aquela infeliz profecia que rondava Harry, ou que Voldemort tinha decidido fazer sobre Harry.
Os marotos e Lily tinham diferentes opiniões sobre aquele tópico, sempre sendo muito debatido e repensado. Divergiam sobre muitos pontos e nunca chegavam a nenhum resultado satisfatório para ninguém, apenas em um comum acordo sobre não cutucar aquele dragão.
Desde a "suposta morte" de Voldemort na sua sala em 1981, pegou-se pensando muitas vezes se profecias poderiam mudar. Naquela noite, Harry não o derrotou, não foi marcado como o seu igual. Nenhum dos que estavam duelando com Voldemort, tinha nascido no fim de julho ou tiveram pais que o desafiaram 3 vezes. A pessoa que James pensava ser responsável pelo feitiço que evaporou Voldemort, muito menos.
Então a pergunta ainda ficava: profecias poderiam mudar? Ou eram apenas balelas? Dumbledore dizia que poderia se tornar real apenas se a fizéssemos ser real, coisa que Voldemort acreditava ser. Isso fazia ser real apenas para Voldemort ou para todo o resto?
Bom, se ele decidisse matar um garoto, todos acabavam entrando naquele barco de qualquer maneira.
Levantou-se e foi até a sua lareira. Chamou pela pessoa que ele achava ser a mais capaz de ajudá-lo naquela coisa toda.
— Prongs! Eu deveria estar surpreso pela sua chamada tão cedo? — O rosto de Remus apareceu em meio às chamas. — Ainda está em casa, pelo visto.
— Você deveria estar pronto para chamadas minhas o tempo todo, você sabe, já que eu sinto sua falta tremendamente. — James riu, mas ambos sabiam que havia um grande fundo de verdade naquelas palavras.
— E eu vim para Hogwarts apenas para tentar ficar longe de vocês um pouco — respondeu o professor, lamentando. — Há algum problema? Recebi o relatório noturno do castelo e não há nada sobre problemas com alunos, então eu creio que Harry esteja bem.
— Dificilmente veremos algo sobre ele, já que está com a capa de invisibilidade agora. E ele sabe como usá-la.
Remus bufou.
— Claro, esqueci desse detalhe. De qualquer maneira, eu sinto que você tem algo a dizer e não apenas me chamou para matar a saudade.
Sentou em frente da lareira, querendo ficar confortável para o assunto.
— Você sabe se profecias podem mudar?
Apesar de não ter feito nenhum barulho, percebeu que Remus engasgou-se por um segundo.
— Em que sentido?
— Considerando aquela chateação de aula de Adivinhação e o fato de que fazemos nosso próprio destino, então podemos mudar o nosso futuro, não? Escolher sair mais cedo de casa, ir de pó de flu ao invés de aparatar e todas essas coisas.
— Hmm, certo...?! Continue.
— Harry está bem, Voldemort não. Mas Voldemort está nessas condições, porque nós o confrontamos, e não Harry. Então eu me pergunto: foi uma charlatanice ou profecias podem mudar, serem reescritas?
Os olhos de Remus pareceram desconectar com a realidade por um momento, parecendo mergulhar profundamente em pensamentos.
— Você poderia ter vindo um pouco mais tarde com essas questões — reclamou Remus. — Eu não acho que profecias possam mudar. São previsões...!
— Eu vejo previsões do tempo errarem sempre.
— Acho que tentar saber se vai chover amanhã ou se um louco vai vencer uma guerra, está um pouco fora da curva de comparação, não?
— Exato. Saber se vai chover deveria ser fácil e, ainda assim, erram. Poderiam errar sobre o vencedor de uma guerra também.
— Não era bem isso que eu estava dizendo, mas o fato de que alguém recitou o futuro, porque o viu de alguma forma. É diferente de estudar os ventos e poder imaginar se estão trazendo nuvens carregadas em tal direção.
Para James, dava tudo no mesmo.
— De qualquer maneira, então, você acredita que profecias não mudam.
Era uma pergunta complicada de se fazer, já que poderia envolver o que as pessoas acreditam. Profecias faziam parte das histórias de crianças, de livros que eram lidos antes de dormir. Mas estávamos falando de um mundo onde existia magia e que tudo podia acontecer.
— Eu não saberia te dizer, Prongs. Exigiria algum estudo sobre, conversas com pessoas da área. — Remus parecia desolado por não poder ajudar. — Eu posso tentar falar com a professora de Adivinhação.
— Não falam que ela é meio biruta?
— Trelawney? Talvez, mas é muito gentil. Não custa nada perguntar.
Qualquer informação que pudesse ter, seria bem-vinda.
— Obrigado, Moony. Uma última pergunta: como está o filhote Malfoy? Após toda aquela confusão de detenção juntos e unicórnio na Floresta Proibida, ele continua as investidas?
O amigo deu uma leve risada.
— Draco me parece um pouco traumatizado, eu diria, mas continua ousado. Há um certo distanciamento com Harry, então não há com o que se preocupar.
Se Draco Malfoy decidisse finalmente por se afastar, James agradeceria. Um problema a menos para se preocupar.
— Ótimo. Que continue assim.
— Não acho que tenha que se preocupar com o garoto. Ele tem um pouco da marra dos Malfoy, mas dá para ver que há algo bom escondido debaixo daqueles panos, apesar de ele lutar um pouco para demonstrar, provavelmente por receio. Me lembra um pouco alguém...!
Sirius. Mesmo tendo uma grande rasga com os Black, ele chegou em Hogwarts com aquela pompa da família, aquela pintura — mesmo que bem superficial e gasta — que apenas algum membro da família Toujours Pur teria. E por baixo de tudo aquilo, havia um garoto que estava pronto e cheio de vontade de mostrar o verdadeiro eu, com a sua bondade e coração do tamanho do mundo.
Talvez a diferença entre Draco e Sirius era que o último encontrou pessoas com quem podia ter suporte para ser daquela maneira e o primeiro provavelmente não tinha.
Aquilo o deixou pensativo. Será que o garoto estava se aproximando de Harry com aquele intuito, mesmo sendo inconsciente?
— Se for o caso, vou torcer para ele — respondeu James. — O mundo precisa de mais Sirius.
Remus riu.
— Sim, mas se vierem alguns com as cabeças mais no lugar, seria ótimo também.
— Mas é justamente isso que faz Sirius ser Sirius.
O maroto professor assentiu, apesar de quase revirar os olhos.
— Eu tenho que partir logo. Algo mais em que posso ser útil, Prongs?
James olhou para o relógio. Também tinha que partir logo.
— Era tudo por hoje. Obrigado, Moony. E apareça mais.
— Eu irei, quando tiver uma folga de educar as crianças bruxas do Reino Unido por longas horas seguidas.
Os dois se despediram, deixando James com a nostalgia de ser um aluno de Hogwarts, pronto para mais um dia, acompanhado das melhores pessoas que conheceu na vida (tirando uma).
Deixou aquilo de lado e se preparou para partir para a sua realidade: seu escritório e bruxos das trevas que deveriam ser detidos.
Aquele dia ainda seria longo.
J~S
Na noite daquele mesmo dia, seu apartamento estava repleto de pergaminhos, livros, artigos e até mesmo jornais antigos, espalhados por todo o lugar. Eram pilhas e mais pilhas de informações sobre sangue de unicórnios ou do animal em si.
Era acostumado a fazer pesquisas. Podiam falar o que quisessem dos marotos em Hogwarts, mas nunca que eles não eram aplicados em descobrir ou aprender algo. Os outros alunos não viam, nem professores ou diretor, mas o quarto dos quatro garotos poderiam ficar pior do que a sua sala naquele momento com as informações que precisavam.
Eles eram absurdamente jovens quando começaram a preparação para Animagos, ao mesmo tempo que também estudavam para a criação do mapa. E ele nem estava contando com a vida acadêmica em si, que requeria certo estudo de vez em quando, claro.
Tinham um planejamento sempre, dividindo tarefas e tópicos para cada um procurar e, assim, juntando todas as informações em reuniões à noite.
Só que dessa vez, não estava em Hogwarts e nem tinha mais três amigos para dividir a missão.
Ainda que tivesse um, na verdade.
— A resposta não está aqui — disse Sirius, jogando um pergaminho para o lado. — Nós sabemos tudo sobre o sangue de unicórnios e para o que as pessoas usam; os efeitos colaterais; a maldição em si. Nada disso vai nos ajudar a achar quem está tomando.
James apoiou o rosto nas mãos, suspirando. Estava há dias dormindo terrivelmente, apenas pensando nesse caso. Aurores foram deslocados para a Floresta Proibida para tentar achar algo, mas nada mais estava à vista. Nem os centauros.
Em uma das noites, ficou considerando que a pessoa tivesse tido o suficiente ou até mesmo sucumbido a maldição. Então na noite seguinte, virando e revirando na cama, mudaria de opinião e ficaria vidrado em achar o responsável e deixá-lo o mais longe possível de Hogwarts.
— A resposta estava naquela floresta, naquela noite — murmurou de volta. — E perdemos a chance, por conta dos centauros.
Ouviu Sirius se remexer da sua cadeira, mas não levantou o rosto.
— O brilho de Marte — começou o amigo. — Você sabe o que significa? — Deu de ombros. Para ser honesto, tinha uma teoria, mas não compartilhou com ninguém. — Marte é o planeta da guerra. Quando ele brilha, é um prelúdio de guerra.
Não respondeu. Continuou sua cabeça baixa em suas mãos, pois era exatamente o que sabia sobre Marte brilhando e suas variações. Estava na esperança de ter se enganado, mas não sabia o quão enganado já estava.
— A humanidade está sempre em prelúdio de guerra — respondeu, finalmente. — Veja os trouxas... parece que não aprendem nunca.
— Nós também não — concordou Sirius.
Suspirou novamente.
— Também não — repetiu.
James levantou a cabeça e pegou um pergaminho aleatório, balançando-o sem intenção alguma em ler ou reler a informação ali escrita.
— Prongs...!
James largou o pergaminho imediatamente.
— Não!
Sirius tinha várias maneiras de dizer as coisas, com inúmeros tons de voz. O amigo usava um tom de voz específico para falar sobre e com Harry; um outro para falar sobre e com Lily; outro para falar sobre e com ele e Remus. Tinha até uma específica para falar com Moody.
Assim como tinha um tom de voz para falar sobre Voldemort.
— Eu não estou falando que pode ser — Sirius tentou terminar sua frase, mas James se levantou.
— Está indicando a possibilidade de existir.
— Porque ela existe. A possibilidade existe.
Ele sabia que essa maldita possibilidade, mesma que tão miseravelmente pequena, existia. Voldemort não foi morto, apesar das suas horcruxes terem sido destruídas. O homem em si ainda estava entre eles.
E mesmo não sendo prioridade para ninguém, um pedaço de Voldemort vivia e deveria ser rastreado e aniquilado. Ou preso, não importava.
— Voldemort deve estar nos últimos suspiros, isso se já não existe mais.
Dizia aquilo na esperança de que fosse verdade e não por realmente acreditar.
— Não podemos ter certeza — replicou Sirius. — Acha que ele desistiria fácil assim? Um cara que criou tantas horcruxes para não partir desse mundo, deixaria ser vencido?
— Claro que não! Óbvio que não, mas como ele pôde ter vivido todos esses anos em tais condições? Dumbledore nos explicou que...!
Sirius levantou-se, impedindo James de continuar.
— Desde quando estamos ouvindo Dumbledore? Ou melhor: desde quando voltamos a ouvir Dumbledore?
Albus Dumbledore tinha virado um assunto um pouco complicado desde a última guerra. Eram tantas ideias contrastantes...
— Apenas estou falando sobre a profecia, Padfoot.
— Pensei que não falávamos mais sobre isso também.
Com certeza, falar sobre aquilo com Sirius era mais complicado do que Remus.
O amigo ainda sentia-se terrivelmente culpado por toda a coisa do feitiço Fidelius. Por muito tempo, quando o assunto parecia ocupar a sua mente, ele murmurava aleatoriamente que "deveria ter sido o Fiel até o fim". A raiva que Sirius sentia por Peter era tão grande, que James tinha certeza que o padrinho do seu filho seria capaz de matar aquele rato com as próprias mãos. Ou pés, caso Pettigrew estivesse em sua forma animaga.
— Apenas esqueça, Padfoot. — James balançou a mão. Tudo estava tranquilo e preferia ficar assim, ao invés de chamar a ira do amigo.
— De qualquer maneira — Sirius voltou a falar. — Há coisas que devemos levar em conta, Prongs. Possibilidades.
— Você acha que eu não considero essa possibilidade toda vez? — respondeu, em desesperança. — A cada linha que eu leio sobre o sangue dos unicórnios, sobre alguém querer se recuperar... acha que não penso em Voldemort querendo se reerguer e vir atrás de Harry? Pois eu penso. Toda. .vez!
Meneou a cabeça, querendo livrar-se daquele sufocamento sempre quando cogitava aquilo, sempre lutando contra, não deixando levar-se por essa hipótese. Ela era dolorosa demais para tomar conta.
Sirius não comentou mais nada por longos segundos, provavelmente arrependido de ter entrado no assunto, mesmo achando que não estava errado em comentar. E Sirius não estava errado mesmo, mas apenas não era um assunto muito excitante para se discutir.
Logo menos, o maroto de cabelos mais longos surgiria com algo sem ligação alguma com o assunto, na esperança de tirar a cabeça de James daquilo, coisa que o amigo sempre fazia.
— Hoje tem jogo dos Bats — comentou Sirius, finalmente, um segundo depois daquele pensamento. James levantou uma sobrancelha, surpreso pelo magnífico tópico pelo qual o amigo resolveu partir.
— E?
— Estava pensando se queria assistir. Não vamos sair do lugar com esses pergaminhos.
Tinha algumas coisas que preferia fazer antes de ir assistir um outro jogo dos Bats. Ter furúnculos saindo do seu rosto, por exemplo. O jogo que assistiram foi legal, as condições foram ótimas, mas não iria PAGAR para assistir McGuillen, muito obrigado.
— Prefiro uma pizza.
Aquilo fez Sirius sorrir.
— Então só há uma para esta ocasião.
Uma hora depois, os dois marotos estavam sentados no alto da torre do Big Ben, assistindo a loucura da cidade de Londres bem à seus pés. Era comum fazerem esse tipo de coisa, tirando proveito do fato de serem bruxos, e irem para qualquer lugar onde os trouxas não poderiam ir.
— Não tive muitas oportunidades e estou achando que agora é uma hora perfeita — começou Sirius. — Há dias eu sinto que algo vem te incomodando, Prongs, além de toda essa loucura do trabalho, claro. Tem algo que gostaria de me dizer?
Talvez. "Dizer" poderia não ser a palavra correta, mas "compartilhar" soava mais apropriado. Passar aquela informação para Sirius, alguém também ligado a isso, faria diferença.
Aliás, em qual assunto Sirius não tinha o bedelho enfiado na sua vida?
Para tomar tempo, pegou um pedaço de pizza e deu uma mordida, mastigando um pouco mais lentamente do que o normal. Após engolir e não ter para onde fugir, disse:
— Lily está indo embora.
Percebeu que Sirius não reagiu, muito menos virou-se para ele, continuando a olhar as pessoas na calçada, tão apressadas.
— Quem te contou?
— Ela, há algumas semanas. — Sirius balançou a cabeça levemente, e só. — Você já sabia.
— Sim, eu sabia. — O maroto de cabelos longos não parecia empolgado com aquela conversa tanto quanto o próprio James. — Ela não estava muito certa dessa mudança, então conversou com Moony e eu, assim como Alice e Frank.
— Quando conversaram com ela?
— Dois dias antes de Moony levar Harry até você no fim de semana e irmos ao Beco Diagonal.
— Uau! Ela decidiu rápido, para quem estava em dúvida — disse James, mas mais para si do que para o amigo.
— Por isso vocês brigaram? Antes do jogo dos Bats que fomos... Foi por conta disso? — Sirius voltou a perguntar.
James concordou com um balançar de cabeça.
— Eu reagi um pouco sem filtro quando ela me contou, sem ter tempo para pensar, na verdade. — Riu pelo nariz. — Não sei o porquê. Lily não faz mais parte da minha vida, da minha rotina. O que isso vai mudar para mim? Nada.
O amigo não respondeu, limitando-se a pegar um outro pedaço de pizza, enquanto continuava a assistir a vida passando na cidade.
— Se você reagiu dessa maneira, talvez algo mude na sua vida sim — disse Sirius, finalmente.
— Não vai mudar, Padfoot. Ela vai partir, minha vida continuará a ser como é. Se tanto Lily quanto Harry estiverem felizes, eu sinto que é o mais importante.
O pedaço de pizza foi largado na caixa, fazendo James estranhar a reação de Sirius.
— E você? — Sirius parecia indignado. — Prongs, você também precisa fazer algo por você!
— Eu faço.
— Não faz! Nada, nunca. Moony e eu temos que arrastar a sua bunda para os lugares.
— Não é verdade, eu arrasto vocês também. E eu não estou em fase de ir para encontros agora. — Deu de ombros, mordendo um outro pedaço de pizza. — Eu gosto de passar as minhas folgas com Harry.
— Harry está em Hogwarts agora, caso não tenha percebido. Suas folgas se resumem em você sentado no sofá, trabalhando. Onde está o velho Prongs que queria aventuras, desbravar todo o lugar?
— Ele está aqui, mas um pouco ocupado.
— Não, Prongs. Ele está aí, com medo de sair, pensando na culpa que sentiria caso se divertisse. Só por conta do passado, não quer dizer que você tem que se trancar nessa vida medonha. Quer sentir culpa pelo o que aconteceu? Tudo bem, sinta. Eu já cansei de falar para você que não deveria sentir culpa pelo passado, mas parar sua vida por isso?
— Eu vivo, Sirius, mas as coisas estão um pouco menos movimentadas, e só.
O amigo levantou, parecendo frustrado em níveis extremos.
— E enquanto a sua vida está pouco movimentada, o mundo continua a correr. As outras pessoas também.
Olhou para o maroto.
— Tem algo que gostaria de dizer, Padfoot? — Jogou a pergunta que iniciou toda aquela conversa, de volta para o amigo.
— Eu sempre tenho, mas se você apenas se deixasse levar, eu não precisaria dizer nada.
Deu uma risada um pouco sem graça, levantando as mãos ao ar.
— Calma lá, Padfoot. Por que essa revolta toda?
— Assim como você quer a felicidade das pessoas, eu também quero. E isso inclui você. — Sirius bateu com as mãos nas pernas, mais indignado. — Moony está feliz, fazendo algo que gosta. Harry está em Hogwarts, dando dor de cabeça para as mesmas pessoas que nós demos dor de cabeça, o que é genial. Mas então aí está você, tendo a bunda quase virando couro por conta das inúmeras cadeiras e sofás que fica sentado...Lily indo para outro país, tentando encontrar algo para a vida. Está errado tudo isso...tudo errado.
Deixando aquelas frases ao ar como suas últimas, Sirius abaixou, pegou seu pedaço de pizza e aparatou, deixando James encarando o nada e uma caixa com apenas dois pedaços do jantar sobrando.
J~L
Chegando no apartamento, ainda estava embasbacado pela conversa com Sirius. Poucas vezes o amigo deixava-o assim.
Parou logo após fechar a porta e deixou a cabeça cair ao ver toda a bagunça da pesquisa dos unicórnios, mas ah, a felicidade em ser um bruxo. Com um aceno de varinha, tudo começou a ser guardado onde pertencia, a tempo de deixá-lo cair no sofá e fechar os olhos.
— UH!
Saltou de susto com o barulho, e quase um pouco mais quando viu uma coruja em cima da sua mesa de centro, encarando-o mortalmente.
Era Clio, a coruja de Lily. Ao seu lado, estava um pergaminho cuidadosamente enrolado, preso com uma fita.
— Você está feliz por ter quase me matado de susto, não?
Clio respondeu com um resmungo estranho, fechando os olhos, demonstrando orgulho.
Como sabia que ela não gostava dele, muito menos de entregar as coisas direto para ele, foi até o pergaminho e o pegou.
"Olá, James
Soube do caso do unicórnio na Floresta Proibida e eu imagino que esteja ciente.
Você teria mais informações sobre isso?
De fato, ele tinha.
"Me pediram para não me preocupar, mas o fato de ter sido tão perto de Harry, não me acalma. Você, talvez quase mais do que eu, sabe o motivo das pessoas procurarem por tal coisa.
Então eu pergunto: devo me preocupar? Estamos preocupados?
Você está?
p.s: peço desculpas caso Clio não seja gentil.
p.p.s: sou todos ouvidos para este tema. Por favor, não me poupe das informações e detalhes."
Ah, que ótimo, agora essa. Já não bastasse ele preocupado, Sirius desconfiado, Remus intrigado...agora tinha Lily sabendo disso.
Seus olhos voltaram para Clio, que o observava atentamente. Provavelmente recebeu informações sobre ficar de olho nele para ver se esconderia algo da dona ou coisa assim.
— Você domina a técnica de Legilimência? Vai contar para Lily que eu estou bem inclinado em mentir?
Clio deu uma bicada no ar, nervosa, cerrando os olhos para ele.
Pegou uma pena e virou o pergaminho:
"Olá, Lily
Está com informantes infiltrados no Ministério? Esse assunto está correndo em segredo no QG dos Aurores. Sei que é dispensável pedir isso para você, pois você é uma pessoa de confiança, mas insisto: não compartilhe a notícia, por favor.
Investigações estão sendo feitas, então não há muito o que dizer. Tenho pouca ou nada de informação para transmitir além do que você já sabe: alguém foi encontrado bebendo sangue de unicórnio na Floresta Proibida.
Assim como qualquer caso estranho, eu estou preocupado. Faz parte de ser um Auror, afinal.
p.s: Clio está sendo amável como sempre, até mais do que o costume, já que não me bicou ainda.
p.p.s: destrua essa carta. Caso queira conversar comigo sobre isso, a minha rede de Flu é segura. Pode me chamar quando puder."
Enrolou o pergaminho e assim que pegou o laço para fechá-lo, a fita enrolou-se com força, dando um nó firme, soltando um leve pó dourado no final.
Esperta essa Lily Evans. Um feitiço que impedia qualquer um de abrir a carta, além da pessoa designada pelo remetente.
Sem esperar que ele oferecesse, Clio voou até sua mão e roubou o pergaminho, saindo pela janela da sua cozinha sem nem um tchau.
— Sempre um prazer, Clio.
Cruzou os braços e deitou no sofá. Estava na hora de dormir e apesar da sua cama estar perto o suficiente, ele apenas deixou-se cair no sono ali mesmo.
Para acordar com um barulho estranho uma hora depois.
Esfregou os olhos e levantou, olhando em volta. Pensou que poderia ser Clio com alguma resposta, mas talvez Lily não o respondesse ainda hoje.
— James?!
A sua lareira. Alguns estalos indicavam que alguém esperava por ele. Ao se aproximar, deu de cara com uma cena que não tinha por tantos anos: as chamas envolvendo-se com os cabelos ruivos de Lily, criando um espetáculo de cor. Ele sempre tinha adorado vê-la por pó de Flu, apesar de não ter sido algo corriqueiro entre eles.
— Estou atrapalhando? — ela perguntou.
— Não, de maneira alguma. — Conjurou um banco e sentou-se em frente à ela. — Ter me chamado tão rápido, me faz pensar que a sua preocupação está maior do que eu pensava.
Apenas a expressão dela já era um indício.
— Não sou Auror, mas lidar com poções e, muitas vezes, ver de perto alguns diagnósticos a serem tratados, me diz que a pessoa à procura do sangue de unicórnio não é alguém que devemos lidar levianamente.
— Você está absolutamente certa, e não estamos lidando com isso levianamente. Estamos no caso, há investigações e vamos chegar na pessoa.
— Sim, claro. Eu imagino que vocês estejam trabalhando duro nisso. — Ela sorriu um pouco, parecendo ficar mais relaxada. — Mas é algo a se preocupar, sabe?
— Claro, é um assunto um pouco bizarro.
— Não exatamente por isso, mas...— Lily abaixou a voz. — Você sabe, Voldemort e tudo mais.
Lily J. Evans não era estúpida. Era óbvio que pensaria em Voldemort, assim como ele e Sirius, apesar de James estar lutando contra isso.
Ou querendo ignorar o fato, como se aquilo fosse impedir qualquer coisa.
— Estamos investigando, Lily.
Não queria dar esperanças de nada para ela, assim como não podia confirmar algo. Seus medos e experiências o forçam a pensar em Voldemort, mas antes de perderem a cabeça, era melhor deixar as investigações continuarem.
— Claro, claro. Desculpe, eu não queria me intrometer em seu trabalho... ou te fazer pensar em algo relacionado ao trabalho a essa hora.
— Eu acho que nem eu e nem você vê isso como trabalho. Essa preocupação vai além de pergaminhos e um escritório.
Era Harry, a pessoa mais importante em comum dos dois.
Lily concordou ao balançar sua cabeça. Estava claro que nenhum dos dois gostava de ter que falar sobre algo ruim que poderia se aproximar do filho.
Um longo suspiro e uma tosse rápida dela o fez levantar os olhos para as chamas novamente.
— Bem, já que me desculpei por isso, gostaria de aproveitar a oportunidade e também pedir desculpas por Rita Skeeter.
Oh inferno de Morgana, tinha aquilo também. Aquela porcaria de artigo que aquela mulher publicou sobre James no jogo dos Bats, onde muitas fotos ao lado de Lily foram publicadas com tendenciosas palavras.
— Rita Skeeter não é um problema. Nota-se pelo nível de jornalismo dela. — Viu que Lily parecia incomodada ainda pelo assunto, então pensou, pela primeira vez, o quanto aquilo poderia ser prejudicial para ela e o relacionamento com McGuillen. — Você teve algum problema após essa reportagem ter sido lançada?
Que idiota que era. Não chegou a pensar no quanto aquilo poderia atingi-la também. Gostando ou não, importando-se ou não, Lily tinha um relacionamento com o capitão dos Bats e apesar das palavras de Skeeter destilar veneno sobre ele, Lily estava envolvida, dando a entender que eles poderiam estar flertando ou algo do tipo.
Até mesmo, considerando a maldade de muitas pessoas, que ela estava namorando algum jogador e dando em cima do ex-marido ao mesmo tempo. Não ficaria surpreso, apesar de bem irritado, caso saísse algo sobre a ruiva logo menos na coluna daquela mulher. Lily não merecia ser escrachada pela sociedade bruxa por uma mentira.
— Eu tive que conferir com Harry, se tinha visto ou alguém tendo comentado algo, mas tudo parece sob controle.
E McGuillen?, pensou James. Deveria perguntar?
— Menos mal.
Ambos olharam para os lados, durante um curto período de silêncio, até Lily voltar para a conversa:
— Você, ahm, acompanhou o jogo de hoje a noite?
— Dos Bats? Não, não dessa vez.
— Certo, claro. Ahm, então...sem problemas. Eu vou deixá-lo descansar. Eu também preciso. — James assentiu, concordando, apesar de achar estranho a pressa dela. — Mas James... Por favor, me avise caso descubra algo sobre o caso na Floresta Proibida. Não esconda de mim.
Os olhos dela eram tão suplicantes que, caso ele considerasse esconder algo sobre tudo aquilo, os brilhos dos olhos verdes o fariam mudar de ideia.
Queria poder dizer que aquela preocupação era dispensável, que poderia dormir tranquila e retornaria com notícias de algum idiota aleatório fazendo merda aqui e ali com unicórnios. Era tudo o que queria poder dizer, mas obviamente, não podia. Não por acreditar em qualquer coisa, mas sim por qualquer coisa poder ser a resposta daquele mistério.
E se Lily pedia sua honestidade, então não diria algo apenas para tranquilizá-la. Tinha feito isso anos atrás e não repetiria aquele erro.
— Eu te avisarei, Lily. Mas eu prefiro pensar que nada precisará ser avisado.
Ela apenas balançou a cabeça, parecendo longe de estar tranquila.
— Obrigada, James.
Com um sorriso tímido, ela acenou e as chamas desapareceram com a sua saída, deixando James mais empenhado em descobrir e terminar aquele mistério do sangue dos unicórnios do que nunca.
J~S
— Bom dia, Sr. Potter
Andou mais alguns metros pelo átrio do Ministério...
— Olá, Potter. Viu o jogo ontem?
Negou, enquanto continuava o seu caminho.
— Olá, James.
Sorriu para a mulher que havia saído uma vez. Foi terrível, aliás, mas acenou de volta.
Conseguiu entrar no elevador após dezenas de acenos e sorrisos.
— Jornal, Auror Potter?
Um garoto carregava centenas deles embaixo do braço logo atrás dele no elevador.
— Obrigado — disse, aceitando um.
Chegou ao nível 2 e recomeçaram os cumprimentos. Era mais um dia no Departamento de Execução das Leis da Magia.
Pegou o seu caminho para o quartel dos Aurores, seu pequeno escritório de Auror Inquisitorial à sua espera. A sala de Moody estava fechada, como sempre, e se ele precisasse de James, saberia onde encontrá-lo.
Jogou seu casaco no pequeno sofá e finalmente sentou atrás da sua mesa de mogno, pronto para ler o Profeta Diário enquanto criava coragem para mergulhar nos relatórios que esperavam por ele.
"MCGUILLEN E EQUIPE LEVAM OUTRA VITÓRIA DO CAMPEONATO"
Oh, inferno. Sim, toda a sociedade bruxa imaginava que os Bats levariam a vitória ontem, obrigado. Precisava estampar na capa? Não havia notícias mais importantes?
Estava pronto para virar a página, quando a foto da manchete chamou sua atenção. Era McGuillen comemorando a vitória segurando um...!
É sério isso?
Um lírio. Aquele idiota estava estampado no jornal, comemorando sua vitória, com um lírio.
— Cadê as notícias importantes? Uma que mudará a minha vida.
Virou as páginas com força.
— Deve ter algo interessante nessa porcaria, não?
Virou outra página com força.
"JUROS AUMENTAM EM GRINGOTES..."
— O quê? Que absurdo. Que notícia terrível!
Fechou o jornal e saiu da sala com passos rápidos e largos. Aqueles que encontrou no caminho e que tentaram um cumprimento, não obtiveram resposta dessa vez.
Entrou na sala de treinamento sem bater. Sirius estava sentado, com os pés em cima da mesa e lendo o maldito jornal também, o que era bem costumeiro do maroto pelas manhãs.
— Você viu isso, Padfoot? — James perguntou, balançando o dito cujo no ar.
— Eu acho que não tinha como não ver, não é?
— Isso não é ridículo?!
— Depende do seu ponto de vista, Prongs.
James pegou o jornal e abriu na página.
— Que ponto de vista? Os juros não param de aumentar!
Sirius cerrou os olhos, tentando ver o que o amigo mostrava. Vendo a página no canto inferior, ele procurou a tal notícia no próprio jornal.
— Por que você se importa com isso? — o outro maroto perguntou, enquanto lia a tal notícia.
— Como eu não deveria? Todos deveriam, nosso dinheiro está lá.
— Como você deve ter lido bem a matéria aqui, James Potter, eles falam dos devedores.
Abrindo o jornal novamente, James foi até a matéria e leu as primeiras linhas. Sirius tinha razão.
— Ainda assim, isso é um absurdo — rugiu, ao amassar o objeto.
— Realmente, um absurdo. — Sirius cruzou as mãos em cima da barriga.
— Você viu a cara daquele duende na matéria? A felicidade pelos juros aumentando?!
— Sim, eu vi.
Eles se encararam. Um, com seus olhos furiosos, e o outro com o olhar leve, divertido. Ficaram assim por alguns segundos...
— Eu faria melhor — James, finalmente, disse.
— Juros?!
— Sim, juros. Faria melhores juros, se eu trabalhasse lá.
— Talvez. — Sirius deu de ombros, tranquilo, ainda encarando o amigo.
— Os devedores gostariam mais dos meus juros.
— Isso é algo que você não sabe.
— Claro que sei. Eu conheço...ahm...os devedores.
— Conhece?
— Sim, conheço.
Mais uma encarada de longos segundos...
— Se eu fosse um duende, claro — James voltou a falar.
— Sim, você precisaria ser um duende para trabalhar lá e fazer melhores juros. O que você não é.
— Não, não sou.
E novamente, eles se encararam...
— Maldição, você lembra do final do Campeonato, no sétimo ano? Eu fiz melhor!
Sirius tirou os pés da mesa, sorrindo como um louco.
— Agora estamos chegando em algum lugar.
— Padfoot, aquilo...— James pegou o jornal e apontou para a capa. — Isso aqui é ridículo. Brega, até.
— Você tem o direito de achar.
Olhou novamente para a foto em que McGuillen levantava aquele lírio sem parar, como se fosse um troféu. Era ridículo.
— Sim, brega e ridículo — confirmou.
— E exposto. Não tenho dúvidas de que os fofoqueiros já estão correndo atrás do motivo de McGuillen estar carregando um lírio e mostrando para todos.
Ainda tinha isso. Não demorariam muito para chegarem até Lily, ainda mais depois da matéria da tal Rita Skeeter.
— Ela sabia onde estava se enfiando quando começou a namorar esse cara, não? — disse ele.
— Provavelmente. Ela sabe que ele é famoso. Afinal, capitão do Bats não é qualquer coisa.
— Não, não é — concordou James, de má vontade.
Um dos times que ele detestava, aliás. Ela não poderia namorar alguém do Montrose Magpies? Seria mais fácil gostar do cara.
E nem nos seus piores pesadelos que Harry iria largar os Magpies! Nem nos piores pesadelos.
— De qualquer maneira, por que se importa? — Sirius perguntou, pegando uma xícara de chá e enviando outra para o amigo.
— Eu não me importo.
— Foi a sua falta de interesse no assunto que te fez entrar na minha sala assim, bradando aos ventos?
— Um: não é a sua sala, mas a sala de treinamento. Dois: não estava bradando aos ventos, muito menos por conta disso. Estava apenas preocupado com os juros, mas eu não sabia que era sobre os devedores. — James tomou um gole de chá antes de pousar a xícara na mesa. Sirius o encarava, uma sobrancelha levantada, parecendo esperar. — Que se dane. Você e esse olhar de quem sabe mais. Você não sabe nada, Black.
— É uma possibilidade, mas creio que sei muito.
— Bem, você não sabe.
— Certo, então eu não sei. — Dando de ombros, Sirius ajeitou-se na cadeira. — É tudo o que tem para falar sobre os juros dos devedores em Gringotes, Prongs?
— Acho que sim.
— Então acho que meu trabalho acabou por aqui. Se não se importa, eu tenho uma vigilância em dez minutos.
— Qual vigilância?
— Algo em uma fronteira no Leste da Europa. Nada para se preocupar, eu imagino.
De novo algo no Leste? Estava virando corriqueiro demais essas informações. Na última vez em que tivera uma nota sobre atividades suspeitas na península balcânica, não obteve resultados. Agora estavam enviando mais Aurores nas fronteiras?
Despedindo-se de Sirius e com o jornal embaixo do braço, James voltou para o próprio escritório. Parou na frente da porta de Moody, ainda fechada. Com a cabeça mais clara, começou a pensar que há dias aquela porta estava fechada, além de não ter visto Moody há semanas.
— Hm.
Foi até um armário perto da sua mesa e conferiu os casos mais recentes. Nenhum deles tinha o nome de Moody. Estranho. Mas James não era seu chefe e muito menos deveria se preocupar com a ausência dele, então voltou para a mesa, vendo a pilha de pergaminhos que tinha que lidar, além de uma reunião em duas horas.
Sua atenção voltou para a primeira página do jornal e um pensamento desestabilizante cruzou sua mente:
"A única vez em que levou Lily para a primeira página do Profeta Diário, era ligado à Voldemort e bruxos das trevas."
Ver McGuillen levantar aquele lírio enquanto sorria e comemorava, o incomodava mais do que deveria. Não era suposto pensar demais naquilo, muito menos sentir-se um merda por não ter proporcionado aquela felicidade para ela antes.
Com ele, ela foi Lily Potter, a que escapou e ajudou a derrotar Voldemort. Para alguns, aquilo poderia ser algo bom, mas ninguém sabia pelo o quê passaram naqueles meses escondidos, naquela noite...o medo de perderem Harry, de perderem a si, a família. As pessoas pareciam esquecer que havia mais do que a batalha de uma noite. Todos os dias antes do 31 de Outubro foram batalhas. E depois também.
Olhou de novo para o jornal.
Ela merecia ser reconhecida por coisas boas, menos pesada do que "A mulher que escapou de Voldemort" ou até mesmo "a ex-mulher de James Potter" ou qualquer coisa parecida.
No final, McGuillen talvez estivesse fazendo algo bom.
Seus olhos bem treinados foram desviados para a pequena janela, que tinha como vista o átrio do Ministério e todos os apressados funcionários e visitantes. Muitos deles se misturavam, mal podiam ser reconhecidos. Mas algo chamou sua atenção.
Um turbante roxo.
Por que o seu olhar periférico despertaria a curiosidade sobre aquele cara?
Espera. Aquele não era um professor de Hogwarts?
Largou o jornal na mesa e saiu apressado da sala. Por sorte, um elevador já estava sendo preenchido por alguns Aurores, então James se enfiou entre eles.
Assim que o átrio foi anunciado, o maroto abriu com rapidez as grades do elevador e saiu em direção da última posição do tal homem de turbante. E qual foi a sua surpresa ao achá-lo ainda parado no mesmo lugar, olhando um pouco por todos os lados, conversando com o vento.
Era dia de semana, no começo da manhã. Esse homem deveria estar na frente de um monte de criança, ensinando uma matéria que James não lembrava qual era.
— Posso ajudá-lo? — perguntou James ao aproximar-se despreocupadamente do professor.
O homem de turbante roxo virou-se, completamente surpreso.
— Oh, senhor Potter. Di-di-digo, olá.
— Esse é um outro preço chato da fama: somos reconhecidos, mas nunca sabemos com quem falamos. — James ofereceu a mão. — Sim, James Potter. O senhor é...?
— Quirinus Quirrel.
O homem olhou duas vezes para a mão de James, receoso, antes de aceitá-la.
— Professor em Hogwarts, não?
— Exatamente.
O homem teve um tilt com a cabeça, parecendo desconfortável com algo.
— Qual matéria ensina?
— Estudo dos Trouxas.
Mais um tilt com a cabeça, e um outro logo depois.
— Está tudo bem, senhor Quirrel?
O homem o ignorou por alguns segundos, fechando os olhos algumas vezes. Por um momento, James considerou chamar por ajuda médica, pois o professor parecia a ponto de ter uma convulsão ou algo do tipo.
De repente, o homem abriu os olhos como se nada estivesse acontecendo e focou seu olhar em James.
— Ótimo, estou ótimo.
— Caso precise de ajuda, posso acompanhá-lo ao St. Mungus.
— Sem necessidades. — O homem ria um pouco, claramente tentando desvencilhar-se daquela conversa.
— Oras, então o que te traz ao Ministério? Tenho certeza que há turmas em Hogwarts a serem ensinadas neste dia.
Os olhos do professor mudaram por um momento e James podia jurar que viu algum tipo de raiva por trás deles, antes de desaparecer.
— Reunião sobre alguns papéis. Agora, se me der licença, senhor Potter...
Quirrel desviou de James, pronto para seguir em direção aos elevadores, mas o professor foi obrigado a parar quando alguém entrou em seu caminho, surpreendendo a ambos: Lily.
A ruiva estava alguns passos atrás de James, claramente esperando pela conversa entre os dois homens terminar para poder se fazer presente. Ela olhou de Quirrel, para James.
— Bom dia. Desculpem-me, eu não quis interromper — disse ela.
Novamente, o professor começou a ter alguns tilts com a cabeça e a fechar os olhos. Dessa vez, ele murmurava algo, como estava fazendo antes de James se aproximar. O maroto olhou para a recém-chegada, ambos compartilhando uma expressão de confusão.
— Não atrapalhou, Lily. Bom dia — respondeu James, enquanto ambos ainda observavam o bizarro professor ter uma sessão de torcicolo no meio do átrio do Ministério.
Aquilo estava tão estranho, que James mal reagiu com a presença dela, ainda que estivesse agradavelmente surpreso. O professor estava agindo tão bizarramente, que era difícil pensar em outra coisa além disso.
O homem sorriu por um instante, antes de parecer voltar para a sua sanidade e encará-los.
— Olá, senhora Potter. Se puderem me dar licença, estou atrasado para a minha reunião. Tenham um bom dia.
Desviando-se, o professor Quirrel continuou o seu caminho até os elevadores.
"Senhora Potter"? Ele chamou Lily de senhora Potter? Aquele homem tinha parado no tempo também? Porque apesar de eles, se fossem vistos juntos, pudessem ser chamados de "os Potter" por tudo o que aconteceu, não chamariam Lily de senhora Potter mais.
Estranho.
— Quem é esse homem? — perguntou Lily, observando-o se afastar.
— Um professor de Hogwarts — respondeu James. — Um professor que merece ser seguido, aliás.
Sem delongas, James pegou o mesmo caminho do professor, mas mantendo uma distância segura. Quando teria que parar com perseguições pelo Ministério? Não bastou Lucius?
— Como vamos segui-lo no elevador? Impossível! — Lily apressou-se ao seu lado para acompanhar seus longos passos.
— Você está vindo?!
— Claro.
Por quê?, quis perguntar. De onde ela vinha ou para onde estava indo? Estava ali para falar com ele ou para resolver algo sobre a sua mudança para o outro lado do mundo?
Normalmente e considerando as últimas interações entre eles, James sentia um formigamento na nuca quando Lily se aproximava, mas não dessa vez. Será que aquilo significava que todas as vezes que sentiu o formigamento, ela o olhava diretamente ou estava focada nele de alguma forma e, hoje, Lily estava olhando o professor Quirrel, provavelmente estranhando-o também?
— Por que está vindo? — ele resolveu perguntar.
— Eu tinha acabado de chegar quando te vi se aproximar dele e tudo parecia tão estranho, mesmo de longe. Ele parece estranho mesmo de Marte, eu diria.
O comentário sobre o planeta trouxe um relampejo de preocupação ao lembrar do brilho de Marte e a suposta guerra que poderia estar vindo, segundo os centauros.
Não iria pensar nisso agora. Tinha uma pulga atrás da sua orelha com esse cara de turbante roxo e queria saber o que ele fazia ali, ao invés de estar em Hogwarts ensinando aos alunos como usar um telefone trouxa.
Quirrel entrou no elevador 2 e Lily estava indo naquela direção, quando James segurou seu braço e a puxou para o elevador 3. Pegando um tubo preto de dentro do seu casaco, mais parecendo com um mini telescópio, ele o colocou contra a parede do elevador. Lily assistia a tudo, curiosa.
— Isso é um tipo de rastreador de transporte. Caso alguém estiver perto o suficiente e aparatar enquanto eu o uso, eu posso aparatar no mesmo lugar. Nesse caso, vai nos ligar com o outro elevador e pararemos onde ele parar. — Viu que ela ficou surpresa com o objeto. James também tinha ficado quando o viu pela primeira vez. — Porém, vou precisar da sua ajuda — ele começou, fazendo Lily escutá-lo prontamente para a sua tarefa. — Fique perto da porta e quando pararmos em algum nível, fique de olho se ele sairá.
As outras três pessoas que compartilhavam o elevador, estavam alheias a tudo, cuidando de suas vidas, mal sabendo que talvez fariam um bate-volta em alguns níveis antes de chegarem onde queriam.
Pararam no nível 3: Departamento de Acidentes e Catástrofes Mágicas. Lily olhou disfarçadamente para fora, conferindo quem descia do elevador vizinho. Ela voltou a sua posição, sem olhar para James, avisando de que não era a hora deles ainda.
Voltaram a descer. Dessa vez, pararam no nível 5: Departamento de Cooperação Internacional em Magia. Duas pessoas do elevador em que estavam, desceram. Lily, novamente, esticou o pescoço para conferir o corredor e voltou para a sua posição. Quirrell não havia saído.
Nível 7: Departamento de Jogos e Esportes Mágicos foi anunciado. Lily espiou o corredor.
— Este elevador está com defeito? Não é a primeira vez nos últimos dias — reclamou o último passageiro que dividiam o elevador.
— Eu temo que ele continuará descendo. Talvez seja melhor pegar outro, já que esse não parece estar nos obedecendo — respondeu James.
— Tem razão.
O homem saiu e Lily voltou à sua posição.
— Não temos muitos outros níveis restantes.
Lily parecia ter pensado alto, não dirigindo-se a ele.
O elevador desceu novamente, chacoalhando um pouco e mergulhando os dois em um silêncio que parecia ficar mais tenso de acordo com os metros que percorriam. O anúncio curto e simples acima de suas cabeças pareceu trazer mais tensão:
— Departamento de Mistérios.
As grades se abriram. James estava pronto para segurar Lily e impedi-la de conferir se Quirrel havia descido, mas não foi preciso. Ela ficou parada, assim como ele, encarando o longo, frio e sinistro corredor do nível 9.
Não havia passos ou indício de que alguém do elevador ao lado havia descido. O silêncio era tão assombroso, que ele teve um arrepio. James tirou a varinha do seu coldre vagarosamente, não querendo dar sinal de suas presenças ali. Lily, sem nem mesmo olhar para ele e estando um passo à frente, também tirou a varinha de sua manga.
Tudo o que tinham, eram as grades do elevador abertas, o corredor sinistro à frente e a certeza de que o elevador do lado também estava parado ali, pois James ainda segurava o pequeno objeto que ligava os dois.
Quirrel ainda estava ali. Os elevadores não ficavam subindo e descendo sem passageiros, a não ser que tivessem mensagens sendo enviadas entre departamentos. Mas nenhuma mensagem tinha saído e não tinha ninguém no saguão do nível 9, esperando para embarcar em um elevador.
James agarrou o casaco de Lily e a puxou para trás com delicadeza. O fato de que qualquer um poderia aparecer de surpresa pelo canto daquela porta estava lhe enviando enormes sinais vermelhos, e Lily não poderia ser a linha de frente caso algo acontecesse.
Não deveria sentir-se assim. Estavam apenas em um nível qualquer do Ministério da Magia. Por que tinha a sensação de que seriam atacados a qualquer momento? Não fazia sentido.
Mas independente de não fazer sentido, o seu instinto lhe dizia para estar pronto para o que fosse.
Os dois deram um salto de surpresa quando as grades fecharam e começaram a subir. Ainda conectados com o elevador ao lado, James começou a pensar o que tinha acontecido ali.
— O que ele queria ali e por quê não desceu? — perguntou Lily, guardando sua varinha e virando-se para ele.
O que um professor de Estudo dos Trouxas poderia querer no Departamento de Mistérios? Sozinho, sem saber o que encontraria no fim daquele corredor: a câmara cheia de portas, feita justamente para desorientar qualquer um que não fosse um Inominável.
Ou o professor Quirrel era mais fora de si do que James poderia imaginar. Ele já não aparentava muita sanidade.
Foram direto ao átrio. James guardou o seu objeto que ligava os dois elevadores e as grades se abriram, mas eles não sairam. Lily permaneceu ao seu lado, enquanto funcionários apressados passavam por eles. Ainda sem se mexerem, James e Lily viram as grades se fecharem... no mesmo momento que Quirrel apareceu logo na frente daquele elevador, observando-os.
James pegou a varinha do coldre, reagindo automaticamente, mas quando o elevador começou a descer, o professor de turbante apenas deu as costas e se infiltrou na multidão.
— James...
Sentiu a mão de Lily abaixando a sua própria, que tinha a varinha quase apontada para o nada entre os níveis que passavam. Olhando ao redor, percebeu que todos os outros também os encaravam, receosos.
Colocou a varinha de volta ao coldre no exato momento que chegavam ao nível 2. Assim que as grades abriram, James saiu do elevador e parou na entrada do QG dos Aurores, onde uma vez encontrou Lily admirando todos os troféus e recortes de jornais. Por coincidência, parou exatamente onde ela estava naquela vez: no tal recorte do jornal do dia 31 de outubro de 1981.
Ele respirava um pouco rápido, com raiva, confuso. Não entendia o que aquele homem estava fazendo, mas era certo que estava maluco. Como um cara daquele poderia ensinar em Hogwarts? Não se importava se o cara fosse um pouco bizarro, mas ir até o Departamento de Mistérios sozinho? Aquilo era além de bizarrice de alguém, arriscaria até dizer que era além de curiosidade.
O professor sabia o que poderia encontrar ali? Não era de conhecimento público, raro até para funcionários do Ministério. James até podia entender a curiosidade de alguém, mas não qualquer um, como um professor aleatório de Hogwarts que ensinava algo que não tinha relação alguma com o que podia ser encontrado naquele nível.
"Maluco", então, poderia não ser a palavra certa. Ma será que defini-lo como "perigoso" era se precipitar?
Estava exagerando, implicando com um homem um pouco fora das suas faculdades mentais? Qual a razão de sentir-se tão inquieto? Com certeza não era apenas pela bizarrice, tinha algo a mais. Quirrel parecia ter uma aura fora do comum.
Ou estava tenso demais com as últimas histórias que tinha que lidar, deixando qualquer coisa entrar na sua mente.
Porém, precisava saber mais de Quirinus Quirrel. Preferia averiguar e ter certeza, do que deixar passar qualquer coisa que o seu instinto lhe dizia para verificar.
Seus olhos viajaram novamente para o recorte de jornal à sua frente, deixando toda e qualquer coisa relacionada à Quirrel de lado.
Toda vez que se deparava com a cena da Potter Cottage naquele estado, sentia um peso cair em seu corpo, como se ele fosse responsável por aquilo, por não ter visto o grande problema que estava ao seu lado (um espião), ou não ter tido a ideia de se esconderem em algum lugar completamente desconhecido para qualquer um.
As inúmeras possibilidades que surgiam agora eram óbvias, mas àquela época, nada fazia muito sentido. Eles agiam de acordo com o medo e não a lógica. Era a vida de Harry em perigo, aquele bebê que eles tanto amavam, e que não tinha meio algum de se proteger.
Tantas lágrimas foram derramadas, tantas noites sem dormir, ficando de guarda na frente do berço, na frente da casa. O medo de perder Harry, de perder Lily.
Uma olhadela para a ruiva em questão, constatando que ela também olhava para o recorte de jornal, o fez suspirar, sentindo um pouco daquele peso sair de seu corpo, pois hoje em dia, ela vivia mais tranquila: Harry estava bem, tinha um trabalho que amava, iria progredir ainda mais com a mudança para a MACUSA e um namorado que parecia amá-la.
O maroto sentiu o corpo mais leve, apesar do seu coração nunca livrando-se da eterna tarefa de carregar o seu próprio peso do passado.
James fixou os olhos na Potter Cottage novamente.
— Eu fico feliz — disse, por fim. Lily virou-se para ele, confusa.
— Pelo o quê?
— Por ele estar te trazendo para as capas dos jornais com algo bom. Você merece mais do que ser lembrada por isso. — Apontou para o jornal do dia 31 de outubro de 1981. Desviou o olhar, não querendo mais ver o que um dia foi a sua casa em tal estado de destruição. — Obrigado pela ajuda hoje, Lily. Tenha um bom dia.
James abaixou a cabeça em uma despedida, antes de pegar o caminho de volta para o seu escritório e começar seus estudos sobre Quirinus Quirrel, o professor sinistro e com torcicolo.
— James?! — A voz de Lily o parou, obrigando-o a virar. A bela mulher tinha as mãos cruzadas na frente do corpo, com um sorriso leve. — Lembra do final do campeonato no sétimo ano?
Ele soltou uma rápida risada pelo nariz. Por um grande acaso, falava disso mais cedo com Sirius.
— Sim, claro.
— Eu estava na capa do jornal estudantil no dia seguinte, onde eu sorria e ria sem parar, após o meu namorado, o super Capitão da Grifinória, posar com o troféu em cima de um ombro e comigo enrolada no outro braço...depois de ter me pegado no meio de todos os estudantes que comemoravam no gramado e dizer, para quem quisesse ouvir, que aquele troféu não era nada caso ele não pudesse estar ao meu lado para comemorar.
Com aquela descrição, James sentiu-se catapultado para o dia. Não foi um longo jogo, terminando em duas horas e meia, mas que exigiu tudo de todos os jogadores naquele campo. A Corvinal não queria perder tanto quanto a Grifinória, e os embates foram inúmeros.
Ganhar a taça do campeonato no seu último ano, mesmo tendo ganhado alguns antes, foi saboroso, pois James partia de Hogwarts com a sensação de dever cumprido como Capitão. Levou o time para mais vitórias que poderia sequer imaginar, fazendo a Grifinória bater recordes.
Mas nada daquilo teria o mesmo gosto, caso não pudesse ter comemorado abraçando Lily, tendo-a usando o seu cachecol do Capitão, mesmo com a temperatura tão amena quanto estava naquele quase começo de verão. Vê-la abrir os braços e correr até ele no final do jogo, era uma imagem que nunca esqueceria, mesmo não tendo pensado nela por tantos anos.
Para ser honesto, não fez nada demais. Não levantou um lírio na frente de todos, como se ela fosse o troféu; não a exibiu como se fosse algo conquistado ou que pertencia a ele. Apenas a abraçou, a beijou e saiu em todas as fotos com o troféu do campeonato nos ombros sim, mas com Lily onde ela queria e deveria estar: ao seu lado. Comemorando a vitória que pertencia tanto a ela e sua Casa, quanto a ele.
— Isso quer dizer que eu comemorei melhor do que McGuillen? — perguntou, segurando o sorriso.
Lily limitou-se a encará-lo, com uma expressão descontraída.
— Tenha um bom dia, James.
Usando aquilo como resposta, ela saiu do QG dos Aurores, deixando o sorriso de James abrir ainda mais.
— É claro que eu fiz melhor. Quem ousaria discordar?
Voltou seu caminho para o escritório, pronto para mergulhar na vida de Quirinus Quirrel, mas com uma semente sendo plantada em si. Uma que ele não deveria alimentar.
Uma que já foi plantada, mas não poderia replantar. Não poderia.
Não iria.
Não. Iria.
N/A
Alguém aí pegou alguma referência? =x Sera que vocês ainda lembrariam?
Mais um capítulo depois desse para a mudança de Ato. Digo isso e não direi mais nada =x
Curta aí e deixe uma palavrinha de amor para a minha pessoa, o que acha? :D
Beijos!
